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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A igreja do copianço digital



É oficial. A Suécia reconheceu o Kopimism como religião. Kopimism vem de “copy me” (“kopi mi”). A nova fé foi fundada por Isak Gerson, de 19 anos, e consiste na liberdade de copiar ficheiros, programas, tudo o que for digital. Para fazer parte desta nova religião, "basta sentir um chamamento para adorar o mais sagrado de tudo o que é sagrado: a informação e a cópia".

Algumas frases-chave da nova fé:
A informação é sagrada e o ato de copiar é um sacramento.
Ser proprietário de software (manter o código-fonte escondido das outras pessoas) é comparável à escravatura e deve ser proibido.
Li no Público (já tem entrada na Wikipedia) e não sei se hei de rir da pretensão de Isak Gerson e dos 3000 kopimistas (e dos muitos milhões de kopimistas anónimos), se lamentar tal reconhecimento por parte do estado sueco. Parece brincadeira do 1 de abril.

domingo, 22 de maio de 2011

Era ontem o princípio do fim do mundo

A notícia veio no DN de ontem (aqui). "Tha Bible guarantees it". Cá estamos para confirmar que não se confirmou:

O pastor evangélico Harold Camping acredita que os verdadeiros crentes serão levados para junto de Deus e salvos. Mas já falhou em Setembro de 1994, dizendo ter sido um "erro de cálculo".
Segundo Camping, da Califórnia, um megassismo às 18.00 locais na Nova Zelândia (7.00 de sábado em Lisboa) dará início aos acontecimentos que culminarão no fim do mundo, a 21 de Outubro.
O pastor de 85 anos acredita que, como os verdadeiros fiéis, ascenderá aos céus com Deus, num evento conhecido em inglês como 'Rapture' (Arrebatamento).

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Extraterrestres querem tramar Bento XVI

Gabriele Wittek

Dois advogados alemães apresentaram uma denúncia contra Joseph Ratzinger, por “crimes contra a humanidade”, no Tribunal Penal Internacional de Haia. São eles Christian Sailer e Gert-Joachim Hetzel, da mesma região onde nasceu o Papa.

Os motivos da causa são três: coacção a membros da Igreja; proibição do uso de preservativo; silêncio perante os casos de pedofilia do clero.

Até aqui, nada de propriamente novo na notícia. Já vários tentaram ou disseram que iam pôr Ratzinger / Bento XVI em tribunal, a começar por Richard Dawkins.

A novidade está em que os advogados pertencem à "Universal Life", uma seita que segue a autoproclamada profetiza Gabriele Wittek, que afirma ter recebido directamente de Jesus Cristo a indicação para fundar um grupo religioso. Além disso, a seita diz ter contactos com extraterrestres, o que, sem dúvida, dá uma credibilidade espantosa a todo o caso. Li aqui.

domingo, 27 de junho de 2010

27 de Junho de 1844. É assassinado o fundador dos mórmons

Joseph Smith Jr. (Vermont, 23 de Dezembro de 1805 - Illinois, 27 de Junho de 1844) é o fundador da Igreja dos Santos dos Últimos Dias. Ou “restaurador”, como dizem os mórnons (que preferem não ser identificados por esta palavra que tanto deriva do nome de um local onde o profeta Alma ensinou o Evangelho de Jesus Cristo ao povo do Rei Noé, em 146 a.C., como do nome do profeta que viveu nas Américas em 321 d.C. e que deu origem ao Livro de Mórmon).

No meio de uma revelação, Joseph Smith recebeu o Livro de Mórmon – a “bíblia” desta igreja de características milenaristas, publicada em 1830.

No dia 27 de Junho de 1844, enquanto aguardava por julgamento numa prisão devido à acusação de poligamia, Joseph Smith é assassinado por dissidentes da sua igreja.


Uma vez, aceitei mórmons em minha casa. Conversámos durante umas duas horas sobre religião. Não chegamos a lado nenhum, mas aumentei os meus conhecimentos sobre a organização.Os jovens americanos - já não me lembro de onde, mas na altura dei-lhes um mapa para me dizerem quais as suas terras - mantiveram sempre um semblante imperturbável. Perguntei-lhes pelos gostos. Música, cinema, desporto. Há mais de um ano e tal que... nada. Não podiam ver nem ouvir. Tinha ficado tudo na América. Mas um deles pôs os olhos nos meus CD e acabamos os três a ouvir Beck (Mellow Gold, Odelay, Mutations...). Teve algo de transgressão - para eles. Voltaram a passar para me convidar para o culto. Era à quarta à noite. Nessa altura eu tinha basquete. Não dava. Não que eu gostasse de basquete. Mas se faltasse as equipas ficavam desequilibradas.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Não creio no verdadeiro e iria crer no falso?

Símbolos para ateus

Como já foi notado, no mundo ocidental, os ateus são ateus à maneira da religião em que foram educados e segundo o ambiente religioso em que cresceram ou viveram e vivem. Há ateus católicos, ateus luteranos, ateus judeus... António Matos Ferreira, professor da Universidade Católica, observou há dias que os grandes anticlericais, em jovens, foram bons seminaristas. Geralmente católicos - acrescento eu. E Guy Consolmagno, jesuíta, conta esta história em “A Mecânica de Deus”:

“Há uma história acerca de um filósofo italiano ateu no seu leito de morte, que tinha o temperamento mais rabugento e desagradável de sempre. Um pregador de uma seita religiosa da Nova Era aproximou-se da cama para tentar convencer aquele livre pensadora da sabedoria que iria encontrar, enfim, na sua nova religião. Finalmente, cheio de aversão pelo pregador da Nova Era, o ateu ergueu-se um pouco, apontou para a porta e mandou-o embora, gritando: «Eu não creio no Deus Católico, e esse é o verdadeiro Deus! Por que iria crer no seu?»”

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Previsões do fim do mundo

Os quatro cavaleiros do Apocalipse, segundo Durer (ampliável)

A propósito do filme-catástrofe “2012” e do calendário maia, que pelo vistos já não contempla o dia 22 de Dezembro de 2012, e de outras previsões que dizem que já falta pouco para ao fim do mundo, a “Sábado” elenca os fins do mundo que deviam ter acontecido (mas não aconteceram):

- ano 1000, um milénio após o nascimento e Jesus Cristo;

- ano 1033, um milénio após a morte de Jesus Cristo;

- 1 de Fevereiro de 1524, em Londres, com uma inundação (nesse dia não choveu);

- erro de cálculo na data anterior. Nova data: 1624;

- 1648, segundo a previsão de Sabbatei Zevi; ou então em 1666;

- no dia 13 de Outubro de 1736, segundo William Whiston, por um cometa;

- 3 de Abril de 1843, segundo William Miller, ou no dia 7 de Julho, ou no dia 21 de Março de 1844, ou no dia 22 de Outubro do mesmo ano (aqui referido);

- 1975, segundo as Testemunhas de Jeová [a revista não diz, mas as TJ apontaram o fim do mundo para pelo menos duas outras datas anteriores];

- 11 de Agosto de 1999, com base em profecias de Nostradamus;

- no ano 2000. Ou então em 2033 (ver o que se dizia do ano 1000).

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

22 de Outubro de 1844. Dia do Grande Desapontamento

William Miller (Massachusetts, 1782-1849) e um grupo de cristãos baptistas norte-americanos esperavam a segunda vinda de Cristo no dia 22 de Outubro de 1844. Inicialmente pensavam que tal aconteceria entre a Primavera de 1843 e a de 1844. Depois de mais estudos, apontaram o dia 22 de Outubro de 1844. Esperaram até à meia-noite, mas nada aconteceu. Veio então a grande decepção. A grande desilusão. O dia ficou conhecido por “Dia do Grande Desapontamento”.

William Miller voltou para a sua comunidade baptista, mas outros líderes prosseguiram na convicção de que o fim estava próximo e formaram a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Na base do cálculo do suposto dia da segunda vinda de Cristo esteve uma passagem de Daniel:

“Vi um santo que falava, a quem um outro santo perguntou: «Quanto tempo durará o que anuncia a visão, a propósito do holocausto perpétuo, da abominação devastadora, do abandono do santuário e do exército dos fiéis calcado aos pés?» Aquele respondeu: «Duas mil e trezentas tardes e manhãs. Depois disso, o santuário será restaurado»”.

Não sei como esse conjunto de 1150 dias foi dar a 22 de Outubro de 1844. Os intérpretes conjugaram tal passagem com Êxodo 25,9 e Hebreus 8,1 e 9,24…

Mais tarde, os que vieram a tornar-se Adventistas do Sétimo Dia chegaram à conclusão de que a data estava certa. O dia era especial não na terra mas no céu, onde começara um “juízo investigativo”, uma investigação dos pecados de cada um. Segundo estes milenaristas, o fim continua próximo.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os flagelantes chegam a Doornik

Os flagelantes em Doornik (Tournai, Bélgica), em 1349.

A Crónica de Aegidius Li Muisis (original na Biblioteca de Bruxelas) diz que, em 1349, no dia 15 de Agosto (“in die assumptionis virginis gloriose”), os flagelantes chegaram a Doornik, idos de Bruges. Eram uns 200. Juntaram-se no mercado e a população acorreu logo a ver o que se passava. Os de Bruges preparam-se então para fazer aquilo a que chamavam “penitência” (“quam penitantiam vocabant”).

Os habitantes de Doornik, de ambos os sexos, sem nunca terem visto tal coisa, começaram a imitar as acções dos estranhos, infligindo-se a eles próprios os exercícios de penitência e dando graças a Deus por tal penitência que consideravam tão eficaz (“deo gratias reddere super tanta penetencia quam gravissimam reputabant”).

Os de Bruges ficaram na cidade o dia todo e a noite.

20 de Outubro de 1349. Clemente VI proíbe os flagelantes

Ilustração da Crónica de Nuremberga,
por Hartmann Schedel (1440-1514)

Clemente VI, um beneditino (1291-1352), foi Papa de 7 de Maio de 1342 até à morte (o quarto papa de Avinhão). Canonizou São Ivo (1253-1293), patrono dos advogados, procuradores, juízes, juristas, notários, órfãos e abandonados. E ficou conhecido por enfrentar os flagelantes, que nesta altura abundavam na região do Reno, mas que tiveram origem em Perúgia, Itália, no séc. XIII (alguns vêem nos flagelantes da Semana Santa de Sevilha ou das Filipinas uns resquícios desta seita).

Os flagelantes surgiram e ressurgiram durante períodos de instabilidade como a Guerra dos Cem Anos ou o tempo de Peste Negra. Flagelando-se como flagelaram Jesus Cristo, julgavam que ganhavam o céu. E por isso prescindiam dos ritos da Igreja.

Clemente VI proibiu a seita.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...