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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A mística da promoção



O último livro do P.e Tolentino Mendonça teve direito a um capítulo (ou excertos?) em avulso. Foi publicitado e distribuído com o "Público". Com pensamentos dele, foi feito um bloquinho que as livrarias distribuem gratuitamente (um dos pensamentos diz: "O paladar não é indiferente ao amor de Deus. Deus saboreia-se, Deus é sabor" - e ainda estou e tentar provar isso).

Só com isto acima, nunca vi um livro católico ser tão promovido. E só acho bem. Mas o que eu nunca tinha visto: pacotes de açúcar a promover um livro católico. Sim, pacotinhos da Delta com a capa de "A mística do instante". No instante em que alguém toma um café, lê (mais um pensamento do tal bloquinho): "Só nos resta o instante, só o instante nos pertence". Bate certo enquanto dura o café. Mas a seguir estamos atrasados para qualquer coisa.

sábado, 29 de março de 2014

Trindade

És não só o amor amante, mas também o amor amável e o próprio elo do amor amante com o amor amável.

Nicolau de Cusa (1401-1464)

quinta-feira, 27 de março de 2014

Violências

O que o amor tem de mais doce são as suas violências;

o seu abismo insondável é a sua forma mais bela;

perder-se nele é atingir o fim.

Hedviges de Antuérpia (1180-1260)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Já não cuido do meu gado

...
Já não cuido do meu gado,
Nem já tenho outro ofício,
...

João da Cruz, antepenúltimo e penúltimo verso do "Cântico Espiritual"

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Obrigação

O abismo da tua encarnação
obriga-me a pronunciar estas palavras apaixonadas:
Tu, o incompreensível, feito compreensão;
Tu, o incriado, feito criatura;
Tu, o inconcebível, feito concebível;
Tu, o espírito intangível, tocado pelas mãos dos homens.

Ângela de Foligno (séc. XIII-XIV)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Tua

Sou tua, porque me criaste,
Tua, porque me redimiste,
Tua, porque me sustentaste,
Tua, porque me chamaste,
Tua, porque me atendeste,
Tua, porque não me perdi.

Teresa de Ávila (1515-1582)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

4 de janeiro de 1309. Morre a mística Ângela de Foligno


Ângela de Foligno, franciscana terceira, morreu no dia 4 de janeiro de 1309, aos 68 anos. Converteu-se em 1285, depois de uma visão de São Francisco de Assis, e é reconhecida como uma grande mística medieval , tendo fundado uma comunidade religiosa. Inocêncio XII beatificou-a no final do séc. XVII.

Bento XVI dedicou-lhe uma catequese no dia 13 de outubro de 2010 e afirmou:
No itinerário espiritual de Ângela, a passagem da conversão para a experiência mística, daquilo que se pode expressar para o que é inefável, tem lugar através do Crucificado. É o «Deus-homem apaixonado» que se torna o seu «mestre de perfeição». Toda a sua experiência mística consiste, portanto, em tender para uma «semelhança» perfeita com Ele, mediante purificações e transformações cada vez mais profundas e radicais. A este maravilhoso empreendimento, Ângela dedica-se inteiramente, de alma e corpo, sem se poupar a penitências e tribulações, desde o início até ao fim, desejando morrer com todos os sofrimentos padecidos pelo Deus-homem crucificado, para ser transformada totalmente nele: «Ó filhos de Deus — ela recomendava — transformai-vos totalmente no Deus-homem apaixonado, que vos amou a ponto de se dignar morrer por vós com uma morte extremamente ignominiosa, total e inefavelmente dolorosa, de modo penosíssimo e amarguíssimo. E isto somente por amor a ti, ó homem!». Esta identificação significa também viver aquilo que Jesus viveu: pobreza, desprezo e dor, porque — como ela afirma — «através da pobreza temporal, a alma encontrará riquezas eternas; mediante o desprezo e a vergonha, ela alcançará a suma honra e uma glória excelsa; através de um pouco de penitência, feita com esforço e dor, possuirá com infinita docilidade e consolação o sumo Bem, Deus eterno» (ler aqui).

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Os contemplativos são como glaciares

Os contemplativos podem parecer inúteis. Na realidade, nos momentos mais dramáticos da vida espiritual interior ou coletiva do mundo inteiro são como glaciares. Nada neles é inerte. Tudo estala por todos os lados. Não cessa a vida. É debaixo do glaciar que jorram as torrentes que fazem os nossos rios e as nossas águas mais puras. Elas são o sal da terra... Nós somo s sopa... E a sopa, sem sal, não presta...


Abbé Pierre, 1991

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Hildegarda não queria misturar-se com outras mulheres

Iluminura da obra "Scivias", de Hildegarda

Hildegarda de Bingen (1098-1179; foi contemporânea da fundação de Portugal; tinha 45 anos em 1143; será que ouviu falar deste país?), a nova doutora da Igreja, é apreciada por feministas, mas só q.b. O texto de António Marujo, no “Público” de domingo, aqui postado, também dá isso a entender. Porquê? Talvez porque – e este é um aspeto que não tem sido referido nas notícias sobre esta nova doutora – Hildegarda, oriunda de uma família da pequena nobreza, opunha-se à entrada de mulheres do povo nos conventos beneditinos. Pensava que havia que preservar o privilégio de nobreza quando, por esta altura, já os mosteiros masculinos mais influentes tinham abandonado as ideias de privilégio de nascimento. Os dois mosteiros que Hildegarda fundou acolheram meninas e mulheres nobres.

domingo, 8 de julho de 2012

Bento Domingues: Deus, quantas línguas fala?

Texto de Bento Domingues no "Público" de hoje. Sobre Deus. Sobre o silêncio. "O silêncio gera ideias que dão muito trabalho".

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Filha

"Al fin muero hija de la iglesia"


Últimas - e surpreendentes - palavras de Teresa de Ávila (1515-1582), hoje escritas numa das paredes do convento de Ávila. Dizem que o sentido é mais ou menos este: "Pelo menos não conseguiram expulsar-me da Igreja".

segunda-feira, 2 de abril de 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Mística de olhos abertos

Disse Mestre Eckhart (1260-1328):
Se alguém estivesse num êxtase como S. Paulo e soubesse que um enfermo precisava que lhe levasse um pouco de sopa, eu consideraria muito melhor que por amor abandonasse o êxtase, servindo o necessitado com um amor maior.
E Ruysbroek (1293-1381), um pouco depois, afirmou:
Se estás em êxtase e o teu irmão precisa de um remédio, deixa o êxtase e vai levar o remédio ao ter irmão; o Deus que deixas é menos seguro que o Deus que encontras.
Lido em "Religião e Diálogo Inter-religioso", de Anselmo Borges.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Calos por amor



No livrinho “Saber esperar” (ed. Paulinas), frei Maria Rafael (Maria Rafael Arnáiz Barón 1911-1938), místico espanhol canonizado no dia 11 de Outubro de 2009, cita na pág. 187: “É uma grande consolação ter calos por amor de Deus”. Cita, mas não diz quem cita. Teresa de Ávila?

Nesta frase estão as duas actividades que segundo Freud dão sentido à vida. O amor e o trabalho. Por isso é que é trágico que 12 por cento da população portuguesa se veja privada de um dos âmbitos santificadores, isto é, dadores se sentido, da vida.

O que Maria Rafael pensava de governar impérios.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Trabalhar no campo ao menos é uma coisa bíblica

Rafael Arnáiz
Hoje fomos atar feixes de trigo... Fazia bastante calor, e o lugar do trabalho encontra-se a um par de quilómetros do mosteiro...
Uma coisa é comer pão e outra é andar entre os trigais, no mês de Agosto. São tão grossos os nossos hábitos...
Com umas calças brancas e uma camisa, talvez estivesse bem..., claro que à sombra e a tomar refrescos...
Isto do Sol..., das "messes doiradas"..., do humilde segador..., é muito bonito para que haja versos de Gabriel y Galán..., e lê-los logo, à fresca sombra de um choupo... 
Caramba..., caramba com as "messes doiradas". Enfim, menos mal que tudo isto do trigo e dos feixes é uma coisa muito bíblica..., e sempre é uma consolação.


Desabafos do monge cisterciense Rafael Arnáiz (1911-1938), espanhol de Burgos, canonizado por Bento XVI em 2009.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

17 de Setembro de 1179. Morre Hildegarda de Bingen

Hildegarda de Bingen, uma das mulheres mais influentes da Idade Média, nasceu no dia 16 de Setembro de 1098 e morreu no dia 17 de Setembro de 1179. Algumas fontes dizem apenas que nasceu no Verão de 1098.


Foi monja beneditina. E como monja, escreveu teologia e sermões, compôs música, foi médica. Uma grande intelectual. Morreu perto do Reno, no Mosteiro de Rupertsberg, em Bingen, numa região que é Património da Humanidade.


Sobre ela escreveu Bento XVI há um ano:

Hildegarda manifesta uma variedade de interesses e o dinamismo cultural dos monastérios femininos da Idade Média, diferentemente dos preconceitos que ainda hoje existem sobre essa época. Hildegarda dedicou-se à medicina e às ciências naturais, assim como à música, pois tinha talento artístico. Compôs também hinos, antífonas e cantos, recolhidos com o título Symphonia Harmoniae Caelestium Revelationum (Sinfonia da Harmonia das Revelações Celestes), que eram gozosamente interpretados nos mosteiros, difundindo uma atmosfera de serenidade, e que chegaram até nós. Para ela, toda a criação é uma sinfonia do Espírito Santo, que é em si mesmo alegria e júbilo. 
A popularidade que rodeava Hildegarda levava muitas pessoas a fazer-lhe consultas. Por este motivo, dispomos de muitas de suas cartas. A ela se dirigiam comunidades monásticas de homens e mulheres, bispos e abades. Muitas das respostas continuam sendo válidas para nós. Por exemplo, a uma comunidade religiosa feminina, Hildegarda escreveu: "A vida espiritual deve ser atendida com muita dedicação. No início, o cansaço é amargo, dado que exige a renúncia aos caprichos, ao prazer da carne e a coisas semelhantes. Mas, quando a alma se deixa fascinar pela santidade, experimentará como algo doce e agradável o próprio desprezo do mundo. Só é necessário prestar atenção inteligentemente a que a alma não murche" (E. Gronau,Hildegard. Vita di una donna profetica alle origini dell'età moderna, Milão, 1996, p. 402). 
E quando o imperador Federico Barbarroja provocou um cisma eclesial, opondo 3 antipapas ao Papa legítimo, Alexandre III, Hildegarda, inspirada em suas visões, não hesitou em recordar-lhe que também ele, o imperador, estava submetido ao juízo de Deus. Com a audácia que caracteriza todo profeta, escreveu ao imperador estas palavras da parte de Deus: "Atento, atento a esta malvada conduta dos ímpios que me desprezam! Escuta, rei, se queres viver! Do contrário, minha espada te transpassará!" (ibidem, p. 412). Ler tudo aqui.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...