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sábado, 11 de maio de 2013

11 de maio de 1979. Óscar Romero encontra-se com João Paulo II


No dia 11 de maio de 1979, D. Óscar Romero teve uma audiência com João Paulo II. Dizem os relatos, do próprio em primeiro lugar, que saiu do encontro triste com o Papa polaco, tal foi a frieza demonstrada. João Paulo II pediu-lhe para ser mais cooperante com o governo de El Salvador.

Mais tarde, em 1983, numa visita a El Salvador, João Paulo II rezou no túmulo do bispo mártir. E em 1997, declarou-o "Servo de Deus".

Entretanto, há muito que os anglicanos o veneram no dia 24 de março, dia da sua morte (em 1980), enquanto alguns católicos contestam o estatuto de "mártir".

quarta-feira, 1 de maio de 2013

"Deste lado já está, podem virar"


Lourenço de Huesca e a grelha (225-258)


Ricardo Araújo Pereira esteve na Feira do Livro de Bogotá, Colômbia, e dissertou sobre o humor. Dizem que deu show. E diz a notícia do “Público” de ontem a dada altura:
Mas a história de Ricardo que mais encantou os colombianos cheira a churrasco. "Não sei se conhecem a história de S. Lourenço, eu não conhecia, espero que seja verdade, ele morreu numa grelha. Reza a lenda que as últimas palavras do [mártir] S. Lourenço foram: «Deste lado já está, podem virar». Não sei se isso é verdade, mas, para a Igreja Católica, S. Lourenço é o santo patrono dos churrascos, dos chefes de cozinha. São Lourenço morreu como os outros, mas ser capaz de dizer estas palavras é uma pequena vitória sobre a morte e a única possível", conclui o autor que na sua curta vida já teve várias ideias para epitáfios: "Espero que seja provisório" e também uma nova versão do poema de Paul Eluard «Nasci para te conhecer, para te nomear, libertinagem»".

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Coisas que não deviam passar despercebidas (1): Edith Stein morreu há 70 anos

Edith Stein em 1926

Edith Stein, a discípula preferida se Edmund Hurssel, morreu há 70 anos. Completados ontem. Andrea Tornielli escreveu no sítio “Vatican Insider” sobre a carmelita judia que é copadroeira da Europa. Reproduzo o texto que saiu no IHU.

Há 70 anos, morria em Auschwitz a Irmã Teresa Benedita da Cruz, ou Edith Stein, filósofa. Ela nascera em uma família judaica, havia se batizado e, depois, entrara no mosteiro das Carmelitas de Colônia, na Alemanha. Em 1939, encontrava-se no Carmelo de Echt, na Holanda, e foi capturada em julho de 1942, durante as blitz nazistas que se seguiram à carta de denúncia das deportações, assinada pelos bispos católicos dos Países Baixos e lida em todas as igrejas. Até aquele momento, os nazistas haviam poupado os judeus batizados: foram capturados cerca de 300 religiosos de origem judaica. 
Cristiana Dobner, em um artigo publicado pela agência SIR, lembra que o jornalista Van Kempen conseguiu contatá-la no campo de triagem e se encontrou diante de "uma mulher espiritualmente grande e forte". Ela não quis fugir nem receber um tratamento diferente dos outros judeus. "Ela me disse: 'Eu jamais poderia acreditar que os homens pudessem ser assim e que os meus irmãos tivessem que sofrer tanto!'. Quando não havia mais dúvidas de que ela seria transportada para outro lugar, eu lhe perguntei se eu poderia ajudá-la (tentar libertá-la); novamente, ela me sorriu suplicando-me que não. Por que abrir uma exceção para ela e para o seu grupo? Não seria justiça tirar vantagem do fato de ser batizada! Se não pudesse participar do destino dos outros, a sua vida estaria arruinada: 'Não, não, isso não!'". 
Edith Stein repetia que não havia traído o seu povo ao reconhecer Jesus como Messias. Ela seria proclamada bem-aventurada por João Paulo II em 1987 e santa em 1998. No ano seguinte, também copadroeira da Europa. No dia 12 de abril de 1933, Stein escreveu uma carta ao Vaticano, dirigida ao Papa Pio XI. Ela a enviou através do arquiabade beneditino de Beuron, Raphael Walzer, ao cardeal secretário de Estado, Eugenio Pacelli. 
"Padre Santo! Como filha do povo judeu, que pela graça de Deus é há 11 anos filha da Igreja Católica, me atrevo a expressar ao pai da cristandade o que preocupa milhões de alemães. Há semanas, somos espectadores, na Alemanha, de acontecimentos que envolvem um total desrespeito da justiça e da humanidade, sem falar do amor ao próximo. Durante anos, os líderes do nacional-socialismo pregaram o ódio contra os judeus. Agora que conquistaram poder e armaram os seus seguidores – entre os quais há conhecidos elementos criminosos – recolhem o fruto do ódio semeado". 
Depois de falar dos muitos casos de suicídio de judeus submetidos a vexações pelos nazistas, Edith Stein acrescentava: "Pode-se considerar que os infelizes não tivessem suficiente força moral para suportar o seu destino. Mas se a responsabilidade em grande parte recai sobre aqueles que os levou a tal gesto, ela também recai sobre aqueles que se calam". 
"Tudo o que aconteceu e o que acontece cotidianamente vem de um governo que se diz 'cristão'. Não só os judeus, mas também milhares de fiéis católicos da Alemanha e, creio, de todo o mundo esperam e confiam há semanas que a Igreja de Cristo faça ouvir a sua voz contra tal abuso do nome de Cristo. A idolatria da raça e do poder do Estado, com a qual a rádio martela cotidianamente as massas, não é uma aberta heresia? Essa guerra de extermínio contra o sangue judeu não é uma ultrajem à santíssima humanidade do nosso Salvador, da Santíssima Virgem e dos Apóstolos? Não está em absoluto contraste com o comportamento de nosso Senhor e Redentor, que, mesmo na cruz, rezava pelos seus perseguidores?". 
"Todos nós – concluía a filósofa – que olhamos para a atual situação alemã como filhos fiéis da Igreja tememos o pior para a imagem mundial da própria Igreja, se o silêncio se prolongar ainda mais. Estamos convencidos de que esse silêncio não pode a longo prazo obter a paz do atual governo alemão. A guerra contra o Catolicismo ocorre em silêncio e com sistemas menos brutais do que contra o Judaísmo, mas não menos sistematicamente". 
Como se pode ver, uma denúncia específica e clarividente, acompanhada pelo pedido de um posicionamento por parte da Santa Sé contra o nazismo. A Santa Sé respondeu à carta de Stein. O cardeal Pacelli, escrevendo em alemão, respondeu ao arquiabade beneditino Walker ainda no dia 20 de abril de 1933, informando que a carta "foi devidamente apresentada à Sua Santidade". 
Em 1937, Pio XI publicaria a encíclica “Mit Brennender Sorge”, na qual a ideologia nacional-socialista é condenada como pagã e anticristã.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Há por aí muitos amalricanos



Suplício dos amalricanos

A leitura das coisas mais ou menos improváveis de áreas que não domino permite a descoberta do inesperado em áreas que pensava conhecer minimamente.
Hoje dei com um filósofo de que nunca ouvira falar. Amalrico de Bena. Um livre-pensador da Idade Média, portanto, uma raridade. Andou entre Paris e Chartres, os centros culturais dos séculos X-XIII, foi o líder da escola panteísta medieval. A coisa não acabou bem. Foi condenado, teve de se emendar, regressou à Universidade de Paris e dizem que morreu por causa desta humilhação. Passados quatro anos, os seus seguidores foram condenados à fogueira. O corpo de Almerico foi exumado e queimado com os discípulos. Isto foi em 1210.
E o que defendia Almerico (segundo a Wikipedia)?
- que Deus é tudo (omnia sunt deus) e, assim, todas as coisas são uma, porque o que quer que seja, é Deus (omnia unum, quia quidquid est, est Deus);
- que cada cristão é obrigado a acreditar que é um membro do corpo de Cristo, e que essa crença é necessária para a salvação;
- que quem permanece no amor de Deus não pode cometer nenhum pecado.
Já os amalricanos achavam que:
- o Inferno é a ignorância, portanto, o Inferno está dentro de todos os homens, "como um dente ruim na boca";
- Deus é idêntico em tudo que existe; mesmo o mal pertence a Deus e prova a omnipotência de Deus;
- um homem que sabe que Deus actua através de tudo não pode pecar, porque todo acto humano é, então, o acto de Deus;
- um homem que reconhece a verdade de que Deus age através de tudo já está no Céu e esta é a única ressurreição. Não há outra vida; a realização do homem está apenas nesta vida.
Amalrico e os seguidores estavam fora da ortodoxia cristã, mas é curioso verificar como hoje há muitos amalricanos quanto à ideia de Deus e da salvação, quanto à identificação do inferno com a ignorância, quanto à realização exclusivamente intra-histórica.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Uma inteligível expressão de Deus, pelo menos

Inácio de Antioquia, no princípio do séc. II, perto do martírio, pediu aos cristãos de Roma que não tentassem salvá-lo. Morrendo, queria ser "uma inteligível expressão de Deus".


De entendimento embotado, com diz Jesus em relação aos apóstolos, numa certa passagem dos evangelhos, todos precisamos - falo por mim - de inteligíveis expressões de Deus. São isso os milagres. As provas. Os sinais. Mas a questão talvez esteja mais no entendedor.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Humor de carmelita


Quando Teresa de Ávila ouviu dizer que o padre Antonio de Jesús, famoso por uma severidade que raiava a desumanidade, havia sido eleito provincial, comentou: “Deve ser verdade, porque não conheço ninguém melhor do que ele para fazer mártires”.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Romero: Canonizado por Obama, falta o Vaticano


São Romero da América foi elevado aos altares pelo povo latino-americano, mas, passados 31 anos, o Vaticano ainda não sancionou esta canonização popular.

A visita de Obama ao túmulo do arcebispo de San Salvador, no dia 23 de Março, nas vésperas do 31.º aniversário do seu homicídio, é um gesto “muito eloquente”, tanto para fora como para dentro da Igreja. “Roma deveria sentir-se questionada e rever, com a maior rapidez possível, o processo de beatificação do arcebispo de San Salvador”.

O gesto de Obama significa também uma ruptura com políticas do seu próprio país. A reflexão é do jornalista espanhol José Manuel Vidal, aqui.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...