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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O regresso dos deuses pagãos

Há dias referiu-se neste blogue Isaiah Berlin (aqui). Hoje, durante uma busca noutras direcções, dei com este texto de João Carlos Espada no jornal I (aqui). Fala de uma conferência anual na Universidade de Oxford, instituída a quando da morte do pensador de origem judaica.

A palestra de 2009, em Maio, foi proferida pelo Rabi Adin Steinsaltz (na imagem), que abordou a “a paganização da cultura ocidental”.

Diz Espada, resumindo as ideias desta conferência profundamente "berliniana", “profundamente pluralista”:

“A visão cristã do mundo perdeu influência. E, no lugar do Deus judaico--cristão, existem agora os deuses pagãos da antiguidade pré-cristã - ainda que possam ter novos nomes, novas imagens e novos templos.

O primeiro desses deuses é Baal, o deus do poder, também por vezes designado por Mammon, o deus do dinheiro. Os seus templos estão nos centros financeiros das grandes cidades e os seus padres são hoje designados por executivos e gestores.

O segundo deus pagão contemporâneo corresponde à antiga deusa da fertilidade e do sexo: Astarte, ou Ishtar, ou Ashtoreth. Os templos desta deusa - que já não é propriamente da fertilidade, mas simplesmente do sexo - encontram-se um pouco por toda a parte na sociedade ocidental.

Finalmente, temos uma musa promovida a deusa: Calliope, deusa da fama, simbolizada hoje na expressão "celebridade". Ser uma celebridade significa "ser um ninguém muito conhecido", isto é, alguém que toda a gente conhece mas ninguém sabe exactamente o que faz ou por que merece ser célebre. Os templos desta deusa estão em todas as casas e chamam-se televisão”.

Li o texto on-line hoje de manhã antes da compra diária do “Público” em papel. Leio na última página do matutino: “Há algum tempo – há quanto tempo, meu Zeus, já nem me lembro – era possível acreditar num Portugal fundamentalmente honesto” (início da crónica de Rui Tavares). Não me interessa o assunto da crónica, a corrupção, que, antes de ser um problema político e jurídico, é um problema moral e está resolvido à partida. Interessa-me a expressão: “Meu Zeus”. Não significa nada a não ser uma provocação. Mas que se usa a provocação - e Rui Tavares não é nem de longe o primeiro a fazê-lo na imprensa escrita - é já um sinal.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

5 de Novembro de 1997. Morre Isaiah Berlin

Grande pensador liberal do séc. XX. De origem judaica, nasceu em Riga, Letónia (6 de Junho de 1909), e viveu desde os 10 anos no Reino Unido. Ensinou teoria social e política em Oxford, foi historiador das ideias. Morreu no dia 5 de Novembro de 1997, aos 88 anos.

Num dos seus livros de ensaios, ele, que era liberal mas não iluminista, pelo menos do Iluminismo francês, que esteve na origem dos totalitarismos de esquerda e de direita, escreve:

“O que o Iluminismo no seu conjunto tem em comum é a negação da doutrina fulcral da Igreja do pecado original, na medida em que acredita que o homem nasceu ou inocente e bom, ou moralmente neutro e maleável pela educação e pelo enquadramento, ou, na pior das hipóteses, profundamente defeituoso mas capaz de um aperfeiçoamento radical e indefinido mercê de uma educação racional em circunstâncias favoráveis, ou através de uma reorganização revolucionária na sociedade como pretendia, por exemplo, Rousseau. Foi essa rejeição do pecado original que a Igreja condenou severamente no Émile de Rousseau, apesar do ataque dirigido contra o materialismo, o utilitarismo e o ateísmo”.

“O Contra-Iluminismo” in Isaiah Berlin, “A Apoteose da Vontade Romântica”, ed. Bizâncio.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...