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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Defuntos

Se amarmos é provável que sejamos morte. Se não amarmos, já somos defuntos.

McCabe citado por Timothy Racliffe

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Céu. Mesmo que fosse só isso

O avô de C. S. Lewis - conta Timothy Radcliffe em "Imersos na vida de Deus, (Paulinas) - esperava e previa ter, no Céu, conversas cultas e corteses com S. Paulo, como dois gentis-homens clérigos cavaqueando no seu clube.

Ao preço a que está uma boa conversa, coisa cada vez mais rara e interrompida por telemóveis ou trasladada para feicebuques, cá está uma aliciante imagem do Céu.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Bento Domingues: "Não enterrar o Baptismo"

Texto de bento Domingues no "Público" de hoje:


1. Não me lembro nada de ter sido baptizado. Recebi o crisma na adolescência, mas só me recordo de que o grupo em que fui apresentado escapou todo de uma temida palmada ritual do bispo. Com todo o respeito pelos anabaptistas, sou, no entanto, um defensor fervoroso do baptismo de adultos e de crianças, sem pensar que Deus só se dá bem com os baptizados.

É verdade que, às vezes, regresso desconsolado e apreensivo com o futuro de certas celebrações baptismais. Que irão fazer os pais para promover a progressiva descoberta do sentido e das exigências inscritas no espantoso programa simbólico do baptismo? A Igreja doméstica – a não confundir com certo beatério familiar – deve ser o espaço de uma evolutiva pedagogia da fé cristã que saiba puxar pelo que há de melhor nas pessoas: a descoberta da alegria no acolhimento dos outros, na partilha e na recusa dos caminhos da injustiça.

Ser cristão é adoptar o projecto de Jesus Cristo, acolhendo o seu espirito de ruptura com as seduções diabólicas da dominação económica, política e religiosa e o renascimento para a liberdade dos filhos de Deus, sem irmãos excluídos da mesa comum. Não se trata de papaguear fórmulas dogmáticas nem de receber instruções moralistas, mas de uma mudança interior, de uma luz divina, no íntimo da consciência, que se inspira na prática de Jesus e dos seus melhores discípulos.                                   

Hoje, quero recomendar vivamente uma obra sobre o mergulho baptismal –Take the plunge – e a sua confirmação que nos pode ajudar a reencontrar a Fonte e o Sentido em todas as encruzilhadas da vida (1). O autor é um dominicano inglês, T. Radcliffe, que já tem outras obras publicadas em português. É professor em Oxford e ex-Mestre Geral da Ordem dos Pregadores. No exercício dessa missão percorreu o mundo. Sempre admirei a sua excepcional capacidade de aprender com todos, em todas as situações. Serve-se de tudo para tecer as suas conferências, a sua pregação e os seus livros de teologia, com uma requintada cultura literária, artística, histórica, bíblica, patrística e sempre em registo ecuménico. O inesgotável sentido de humor não o afasta das manifestações de rua na defesa dos empobrecidos e marginalizados.

2. As crianças são baptizadas desde o começo do Cristianismo e tornou-se tradição de quase todas as Igrejas Cristãs. Já os Actos dos Apóstolos aludem ao baptismo dos adultos e das suas famílias.

No séc. IV, durante algum tempo, existiu uma tendência para adiar o Baptismo. Não se duvidava da importância de baptizar as crianças. A razão era outra. Este era o Sacramento do grande Perdão. Dada a disciplina penitencial da época, não se queria gastar a sua eficácia antes de tempo. O Baptismo não era garantia de um futuro sem pecado e corria-se o perigo de passar o resto da vida em penitência. Muitas pessoas, como o próprio imperador cristão Constantino, adiavam-no até ao último momento e Jacqueline de Romilly foi baptizada aos 95 anos dizendo: já é tempo! Quando Sto Ambrósio foi eleito Bispo, com a idade de trinta e cinco anos, não era baptizado. Teve de receber este sacramento antes da ordenação.

O baptismo das crianças, apesar dos inconvenientes – antigos e modernos - exprime uma realidade divina e humana que poderíamos ser levados a esquecer no baptismo de adultos: afirma a absoluta gratuidade do amor que Deus nos tem; a criança ainda não fez nada para merecer seja o que for, quer de Deus quer dos pais. Ora, se os pais fazem tudo pelos seus filhos mesmo antes de nascerem, quanto mais o Deus que nos amou primeiro. (2)

Deus não depende dos nossos méritos. Somos nós que dependemos do seu amor. De qualquer modo, os cristãos são confrontados com narrativas de um Deus que se tornou criança e adolescente, antes de surgir homem feito, como no Evangelho de Marcos, a dizer-nos que tudo pode ser diferente, pois somos amados e impõe-se uma reorientação da vida e de todos os seus valores.

3. De adultos ou de crianças, o baptismo é para refazer a vida toda. O ser humano não é de uma peça só e de uma só vez. Vai sendo e nunca de forma linear. A sua morada não é o passado, não é o presente. É a esperança, é o futuro. Sem ele, é o suicídio. Não vale a pena idealizar a infância, a adolescência, a idade adulta ou a da reforma. Se há tanta literatura sobre todas estas idades, é porque nenhuma delas é um paraíso. Por razões diversas, quase ninguém está contente com a idade que tem, mas vivemos num tempo em que é difícil ter crianças e ocupar-se dos idosos. Os desempregados não sabem de que terra são: de mendigar têm vergonha e já não têm condições nem de imigrar nem de ficar. O que é próprio do Baptismo cristão é não se conformar com o mundo como está. A sua natureza é pascal, é passagem, não é resignação.

Celebrar a data do Baptismo para um renovado encontro com a Fonte e com a Luz, para não esquecermos de onde vimos e para onde vamos.

1) Timothy Radcliffe OP, Imersos na vida de Deus. Viver o Baptismo e a Confirmação, Paulinas, 2013
2) Jer. 1, 5

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Batismo aos 95 anos




Jacqueline de Romilly, uma estudiosa francesa da Cultura Clássica, foi baptizada aos 95 anos. E disse, na ocasião:
- Já é tempo!

Lido em “Imersos na vida de Deus”, de Timothy Radcliffe, na pág. 18.

Mas quem é Jacqueline de Romilly? São Google diz-nos que morreu há quase três anos (18 de dezembro de 2010), aos 97 anos. Deve ter sido batizada em 2008. Ou melhor, entre 26 de março de 2008 (dia dos 95 anos) e março do ano seguinte.

Jacqueline Worms de Romilly, de ascendência judaica, foi a primeira mulher a ensinar no Collège de France e a segunda a fazer parte da Academia Francesa, depois de Marguerite Yourcenar. Como mulher dedicada à cultura clássica e ao ensino, pensei inevitavelmente na “nossa” Maria Helena da Rocha Pereira, que fez há dias 88 anos. Mas é batizada há mais tempo.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

domingo, 25 de agosto de 2013

Check-in

Quando nos aeroportos faço o check-in, perguntam-se habitualmente se Londres é o meu "destino final". Nem sempre resisto à tentação de dizer: "Não, espero que seja o Céu".

Timothy Radcliffe, "Imersos na vida de Deus" (Paulinas), p. 247

domingo, 28 de julho de 2013

Se vieres visitar a minha sepultura...

"Se vieres visitar a minha sepultura, não te espantes de ver o monumento a dançar. Pega no teu tamborete, porque a tristeza não fica bem no banquete de Deus".

Poema  de Abdullah Anri de Herat, poeta sunita do séc. XI, na sepultura do padre dominicano francês Serge de Beaurecueil. Lido em "Imersos na vida de Deus", de Timothy Radcliffe.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Virginia Woolf horrorizada com a conversão de T. S. Elliot



T. S. Eliot com Virginia Woolf. A da direita é Vivienne, mulher de Eliot. A foto é de 1932. A conversão foi em 1927. Talvez Woolf tivesse mudado de ideias

Virginia Woolf ficou horrorizada quando descobriu que T. S. Eliot se tornara cristão:

Tive uma entrevista vergonhosa e difícil com o pobre e querido Tom Eliot que, de hoje em diante, se poderá dizer morto para nós. Tornou-se anglo-católico, acredita em Deus e na imortalidade, e vai à igreja. Fiquei realmente horrorizada. Um cadáver parecer-me-ia mais credível do que ele. Creio que há algo de obsceno numa pessoa viva, que se senta à lareira e acredita em Deus.

Lido em "Imersos na vida de Deus", de Timothy Radcliffe, das Paulinas.

sábado, 8 de junho de 2013

Abriu a época das transferências

Partindo das frequentes críticas do Papa Francisco ao carreirismo eclesiástico, Sandro Magister escreveu há dias um texto pertinente sobre as transferências de bispos de umas dioceses para as outras. Na realidade, duvido que as críticas franciscanas se dirijam especificamente aos bispos que mudam de diocese, porque, e julgo que não sou ingénuo por pensar assim, tal mudança deve-se mais à vontade do Vaticano do que aos desejos dos próprios.

Vale a pena ler o texto aqui. Em todo o caso, quando tanto se houve falar de transferências (não só para a Diocese do Porto), há citações relevantes que merecem ser meditadas:

- Vincenzo Fagiolo, cardeal, em 1999: “A dignidade do episcopado está no ‘munus’ que comporta, e este por si mesmo prescinde de toda hipótese de promoção e transferência, que deveriam ser, quando não eliminadas, cada vez mais raras. O bispo não é um funcionário, um interino, um burocrata, que se prepara para outros cargos mais influentes”.
- Bernardin Gantin, cardeal, em 1999: “Quando é nomeado, o bispo deve ser um pai e um pastor para o povo de Deus. E pai é para sempre. Do mesmo modo, um bispo, uma vez nomeado numa determinada sede, em linhas gerais e por princípio, deve permanecer nela para sempre. Sejamos claros: o que existe entre o bispo e a diocese é representado como um matrimônio; e um matrimônio, segundo o espírito evangélico, é indissolúvel. O novo bispo não deve ter outros projetos pessoais. Podem existir motivos graves, gravíssimos, por razão dos quais a autoridade pode decidir que o bispo saia, para passar de alguma maneira, de uma família para outra. Fazendo isto, a autoridade tem presente inúmeros fatores e, entre estes, não se encontra, é claro, o possível desejo de um bispo mudar de sede”.
- Joseph Ratzinger, cardeal, em 1999: “Especialmente, na Igreja não deveria existir nenhum sentido de carreirismo. Ser bispo não deve ser considerado uma carreira com diversos escalões, de uma sede para outra, mas, um serviço muito humilde. Penso que também o debate sobre o acesso ao ministério seria mais sereno, caso fosse visto no episcopado um serviço e não uma carreira. Também uma sede humilde, com poucos fiéis, é um serviço importante na Igreja de Deus. É claro, pode haver casos excepcionais: uma sede muito grande para a qual é necessário ter experiência do ministério episcopal; neste caso, pode se dar... Porém, não deveria ser uma práxis normal; somente em casos muito excepcionais”.
- Timothy Radcliffe, frade dominicano, em 2013:  “Pergunto-me também se é um bem para os bispos ser deslocados de uma diocese para outra. Carregam um anel que é um sinal de que estão ‘casados’ com a diocese, mas, muitas vezes, são separados de suas dioceses originais e casados com outras dioceses. Se soubessem, ao contrário, que permaneceriam em suas dioceses, então poderiam prestar-lhe sua completa atenção. É verdadeiramente estranho que seja permitido aos bispos se divorciarem de sua diocese, mas não as pessoas unidas em matrimônio!”

A acrescentar a isto, deveria desaparecer os bispos auxiliares, que são sempre bispos titulares de dioceses defuntas, como Mitilene ou Luperciana. Que ficção. E claro que as dioceses teriam de ser mais pequenas e muitas mais em número.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Quem disse isto? (7)

Quem escreveu isto?


Na disputa acerca de ortodoxia e ortopraxia, dividem-se os grupos de índole mais conservadora e de impulso mais progressista. Aquele preocupa-se mais com a defesa da fé transmitida de uma vez por todas; este empenha-se mais pela realização da fé na atualidade. Nas mútuas acusações de heresia e condenação, existe entre ambos um funcionamento comum muito maior do que a consciência que dele habitualmente se tem.


a) Walter Kasper, na época em que era o maior teólogo católico vivo.
b) Hans Kung, para a seguir realçar a ortopraxia.
c) Timothy Radcliffe, antes de falar de católicos da Comunhão e católicos do Reino.
d) Joseph Ratzinger, para a seguir defender a ortodoxia.

Resposta: a) Walter Kasper, na pág. 95 de "Introdução à Fé", ed. Telos (edição portuguesa de 1973).

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Como separar as águas do Mar Vermelho

Sobre a obrigação de os cristãos darem o primeiro passo, Timothy Radcliffe (pág. 280 de "Ser cristão para quê?") conta esta lenda talmúdica sobre Nachshon ben Amminadab, na versão do rabino inglês Hugo Gryn  (1930-1996):
Nachshon era um rapaz que estava com o seu povo nas margens do Mar Vermelho. Atrás deles vinham os egípcios a persegui-los, em frente estavam as águas profundas e perigosas. Quando Moisés instigou Israel a avançar tiveram medo e hesitaram. Mas Nachshon deu um pulo e foi só então que as águas se separaram.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Quatro propostas de T. Radcliffe para ultrapassar polarizações na Igreja católica



Como forma de ultrapassar as polarizações entre católicos da Comunhão e católicos do Reino, Timothy Radcliffe, no capítulo 10 de "Ser cristão para quê", intitulado "A criação de pandas" - porque se trata de coisas delicadas e que levam o seu tempo -, propõe, em resumo:

* “Devo alegrar-me com a diferença, vê-la como um outro lugar para estar de pé e olhar para o alto”, até porque “a largueza de Deus é mais entusiasmante do que a mera indiferença”. A natureza ajuda a perceber isto. “Para um acasalamento ter sucesso, é preciso haver diferença, mas não uma incompatibilidade radical. Não se pode fazer procriar ovelhas e bodes uns com os outros. Se cavalos e burros acasalam, só conseguem produzir mulas infecundas”.

* Ultrapassar o medo. “O medo nunca é útil à prossecução da verdade. É da responsabilidade da ortodoxia não deixar que o pânico suprima a reflexão, ter a coragem de impedir condenações prematuras e assegurar que lhe damos o tempo necessário”.

* Temos de encontrar lugares para falar. “Precisamos de lugares onde se possa falar sem medo e sem preconceitos. Podemos ter necessidade de nos zangarmos uns com os outros e ainda haver tempo para nos reconciliarmos”. “Precisamos também de muitas pequenas iniciativas a nível diocesano e paroquial. (…) Precisamos de muitas mais que abram espaços e lugares nos quais possamos falar livremente com os que são diferentes e sermos férteis. Precisamos de criatividade institucional”.

* Precisamos de líderes, mas atenção que “a liderança é a tarefa de todo o cristão batizado”. “A única compreensão da liderança cristã que acho estar de acordo com o Evangelho é a obrigação de cada um de nós dar o primeiro passo”. “A grande virtude de que necessitamos hoje, na Igreja, é a coragem de avançar, de tomar iniciativas, de pedir perdão, de procurar dar atenção mesmo àqueles que nos condenam. É mais fácil e mais seguro censurar os outros, em especial a hierarquia”. “Talvez gostemos de ter sempre alguma coisa de que nos possamos queixar. É mais seguro do que correr o risco de avançar e arriscarmo-nos a ser feridos”.

Levantar questões


A Igreja tem de tornar-se um espaço de uma liberdade provocadora, no qual ousamos lançar ideias, pôr à prova hipóteses, afirmar uma verdade incómoda e impopular, dizer ao Rei que vai nu ou ouvir dizer que nós é que estamos nus. Nunca nos poderemos aproximar do mistério se não tivermos a lúdica liberdade dos filhos de Deus, se não fizermos experiências e errarmos e avançarmos às apalpadelas para a verdade. (…) Os cristãos deveriam ser aqueles que continuam a levantar questões, quando todos os outros pararam de o fazer.

Timothy Radcliffe, "Ser cristão para quê?", p. 266

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Rãs do charco

Santo Agostinho citado por Timothy Radcliffe (pág. 264 de "Ser cristão para quê»"):


"As nuvens do céu proclamam pelo mundo fora que a casa de Deus está a ser construída. Mas estas rãs sentadas no seu charco grasnam: «Só nós somos cristãos»".

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

É seguro? É aberto?

Ao quadro aqui apresentado sobre os católicos da Comunhão e os do Reino faltava pelo menos mais uma característica: a pergunta preferida.


Os da Comunhão perguntam sempre: "É seguro/a?" (A Igreja, a doutrina, a teologia, a moral...). Os do Reino perguntam: "É aberto/a?" (O responsável, a pessoa, a comunidade, a teologia...).

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Católicos do Reino versus da Comunhão

Timothy Radcliffe escreveu em “Ser cristão para quê?” (Ed. Paulinas) um capítulo (p. 239-259) sobre as divisões internas da Igreja que corroem  comunidades e semeiam ira entre os cristãos.


Estas divisões internas atravessam toda a Igreja, do Vaticano às dioceses, dos bispos aos padres, dos movimentos às paróquias, dos teólogos aos comentadores neste blogue. Leiam-se os comentários aqui neste post. Este tipo de diálogo é recorrente em alguns assuntos neste blogue.


Radcliffe chama a estas tensões “católicos do Reino” e “católicos da Comunhão”. Sintetizo as características de uns e outros. Embora a maioria dos cristãos se reencontre em ambos, quase todos nós preferimos mais um ou outro tipo.

Católicos do Reino
Católicos da Comunhão
Veem-se como Povo de Deus em peregrinação para o Reino

Vêem-se como membros da instituição Igreja, a Comunhão dos crentes
Os principais teólogos colaboram na revista “Concilium”

Os principais teólogos colaboram na revista “Communio”
Não há revelação nem verdade sem liberdade

A verdade e a beleza têm autoridade para atrair as pessoas
Doutrina central: Incarnação


Doutrina central: Cruz
Veem a verdade como uma libertação


Veem a verdade como um  reagrupar das forças
Centram-se na práxis e na experiência


Centram-se na adoração e na liturgia
Cristo é o que derruba fronteiras


Cristo é o que reúne uma comunidade
Ubi Christus, ibi ecclesia – Onde está Cristo, aí está a Igreja

Ubi ecclesia, ibi Christus – Onde está a Igreja, aí está Cristo
Dão mais destaque ao “sangue derramado pela multidão” (“por todos”)

Dão mais destaque ao “pão dado aos discípulos” (“por vós”)
Pensam (erradamente) que os católicos da Comunhão são uns saudosistas do passado
Pensam (erradamente) que os católicos do Reino sucumbiram à cultura do relativismo

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Tensões na Igreja

As tensões dentro da Igreja não nos fizeram parar de respirar mas, por vezes, deram ao Corpo de Cristo ataques de asma. Como reaprender a respirar facilmente?


Timothy Radcliffe, "Ser Cristão para quê?", Paulinas, pág. 259

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Deus vem a Público - livro de entrevistas de António Marujo



Informação da editora Pedra Angular

Chegou já às livrarias (…) o primeiro volume do livro «Deus vem a Público — Entrevistas sobre a transcendência», de António Marujo (…).

A forma de dizer o nome de Deus foi sempre plural. A pluralidade de olhares é uma marca destas entrevistas, que reflectem diferentes palavras e modos diversos de olhar o mistério insondável a que se chama Deus. E que tanto podem provir de um cristão católico ou protestante, de uma muçulmana ou de um judeu, de um budista ou um não-crente. Nelas se debatem cortinas de dogmas que por vezes tolhem a possibilidade de um debate sério e mais rico sobre muitas das questões que a Deus e à humanidade dizem respeito. Ou revela-se o espantoso empenhamento radical de mulheres e homens na construção de uma «parábola de comunhão» para a casa comum da família humana. Ou ousa-se propor novos horizontes aos modos de olhar. As entrevistas foram inicialmente publicadas no Público (em alguns casos, apenas em versões reduzidas) que, desde a fundação, «deu uma atenção moderna e esclarecida ao noticiário religioso», como um dia escreveu Eduardo Prado Coelho. O facto de estes textos serem agora reunidos muito fica a dever a essa atitude fundadora e à concretização que António Marujo lhe imprimiu.

António Marujo é jornalista do “Público” desde 1989, tendo-se dedicado no jornal às questões religiosas. Venceu por duas vezes (1995 e 2006) o prémio de jornalismo religioso na imprensa não-confessional, instituído pela Fundação Templeton e Conferência das Igrejas Europeias. É autor ou colaborador de vários livros.

Neste volume publicam-se entrevistas feitas a: Abbé Pierre, Aga Khan, Albert Friedlander, Alessandro Zanottelli, Aloísio Lorscheider, Andrea Riccardi, Anne Nasimiyu, Antônio Moser, Asma Barlas, Azim Nanji, Bronisław Geremek, Carlos Gil Arbiol, Carlos Padrón, Dalai Lama, Erri de Luca, Eugen Drewermann, Feisal Abdul Rauf, Gianfranco Ravasi, GianMaria Polidoro, Gianni Vattimo, Godfried Danneels, Hans Küng, Irmão Aloïs de Taizé, Irmão Roger de Taizé, Jacques Arnould, Jacques Gaillot, Jaime Gonçalves, Jean-Marie Lustiger, Jean-Noël Aletti, Jean-Yves Calvez, Joan Chittister, Johann Baptist Metz, José Andrés-Gallego, José António Pagola, Josep M. Soler, Joseph Comblin, Jordi Savall, Juan José Tamayo, Juan Masiá, Jürgen Moltmann, Lavinia Byrne, Leonardo Boff, Mark Raper, Marko Ivan Rupnik, Michel Quesnel, Nicoletta Crosti, Paul Poupard, Pedro Meca, Philip Gröning, Raimon Panikkar, Rémi Brague, Renato Kizito Sesana, René Samuel Sirat, Rino Fisichella, Sergio Bastianel, Timothy Radcliffe.


Será, sem dúvida, um livro excepcional, com um título que é um achado, na sua simplicidade, pela revelação da finalidade e referência ao jornal que primeiro publicou as entrevistas.

Sendo leitor do “Público” desde o primeiro número, devo ter pelo menos passado os olhos por todas estas entrevistas. Algumas, muitas, recortei para guardar. Mas onde estava eu quando saíram as de Zanottelli, Geremek, Arnould? Pessoas de quem recentemente li algumas coisas (a admiração de Tabucchi por Zanottelli; “A piedade e a forca” de Geremek e os seus diálogos com G. Duby; o “Requiem por Darwin” de Jacques Arnould, que foi presença assídua neste blogue). Um livro para ler como grande novidade. Que é.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mesa redonda à volta de livro de Timothy Radcliffe

Um debate à volta de um dos melhores livros que li este ano e do qual tantas passagens copiei para este blogue só pode ser, passe lá o adjectivo tão desinteressante, interessante.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Intriga internacional

O desafio da Igreja é tornar-se aquele tipo de comunidade que pode falar de Deus de modo convincente, o que quer dizer, um espaço de misericórdia, de admiração recíproca, de alegria e liberdade. Se nos virem como pessoas receosas, com medo do mundo e uns dos outros, como é que alguém poderá acreditar numa só palavra do que dizemos? Uma certa  dose de excentricidade nas nossas vidas deveria surpreender e intrigar as pessoas.


Timothy Radcliffe, "Ser cristão para quê?" (ed. Paulinas), pág. 304

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...