sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Os bons e os maus ateus



Ainda a propósito de Christopher Hitchens, veja-se este texto de Giacomo Galeazzi no “Vatican Insider”, aqui traduzido. Acontece, de facto, que os crentes são mais capazes de dialogar com os ateus abertos (alguém já lhes chamou “mancos”, porque lhes falta qualquer coisa e é nessa qualquer coisa que se encontram com os crentes) do que com os ateus missionários, os que combatem militantemente a fé/religião. Os bold são meus.

E Hitchens ficou de fora do Átrio dos Gentios. Faltou o convite do Vaticano para um intelectual anticonformista e um espírito livre. No post Consigli a un giovane ribelle do seu blog Parola & Parole, o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura conta: "Eu não consegui convidar Hitchens para entrar no Átrio. Teria me agradado a ideia de dialogar com [ele] fora de polêmicas e atitudes preconcebidas, isto é, como methórios, assim como definia o sábio Filão de Alexandria".
E, acrescenta, "é precisamente essa a ideia do Átrio dos Gentios: um espaço aberto à luz, em que se encontram e se desencontram o absurdo e o mistério, a pura racionalidade e o 'Tu Desconhecido'. Espero que a morte tenha sido para ele 'uma porta que se escancara e irrompe o futuro', retomando o aforismo de Graham Greene que ele tanto gostava de citar. Seria, para ele, como entrar em uma nova infância".
O purpurado parte de uma referência a outro grande laico: "Para Mitterrand que perguntava: 'Em cinco minutos, diga-me a substância da sua experiência de filósofo', Jean Guitton respondia: 'É a escolha entre duas soluções: o absurdo e o mistério'". E, especifica o cardeal, "Christopher Hitchens tinha escolhido a primeira solução, denunciando a religião como 'a principal fonte do ódio neste mundo'. Insistia Mitterrand: 'Mas qual é a diferença? O mistério também parece absurdo'. E Guitton: 'Não, o absurdo é um muro impenetrável contra o nos batemos em um suicídio. O mistério é uma escada: sobe-se de degrau em degrau rumo à luz, esperando'", para depois concluir: "Como homem de fé, a minha esperança é de ver o jovem rebelde voltar-se à luz e subir de degrau em degrau até o oceano de amor em que todo o ódio do mundo imerge". 
Porém, com apenas dois meses de vida pela frente, o polemista britânico Christopher Hitchens desferiu um último e duro ataque contra o Vaticano, acusando-o de cumplicidade com os regimes totalitários dos anos 1930 na Europa. Hitchens, ateu militante até a sua morte na semana passada [15 de dezembro] por causa de um tumor no esôfago, defendeu, na última entrevista com Richard Dawkins na New Statesman, que todo governo fascista da Europa daquela época era, na realidade, um "partido católico de extrema direita". 
Para Hitchens, autor de Deus não é Grande, "quase todos esses regimes chegaram ao poder com a ajuda do Vaticano e com a compreensão da Santa Sé". O polemista defendeu as suas posições como uma batalha contra todo totalitarismo, seja de direita, seja esquerda: "O totalitarismo para mim é o inimigo: aquele que quer ter o controle sobre o que você pensa, não só sobre as suas ações e os seus impostos. E a origem disso é teocrática". 
Não foi apenas Hitchens que ficou de fora do Átrio dos Gentios. Outros ateus ilustres ficaram de fora: por exemplo, Richard Dawkins, Piergiorgio Odifreddi e Michel Onfray. Odifreddi também escreveu um longo artigo em que manifestou seu próprio desacordo: "Na visão não só de Ravasi, mas de toda a Igreja Católica – escreveu – há ateus 'bons' e ateus 'maus'. Os melhores dentre os bons são aqueles como Cacciari: isto é, aqueles que não são ateus por nada e servem como útil cobertura laicista nos debates entre aqueles que acreditam abertamente e aqueles que acreditam de forma escondida. Se esse juízo parece impiedoso, basta olhar no YouTube o recente vídeo de Massimo Cacciari e Piero Coda em diálogo. Aqui, diálogo significa, na realidade, monólogo do primeiro, inserido entre duas frases do segundo. E qualquer um pode julgar por si só se as palavras de Cacciari sobre a Trindade são as de um ateu ou de um perfeito crente, como, aliás, confirma a opinião do teólogo. É óbvio que o cardeal Ravasi prefere escolher como interlocutores, para a passarela do Átrio dos Gentios, filósofos crentes em vez de matemáticos ateus. Até porque com os primeiros ele pode livremente desviar o discurso sobre assuntos como vida e morte, bem e mal, amor e dor, verdade e mentira, liberdade, solidariedade, bioética, medicina, economia".

Rãs do charco

Santo Agostinho citado por Timothy Radcliffe (pág. 264 de "Ser cristão para quê»"):


"As nuvens do céu proclamam pelo mundo fora que a casa de Deus está a ser construída. Mas estas rãs sentadas no seu charco grasnam: «Só nós somos cristãos»".

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

É seguro? É aberto?

Ao quadro aqui apresentado sobre os católicos da Comunhão e os do Reino faltava pelo menos mais uma característica: a pergunta preferida.


Os da Comunhão perguntam sempre: "É seguro/a?" (A Igreja, a doutrina, a teologia, a moral...). Os do Reino perguntam: "É aberto/a?" (O responsável, a pessoa, a comunidade, a teologia...).

João César das Neves sobre Christopher Hitchens



João César das Neves escreveu na segunda-feira passada, no DN, sobre o "cavaleiro do Apocalipse" Christopher Hitchens, que morreu no dia 15 de dezembro passado.
O ateísmo é a doutrina religiosa com o dogma de que Deus não existe. Embora se considere científica é uma crença como as demais, pois relativamente à divindade o ser humano nada conhece. A única coisa que podemos é formular convicções. Eu acredito que Deus existe, Hitchens tinha a certeza que não, mas ninguém realmente sabe. Um dia veremos, mas então será demasiado tarde.
…
(…) Existe aqui uma assimetria curiosa. Se eu escrever algo contra uma fé alheia ou atacar o ateísmo, sou intolerante e fanático. Mas um ateu que critique abertamente a religião e até faça disso carreira profissional, manifesta liberdade de expressão. Durante muito tempo atacar a Igreja era, não perseguição e chauvinismo, mas suprema prova de democracia e humanismo. Os mais ferozes anticlericais chamavam a si mesmos "livre pensadores". 
O "novo ateísmo" caracteriza-se precisamente por esta dureza contra a religião, o que é compreensível por várias razões. Primeiro por ser comum em crenças pequenas e inseguras. Depois porque este novo ateísmo tem de viver na evidência do fiasco do antigo. Até há cem anos todos os pensadores cépticos acreditavam piamente na morte próxima da religião e num futuro ateu, crença que falhou redondamente. 
Acima de tudo, o ateísmo é a certeza de que a vida não tem sentido e a morte é o nada. Por isso era tão importante observar o fim de Christopher Hitchens. Este autor, a quem os conhecidos descrevem com uma personalidade encantadora, sabe agora se a sua aposta é certa ou errada. Como pessoa religiosa, rezo sinceramente pela alma que ele achava não ter. Faço-o confiante no sentido de humor do Senhor do universo, que deve esmerar-se em receber com especial delicadeza aqueles que pessoalmente O negam.
Ler tudo aqui.

Abel Varzim e Tintim

Retirado da revista "Transformar", do Forum Abel Varzim, em linha com o que já neste blogue se escreveu sobre o Tintin (ver Dois padres na vida de Tintin). Note-se que as novas traduções portuguesas escrevem Tintin - como no original.

Ricardo Sá Fernandes, cristão e maçon?

Ricardo Sá Fernandes confessa-se maçon e cristão, no "Público" de hoje. Não sei como consegue conjugar as duas pertenças. Penso, como há dias disse D. José Policarpo e a Igreja tem dito, que as duas facetas não são conciliáveis. Um delas fica a perder.

Abstenho-me de pensar qual delas sofre no caso deste advogado tão mediático, tão envolvido em casos sonantes, quando em alguns deles parece que a estratégia é usar os expedientes da lei para que não se faça justiça. Cumpre-se o direito, mas não sei onde fica a moral.


Tome sempre o lado mais radiante da dúvida

Nada do que merece ser provado
é provado ou refutado. Portanto, seja sábio,
tome sempre o lado mais radiante da dúvida.


Alfred Tennyson (1809-1892)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Livros (3): Descobrimentos como cruzadas, uma tese nova com séculos de existência



O livro sobre “Vasco da Gama para estrangeiros”, como alguém escreveu, de Nigel Cliff, diz que a aventura dos descobrimentos foi uma cruzada, uma guerra santa contra os muçulmanos.

O livro intitula-se “Guerra Santa” e em antetítulo tem na capa: “As viagens épicas de Vasco da Gama e o ponto de viragem em séculos de confrontos entre civilizações”.

A tese da guerra santa nos descobrimentos tem sido recebida com alguma surpresa e como novidade onde o livro tem sido publicado. Mas, na realidade onde está a novidade? Talvez para ingleses e americanos. Pelo menos do ponto de vista português, não há surpresa nenhuma. Nos autos de Gil Vicente, autor coetâneo da expansão, os soldados mortos em combate contra os mouros vão diretamente para o céu, como em qualquer cruzada. E a ideia do encontro e aliança como reino cristão do Prestes João é isso mesmo, uma aliança contra o inimigo comum. As cruzes de Cristo nas caravelas são mesmo cruzes da cruzada. A cruz vai à frente.

Claro que, com as modas historiográficas - o positivismo, o marxismo, o estruturalismo… - as motivações económicas ou outras predominam na explicação dos factos. Mas o mundo dá tantas voltas que a explicação primeira acaba por vir a cima como se fosse novidade.

Por outro lado, o livro talvez contribua para acabar com um grande equívoco cultural. O feito de Vasco da Gama (1498) é incomparavelmente maior do que o de Colombo (1492), embora na mentalidade anglo-saxónica a descoberta da América esgote a epopeia das descobertas. Mas o que estava em disputa era chegar à Índia. E foi Gama quem lá chegou primeiro.

Com a ascensão da Índia e da China no campeonato das nações, é provável que o feito de Gama venha mesmo a sobrepor-se nas mentalidades ao de Colombo.

Livros (2): Livros de fé, ciência e confusão

Crónica do professor de Coimbra, já com um mês de idade, a crónica, não o professor português que escreveu o artigo científico mais citado em revistas da especialidade, de leitura sempre instrutiva, sobre livros de fé e ciência. Saiu no "Sol" de 9 de dezembro de 2011.



A sociedade secreta do Opus Dei pela enésima vez

A "Focus" de hoje fala de sociedades secretas. E entende por sociedade secretas, como diz na capa, Maçonaria e Opus Dei.


Quanto ao Opus Dei, que não é nenhuma sociedade secreta (onde fica o sítio Internet da maçonaria? O do Opus Dei é aqui), a abordagem não está isenta de erros e preconceitos. O jornalista está sempre a dizer que o Opus Dei é uma sociedade secreta e quando escreve que "mas a Focus sabe que..." é quase certo que se segue asneira. No final, a lista de pessoas influentes é uma desilusão.


Já se o fundador do PNR pertence ao Opus Dei, o facto não abona nada a favor da prelatura. De qualquer maneira, tendo em conta a expressão eleitoral do PNR, o Opus Dei de pouco lhe serve para conquistar o poder... 




Livros (1): Bestseller do Padre Marcelo Rossi vai ser publicado em Portugal


O livro mais vendido no Brasil, no ano passado, foi "Ágape", do padre Marcelo Rossi. Saiu em Agosto de 2010 e, na sua maioria em 2011, vendeu 7,2 milhões de exemplares.


Vai ser publicado em Portugal pela Porto Editora (ou outra editora do grupo), que comprou os direitos. Repetirá o sucesso em Portugal? É curioso que aparece o autor na capa brasileira, não sendo um livro de memórias ou algo do género. Tanto quanto dizem as recensões, trata-se de um livro de reflexões a partir do Evangelho de João. Mas a figura do padre, pelo menos no Brasil, é o que que vende. Espiritualidade dançante para as massas.


Com seu método de comunicação moderno, original e leve, padre Marcelo leva conforto espiritual e ensinamentos da Igreja Católica para milhões de brasileiros através da mídia. O estilo claro, direto e sereno que o transformou em fenômeno midiático está impregnado, agora, em Ágape, livro em que o autor expõe trechos selecionados do Evangelho de São João e os reinterpreta à luz do significado do amor divino no mundo contemporâneo. 
Além de se apresentar como estudo teológico sobre os escritos narrados pelo apóstolo, o livro também tem explícita intenção oracional. Assim, ocorre um diálogo entre o autor, na condição de padre, e seus filhos em busca da palavra santa. Cada capítulo se encerra com uma oração envolvendo os temas ali examinados, como a convidá-lo para um momento de introspecção e de acolhimento das mensagens de Jesus segundo são João. 
 A escolha do Evangelho de são João entre tantas possibilidades da Bíblia é justificada por Padre Marcelo pela beleza da estrutura literária e pela impressionante delicadeza com que são descritos os momentos da vida de Jesus – como se o apóstolo não se contentasse em apenas narrar os fatos, mas quisesse nos trazer para dentro da situação descrita. Compartilhar a beleza das narrações do evangelista é outro dos objetivos declarados do padre que busca incentivar cada vez mais a leitura da Palavra de Deus (lido aqui).

Para onde quer que ela nos leve

Como filósofo profissional mudei mais do que uma vez de ideias sobre temas polémicos. Isto não deve constituir surpresa, dado que acredito na possibilidade do progresso em filosofia e no princípio de seguir a razão para onde quer que ela nos leve.


Antony Flew, Deus (não) existe, Aletheia, p.59

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Vaticano copiou biografias de cardeais da Wikipedia



Li no DN (aqui):
O Vaticano admitiu ter recorrido à Wikipedia para fazer as biografias, dos 22 novos cardeais, enviadas aos jornalistas. 
As biografias foram copiadas da versão italiana da enciclopédia online, que pode ser editada por qualquer utilizador. Em alguns casos foram copiadas integralmente e sem atribuir a origem da informação. As desconfianças surgiram quando alguns dos cardeais eram descritos pelo Vaticano como "católicos". A Santa Sé já se justificou dizendo que estava a tentar ajudar os jornalistas e que avisou que as biografias eram "não oficiais", indica a BBC.


Das duas uma: ou há um pecado de preguiça no Vaticano (e a preguiça, segundo a sólida doutrina católica, é um dos pecados mortais) que origina um roubo; ou o Vaticano não é uma estrutura assim tão informada e com relatórios sobre tudo e sobre nada como por vezes se diz.

Remédios e magia

Antigamente, quando a religião era forte e a ciência era fraca, os homens usavam a magia como remédio; agora que a ciência é forte e a religião é fraca, os homens usam remédios como magia.


Thomas Szasz

Apócrifos modernos: "Precisamos de Santos"



Corre por aí e não há grupo de jovens católicos que não conheça o texto. Atribui-se a João Paulo II, mas ele não escreveu uma linha sequer. É um apócrifo dos tempos modernos, ou um pseudoepígrafo, como aquela oração que é atribuída a Francisco de Assis, mas foi escrita no século XX ("onde houver ódio, que eu leve o amor..."). O texto dito de João Paulo II, com origens no Brasil, como denunciam as palavras:

Precisamos de Santos

Precisamos de santos sem véu ou batina.
Precisamos de santos de calças jeans e ténis.
Precisamos de santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com amigos.
Precisamos de santos que coloquem Deus em primeiro lugar e que se “lascam” na faculdade.
Precisamos de santos que tenham tempo diário para a oração e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem sua castidade.
Precisamos de santos modernos, santos do século XXI, com uma espiritualidade inserida em nosso tempo.
Precisamos de santos comprometidos com os pobres e com as necessárias mudanças sociais.
Precisamos de santos que vivam no mundo, que se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.
Precisamos de santos que bebam coca-cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas.
Precisamos de santos que amem apaixonadamente a Eucaristia e que não tenham vergonha de comer uma pizza nos fim de semana com os amigos.
Precisamos de santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança.
Precisamos de santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Humor nos 50 anos do Vaticano II

O Hermano Cortés está a dedicar uma série de "dibujos" aos 50 anos do II Concílio do Vaticano. Este é o segundo. Ver mais aqui.

Precisamos de bons debates


Por estes dias, neste blogue, que não tem estado tão estado tão ativo da minha parte como era costume (em 2011 a média diária esteve nos 4,09 posts; em 2012 está nos 2,6), tem havido um grande debate, por vezes de surdos, à volta de alguns textos.

Alguns leitores sugeriram que fechasse a possibilidade dos comentários. Não o faço (atitude elogiada por outros) porque penso sinceramente que há falta de debate e que o cristianismo é uma conversa nunca acabada (apenas elimino os comentários que são spam).

Invoco nesta ideia da conversação infinita D. Manuel Clemente, a quem ouvi dizer que esta conversa infinita não é conversa fiada, mas a continuação daquela expressão apostólica, “Só tu tens palavras de vida eterna”, Agostinho da Silva, que defendia a “vida conversada”, e o melhor da tradição judaica, das sucessivas interpretações, dos textos sobre os textos sobre os textos, como tão bem descreveu George Steiner (julgo que nas “Lições dos Mestres”).

Como tenho andado a pensar nisto do diálogo – mesmo com quem nos irrita – e da liberdade de expressão, transcrevo para aqui dois excertos lidos hoje mesmo no IHU, porque só não há coincidências se não as quisermos ver.

Texto 1.
Não se fazem mais debates como antigamente. E a culpa não é da internet, pelo menos em parte. É certo que a facilidade de acesso a bases de dados de todos os tipos tirou dos congressos a novidade das descobertas, mas isso não é motivo para o esvaziamento das pautas, muito pelo contrário. 
Justo hoje que as tecnologias de captação, distribuição e compartilhamento são cada vez mais baratas e fáceis de usar, o ambiente de simpósios deveria efervescer em ideias, confrontos, colaborações e esclarecimentos, cujo calor das discussões tornaria comuns episódios como a baixaria entre Karl Popper e Ludwig Wittgenstein, em 1946. 
Wittgenstein argumentava que as questões filosóficas não passavam de problemas linguísticos. Popper discordava. Para estimular o debate, a Universidade de Cambridge convidou Popper para expor suas ideias, com Wittgenstein e outros figurões no auditório. 
A expectativa era grande, mas não para o que ocorreu. Mal começado o evento, Wittgenstein pegou o espeto da lareira e, armado com ele, saiu gritando que Popper estava errado. A situação só não terminou em tragédia porque alguém da plateia gritou para que ele sossegasse. A lenda diz que a bronca veio de Bertrand Russell, pouco importa. 
Hoje isso não aconteceria. Dominados pelo politicamente correto, eventos e palestras não estão abertos à discórdia. Como no Facebook, pode-se curti-los ou evitá-los, mas não há como reprová-los, pois até os comentários podem ser censurados. Gênios polêmicos como Popper, Wittgenstein e Russell, não propensos a críticas, dificilmente seriam convidados para a mesma mesa-redonda. E todos perderíamos.
Ler tudo aqui.

Texto 2.
[Manuel Castells] também observou que as pessoas, hoje, têm muito mais capacidade para intervir a partir da internet do que qualquer outro momento da história. Castells advertiu que as empresas de internet têm que aceitar a liberdade de expressão na rede, porque é isso o que as pessoas buscam: expressar-se, organizar-se e relacionar-se livremente. Caso contrário, os usuários vão buscar outros espaços sociais em que se respeite o direito a se manifestar e em que não se estabeleçam censuras.
Ler tudo aqui. Entrevista áudio aqui.

Doutrina social da Igreja abre ciclo de conferências sobre ideias e livros

Começa hoje um ciclo de conferências sobre ideias com livros de fundo. O ciclo é organizado por Ribeiro e Castro, numa parceria do jornal "i", de onde são copiadas as notícias (a primeira é de hoje e a outra do dia 7 de janeiro), Antena 1 e Livraria Ferin.


Na primeira sessão, hoje, na Ferin (Chiado, Lisboa), pelas 18h30, com Pedro Lomba, está em foco a Doutrina Social da Igreja.





Filiação da verdade

Veritas filia temporis.


Bernardo de Chartres (séc. XII)

domingo, 8 de janeiro de 2012

Deus na Constituição


Alguns blogues católicos têm apontado com alegria não contida que a nova constituição da Hungria refere explicitamente Deus.

Hoje, lendo o “Público”, vê-se o que está a acontecer no país magiar desde que foi aprovada a nova constituição: limitações na liberdade de imprensa e subalternização ou mesmo extinção do Parlamento. Já se diz mesmo, que o estilo do regime atual, embora de direita, faz lembrar os antigos comunistas.

Não sei se há ligação direta entre a introdução do nome de Deus e a deriva autoritária. Será este mais um exemplo da invocação de Deus em vão?

Bento Domingues: Que ocultam e manifestam estes tempos?

Texto de Bento Domingues no "Público" de hoje.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Sete histórias de paixão pela Bíblia

Isto saiu no "Público" de 24 de Dezembro de 2011. É uma ótima leitura para um sábado à tarde de qualquer semana. Cá por este blogue, alguns ânimos andam um pouco exaltados - parece-me pelos comentários a alguns textos. Só me vem à cabeça um sentença de João XXIII, adaptada nas minhas palavras: unidade no essencial e liberdade no resto (espero que não comecem agora a discutir o que é "o essencial").




Anselmo Borges: Segurança e insegurança de Mamôn



Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (aqui):

Talvez nunca como hoje, no meio de uma confusão sem medida nem fim à vista, se tenham utilizado tanto as palavras confiança e crédito, palavras que vêm do mundo religioso. Confiança vem de fides (fiar-se de, confiar, fé) e crédito, de credere (crédito, acreditar, crer, Credo). O que falta e faz falta: confiança e crédito. Mas confiar em quê e em quem? E quem tem crédito e concede crédito?


O pior mesmo é essa falta e a confusão. Ninguém sabe exactamente - saberá?- o que se passa. E, quando não se é capaz de equacionar os problemas, como encontrar a solução? No labirinto, pululam sentenças, palpites, comentários, aldrabices, ataques, adivinhações... Saímos do euro? O euro vai acabar? Uma Europa a duas velocidades? A Europa desmorona-se? E quando se dá o crescimento da economia? Ah!, e os BRIC... E a crise de um mundo pela primeira vez verdadeiramente um só mundo! E um capitalismo selvagem e louco!


Como se chegou aqui? Aqui, é a esfola. Surpreendentemente, mesmo Jorge Sampaio foi confessando, há dias, que sabia que o país estava com sérias dificuldades, mas, "que tivéssemos chegado a isto, tão dependentes de credores, nunca tinha pensado".


Afinal, ainda há pouco, havia dinheiro para mais uma auto-estrada de Lisboa ao Porto, um novo aeroporto, alta velocidade para Madrid... De repente, a esfola. Impostos, mais impostos, cortes, mais cortes. E não se pense que tenha terminado a procissão da austeridade.


É claro que se deve honrar os compromissos e pagar as dívidas. Mas, quando olho os números, fico aterrado: este ano são mais de nove mil milhões de euros para pagar juros. Agora, a soberania está com os credores. E esta mentira toda: resgatar um país, ajoelhando-o e paralisando-o com juros! E já se não fala em pessoas, mas em mercados. As pessoas terão desaparecido? Quem as apagou do mapa?


Culpados? Nós todos. As responsabilidades não são, porém, todas iguais. Mas quem se assume como responsável? Presidentes da República, governos, a banca, autarcas, corruptos, consumidores sôfregos, professores, jornalistas... Alguém conhece alguém que se confesse responsável?


Sobretudo, é preciso ir à raiz. E lá está a Bíblia na Primeira Carta a Timóteo: "Nada trouxemos ao mundo e nada poderemos levar dele. A raiz de todos os males é a ganância do dinheiro. Arrastados por ele, muitos se enredaram em muitas aflições." E Jesus - é para essas bandas que mora a Sabedoria, o Logos, a Razão e a Bondade - disse, no contexto de um escravo não poder ser pertença de dois senhores, que Deus e Dinheiro são totalmente incompatíveis: "Não podeis servir a Deus e a Dinheiro."


Para entender este passo, a começar pela tradução, é necessário perceber a linguagem. Significativamente, o Novo Testamento, para dinheiro, utiliza a palavra Mamôn, que só aparece na boca de Jesus e que provém do verbo hemin, com o significado de crer e aceitar confiadamente. Como explica o teólogo catalão José Ignacio González Faus, o dinheiro gera uma fé de tipo religioso. Daí a sua incompatibilidade com Deus. Aliás, Jesus usa a palavra sem artigo, como se fosse um nome próprio, de tal modo que alguns manuscritos escrevem-na precisamente com maiúscula: "Não podeis servir a Deus e a Dinheiro."


O problema reside, como explicou indirectamente J. M. Keynes, na sua Teoria geral do emprego, do juro e da moeda, na segurança. Os seres humanos têm medo do futuro e precisam de assegurá-lo. Tradicionalmente, essa missão estava confiada à religião. Agora, a segurança vem do dinheiro. De facto, o dinheiro abre todas as portas e compra tudo. Dá prestígio e é aquele meio que dá acesso a todos os meios - no limite, asseguraria a própria imortalidade. Ele é omnipotente como um Deus.


Por isso, González Faus diz que a legenda das notas de dólar (in God we trust) significa na realidade: in "this" God we trust ("neste" Deus, o Dinheiro, confiamos). Mas, de facto, o que deveria trazer-nos segurança trouxe-nos, como se vê, no quadro de um neoliberalismo à solta, uma insegurança global, que pode levar ao desastre.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

6 de janeiro de 1945. Pannenberg tem uma experiência "envolvente” ao pôr do sol, uma epifania



No dia 6 de Janeiro de 1945, ao regressar de uma aula de piano, caminhando várias horas a pé, em vez de usar o comboio como era habitual, Wolfhart Pannenberg sente-se envolvido pelo pôr do sol, numa experiência por vezes dita "mística". Mais tarde, descreveu esse dia:
“Eu não sabia, à época, que 6 de janeiro era o Dia da Epifania, assim como não me dei conta de que naquele momento Jesus Cristo havia reivindicado a minha vida como uma testemunha da transfiguração deste mundo, iluminado pelo poder e julgado por sua glória. Mas aí começou um período de ânsia para entender o sentido da vida, e uma vez que a filosofia não parecia oferecer respostas para o final dessa busca, eu finalmente decidi provar a tradição cristã mais seriamente do que eu havia considerado antes”.
Foi por causa desse dia 6 que decidiu aprofundar as raízes cristãs, na Alemanha destroçada pela guerra, e enveredar pela teologia, sendo hoje um dos mais importantes teólogos protestante e, provavelmente, o mais católico dos grandes teólogos não-católicos. Segundo uma obra recente, publicada em Itália, faz parte do grupo de três teólogos não-católicos que influenciam ou pelo menos estão mais perto do pensamento do atual teólogo-papa. Os outros dois são Oscar Cullmann e Ioannis Zizioulas. Ler aqui.

Triálogo sobre Deus e o mal humano

Diz um:
- Não compreendo como pode haver tanta maldade provocada pelos seres humanos.
Diz outro:
- Deus respeita a liberdade humana, e por isso pode aparecer um Hitler, um Estaline, um Pol Pot...
E diz um outro:
- Pol quê? Não interessa. E quantos Hitlers e Estalines não foram já evitados por Deus?

Católicos do Reino versus da Comunhão

Timothy Radcliffe escreveu em “Ser cristão para quê?” (Ed. Paulinas) um capítulo (p. 239-259) sobre as divisões internas da Igreja que corroem  comunidades e semeiam ira entre os cristãos.


Estas divisões internas atravessam toda a Igreja, do Vaticano às dioceses, dos bispos aos padres, dos movimentos às paróquias, dos teólogos aos comentadores neste blogue. Leiam-se os comentários aqui neste post. Este tipo de diálogo é recorrente em alguns assuntos neste blogue.


Radcliffe chama a estas tensões “católicos do Reino” e “católicos da Comunhão”. Sintetizo as características de uns e outros. Embora a maioria dos cristãos se reencontre em ambos, quase todos nós preferimos mais um ou outro tipo.

Católicos do Reino
Católicos da Comunhão
Veem-se como Povo de Deus em peregrinação para o Reino

Vêem-se como membros da instituição Igreja, a Comunhão dos crentes
Os principais teólogos colaboram na revista “Concilium”

Os principais teólogos colaboram na revista “Communio”
Não há revelação nem verdade sem liberdade

A verdade e a beleza têm autoridade para atrair as pessoas
Doutrina central: Incarnação


Doutrina central: Cruz
Veem a verdade como uma libertação


Veem a verdade como um  reagrupar das forças
Centram-se na práxis e na experiência


Centram-se na adoração e na liturgia
Cristo é o que derruba fronteiras


Cristo é o que reúne uma comunidade
Ubi Christus, ibi ecclesia – Onde está Cristo, aí está a Igreja

Ubi ecclesia, ibi Christus – Onde está a Igreja, aí está Cristo
Dão mais destaque ao “sangue derramado pela multidão” (“por todos”)

Dão mais destaque ao “pão dado aos discípulos” (“por vós”)
Pensam (erradamente) que os católicos da Comunhão são uns saudosistas do passado
Pensam (erradamente) que os católicos do Reino sucumbiram à cultura do relativismo

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A igreja do copianço digital



É oficial. A Suécia reconheceu o Kopimism como religião. Kopimism vem de “copy me” (“kopi mi”). A nova fé foi fundada por Isak Gerson, de 19 anos, e consiste na liberdade de copiar ficheiros, programas, tudo o que for digital. Para fazer parte desta nova religião, "basta sentir um chamamento para adorar o mais sagrado de tudo o que é sagrado: a informação e a cópia".

Algumas frases-chave da nova fé:
A informação é sagrada e o ato de copiar é um sacramento.
Ser proprietário de software (manter o código-fonte escondido das outras pessoas) é comparável à escravatura e deve ser proibido.
Li no Público (já tem entrada na Wikipedia) e não sei se hei de rir da pretensão de Isak Gerson e dos 3000 kopimistas (e dos muitos milhões de kopimistas anónimos), se lamentar tal reconhecimento por parte do estado sueco. Parece brincadeira do 1 de abril.

Tensões na Igreja

As tensões dentro da Igreja não nos fizeram parar de respirar mas, por vezes, deram ao Corpo de Cristo ataques de asma. Como reaprender a respirar facilmente?


Timothy Radcliffe, "Ser Cristão para quê?", Paulinas, pág. 259

A casa de banho porno do Vaticano, diz a "Sábado"



Na "Sábado" de hoje.


Quem só ficar pelo título, tanto pode confirmar os seus preconceitos sobre a hipocrisia do clero como relativizar a revelação com os conhecimentos desta época da história em que os papas e os cardeais não eram propriamente exemplos da virtudes cristãs. Eram príncipes - como aliás ainda se diz hoje, lamentavelmente, dos cardeais.


Quem ler a notícia desilude-se com o que lá vem.


E quem procurar informação na Internet, como foi o meu caso, só para testar algumas informações, encontra melhores fotos aqui (e muitas outras a preto e branco, se procurar com "Stufetta bibbiena"). Para segredo, é um segredo muito mal guardado.


E encontra o texto original de Tony Perrottet na Slate.com. O texto da "Sábado" serve-se - sem citar - da quinta e última parte da viagem do jornalista ao Vaticano. Ver aqui.


Plantar árvores



A melhor época para se plantar uma árvore foi há vinte e cinco anos. A segunda melhor época é agora.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Karl Barth e João XXIII


Karl Barth

Por estes dias muito se tem falado de João XXIII e do início do II Concílio do Vaticano, que foi convocado no dia 25 de Dezembro de 1961 para começar no dia 12 de Outubro do ano seguinte.

Por isso, gostava de aqui lembrar a reação Karl Barth, teólogo da Igreja Reformada (que por causa da analogia entis, com que não concordava, e do sola fides, dizia que nunca haveria ser ser católico), a quando a eleição pontifícia de Giovanni Roncali. Impressionado pelo carácter humano e pela dimensão evangélica de João XXII, afirmou: “Agora, sou capaz de ouvir a voz do Bom Pastor”.

Elizabeth A. Johnson é figura do ano para influente semanário católico dos EUA



O National Catholic Reporter escolheu como figura do ano 2011 a teóloga, freira, Elizabeth A. Johnson, que em 2007 publicou o livro “Quest for the Living God: Mapping Frontiers in the Theology of God”. Esta obra foi condenada pelos bispos dos EUA, num processo em que a autora não foi ouvida, o que constitui uma queixa recorrente neste tipo de conflitos. Ver caso do teólogo José María Castillo, no “Público” de ontem e reproduzido neste blogue.

E de que fala o livro de Johnson, que é também autora de um clássico da teologia feminista (“She Who Is: The Mystery of God in Feminist Theological Discourse”, com edição brasileira na Vozes, “Aquela que É: O Mistério de Deus no Trabalho Teológico Feminino”)? Diz o semanário católico norte-americano:
Grande parte de "Quest" é uma reapresentação do que outros teólogos bem respeitados disseram e continuam dizendo sobre "o Deus vivo" hoje. Tomando emprestado do falecido teólogo alemão jesuíta Karl Rahner, Johnson escreveu em seu refutação aos bispos que o objetivo da teologia é "buscar o sentido da fé a fim de acreditar, esperar e amar mais profundamente". Esperar que os buscadores de Deus simplesmente repitam velhas fórmulas negligencia a realidade e as ricas ofertas que chegaram à mesa católica no último meio século dos avanços na teologia. Johnson, por sua vez, ofereceu imagens poderosas do divino. Elas falam aos buscadores de todos os lugares. A incomum popularidade de "Quest for the Living God" confirma isso. 
Por baixo da polêmica e da visão de Johnson, repousa uma questão emergente inegavelmente mais ampla que todos os líderes da nossa Igreja devem abordar honestamente: o fantasma feminino/masculino que obscurece muitas discussões sobre a autoridade eclesial. Sem dúvida, alguns dos maiores redespertares na teologia cristã na última metade de século vieram com o advento das teólogas mulheres. Até meados do século XX, a teologia católica, com poucas e notáveis exceções, era um mundo de homens, quase inteiramente um mundo de padres. Séculos de representações de Deus foram pintadas através dos olhos masculinos. Por muito tempo ausentes, as intuições femininas acompanharam as mulheres nas escolas de teologia, onde elas começaram a estudar e a examinar Deus através de novas lentes. Infelizmente, essas preciosas intuições femininas ainda ameaçam alguns. Não deveria ser assim. Deus criou homem e mulher; Deus criou ambos à imagem de Deus e deu a ambos mentes para explorar o divino.
Lido aqui.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

3 de Janeiro de 1962. Fidel Castro é excomungado


Fidel Castro nas Nações Unidas, em 1962

Se fosse depois do II Concílio do Vaticano, duvido que Fidel Castro tivesse sido excomungado. Mas o concílio só começaria uns meses mais tarde. Aliás, nesta altura, ainda havia a ideia de que um concílio novo não era necessário porque não havia heresias novas a condenar nem dogmas a declarar.

Fidel Castro foi excomungado no dia 3 de Janeiro de 1962, por João XXIII, no seguimento de um decreto de Pio XII, de 1949, que determinava a excomunhão dos católicos que se declarassem marxistas-leninistas.

Ora Fidel, batizado na fé católica, antigo aluno de jesuítas, além de se proclamar comunista e de determinar que o Estado cubano é ateu (desde 1992 é “laico”), expulsou 131 padres e fechou escolas católicas.

Entretanto as coisas mudaram, tanto em Roma como em Havana, e em 1998, a quando da visita de João Paulo II, Fidel Castro assistiu com o seu governo a uma missa, a primeira desde a infância – dizem (li aqui).

A excomunhão não foi levantada, mas isso não deverá tem qualquer influência na visita de Bento XVI a Cuba no final do próximo mês de Março.

Nota: A partir de hoje vou seguir o Novo Acordo Ortográfico para a língua portuguesa.


Nota de 2 de abril de 2012: Afinal, Fidel Castro não está excomungado. Ver aqui.

José María Castillo: "Há medo na Igreja"

No "Público" de hoje. Um homem livre.





O saber estar de João XXIII

Um leitor sugeriu mais humor refinado neste blogue. Como o comentário apareceu na mais recente piada de João XXIII, não sei se o comentador pretende mais humor de João XXIII (pode seguir a etiqueta João XXIII) se humor "tout court" (etiqueta Humor). Em todo o caso, cá vai mais uma situação em que o "Papa bom" revela a sua boa disposição e o ser saber estar, coisas que geralmente coincidem.
Recordando os tempos de núncio apostólico em Paris, João XXIII costumava dizer que quando numa recepção ou num evento social entrava uma mulher vistosa, por vezes com roupa reduzida, os convidados não olhavam para ela. Olhavam para ele, núncio, para ver se ele olhava para ela e como reagia.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Presentes


Aqui estão os talões para a troca... No caso de não gostarem.

Balões dos Bispos

No "i" de hoje.

Medos e pouca confiança

Dificuldades são os medos, a pouca confiança em Deus. Quando Ele me deu tarefas que pensei não ser capaz de realizar, tal como ser bispo, ou como ser professor numa grande universidade, falar com terroristas, manter unida a Igreja europeia ou responder a questões do Papa... Aqui, sinceramente, tive por vezes embaraços. Também em conflitos tive dificuldades. Não discuti com Deus, mas questionei-O: Sou capaz disto? Porque tenho que fazer isto? Sou a pessoa certa para isto?


Cardeal Carlo M. Martini em conversa com Georg Sporschill, Colóquios nocturmos em Jerusalém. Sobre o risco de acreditar. Gráfica de Coimbra 2, p. 15

domingo, 1 de janeiro de 2012

Idade dos queijos



Novo ano. Já Papa, portanto perto do fim da vida, consta que João XXIII disse: "A vida é como um banquete. Eu já cheguei aos queijos e asseguro-vos que também são excelentes".

Nocturno



Se não vieres,
Senhor,
Quem poderá curar
A ferida de amar?
Sozinho com o cacho de um coração pesado,
Por toda a parte
Me queimará a ausência
Sem que jamais se consume
Este desejo de borboleta nocturna
Pela estrela
Até quando, enfim, até à aurora
Consentir.


Gilles Braudry

Com que atitude devemos olhar para o novo ano?

Bento XVI:
Com que atitude devemos olhar para o novo ano? No salmo 130, encontramos uma imagem muito bela. O salmista diz que o homem de fé aguarda pelo Senhor «mais do que a sentinela pela aurora” (v. 6), aguarda por Ele com firme esperança, porque sabe que trará luz, misericórdia, salvação. Esta expectativa nasce da experiência do povo eleito, que reconhece ter sido educado por Deus a olhar o mundo na sua verdade sem se deixar abater pelas tribulações. Convido-vos a olhar o ano de 2012 com esta atitude confiante. É verdade que, no ano que termina, cresceu o sentido de frustração por causa da crise que aflige a sociedade, o mundo do trabalho e a economia; uma crise cujas raízes são primariamente culturais e antropológicas. Quase parece que um manto de escuridão teria descido sobre o nosso tempo, impedindo de ver com clareza a luz do dia. 
Mas, nesta escuridão, o coração do homem não cessa de aguardar pela aurora de que fala o salmista. Esta expectativa mostra-se particularmente viva e visível nos jovens; e é por isso que o meu pensamento se volta para eles, considerando o contributo que podem e devem oferecer à sociedade. Queria, pois, revestir a Mensagem para o XLV Dia Mundial da Paz duma perspetiva educativa: “Educar os jovens para a justiça e a paz”, convencido de que eles podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperança ao mundo.
Da mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1 de Janeiro de 2012. Ler tudo aqui.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...