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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Editora Verbo e a Igreja portuguesa

A importância da Verbo, quer se goste quer não se goste do estilo, nunca poderá ser menorizada. Dizia um padre, no tempo de maior pujança da editora, que os grandes órgãos de comunicação da Igreja eram a Universidade Católica, a Rádio Renascença e a Verbo, com a particularidade de a Verbo não pertencer à Igreja. E, de facto, em tempos de sanha revolucionária, de PREC e de purgas, a Verbo funcionou como única hipótese de direito ao contraditório dos vencidos.

Lido aqui.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Cinco escritores que se inspiram na Bíblia

Erri De Luca, Sergio Ramírez, Emmanuel Carrère, Ricardo Menéndez Salmón e Amos Oz são cinco autores contemporâneos que usam a Bíblia como matéria-prima. Artigo de Berna González Harbour no El País de 23-11-2015, lido no IHU.

domingo, 14 de setembro de 2014

Bento Dominguues: "O desterro da teologia"

Texto de Bento Domingues no "Público" de hoje,

Se a teologia foi “desterrada” da cultura moderna é por ter sido considerada inimiga da razão, da filosofia e de todos os modos de criatividade humana. Nas Igrejas, ao ser instrumentalizada pelo poder eclesiástico, perdeu o carácter de instância da liberdade da fé e das suas expressões mais genuínas. O autoritarismo desvirtuou a sua função na Igreja e tornou-a incapaz de dialogar com a sociedade, de a fecundar e ser fecundada por ela.

domingo, 27 de abril de 2014

Morreu Vasco Graça Moura

Morreu Vasco Graça Moura. Não tinha relação especial com ele para além de ser leitor habitual das suas crónicas. Citei-o sete vezes neste blogue, como aqui, o suficiente para ficar triste com a morte deste intelectual. E surpreendido, como acontece geralmente com a manifestação da irmã morte.

sábado, 22 de março de 2014

A arte de Ana Jotta não emita a vida, "sampla" a arte

No “Público” de hoje, fala-se de Ana Jotta, que venceu “o mais relevante prémio de artes plásticas nacional”, o Grande Prémio EDP.

Ao ver uma das suas obras, que a seguir reproduzo, a partir do que o matutino apresenta…




…lembrei-me logo desta pintura de Philip Guston (1913-1980), que há tempos por aqui andou a propósito de Philip Roth.


Estranhei. Mas a explicação vem na notícia:
A arte de Ana Jotta não imita a vida, é uma manifestação de um modo singular de viver, escreveu em tempos João Fernandes: "Referências da história da arte misturam-se com referências da cultura popular do século XX numa permanente reciclagem." Velázquez, Mondrian, Paul Klee, Edward Hopper, Mike Kelley, Stuart Carvalhais, Tom, Vilhena, Bill Watterson, imagens de livros de colorir, calendários, pintura vernácula… Os processos de Ana Jotta começam com a artista como respigadora das mais diferentes realidades plásticas para culminar num trabalho de "samplagem" derrisória em que os mais diferentes elementos ganham nova vida.
Está explicado. Samplagem. Artista respigadora. Ok. "A arte de Ana Jotta não emita a vida", emita a arte. Não tenho mais comentários.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Nestas condições...

Pormenor de "O Desterrado"

“Sou cristão, porém, nestas condições, a vida para mim é insuportável. Peço perdão a quem ofendi injustamente, mas não perdoo a quem me fez mal.”

Últimas palavras de Soares dos Reis, que se suicidou faz hoje 125 anos. Ler no "Público".

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Será verdade?

Porque é que os ateus não conseguem inspirar-se na cultura com as mesma espontaneidade e rigor que os religiosos aplicam aos seus textos sagrados?

Alain de Botton, pág. 109 de "Religião para Ateus"

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O latim como deve ser



No “Q” (DN) de sábado passado – eu já cá deveria ter falado disso, mas passou-me – falou-se do latim como deve ser. Ou seja, pelo seu valor cultural e não pela sua pseudo-importância religiosa.

Temas principais das 15 páginas dedicadas ao latim:

- “Uma antiga herança europeia” – como o latim ajudou a definir a Europa; 
- “Aprender latim no século XXI” – um ateliê mostra aos mais novos como a língua continua viva em palavras que usamos todos os dias; 
- “A «Eneida» a um policial de 2011” – sobre os 84 mil títulos em latim que a Amazon tem no seu catálogo; 
- “Entre a música sacra e Rodrigo Leão” – um percurso pela história da música; 
- “O São Sebastião de Derek Jarman” – sobre o primeiro filme britânico abertamente «gay», todo ele falado em latim; 
- “A primeira língua franca da ciência” – sobre o «Sidereus Nuncius» de Galileu e o uso do latim para a divulgação do conhecimento científico.

"Sidereus Nuncius"

sábado, 22 de dezembro de 2012

Cinco sugestões de livros por Tolentino Mendonça


Nas páginas 4 e 5 do "Q" (suplemento do DN aos sábados), há cinco sugestões de livros, três de discos e três de filmes dadas e comentadas por José Tolentino Mendonça. Já decidi comprar um dos livros. Os referidos são:

- Flannery O'Connor, Collected Works, The Library of America
- Mário Casariny, Cartas para a Casa de Pascoais, Documenta / Fundação Cupertino de Miranda
- Alfredo Teixeira (org), Idntidades Religiosas em Portugal. Ensaio interdisciplinar, Paulinas
- Daniel Marguerat e Yvan Bourquin, Para ler as narrativas bíblicas [o DN diz que é "os relatos bíblicos"], Paulinas
- Andrej Tarkovski, Leben un werk: filme, schriften, stills & Polaroids, Schurner / Mosel.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Átrio com poucos gentios

A sessão portuguesa do Átrio dos Gentios chegou aos gentios? Procurei na grande imprensa, "Público", CM, DN, JN, Expresso, Visão, Sábado e... nada. Posso não ter visto tudo, é certo.

A julgar pelo impacto na imprensa escrita não confessional, o Átrio não existiu. Quanto a rádio e tv, só ouço música, não sei.

Para saber algo do Átrio, podemos ler na Ecclesia e no SNPC, ou no "Diário do Minho", mas parece-me muito pouco para o objectivo de sair do templo e falar com gentios.



No "Diário do Minho" de 17 de novembro.

sábado, 10 de novembro de 2012

Anselmo Borges: Diálogos de Coimbra na Joanina

Artigo de Anselmo Borges no DN de hoje.
Sorver cultura. Um dos tetos da Joanina

A Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, um templo de rara beleza ao Livro, foi, no ano lectivo transacto, palco para três diálogos sobre as raízes da Europa. A iniciativa partiu do Padre Nuno Santos, Director do Instituto Universitário Justiça e Paz, e os intervenientes foram o biblista Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, e três eminentes professores: o penalista José de Faria Costa, da Faculdade de Direito, o historiador Fernando Catroga, da Faculdade de Letras, o físico Carlos Fiolhais, da Faculdade de Ciências e Tecnologia. Moderou o jornalista Manuel Vilas-Boas, da TSF.

Todos estiveram de acordo na afirmação de que a Europa tem três heranças fundamentais: Atenas, Jerusalém e Roma, sugerindo alguém um quarto fundamento: o vitalismo bárbaro, a partir do Norte.

O primeiro diálogo teve como linha de orientação "Razão. Pessoa. Direito". Aí está a convergência entre Atenas e Jerusalém: o Evangelho segundo São João inaugura-se com a afirmação: "No princípio era o Logos, a Palavra, a Razão, e tudo foi criado pelo Logos". A criação pelo Logos diz que o mundo é racional e, por isso, racionalmente investigável. Como ninguém põe em causa que o cristianismo foi decisivo na descoberta da pessoa, do seu valor e dignidade. A herança de Roma é o Direito.

Partindo do espaço escolhido para o debate, Faria Costa sublinhou a importância da perspectiva, que impõe colocar-se no ponto de vista do outro: "ser pessoa é estar dentro e fora, em simultâneo, procurar a interioridade e a exterioridade." Não existe sociedade sem Direito. Somos seres morais, respondendo perante o outro, "humilde- mente e independentemente da sua condição: pobre ou rico, velho ou novo". E somo-lo, independentemente do Transcendente, "por muito que esse Transcendente seja a mais bela forma de dizer o indizível".

O bispo Virgílio Antunes concorda, sublinhando que "numa leitura cristã, que enforma a cultura que somos, quando entra em crise uma destas variáveis - Razão, Pessoa, Direito - fica em causa a construção da pessoa humana". Mas quis acrescentar um novo elemento: a fé - porque a razão não esgota o Mistério -, que permite "a superação da lei pela liberdade e pelo amor". Sem liberdade, justiça e amor, não há construção da dignidade da pessoa, numa sociedade justa e fraterna.

No segundo diálogo, o tema era: "Natureza. História. Identidades". De Atenas herdámos a natureza, a physis. A História é uma herança essencialmente bíblica. As identidades constroem-se na confluência de natureza e história.

O homem teve sempre "uma relação umbilical com a natureza", que se impunha como grande modelo interpretativo do sentido, começou por sublinhar Fernando Catroga. A consciência histórica, herança fundamental da religião judaico-cristã, é, na luta do homem pela memória e contra o esquecimento, um conceito essencialmente moderno, que dá sentido à vida colectiva. As identidades "hoje herdam-se, constroem-se e estão sujeitas a movimentos históricos, numa pluralização de sentidos de pertença".

O bispo pôs o acento na História, lugar de revelação e salvação, não permitindo que Deus seja confundido com a natureza, sua criação. E pensa que há na Europa o esquecimento da herança judaico-cristã, que explica, pelo menos em parte, o vazio em que se vive actualmente, "numa profunda crise de identidade, sem referências, como órfãos que não conhecem os pais nem sabem donde vêm e que perderam os critérios de procura e conhecimento da verdade."

"Acaso. Criação. Sentido" foi o último tema. O universo não se rege só pelo acaso ou pela necessidade, mas por um e outro, e mostra-se probabilístico. Carlos Fiolhais afirmou que a ciência e a religião não são incompatíveis. Se houve tempos de conflito, não é esse hoje o caso, havendo inclusive grandes cientistas que são crentes. O bispo confirmou: a Bíblia não é um livro científico, mas religioso. O homem é só um e aproxima-se da realidade de modos diversos e com métodos diferentes.

Só o homem tem o sentido do mistério. Há sentido na compreensão científica do mundo e na sua unificação, mas o crente religioso espera mais: uma palavra definitiva de salvação sobre a História.

sábado, 15 de setembro de 2012

Da importância da cultura cristã para conhecer as artes clássicas

Texto de António Pinto Ribeiro no "Ípsilon" ("Público") de ontem. Sobre como o declínio da cultura cristã leva ao desconhecimento da grande arte.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

segunda-feira, 30 de julho de 2012

"A militância de um (ex-)católico crítico", no "Público" de ontem



Notícia do "Público" de ontem sobre o arquiteto Nuno Teotónio Pereira, a quem a Igreja Católica atribuiu o prémio de Árvore daVida / P.e Manuel Antunes.

domingo, 22 de abril de 2012

Onde estão as boas leituras



Com a recente remodelação gráfica do “Público”, o “ípsilon” (suplemento das sextas-feiras) dá menos espaço à literatura, aos escritores e aos livros, que era onde encontrava sempre matéria para este blogue. Em contrapartida, o “Q” (suplemento do DN dos sábados) traz todas as semanas uma mão cheia de bons artigos, longos como gosto. Muitos deles gostava de os reproduzir aqui. Como é um suplemento que não deito fora, para alguns deles pode chegar a oportunidade.

Ontem, por exemplo, publicava-se um ensaio de Isabel Allegro de Magalhães sobre “Corpo, Crise, Transcendência”, a propósito do livro “Corpo e Transcendência”, de Anselmo Borges (576 páginas na ed. Almedina).

Na semana passada (14 de abril), embora o grande destaque fosse para Madonna, a cantora, havia três excelentes artigos para esta tribo: Paul Johson escrevia sobre Miguel Ângelo e a Capela Sistina; Eurico de Barros falava da encomenda da revista católica “Coeurs Vaillants” a Hergé; e João Céu e Silva escrevia sobre o novo livro de ensaios de José Mattoso (referido também no texto de hoje de Bento Domingues).

À falta de uma boa revista de temáticas cristãs, temos de andar a repescar daqui e dali.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Orwell em Cuba? Ou ignorância religiosa no "i"?


No "i" de hoje.


À primeira vista, diria que a ignorância é atrevida.


À segunda, também, até porque o autor diz que foi poupado a uma educação católica, dando a presumir que é ignorante no tema (não o é necessariamente, mas em Portugal é improvável uma educação na cultura católica sem uma educação católica).


À terceira, diria que há um desfasamento de mundovisões entre Ratzinger (e a dos católicos) e a de Ricardo Alves. E isso é sintomático. Por isso, leio este texto mais na perspetiva do humor (que não é dada pelo autor), do que na da tragédia, que de facto seria se o que o autor diz em relação ao Papa tivesse alguma correspondência com a realidade (por exemplo: que Maria ao dizer que é escrava fosse pretexto para defender a escravidão, ainda que a fé seja uma dependência, mas que liberta).


Por outro lado, se o Papa tem obrigação de conhecer Orwell (e é provável que conheça), não tem o opinador o dever de conhecer a linguagem religiosa?

sábado, 24 de março de 2012

Agostinho lido por atores


Agostinho e o seu mestre, Ambrósio de Milão

O ator e encenador Júlio Martin lê hoje textos de Santo Agostinho, a partir das 16h, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus (Rua Camilo Castelo Branco, perto da rotunda do Marquês).  Com música de Rão Kyao. «Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!». Ler mais aqui.


terça-feira, 20 de março de 2012

D. Rowan Williams: Os cristãos têm de aprender a viver na democracia argumentativa

Rowan Williams é o de óculos

Por estes dias, tem sido amplamente divulgada a reforma de Rowan Williams da liderança da Comunhão Anglicana, no final de 2012  - algo que já se dizia há meio ano. O arcebispo de Cantuária deu uma entrevista em que faz um balanço da sua atividade, aponta as razões da renúncia, antevê o que poderá fazer nos noves meses que faltam e diz o que espera ao  retomar da carreira académica.


Numa resposta, em especial, nota-se a sensatez que caracteriza o arcebispo (apesar do mau português do texto), que é alguém que passei a apreciar principalmente após a leitura dos livros do dominicano Timothy Radcliffe. 
O senhor acha que o cristianismo está perdendo a batalha contra a secularização na Grã-Bretanha? 
Eu não acho que o cristianismo está perdendo a "batalha contra a secularização". Eu certamente não tenho essa impressão quando estou com as congregações, quando estou nas escolas da Igreja ou em muitos ambientes como esses – nem mesmo quando estou falando sobre essas coisas em um grupo muito misto, digamos, de estudantes do Ensino Médio. 
Eu acho que ainda há um grande interesse pela fé cristã e, embora eu ache que há também muita ignorância e um preconceito bastante simplista sobre as manifestações visíveis do cristianismo, o que às vezes obscurece a discussão, eu não acho que há, de alguma forma, um único grande argumento de que a Igreja está perdendo. 
Eu penso que as pessoas voltaram a debater, muito apropriadamente, com Richard Dawkins, com Philip Pullman, com Tony Grayling e outros – esse argumento continua de forma muito robusta. O que eu acho que obscurece levemente tudo isso é essa sensação de que há uma enorme quantidade de pessoas de uma certa geração, agora, que realmente não sabem como a religião funciona, e muito menos o cristianismo em particular. E isso leva a confusões e sensibilidades nas áreas erradas – você sabe, usar uma cruz ofende as pessoas que não têm fé ou são não cristãs? Eu não acho que ofende, mas as pessoas se preocupam que ofenderá, e isso, em parte, porque há uma leve surdez sobre como a crença religiosa funciona. 
Então, sim, há um desafio, e, sim, o papel público da Igreja é mais contestado do que costumava ser, e, sim, temos que conquistar o nosso direito de falar talvez mais do que antigamente. Mas isso provavelmente será bom para nós. Eu tenho dito algumas vezes que eu acho que deveríamos viver naquela que eu gosto de chamar de "democracia argumentativa", um pluralismo argumentativo. E, para o cristianismo, ser capaz de responder clara e energicamente nesse ambiente é extremamente importante. Eu espero que eu possa continuar contribuindo com essa discussão pública na nova função. 
Lido aqui.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Açores: Exposição "Santos e Devotos"



Decorre até 8 de abril, no Museu de Angra do Heroísmo, a exposição "Santos e Devotos". Diz no sítio do Museu que a exposição
procura trazer ao presente, conhecer e aprofundar uma das nossas maiores matrizes culturais, que são as manifestações religiosas cristãs, e sujeitá-las ao crivo das nossas preocupações e angústias mais atuais. (…) Expõem-se peças de imaginária e pintura de notável valor artístico, bem como outros objetos religiosos ligados à prática do sagrado, como sejam presépios, registos e ex-votos.
O catálogo pode ser visto e descarregado aqui. E vale bem a pena (presumo que poucos dos que leem isto possam ver a expo ao vivo), como se pode ver pelas páginas aqui reproduzidas Aumentam, se clicar. Agradeço ao Paulo, açoriano que me falou a exposição.


Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...