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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Forma

A fé não se perde. Ela simplesmente deixa de dar forma à vida.


George Bernanos (1888-1948)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Lubac versus Bernanos

O encontro furtivo de um santo chega para atestar Deus.
Henri de Lubac (1896-1991)


Deus nos preserve dos santos!
George Bernanos (1888-1948)

domingo, 19 de dezembro de 2010

sábado, 18 de dezembro de 2010

18 de Dezembro de 1999. Morre o realizador Robert Bresson


Robert Bresson morreu no dia 18 de Dezembro de 1999, aos 98 anos, em Paris. Grande cineasta. O catolicismo e a experiência de prisioneiro na II Guerra Mundial marcaram a sua formação.
Nos seus filmes estão com frequência, mesmo em temáticas não especificamente religiosas, a perdição e a redenção, a superação da materialidade do mundo. Para alguns era “o jansenista”, pois enfatizava o pecado humano e a graça divina.

Na “área católica”, entre outros, filmou “O diário de um padre” (1951), baseado no romance Bernanos, e “O julgamento de Joana d’Arc” (1962).

sábado, 30 de outubro de 2010

Moralistas

O ser humano nasce capaz de mais bem e de mais mal do que o poderiam imaginar os moralistas, porque ele não foi criado à imagem dos moralistas. Ele foi criado à imagem de Deus.

Georges Bernanos (1888-1948)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Gota de água


Não existe nenhum incidente tão insignificante em que não se inscreva a vontade de Deus como toda a imensidade do céu numa gota de água.

Georges Bernanos (1888-1948)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Como resolver o medo


Não há outro remédio para o medo do que atirar-se de corpo inteiro na vontade de Deus.

George Bernanos (1888-1948)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Bernard Bro versus Bernanos

Explicar Deus a um homem, tendo-lhe apenas lido as Escrituras, é como descrever a cidade de Benares não a tendo visto senão no mapa.

Bernard Bro (1925-…)


A palavra de Deus é um ferro em brasa.

George Bernanos (1888-1948)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nem geómetra nem físico


Parece-me, por vezes, que é menos triste não crer totalmente em Deus do que crer num Deus mecanicista, geómetra, ou físico.

Ge0rge Bernanos (1888-1948)

sábado, 24 de abril de 2010

Deus mecanicista, geómetra, físico

Muito bem, parece-me, por vezes, que é menos triste não crer totalmente em Deus do que crer num Deus mecanicista, geómetra ou físico.

Georges Bernanos (1888-1948)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

23 de Fevereiro de 1955. Morre Paul Claudel

"Paul Claudel", por Jean Bernard

Paul Claudel, poeta, dramaturgo e diplomata, grande escritor católico francês, a par de Bernanos e Mauriac, nasceu no dia 6 de Agosto de 1868 e morreu no dia 23 de Fevereiro de 1955. Há 55 anos.

Era amigo dos teólogos Jean Daniélou e Henri de Lubac. “Tal como Deus diz às coisas para que elas sejam, o poeta rediz o que elas são”, escreveu.

Autor de “O anúncio a Maria”, escreveu também a peça “Le soulier de satin” (“O sapato de cetim”), que deu origem a um filme de Manoel de Oliveira, em 1985. A peça dura oito horas, pelo que poucas vezes foi representada. O filme dura sete.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

20 de Fevereiro de 1888. Nasce Georges Bernanos

Georges Bernanos, autor de “Diário de um pároco de aldeia”, “Sob o sol de Satã” e “A relapsa e a santa”, entre outras obras enformadas pelo catolicismo, nasceu no dia 20 de Fevereiro de 1888, em Paris, e morreu no dia 5 de Julho de 1948, em Neuilly-sur-Seine. Entre 1938 e 1945 viveu no Brasil. Após a II Guerra Mundial, foi convidado por de Gaulle para fazer parte do governo, mas declinou o convite.

Simpatizante da Action Française, Bernanos anteviu as “monstruosidades nojentas” (expressão dele) que foram o nazismo e o fascismo (embora inicialmente simpatizasse com Franco, afastou-se e criticou o ditador espanhol nas suas obras).

Como escritor (não se considerava escritor por ter publicado somente aos 40 anos), é apreciado pela profundidade das análises psicológicas. Os seus escritos revelam oposição à sociedade técnica e ao individualismo.

Dele disse a revista “Time” (14/10/1946): “Georges Bernanos é o mais distinto autor católico francês e o mais contundente crítico da sua própria Igreja”.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Cristianismo no n.º 82 da "Ler"

Li a “Ler” (n.º 82, de Julho de 2009) de uma ponta à outra. Ao princípio, comecei a lê-la só pelos artigos que me interessavam, um aqui, outro ali, uma crónica, uma entrevista, duas recensões… Mas a certa altura surgiu a questão: Se de vez em quando surgem referências à religião, por que não empreender uma busca exaustiva do fenómeno religioso e tentar encontrar uma tónica dominante nas referências? Haverá um uso típico da religião na revista “Ler”?

Como o tempo é um bem raro, demorei dois fins-de-semana na primeira metade de Julho a ler a “Ler” toda. Usei pequenos intervalos, cafés, esperas de alguém, intervalos noutras tarefas…

Eis as referências religiosas católico-cristãs explícitas que encontrei. Muitas outras há como a fé de Ray Bradbury nas biliotecas (“Foram as bibliotecas que me educaram. Acredito nas bibliotecas”), só para dar um exemplo. Mas essas não contam (entre parênteses, o número da página):

* Paulo Lopes reconstitui o que sentiam os portugueses em mares desconhecidos na época dos Descobrimentos. O texto é de José Riço Direitinho: “Gradualmente dá-se uma «transformação estruturante», em que o medo continua a ter uma presença importante, mas transfigurado num elemento «imbuído de carácter cristão» (não o dos primeiros séculos, o de santo Agostinho ou de Isidoro de Sevilha) acompanhado por novas soluções. Cria-se um conjunto de práticas com o «principal objectivo de cristianizar o mar anulando os seus elementos negativos e malignos», rituais propiciatórios que acontecem a bordo e em terra” (11).

* Pedro Mexia escreve no seu espaço “Biblioteca Fútil” sobre “O Segredo de Fátima”. Invoca as referências mariana para falar de um romance de Fátima Lopes. “O terceiro romance (e não o terceiro segredo) de Fátima chama-se A Viagem de Luz e Quim” (A Esfera dos Livros). Suponho que é a primeira aparição de “Quim” em títulos portugueses (…)”. Conclui deste modo, depois de perorar sobre o sucesso dos romances das apresentadoras de TV: “E há alguns, como Fátima, que descobriram o segredo” (19).

* Junot Díaz diz numa entrevista que ao ler um poema de Walcott pensou: “Meu Deus, isto é verdade”. Junot Díaz escreveu “Vida de Oscar Wao”, na Porto Editora (24).

* Francisco José Viegas (FJV) diz que Pedro Adão e Silva cita a Bíblia em “O Sal na Terra”, um livro sobre surf na Bertrand Editora (27). A propósito da nova edição da biografia de Eça de Queirós, de Maria Filomena Mónica (Quetzal), escreve: “Acho que ainda hoje me ressinto de ter lido O Crime do Padre Amaro no Inverno, suspeitando que Leiria viva debaixo de chuvas eternas e de um céu cinzento triste e enfadonho” (28). Revisitando o Dicionário de Khazar, de Milorad Pavic, FJV, a propósito de “livros sobre livros (e de livros sobre livros que falam de livros)”, refere a história - Pavic leu Borges, diz FJV – da queima da edição de Daubmannus, pela Inquisição, em 1692, restando apenas um exemplar envenenado. “O leitor morria, efectivamente, na nona página, ao ler as seguintes palavras: Verbum caro factum est (o verbo se fez carne)”, escreve FJV.

* Na secção “Livros no top” aparecem estes pelo menos no título relacionados com o tema em questão: Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert (Objectiva); Original Sin, de Tasmina Perry (Harper Collins); Pegadas na Areia, de Margaret F. Powers [Estrela Polar]. O resumo diz que “a história por detrás do poema de Fishback, escrito em 1964, é uma espécie de «renovação espiritual»”. Constata-se, ainda que o livro do Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, 1810-1910-2010 – Datas e Desafios está no top da Lello, no Porto (30 e 31).

* Na entrevista a Vasco Pulido Valente, abundam as referências cristãs. Vejamos: 1) VPV diz que se interessa pelas origens do cristianismo e que lê a Bíblia. O estudo das origens do cristianismo implica conhecimentos “de História, da doutrina e teologia cristã e um certo conhecimento do Império Romano”; 2) na adolescência VPV lia Mauriac e Bernanos (dois católicos franceses); 3) diz que Eça, “a meio da vida, escreveu dois romances religiosos que indicam que teve um grave problema religioso. O Mandarim e A Relíquia são, em última análise, uma declaração de ateísmo”; 4) sobre o talento literário, VPV diz: “As pessoas escrevem o que podem mas o valor daquilo que escrevem não depende da opinião das pessoas que compram os livros: Senão, o maior romancista do mundo era aquele rapaz – como é que ele se chama? – que escreveu a filha de Cristo…” [Dan Brown – diz Carlos Vaz Marques, que conduz a entrevista]; 5) diz que escrevia o que lhe vinha à cabeça no tempo de O Tempo e o Modo [a revista liderada por católicos progressistas] (32-43).

* “O padre Jovito Soares, um dos elementos da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação, um sobrevivente que não tem piedade da sua própria dor, explicou-me que «não podemos contar com esta geração. Os que morreram, morreram como animais, não morreram como homens. É apenas o futuro que pode restituir-lhes dignidade», escreve Pedro Rosa Mendes, regressado de Timor (53).

* Rogério Casanova diz, ultrapassados uns diálogos inconsequentes e uma longa viagem de autocarro, que chegará ao País de Gales, mais concretamente a Tupperware e a um dos maiores festivais literários do mundo, “se Deus e a Rainha assim o permitirem” (57).

* António Manuel Baptista escreve sobre o livro de José Jorge Letria que se chama O Que Darwin Escreveu a Deus e Outras Cartas Que Nunca Chegaram ao Seu Destino (Oficina do Livro). Neste livro, Cristo escreve a Maomé e o autor, no final, a Deus (sendo cartas que não chegam ao destino, deduzo que o autor escreve como não crente, ou como desejando ser crente) (61).

* 1866 foi o ano da inauguração do Seminário-Liceu de S. Nicolau, diz Francisco Benard, a propósito da colectânea O Ano Mágico de 2006 – Olhares Retrospectivos sobre a História e a Cultura Caboverdianas (Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 2008) (63).

* “O ódio ao nazismo e ao catolicismo acompanhá-lo-á durante toda a vida, chegando a escrever que «ambos são doenças do espírito, nada mais»”, escreve José Riço Direitinho a propósito Thomas Bernhard, que só “por dinheiro” aguentava a “humilhação vergonhosa” das entregas de prémios (64).

* Há um jesuíta chamado Naptha (“arrivista e medievalista”) em A Montanha Mágica, de Thomas Mann (Dom Quixote) (67).

* O novo livro de Mia Couto chama-se Jesusalém (Caminho). Impossível não associar a Jerusalém. E lê-se como “Jesus além” – pelo menos assim lê Mia Couto, vi na TV (67).

* O novo livro de Nuno Júdice chama-se Os Passos da Cruz (D. Quixote) – a história de um escritor que investiga a história de Antónia Margarida, que se torna noviça no Convento da Madre de Deus, em Lisboa, e de Brás Teles, que acabou também num convento, no séc. XVII, diz Carlos Câmara Leme (73).

* Em A Potência de existir – Manifesto Hedonista (Campo da Comunicação), Michel Onfray (diversas vezes citado neste blogue) retoma temas que lhe são caros, como “a sexualidade liberta da ganga judaico-cristã e burguesa” e o “ateísmo pós-cristão” (77).

* De Laura Ferreira dos Santos, que se tem apresentado como católica, é referido o livro “Ajudas-me a morrer?” (Sextante) (80).

* Eduardo Lourenço no ensaio “Esquerda, para onde vais tu?” fala de “pecados políticos”, lembra João XXIII para dizer como ele disse da Igreja que “a esquerda não tem inimigos”, diz que não se espera que “salvemos o mundo que parece ninguém estar em condições de salvar” (82-83).

* Valter Hugo Mãe, que diz que não faz sentido assinar com maiúsculas já que escreve só com minúsculas (é lá com ele), diz: “Nunca esperei ser romancista, queria antes ser poeta porque os poetas convivem com o insondável, ou sejam, com Deus” (84).

* Finalmente, Pedro Adão e Silva (o do livro do surf) diz na secção “Ponto Final” que a política portuguesa, “mais do que de férias, precisa é de um retiro espiritual”. Na literatura portuguesa, quem destaca o professor universitário e surfista? “Estamos fadados a ser um país de poetas, logo, o José Tolentino Mendonça” (96).

Falta uma taxonomia destas referências. O cristianismo católico é abordado nos seus aspectos históricos, como referência cultural, como origem de metáforas, comparações e paródias, como objecto de reflexão (neste caso, a combater), quase nunca como convicção pessoal. Porém, as questões introdutórias deste elenco continuam por responder. Haverá um uso cultural (literário, intelectual) típico das referências católicas?

terça-feira, 21 de julho de 2009

Graham Greene, a garrafa de vinho e o café de Tunes


A revista The Strand Magazine vai começar a publicar um romance inacabado de Graham Greene (1904-1991) que foi encontrado recentemente. Publica-o ao longo de cinco edições, um capítulo por semana, esperando que um autor ou os próprios leitores o completem.
O romance chama-se The Empty Chair, A Cadeira Vazia, e conta a história de um assassinato misterioso. A notícia vem no "Público" de hoje, na última página. “O enredo começa quando Alice Lady Perriham, uma actriz casada com um aristocrata, dá uma festa em sua casa, onde os convidados encontram o corpo do «taciturno, mal-humurado, bruto» Richard Groves, com uma faca espetada no peito”.
Trago-a para aqui por dois motivos, um que tem a ver com o espírito deste blogue e outro de ordem pessoal (mas que se alicerça no primeiro).
O primeiro: O romance foi iniciado em 1926, quando Greene tinha 22 anos. Foi nesse ano que Graham Greene “se converteu ao catolicismo, começou a trabalhar como subeditor no jornal londrino Times e decidiu tornar-se um escritor de sucesso”, diz o "Público". Para este romancista, o catolicismo é importante tanto para a vida (em todos os sentidos, incluindo o mais contraditório, porque abundam referências sobre as suas incoerências entre fé professada e fé vivida, no que diz respeito ao adultério e a outras vivências de cariz sexual) como para a arte. Sem a fé católica não se compreendem os romances “O Poder e a Glória”, “O Fim da Aventura” ou “Monsenhor Quixote”. E talvez por essas mesmas referências católicas se explique o facto de este ser um escritor esquecido, porque, como diz Clara Ferreira Alves (estou a pensar numa crónica do "Expresso"), está preocupado com dilemas que já não lembram a ninguém: o pecado e a graça, o desejo e a fidelidade, a perdição e a salvação… Já não lembram a ninguém, diz ela.
O segundo: Interessei-me por este autor, em finais da década de 1980, por um dia ter lido que em “Monsenhor Quixote” a Trindade era "explicada" à base de garrafas de vinho. Tinha uma vaga noção do catolicismo do autor e isso levou-me a ler durante uns tempos tudo o que encontrava dele, a começar pelo cómico “Monsenhor” (papel amarelo da Europa-América), passando pelo “Nosso Agente em Havana” e os outros acima referidos. Em ambiente de faculdade, eu era pelo Graham Greene, um colega era pelo Morris West e um outro pelo Unamuno. (A seguir vieram os católicos franceses, Bernanos, Mauriac…, mas isso já é outra história). Foi uma fase de tal modo greeniana, que sei onde estava no dia seguinte à morte do romancista inglês. Estava num café que há (havia?) ao pé da estação CP de Tunes, a caminho do Algarve. Nesse Março ou Abril de 1991, com mais alguns escuteiros, ia para uma actividade que o Agrupamento 115 intitulara de “Na Rota do Infante”. Enquanto esperávamos pelo comboio, à noite, li no “Correio da Manhã” do café que Graham Greene tinha morrido. Não sei se posso dizer que fiquei abalado. Mas senti que alguém que me era próximo desaparecia e eu não podia fazer nada. Greene era-me próximo, de uma proximidade feita de ler as suas palavras, uma proximidade que só se consegue quando a leitura raia a obsessão, uma proximidade que eu só viria a sentir em relação a mais três autores (até hoje – um deles também é romancista inglês e é considerado discípulo de Greene). Greene morrera e entretanto chega o comboio e temos de prosseguir viagem. Já com o comboio em andamento, lembro-me de que não paguei a despesa do café. Foi só uma bica, mas ainda um dia destes hei-de voltar ao café de Tunes para saldar a dívida. Graham Greene vai-me lembrando que tenho uma pena a expiar.
Graham Greene morreu no dia 3 de Abril de 1991, informa a Grande Teia. O episódio do café de Tunes deve ter acontecido no dia 4 de Abril de 1991, se o antigo espião tiver morrido antes do fecho da edição daquele Correio da Manhã.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...