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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Fez de padre em "A dúvida / Doubt"

Morreu Philip Seymour Hoffman, de overdose, ao que dizem. Como muitos, lamento a perda de um dos maiores atores dos últimos anos. Só aparecia em filmes bons. Ou então tornavam-se bons quando ele aparecia.

Recupero uma cena do filme "A dúvida", que já por cá andou. E acrescento outra do mesmo filme.



quarta-feira, 8 de maio de 2013

Scorsese faz um filme sobre os jesuítas portugueses no Japão


Scorsese vai finalmente filmar a adaptação de "Silêncio", romance de Shusaku Endo que fala dos missionários jesuítas no Japão que renegam a fé durante as perseguições dos poderes nipónicos.

No papel de Sebastião Rodrigues, o jesuíta que é enviado para investigar o caso, estará Andrew Garfield, que há pouco fez de Homem-Aranha.


Há muito que se falava deste filme do ex-seminarista Scorsese. Parece que deste vez é que é.

Da notícia do "Público" de hoje:
Em declarações à revista Variety, Scorsese disse que Silêncio é um filme sobre as raízes da fé religiosa, uma questão que o acompanha desde a infância e que já explorou em filmes como A Última Tentação de Cristo (1988) ou Kundun (1997). Em A Última Tentação de Cristo, que valeu a Scorsese uma nomeação para o Óscar de Melhor Realizador, Jesus Cristo, apesar do chamamento de Deus, é tentado a viver a vida de um mortal. 
“É algo que sempre fez parte da minha vida. Para as pessoas que estão de fora é difícil entender o mundo em que eu cresci, o do catolicismo romano na Nova Iorque dos anos 1950. Fiquei tão impressionado que tentei fazer parte desse mundo mas aos 15, 16 anos percebi que era muito mais duro e complicado do que eu tinha pensado…em termos de vocação”, disse ao site da revista Variety. 
Scorsese leu pela primeira vez o romance de Shusaku Endo há 25 anos, quando o arcebispo Paul Moore lho enviou, na sequência de um visionamento de A Última Tentação de Cristo. O realizador recorda que o livro o marcou pela sua “simplicidade complexa” e por se tentar “ libertar dos dogmas e tentar lidar apenas com a essência…da Cristandade, de Jesus". Após ter lido o livro o realizador começou imediatamente a trabalhar na sua adaptação ao cinema, com o argumentista Jay Cocks, seu colaborador regular. Entretanto interrompido por outros projectos, o guião só ficou terminado em 1996.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O pecado pode ser perdoado antes de ser cometido?



Um pecado pode ter um perdão adiantado, antes de ser cometido? Não é este o enredo principal do filme, mas reconheça-se que sem o contexto católico o drama não teria tanto sentido.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"Vida de Pi", agora em filme

Estreou há dias, penso que ainda não em Portugal. O filme baseia-se num livro de Yann Martel. Li-o em 2003 (ou 2004? De qualquer maneira, obrigado, José Serra, pelo empréstimo!).

Dos poucos romances que me comoveram realmente. Diz-se que há uma dimensão religiosa no filme, que recupera a pergunta sobre as religiões (lido aqui). Realço que é uma das mais belas histórias de amizade dos tempos recentes.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Penas de almofada e de galinha




No filme "A dúvida", baseado numa peça teatral de John Patrick que já foi representada em Portugal (Diogo Infante no papel do padre), o padre conta uma história para explicar a culpabilidade de quem gera boatos. Murmurações, como algumas pessoas dizem.

Lembrei-me do filme porque, por mero acaso, li hoje que a história da almofada, via penas, remonta a Filipe Neri.

Uma senhora caía frequentemente no pecado da murmuração. O santo impôs-lhe como penitência percorrer uma estrada de Roma depenando uma galinha. Na semana seguinte, a penitente confessa ter voltado a cair no mesmo pecado.
- Cumpriu a pela que lhe impus?
- Sim, exatamente como me disse.
- Muito bem. Volte agora pela mesma rua e recolha todas as penas que espalhou.
- Isso é impossível.
- Minha filha, do mesmo modo é impossível recolher as falsidades que se dedica a difundir ao longo do dia.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Papa que fugiu



No DN de hoje, porque "Temos Papa" está a partir de hoje nas salas de cinema. Sobre o filme que este blogue segue desde 2009 (ver aqui) e o realizador: Moretti. Amanhã, o Ípsilon (Público) dedica a capa a este filme e realizador.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Tarkovsky, cineasta da encarnação

Saiu no Q. de sábado passado (suplemento do DN). Para quem gosta de cinema e não lhe repudia o adjectivo espiritual. Breve nota sobre Tarkovski aqui.


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Susan Sarandon fez de freira mas não é beneditina


No "Público" de hoje. Sarandon foi educada como católica e fez de freira (só faltava ser beneditina) no filme de Sean Penn condenado à morte. Pode não gostar do Papa, mas escusava de mentir e insultá-lo.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Filme: Escolheremos a graça ou a natureza?

Ainda não o vi – mas não é filho único – e espero vê-lo em breve. “A árvore da vida”, de Terrence Malick, tem tido imensas referências positivas da crítica e de amigos credenciados. (As destes últimos credibilizam as dos primeiros e valem mais para incentivar a ida ao cinema.)

Volto ao assunto (ver aqui o trailer) porque li mais uma crítica positiva e, vá lá, uma negativa. Ambas vêm do Brasil, onde o filme estreou mais recentemente. A primeira é de Marcelo Gleiser, físico teórico que de vez em quando anda por este blogue (ver aqui, por exemplo). A segunda, em vídeo, é de Isabela Boscov, crítica da revista “Veja”.


O texto de Marcelo Gleiser (lido aqui):
Na semana passada assisti ao filme "A Árvore da Vida", de Terrence Malick. Se existe um gênero de cinema dito metafísico, esse filme é um exemplo perfeito. Algumas das questões mais profundas que foram (e são) feitas no decorrer da história reaparecem aqui, em meio à tribulada vida de uma família de classe média americana da década de 1950. 
Malick nos lembra que o sublime e o trágico usam vários disfarces, alternando cenas de beleza numa rua comum com cenas pesadas. 
O tema central do filme é a perda e nossa relação com ela. Malick contrasta a fragilidade humana com o esplendor dramático da natureza, inserindo uma narrativa da criação que começa com o Big Bang, mostra estrelas nascendo em gigantescas e coloridas explosões, a própria Terra surgindo, o desenvolvimento de criaturas e plantas multicelulares, a era dos dinossauros, até chegarmos ao nascimento de Jack, o filho mais velho da família O'Brien. 
Com isso, Malick nos insere no épico da criação, mostrando que a história cósmica é a nossa história. 
As imagens e a música evocativa (Mahler, Brahms, Couperin, Berlioz, e o tema original de Alexandre Desplat) nos induzem a ver o Universo, a vida e a humanidade como manifestação de um Deus Spinoziano, em tudo e em todos, transcendente. 
No decorrer do filme, testemunhamos vários tipos de perda. O'Brien e sua esposa têm três filhos. Jack é o pivô dramático do enredo, sofrendo constantemente da ira do pai frustrado, que se mescla com um afeto violento. 
O'Brien queria ter sido músico, mas acaba numa fábrica, talvez como engenheiro.Fora a fúria paterna, Jack tem de lidar com a superioridade do irmão mais novo, R. L., que toca violão e desenha muito bem, além de ser mais bonito. Nos ciúmes e adoração que Jack sente pelo irmão, vemos a luta que todos temos com nossas limitações. Lembrei-me da angústia de Salieri ao se deparar com o gênio de Mozart em "Amadeus". 
Já a mãe é uma criatura em constante êxtase beatífico, uma mística que ama a natureza com fervor religioso: "Ame a todos e a tudo. Ame cada folha, cada raio de luz". 
A paz (relativa) familiar é destruída quando R. L., o filho, é morto no Vietnã aos 19 anos - algo que vemos no início do filme. 
A narrativa vai e volta no tempo, e vemos Jack adulto (Sean Penn), dentro de um prédio moderno em Dallas que parece um sarcófago, olhando para fora e perguntando "Onde você está?" ao seu irmão e a Deus. O filme usa muita narração sussurrada, como se fossem preces. Malick transforma a sala de projeção em templo: o cinema sacro. 
O filme nos coloca entre "o caminho da graça e o caminho da natureza". Graça no sentido cristão de generosidade, humildade e bondade, de uma força interna imune a todo o tipo de barreira, ancorada na nossa humanidade. Sem nós, a graça não existe. Já a natureza é indiferente, avança resolutamente, criando e destruindo sem um objetivo final. Nós, frágeis humanos, estamos tentando compreender o significado de nossas vidas. Uma morte prematura é indesculpável.Não precisamos escolher entre a graça e a natureza. Existe uma terceira via, em que encontramos graça na natureza, não apenas através de sua beleza e cada folha e raio de luz, mas por meio da nossa profunda conexão com ela. 
O que matou o pai, figurativamente, mesmo antes da morte do filho, foi ter se distanciado do sentido de graça, da conexão profunda com o que nos cerca, vivo ou não. 
Espero que, das várias mensagens do filme de Malick, uma que perdure seja que graça e natureza constituem um todo indissolúvel. 
Afinal, aqui estamos, criações cósmicas que somos, capazes de inventar o conceito de graça e de viver inspirados por ele. Dedico esse texto à minha amiga Ciça Guimarães.
O vídeo de Isabela Boscov:

terça-feira, 26 de abril de 2011

Seis filmes que falam de ressurreição

No blogue Cine Espiritual, apresentam-se seis exemplos de como o cinema se inspirou na experiência pascal. Os filmes são:



O Grande Ditador, de Charles Chaplin
As Noites de Cabíria, de Federico Fellini
A Vida é Bela, de Roberto Benigni
As Crónicas de Nárnia, de Andrew Adamson
Cry the Belloved Country, de Darrell James Roodt (desconheço o título em português)
A Palavra, de Carl Theodor Dreyer.

Ler comentários e ver excertos dos filmes aqui.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Os melhores filmes de sempre. Segundo o Vaticano

Filme com nudez etnográfica

Por razões que não vêm ao caso, dei com a “lista vaticana dos melhores filmes de sempre”. É de 1995, quando o cinema completava cem anos de deslumbre. Mas só agora ouvi falar dela. A lista apresenta 45 filmes subdivididos pelas categorias Religião, Valores e Arte. Cuidado com a nudez etnográfica de “A missão” - expressão dos bispos americanos. Lista aqui.

Potencialmente interessante é a selecção anual que Conferência Episcopal dos EUA faz dos melhores filmes, 10 “best movies” e 10 “family films” (aqui).


(Nota de 7 de Novembro de 2011: Os links já não remetem para partes do sítio dos bispos dos EUA onde surgiam as listas em questão.)

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...