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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Nunca mais é dia

A noite está escura
e eu, longe de casa.
...
O teu poder (...)
me conduzirá (...)
até que o dia regresse.

John Henry Newman

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Inspiração

Ó suma luz que mui te distancias
Dos conceitos mortais, à minha mente
Volta a dar um pouco do que parecias.

Dante

sábado, 13 de julho de 2013

Anselmo Borges: "A última encíclica de Bento XVI"

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje.

"Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 29 de Junho, solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, do ano 2013, primeiro do meu Pontificado. Francisco" (assinado à mão, sem a indicação habitual de papa). Termina assim a primeira encíclica do Papa Francisco, dedicada ao tema da fé: "Lumen Fidei" (a luz da fé).
Como ele próprio diz, a encíclica foi substancialmente redigida pelo seu predecessor: Bento XVI "já tinha completado praticamente uma primeira redacção desta Carta encíclica sobre a fé. Agradeço-lhe de coração e assumo o seu precioso trabalho, acrescentando alguns contributos". De facto, o papa emérito tinha em mente uma trilogia sobre as três virtudes teologais e já publicara uma encíclica sobre a esperança, outra sobre o amor, faltando a referente à fé, que aparece agora. Um texto belo, bem fundamentado, talvez demasiado académico, com citações de Nietzsche, Dante, Dostoievsky, Wittgenstein, Rousseau,T. S. Eliot.
A sua assunção por parte de Francisco revela humildade e também o reconhecimento do mérito intelectual do seu antecessor e, ao mesmo tempo, a importância da teologia para o cristianismo. Sem teologia, a fé não é argumentável. Mas, se a fé não dialoga com a razão, não tem lugar na Universidade, ficando reduzida a puro sentimento. Esta era uma preocupação fundamental de Bento XVI.
Será a fé religiosa uma mera ilusão, fruto do espelhismo? Lá está a citação de Nietzsche, numa carta à irmã, convidando-a a arriscar-se, a "empreender novos caminhos... com a insegurança de quem procede autonomamente". E acrescenta: "Aqui se dividem os caminhos do homem: se queres alcançar paz na alma e felicidade, crê; mas, se queres ser discípulo da verdade, indaga." Como se a fé fosse, portanto, o contrário de buscar, abandonando a novidade e a aventura da vida.
Aconteceu então que "o homem renunciou à busca de uma luz grande, de uma verdade grande", contentando-se com a verdade da tecnologia, com a verdade do cálculo, com pequenas luzes que iluminam o instante fugaz, mas incapazes de abrir o caminho da vida plena. "É urgente recuperar o carácter luminoso próprio da fé", pois, "quando falta a luz, tudo se torna confuso, é impossível distinguir o bem do mal". Aqui, acrescento eu, poderia citar a advertência que Nietzsche, sete anos antes do seu colapso pessoal, fez à mulher do seu amigo Overbeck, de nome Ida, para que não abandonasse a ideia de Deus: "Eu abandonei-a, quero criar algo novo e não posso nem quero voltar atrás. Vou perecer por causa das minhas paixões, que me atiram daqui para ali; desmorono-me continuamente, mas isso nada me importa."
A fé tem o seu fundamento na experiência crente de Jesus, naquela sua experiência avassaladoramente felicitante de Deus enquanto Abbá (querido paizinho). Acreditou, entregando a sua vida até à morte a esse Deus-Amor e ao seu Reino de vida digna para todos. Os cristãos acreditam como ele e nele, que está vivo em Deus, o Deus da Vida. E procuram agir como ele, levando avante, na confiança e no combate pela vida, o Reino do Deus da vida para todos.
Penso que é pena a encíclica não começar pelo dado antropológico de base: a vida humana está desde a raiz fundada na fé, na confiança. Na presente situação, percebemo-lo perfeitamente, pois o que nos falta é precisamente fé, confiança, crédito.
Leonardo Boff também chamou a atenção para outra lacuna: não aborda com profundidade a crise de fé do homem contemporâneo, as suas dúvidas, as suas perguntas. Onde está Deus, quando um tsunami faz milhares e milhares de mortos? Como crer ainda, depois dos campos de extermínio, dos milhões de torturados e assassinados no corpo e na alma? "Crer é sempre crer apesar de... A fé não elimina as dúvidas e angústias de um Jesus que grita na cruz: "Pai, porque me abandonaste?" A fé tem que passar por este inferno e transformar-se em esperança de que para tudo há um sentido, mas escondido em Deus. Quando se revelará?"
A encíclica: "A luz da fé não dissipa todas as nossas trevas, mas, como lâmpada, guia os nossos passos na noite, e isto basta para caminhar."

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Lumen fidei

"Lumen fidei", a primeira encíclica de Francisco (e a última de Bento XVI), aqui em português. E aqui em PDF.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Uma pequenina luz

Ter-se-á vivido os últimos dias com a sensação de se estar a passar um Natal feliz? E poder-se-á esperar que o próximo vai ser melhor?
Apesar de tudo, as pessoas não deixam de se agarrar a "uma pequenina luz bruxuleante", como diria Jorge de Sena.

Do artigo de Vasco Graça Moura no DN de hoje.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ir pela sombra

Nada no universo pode viajar à velocidade da luz [vamos lá ver se os neutrinos conseguem], dizem eles, esquecendo-se da velocidade das sombras.


Howard Nemerov (1920-1991) 

sábado, 18 de junho de 2011

"Where is my light", poema crente do judaísmo ateu



Leio num livro que é uma espécie de introdução ao ateísmo prático, humanista, segundo a acepção anglo-saxónica, este poema:

Where is my light?
My light is in me.

Where is my hope?
My hope is in me.

Where is my strength?
My strength is in me.

My strength is in me... and in you.

O poema, “Where is my light?, é de Sherwin Theodore Wine (1928-2007), fundador do “judaísmo humanista” - uma estranha tentativa de conciliar vida judaica e ateísmo (ver www.shj.org) - parece-me.

A questão é: este poema não poderia ter sido escrito ou dito por um crente em Deus? É que se o autor dissesse que a luz, esperança, e força “sou eu”... Mas não. Diz “está em mim” e "em ti". O que remete para dezenas (centenas?) de passagens bíblicas.

terça-feira, 15 de março de 2011

Roubaram as freiras mas o que interessa são os quadros

Irmã Isabel Guerra

A notícia tem algo de insólito. Freiras de clausura e dinheiro, muito dinheiro. 1,5 milhões de euros, dizem. Acontece que o convento de Santa Luzia, em Saragoça, Espanha, foi assaltado e o dinheiro desapareceu. Até o "Washington Post" falou do assunto.

O dinheiro das freiras que fizeram o voto de pobreza (por isso é que não o gastaram) provém de actividades de restauração (talvez façam doces no convento), da encadernação de livros e das pinturas da Irmã Isabel Guerra, uma madrilena de 64 anos. Os seus quadros podem chegar aos 48 mil euros. Li aqui.

O crime a e suposta riqueza das freiras é assunto que não me interessa. A ordem é rica, mas as freiras são pobres, como é costume ouvir-se. E pode não haver ironia na frase. Mas e os quadros? A Irmã Isabel Guerra é admirada pela luminosidade que põe nas suas pinturas. Vejamos algumas. Desconheço o título das pinturas do meio.

"Alegra-te comigo"



"Saciai a sede aos humildes"

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Como a chama

Senhor, tu descobriste o meu ser,
é verdade que te procuro e não te encontro,
Mas, amar-te? Olha que como estou em baixo,
tu, cujo amor sobe sempre como a chama.

Paul Verlaine (1844-1896)

sábado, 1 de janeiro de 2011

Se me envolve a noite escura

Se me envolve a noite escura
E caminho sobre abismos de amargura,
Nada temo porque a Luz está comigo.

Se me colhe a tempestade
E Jesus vai a dormir na minha barca,
Nada temo porque a Paz está comigo.

Se me perco no deserto
E de sede me consumo e desfaleço,
Nada temo porque a Fonte está comigo.

Se os descrentes me insultarem
E se os ímpios mortalmente me odiarem,
Nada temos porque a Vida está comigo.

Se os amigos me deixarem
Em caminhos de miséria e orfandade,
Nada temo porque o Pai está comigo.

Hino da Liturgia das Horas

sábado, 17 de abril de 2010

Quando te afastas do fogo - breve trecho de Santo Agostinho

Quando te afastas do fogo,
o fogo continua a dar calor,
mas tu ficas regelado.
Quando te afastas da luz,
a luz continua a brilhar,
mas tu ficas envolto em sombras.
É isso que acontece
quando te afastas de Deus.

Agostinho de Hipona (354-430)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Oração de São Tomás para tempos estranhos (e todos os outros)


Criador inefável,

Tu que és a fonte verdadeira da luz e da ciência,
derrama sobre as trevas da minha inteligência um raio da tua claridade.

Dá-me inteligência para compreender,
memória para reter,
facilidade para aprender,
subtileza para interpretar,
e graça abundante para falar.

Meu Deus, semeia em mim a semente da tua bondade.
Faz-me pobre sem ser miserável,
humilde sem fingimento,
alegre sem superficialidade,
sincero sem hipocrisia;
que faça o bem sem presunção,
que corrija o próximo sem arrogância,
que admita a sua correcção sem soberba,
que a minha palavra e a minha vida sejam coerentes.

Concede-me, Verdade das verdades,
inteligência para conhecer-te,
diligência para te procurar,
sabedoria para te encontrar,
uma boa conduta para te agradar,
confiança para esperar em ti,
constância para fazer a tua vontade.

Orienta, meu Deus, a minha vida,
concede-me saber o que tu me pedes
e ajuda-me a realizá-lo
para o meu próprio bem
e de todos os meus irmãos.
Ámen.

Tomás de Aquino (1225-1274)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A fé é nocturna, como o combate de Jacob, diz Tolentino Mendonça

Fé, luz, noite, poesia e, de caminho, uma explicação para a origem deste blogue, tudo neste excerto da entrevista que Carlos Vaz Marques fez a Tolentino Mendonça para a “Ler” n.º 86 (Dezembro de 2009).


Tolentino Mendonça - O silêncio é um caminho. Não basta, por exemplo, estarmos calados para estar em silêncio. Podemos estar calados e o rumor ser ensurdecedor. Há uma qualidade de silêncio que é uma conquista, que é um processo em que nós entramos.

Carlos Vaz Marques – Talvez esta insistência na noite e no silêncio sirva para explicar uma frase sua na qual dizia que “a fé é um salto no escuro”.

TM - A fé tem a ver com a noite.

CVM – A fé não é diurna, não é luminosa?

TM – Não. A fé é claramente nocturna.

CVM – Mas uma das construções imagéticas mais presentes ao falar da fé é a ideia de “ver a luz”.

TM – Mas a luz só se vê à noite, como as estrelas. As estrelas brilham no céu nocturno. A luz da fé brilha na noite. A fé é um lugar sem certezas. A fé é um lugar de abertura. A fé é uma forma de hospitalidade radical. Para mim, as grandes imagens bíblicas da fé são as da luta de Jacob com o anjo (quando ele, no amanhecer ainda escuro, ao atravessar um riacho, luta com o próprio Deus sem saber que está a lutar com Deus; mas essa imagem do combate nocturno, agónico, um bocado imperceptível mas que nos fere e deixa depois no nosso corpo a ferida, é a imagem mais prodigiosa do que é a fé no Antigo Testamento) e a do percurso que as mulheres fazem de manhãzinha, com o dia ainda muito escuro, a caminho de um sepulcro que encontram vazio. A fé tem necessariamente esse lado nocturno de indagação e de expectativa. A fé é uma expectativa. E é nesse sentido a imagem do salto no escuro.

CVM – A sua poesia é um acto de fé?

TM - A minha poesia é o mapa da minha procura. É o testemunho de que eu busquei. Nem sempre diz o que busco mas diz sempre que eu busquei.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O que diz Samuel L. Jackson


Diz o seguinte (no “Pantalla”, suplemento do diário espanhol “ABC” de 5 de Junho):

“Rezo todos os dias para não beber nem me drogar”.

“O simples facto de estar aqui e de não ter sido atirado para a rua, bêbado e drogado, devo-o a Deus. Tive a oportunidade de ver a luz. Às vezes a fé é importante para me manter sereno nos momentos de tentação. Não bebi um copo durante 15 anos… (…) É uma das primeiras coisas que faço logo de manhã, pedir a Deus que me dê força para não beber nem tomar drogas nesse dia”.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...