segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Essa enguia chamada Erasmo
Diz-se que "Lutero chocou o ovo que Erasmo pôs", mas entre os dois houve muita diferença. Erasmo era um otimista e acreditava na liberdade humana. Lutero achava-a fatalmente corrompida. Mas no debate sobre o livre/servo arbítrio disse de Erasmo: "Gabo-te e louvo-te por teres sido, de todos os meus adversários, o único que apanhou o ponto certo do debate". Claro que Lutero queria ter Erasmo e o seu prestígio do seu lado. Dizia-se naquele tempo: "Olha, aquele é o tal que recebeu uma carta de Erasmo". O humanista nunca se comprometeu com a Reforma, embora considerasse que Lutero tinha razão em algumas das suas convicções. Mas Roma é sempre Roma.
Lutero chamava a Erasmo "enguia". Escapava sempre. Com escapou de Basileia logo que a cidade suíça aderiu à reforma. O Papa Paulo III quis fazê-lo cardeal. Erasmo desculpou-se que era muito velho. Mas um escape. Morreu a seguir. O grande escape.
E foi uma pena a Igreja ter posto as obras (não só "Elogio da Loucura", mas a versão grega do Novo Testamento e os comentários a quase todos os Padres da Igreja) deste ex-monge, amigo de Tomás Moro, no Index.
(Isto não vem a propósito de nada. Li hoje que Lutero lhe chamava "enguia" a Erasmo e que Paulo III tencionava nomeá-lo cardeal e quis partilhar isto.)
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Nódoa?
Humanista, moderno, amigo de Erasmo (inspirador do "Elogio da Loucura"), sonhador de sociedades novas. Queria que as filhas fossem cultas.
Tinha Tomás Moro em grande conta. Altíssima conta. Mártir da consciência. (E o quadro de Hans Holbein é sem dúvida um dos mais admiráveis retratos que alguém já pintou; aqui pode-se apreciá-lo com grande pormenor.) Mas então não é que mandou perseguir e matar seis reformadores luteranos? Pensava que ele neste assunto saía do "espírito da época".
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Os ovos de Lutero e Erasmo, uma questão de ninhadas
terça-feira, 12 de julho de 2011
12 de Julho de 1536. Morre Erasmo de Roterdão
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Erasmo pede a Tomás Morus que defenda a Loucura

Escreve Erasmo, nascido faz hoje 544 anos, no início de “Elogio da Loucura” (5 de Junho de 1508):
“Querendo, pois, ocupar-me com qualquer coisa [durante a viagem a cavalo de Itália para Inglaterra], e não se acomodando as circunstâncias a sérias meditações, ocorreu-me fazer lucidamente o elogio da Loucura. Que Palas [Palas Atena, deusa da sabedoria, das artes e da habilidade] te levou isso à mente? Perguntarás. Pensei em ti, no teu nome, Morus, que está no próximo da palavra Moria (Loucura) quão longe se encontra da tua pessoa. Tu és, segundo o sufrágio de todos, completamente alheio a ela. Supus depois que este divertimento do meu espírito mereceria a tua aprovação, visto que não receias um género de jocosidade douto e agradável e que, na vida quotidiana, segues tal como Demócrito [segundo os clássicos, Demócrito ria, Heráclito chorava]. De certo, a profundidade do teu pensamento afasta-se muito do vulgo; mas tu tens tão boa graça, e um carácter tão indulgente, que sabes acolher as pessoas mais humildes e encontrar agrado no seu convívio. Receberás, pois, com benevolência esta pequena declamação, como lembrança do teu amigo, e aceitarás o encargo de defendê-la, visto, pela dedicatória, que ela agora é tua, e não minha”.
27 de Outubro de 1466. Nasce Erasmo de Roterdão

Erasmo nasceu em Roterdão (Holanda), no dia 27 de Outubro de 1466, e morreu em Basileia (Suíça), no dia 12 de Julho de 1536.
Espírito livre, criticou o clero, pediu reformas na Igreja, mas manteve-se católico, apesar das tentativas de Lutero, através de cartas, de atraí-lo para a causa protestante. Destes dois se disse tradicionalmente que "Erasmo pôs o ovo que Lutero chocou". Hoje parece injusta tal expressão.
Na realidade, Erasmo poderia ter sido o princípio de uma renovação católica sem divisões dolorosas.
Das suas obras destacam-se o livro “Elogio da Loucura”, dedicado ao mui católico Tomás de Moro, e a edição crítica do Novo Testamento em grego.
sábado, 29 de maio de 2010
Erasmo sobre o nome de Jesus
"Erasmo de Roterdão", por Hans Holbein, o Jovem
Erasmo de Roterdão, no “Elogio da Loucura”, conta que ouviu de um teólogo, octogenário, “parecia Escoto ressuscitado”, uma explicação do nome de Jesus que encerrava “tudo quanto se pode dizer do próprio Cristo”.
Em três casos, na língua latina, Jesus escreve-se “Jesus”, “Jesum” e “Jesu”. Referindo-se às terminações, diz: “Estas três letrinhas indicam, com efeito, que Jesus é o princípio (summum), o meio (medium) e o fim (ultimum)”.
Sinodalidade e sinonulidade
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