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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

“Aos jovens, como podem tirar proveito das letras pagãs”


Quando o bizantino Manuel Crisolora foi para Florença, no ano de 1397, pago pela signoria da cidade para ensinar grego aos florentinos, levou consigo a sua biblioteca.

Sabe-se que incluía obras de Homero e Tucídides, Platão e Plutarco e de mais alguns. Entre os volumes, um teve especial influência no Renascimento que havia de vir: “Aos jovens, como podem tirar proveito das letras pagãs”.

Não é errado pensar que este livro teve uma influência gigantesca no amor pelos clássicos, tão essencial ao Humanismo. O autor? São Basílio, o capadócio, o grande teólogo do Espírito Santo no séc. IV e inventor dos hospitais.

Quem poderia hoje escrever um novo: “Aos jovens, como podem tirar proveito das letras ateias?”

Basílio Magno

domingo, 20 de março de 2011

Bento Domingues: A Quaresma e o riso

Escreve Bento Domingues no final do seu texto: "No momento em que, de novo, na Igreja, se procura voltar a um certo dogmatismo e a um pietismo, ora rançoso ora pomposo, importa redescobrir que o amor sem humor perde toda a graça, passa a uma obrigação, quando lhe pertence ser uma humilde jubilação da alma e um alívio das dores do mundo".
O dominicano recorda a figura de Filipe Neri, também aqui referida, que brincava "com tudo e com todos". Com mais ou menos graça, pode ler aqui algumas piadas e textos que assumem o espírito de Filipe Neri. Vivi a infância numa terra em que a capela local é dedicada a Filipe Neri e sempre ouvi dizer que um santo triste é um triste santo.

sábado, 8 de janeiro de 2011

8 de Janeiro de 1337. Morre o pintor Giotto

Giotto (1266-1337)

Giotto di Bondone morreu no dia 8 de Janeiro de 1337, em Florença. Quem gosta de arte religiosa pode chamar-lhe S. Giotto, porque além de mestre do top ten da pintura de todos os tempos, pelo menos pela introdução da perspectiva, humanizou os santos e as figuras divinas. Um mediador, portanto.

Só pintou motivos religiosos, sendo a vida de Francisco de Assis um deles, mas, como escreveu Lionello Venturi ("Para compreender a pintura. De giotto a Chagall", Estúdios Cor, 1955), “Giotto encerra uma civilização pictural que se ocupa sobretudo de Deus e abre outra que se ocupa sobretudo do homem”. Com Giotto, começa um novo capítulo da história da pintura, com realismo, perspectiva, humanidade, corpos e autores a assinar as obras. Segundo Gombrich, a história da arte passa a ser a história dos grandes artistas.

A foto acima é do exterior da Galeria Uffizi. Consta que Giotto era anão, como de alguma forma dá para perceber pela imagem.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

21 de Dezembro de 1401. Nasce o pintor Masaccio

Masaccio, o primeiro pintor a usar com mestria a perspectiva, nasceu no dia 21 de Dezembro de 1401 e morreu em 1428. O nome Masaccio é um aumentativo de Tommaso (Tomás), para distinguir de Masolino (diminutivo de Maso), o seu principal colaborador.

Masaccio viveu em Florença, tendo deixado a sua obra-prima, o fresco “Trindade” (ou "Santíssima Trindade com a Virgem, São João Baptista e os doadores"), pintada nas paredes da Igreja de Santa Maria Novella.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Maquiavel e Savonarola

Maquiavel

Sempre me intrigou o encontro entre os grandes espíritos da história. O que dizem? Cumprimenta-se? Falam do estado do tempo? O que disse Descartes quando se cruzou com Pascal? Ninguém sabe. Mas há outros de que se sabe.

Um dos célebres encontros foi entre Napoleão e Goethe. O imperador queria que o poeta cantasse os seus feitos, como Virgílio cantara os de Augusto. E disse a Goethe, quando o viu, lisonjeador: “Eis um homem!” Goethe torceu o nariz. Este encontro foi no dia 2 de Outubro de 1808 em Erfurt.

Erfurt, por seu turno, é uma cidade ligada a Lutero. Foi lá que o reformador frequentou a universidade. E foi lá que ingressou na ordem dos agostinianos, no dia 17 de Julho de 1505 (aqui). Na altura, desfez-se de todos os seus livros excepto os de Virgílio. Mas isto foi mais de três séculos antes. Ontem lembrei aqui Lutero a propósito da tentativa de reforma do frade Savonarola. Deveria ter evocado antes Maquiavel. É que o autor de “O Príncipe”, então com 29 anos, assistiu à morte de Savonarola por enforcamento seguida de incineração do seu corpo (para que não houvesse tentativas de ressurgimento do movimento do frade dominicano à volta da sepultura).

Alguém observou que Maquiavel (1469-1527) é contemporâneo de Leonardo de Vinci (1452-1519) e Miguel Ângelo (1457-1564), com quem se deve ter cruzado na mesma cidade, mas nunca os refere nos seus escritos. Já Savonarola influenciou as ideias políticas de Maquiavel. Mais do que isso. O fim de Savonarola deu trabalho a Maquiavel. Uns dias depois do fim do governo demo-teocrático do frade, e com a deposição dos sequazes que sobrevivem, Maquiavel é nomeado secretário da Segunda Chancelaria, posto que ocupará por 14 anos e lhe possibilitará viagens diplomáticas e conhecimentos que depois integrará na sua obra maior, escrita em 1513 e publicada em 1532.

Sobre Savonarola, Maquiavel escreve numa carta que é um “profeta desarmado que nada pode contra a força”. George Mounin explica que a experiência governativa de Savonarola (que aceita que lhe dêem o poder depois de muito criticar os Médici) “é um dos grandes acontecimentos políticos a que assistirá” (“Maquiavel”, Edições 70, pág, 12).

Como reagiu o iniciador do pensamento político moderno? Mounin adianta: “Ouve Savonarola, como observador que relata, quase como um indicador, pois possuímos uma longa carta sua, de 8 de Março de 1497, a Ricardo Bechi, embaixador de Florença em Roma – um relatório pormenorizado onde Maquiavel menciona com agrado as diatribes contras os padres e o papa e indica friamente que o Frater «utiliza habilmente as circunstâncias e sabe bem disfarçar os seus embustes». Maquiavel fez decerto parte daqueles florentinos que faziam denúncias a Roma e que, por mais de uma vez, Savonarola acusou do alto do púlpito. Mesmo se, mais tarde, e em atenção a certos círculos florentinos cujas graças queria conservar, Maquiavel amenizou os seus juízos acerca do Frater, não é possível tomá-lo como um adepto de Savonarola”.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

21 de Setembro de 1452. Nasce Girolamo Savonarola

Savonarola (Ferrara, 21 de Setembro de 1452 – Florença, 23 de Maio de 1498) ouviu um sermão de um monge agostiniano (como Lutero também viria a ser) e resolveu renunciar ao mundo e entrar para a ordem dominicana em Bolonha. Isto aconteceu-lhe aos 22 anos. Convenceu-se então de que o mundo e a Igreja estavam em decadência e concentrou-se em práticas ascéticas. Em 1481 ou 1482 foi enviado para Florença, onde imperavam os Médici e florescia a cultura clássica, que muitos conotavam com o paganismo.

Savonarola pregava na Igreja de S. Marcos com tanto sucesso que passado algum tempo, denunciando a tirania de Lorenzo Médici e a degradação dos costumes, consegue instaurar uma democracia teocrática (Cristo era o rei de Florença) alicerçada nas suas ideias – incluindo a queima de livros perniciosos.

O Papa Alexandre VI, pouco amante de ascetismo, como é sabido, chama o frade a Roma, mas este desobedece. Savonarola queria renovar toda a cristandade, e principalmente Roma, a partir de Florença e com o apoio de outros monarcas europeus. Entretanto, a oposição em Florença cresce, impulsionada também por franciscanos, e o mosteiro de São Marcos é assaltado. Savonarola é acusado de heresia e condenado no dia 22 de Maio de 1498. Morre no dia seguinte, enforcado. O seu corpo, com os de outros dois frades, são queimados na Piazza della Signoria. Entretanto, na Alemanha, o jovem Martinho Lutero tem quase 15 anos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Auto-retrato de Botticelli nos 500 anos da sua morte

Sandro Botticelli (não sei qual a origem do apelido, já que o seu nome de baptismo era Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi) auto-retratou-se na "Adoração dos magos" que se encontra na Galeria Ufizzi, em Florença. O pintor é o que está do lado direito, a olhar para nós.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...