Carlos Abreu Amorim, que tentou demonstrar que era esta a narrativa de Salgado, recomendou-lhe que lesse as "Confissões" de Santo Agostinho. O banqueiro, assumindo-se como "católico praticante", com "o maior respeito" pelo grande Doutor da Igreja, garantiu que "sempre que posso leio as Meditações de Santo Agostinho". Não sendo "Meditações" nenhum título canónico da obra do santo de Hipona, a referência de Salgado não deixa de ser adequada. É que, Salgado, meditar, até pode ter meditado. Confessar, não confessou.
Ler mais aqui.
(nota do blogue: Carlos Abreu Amorim é, segundo o conhecimento geral, ateu. Ou pelo menos agnóstico.)
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
domingo, 2 de março de 2014
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Um país chamado Jansénia
Jansénia, um país que faz fronteira com Despairia, Calvínia e Libertínia, tem uma cidade que se chama Hipona ou Tarso.
Por causa do artigo a que se refere a frase acima, quase investia 20 e tal euros na compra do "Dicionário de lugares imaginários", de Alberto Manguel e Giani Guadalupi. A ideia da compra fica em quarentena uns quinze dias. Se não passar, terei de o comprar. Mas não é admirável que em Jansénia haja uma cidade chamada Hipona ou Tarso? Também lá (no livro) está cartografado o País das Maravilhas (imagem abaixo). E certamente a ilha de Rafael Hitlodeu.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
O grande contraditor
Veio para passar fome e dar-nos fartura, veio para ter sede e dar-nos de beber, veio vestir-se de morte e revestir-nos de imortalidade, veio pobre para nos tornar ricos.
Agostinho
Agostinho
terça-feira, 21 de maio de 2013
Coisas grandes sem caminho?
Se o Senhor te tivesse dito unicamente "Eu sou a Verdade e a Vida", poderias replicar-lhe: Grandes coisas me ofereces, mas como se chega lá?
Agostinho de Hipona
Agostinho de Hipona
sábado, 2 de março de 2013
Anselmo Borges: O testamento do Papa Bento XVI
Agora, é apenas Papa emérito. Mas que ninguém se preocupe com os dois Papas vivos, pois Ratzinger retirou-se, para rezar, meditar, ouvir e tocar música, investigar, "desaparecendo" para o mundo.
Joseph Ratzinger também teve o seu momento de rebeldia e de progressismo, no Concílio Vaticano II. Chegou a dizer nas aulas, em Tubinga: "em Roma, como sabem, não se faz boa Teologia." Durou pouco tempo esse tempo. A sua orientação teológica agostiniana - Santo Agostinho não tinha em muito boa consideração o mundo - inclinava-o mais para uma visão conservadora. A mudança teve como ponto decisivo os excessos de 1968, com o radicalismo ateu dos estudantes de Teologia.
Reconhecido pela sua inteligência brilhante e uma rara cultura - dialogou com grandes intelectuais, incluindo Jürgen Habermas -, é mais um intelectual e um professor do que um pastor. As circunstâncias quiseram que este homem afável, tímido, "honesto, íntegro e encantador no trato pessoal", como reconhece também o teólogo J. I. González Faus, deixasse a vida académica, se tornasse arcebispo de Munique, seguisse para Roma como "inquisidor", condenando muitas dezenas de teólogos e a Teologia da Libertação, e se tornasse Papa - quando aconteceu a eleição, lembrou-se da guilhotina.
Deixa três encíclicas: a primeira, para dizer que a verdadeira "definição" de Deus é que é Amor; a segunda, para convocar os cristãos e todos os homens à esperança; a terceira é sobre "a caridade (o amor) na verdade". Nela, condena as posições neoliberais, cujo único objectivo é o lucro; reafirma a doutrina essencial de que a economia e o desenvolvimento só são verdadeiros se estiverem ao serviço do homem todo e de todos os homens; que, em ordem ao seu correcto funcionamento, a economia precisa da ética, "uma ética amiga da pessoa"; que, para conseguir o governo da economia mundial, o desarmamento, a segurança alimentar e a paz, a salvaguarda do meio ambiente e a regulação dos fluxos migratórios, "urge a presença de uma verdadeira Autoridade política mundial, que deverá ser reconhecida por todos, gozar de poder efectivo para garantir a cada um a segurança, a observância da justiça, o respeito dos direitos".
Ideia nuclear é a do diálogo entre a fé e a razão. A fé, sem a razão, é cega e intolerante; a razão, sem a abertura à transcendência, pode enlouquecer. No cristianismo, acolhe-se a fé, dando lugar à descoberta do "Deus que é Razão criadora e ao mesmo tempo Razão-amor". Aí está o vínculo indissolúvel entre Razão, Verdade e Bem.
Na Sexta-Feira Santa de 2005, ainda cardeal, disse aquelas palavras: "quanto sujidade na Igreja! A traição dos discípulos fere mais Jesus." Referia-se certamente ao escândalo da pedofilia, à figura sinistra do padre Maciel, fundador dos Legionários de Cristo, ao que se passava na Cúria. Quando assumiu funções, foi exemplar, pondo Maciel fora da vida pública, pedindo perdão às vítimas da pedofilia e tomando medidas drásticas e consistentes, para que os crimes se não repitam.
Não conseguiu reformar a Cúria nem pôr termo às intrigas, ao carreirismo, às lutas pelo poder, aos escândalos, desde a corrupção à lavagem de dinheiro no Banco do Vaticano e ao Vatileaks. Sem forças "no corpo e no espírito", renunciou, "em consciência e plena liberdade", para que outro lhe suceda.
Foi talvez a lição maior de Joseph Ratzinger enquanto Papa. Houve quem o criticasse, também dentro da Igreja e pensando em João Paulo II: que não se desce da Cruz e que dessacralizou o papado. Mas, afinal, o Papa é mais do que um homem? Não se trata tão-só de um cristão que leva consigo a específica missão gigantesca de ser sinal e promotor de unidade entre os cristãos e a Humanidade?
Este é o seu testamento: abandona pacificamente o poder. Porque na Igreja, como aliás no mundo em geral, é preciso escolher entre o poder como dominação e a força do serviço. O Deus cristão não se revela como Poder-Dominação, mas Força Infinita de criar no Amor. Bento XVI leu e recomendou que todos os Papas lessem a famosa carta de São Bernardo ao Papa Eugénio III: "Não pareces um sucessor de Pedro, mas de Constantino".
terça-feira, 20 de novembro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Agostinho via Ratzinger: Assim como na Igreja Católica pode-se encontrar o que não é católico, assim também fora da Católica pode haver algo de católico
Bento XVI disse isto no Angelus de domingo passado, ecoando
as leituras das missas de domingo, que falavam de gente que andava a profetizar
sem a autorização de Moisés e de gente de fora do círculo de Jesus que
expulsava demónios em nome de Jesus, deixando incomodados os seguidores mais
próximos:
"Assim como na Católica – isto é, na Igreja – pode-se encontrar o que não é católico, assim também fora da Católica pode haver algo de católico" (Agostinho, Sobre o batismo contra os donatistas: PL 43, VII, 39, 77). Por isso, os membros da Igreja não devem sentir ciúmes, mas se alegrar se alguém externo à comunidade faz o bem em nome de Cristo, contanto que o faça com reta intenção e com respeito. Mesmo dentro da própria Igreja pode acontecer, às vezes, que se custe a valorizar e a apreciar, em um espírito de profunda comunhão, as coisas boas realizadas pelas várias realidades eclesiais. Em vez disso, todos devemos ser capazes de nos apreciar e estimar reciprocamente, louvando o Senhor pela infinita 'fantasia' com a qual ele age na Igreja e no mundo."
Comentário de Christian Albini no blogue Sperare per Tutti:
Essas palavras de Bento XVI, pronunciadas durante o Ângelus desse domingo, pertencem àquela parte do seu magistério que muitos de seus laudatores mais entusiastas parecem esquecer. São os intransigentes da identidade e do exclusivismo. Não querem admitir que o Espírito está presente fora das fronteiras eclesiais, gostariam de cercá-lo, de reconduzi-lo à sua própria medida.
Se palavras desse tipo, que, de fato, são uma paráfrase do Evangelho desse domingo, são ditas pelo papa, no máximo são ignoradas. Se, ao contrário, são ditas por outros, acusa-se-lhes de querer se comprometer com o "mundo" e de relativismo. Isso aconteceu e acontece com muitos expoentes de um catolicismo mais aberto e dialogante.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Santo Agostinho e o trabalho
Santo Agostinho pode servir como testemunha principal para
pontos de vista totalmente contrários sobre o trabalho, na Igreja antiga. Porque,
por um lado, a ética cristã correspondia – sobretudo na sequência das cartas
paulinas e dos ordenamentos da igreja nascente – inteiramente às ideias do
cidadão que trabalha de modo respeitável e diligente, e, por outro, os textos
escatologicamente inspirados evocam o ideal de uma vita contemplativa, que criticava a transitoriedade dos afazeres
terrenos enquanto radicalizavam, no plano espiritual, a evasão social e
comunitária.
Início de texto “Ora et labora. Teologia do trabalho no
monaquismo antigo e medieval?”, de Thomas Prugl, na revista Communio de
julho/agosto/setembro de 2011
Thomas Prugl, alemão, é professor na Universidade de Viena
sábado, 26 de maio de 2012
Anselmo Borges: O tempo digital e o seu frenesim
Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (aqui):
Enigma maior é o tempo. Lá está Santo Agostinho: "O que é o tempo? Como são o passado e o futuro, uma vez que o passado já não é e o futuro ainda não é?" E o presente? Mal dizemos "agora" e já caiu no passado. "Se, portanto, o presente, para ser tempo, tem de cair no passado, como podemos dizer que algo é, se só pode ser com a condição de já não ser?"
As culturas experienciam o tempo, cada uma a seu modo: nas tradicionais, o tempo privilegiado é o passado - lá está o mito do paraíso perdido; na modernidade, privilegiou-se o futuro - o passado é simplesmente o ultrapassado, a caminho da realização das utopias.
Por causa das novas tecnologias, sobretudo ao nível dos média - telefona-se, navega-se na Web, lê-se documentos ao mesmo tempo que se envia mensagens -, a vivência do tempo actual é a do tempo concentrado, do "curto prazismo" e até do imediatismo cumulativo. Aí está o tempo chamado digital ou numérico, que nos dá a sensação de quase simultaneidade e ubiquidade: pense-se na comunicação quase simultânea para todo o mundo. Afinal, o que se encurtou mesmo foi o espaço, que não pode ser separado do tempo: no mesmo dia, uma reunião no Porto, outra em Paris, uma terceira em Londres, com regresso ao Porto. Mas é sobretudo a computação que nos dá a possibilidade de contacto quase instantâneo com todo o mundo. Tudo é mais rápido - leio em Philosophie Magazine: num século, a velocidade de comunicação aumentou 107%, a dos transportes pessoais 102%, a do tratamento da informação 1010%.
Fazemos muito mais coisas em muitíssimo menos tempo. Vem então a pergunta da semana passada, aqui: porque é que todos se queixam da falta de tempo, em vez de aumentar o tempo livre? Resposta do sociólogo Hartmut Rosa: com os transportes e a Internet também se acelerou a vida social e entrámos numa lógica infernal de competição, de tal modo que somos devorados pelo produtivismo e consequente consumismo. A aceleração acabou por tornar-se "o equivalente funcional da promessa religiosa de vida eterna". Impôs-se-nos a multiplicação constante e frenética das experiências e das actividades, numa corrida sem fim.
Isto tem consequências também na economia? É evidente que sim. Investir implica uma vivência do tempo longo: quanto tempo leva para se receber os frutos do investimento? Assim, "o marketing substituiu a deliberação política, com a finalidade de lucros especulativos", escreve o filósofo B. Stiegler. A velocidade tecnológica foi posta ao serviço da guerra económica: em vez do investimento, a especulação.
Antepondo o fazer ao ser, somos melhores e mais felizes? Não há, pelo contrário, a sensação generalizada de cansaço e de stress? Precisamente porque "vivemos num tempo completamente descontínuo, disperso. Sem calendário, sem liturgia, sem ritual, já não conhecemos ritmo. Já não há tempo que permita o recolhimento do pensamento. Multiplicou-se a dispersão inerente ao mundo do quotidiano", observa a filósofa Françoise Dastur.
Afinal, mesmo se já há empresas que promovem cursos de meditação ou semanas de retiro num mosteiro, é para que os funcionários se tornem mais competitivos, no regresso ao trabalho. As pessoas vão para a cama - a duração média do sono baixou duas horas desde o século XIX - com o sentimento de culpa, pois não acabaram a lista dos afazeres.
Voltando a Hartmut Rosa, a aceleração tornou-se o novo modo da nossa alienação social: ao contrário das Igrejas, que, se criaram sentimentos de culpa nos fiéis, ofereciam alívio aos pecadores - podiam confessar-se, Jesus morreu para libertar dos pecados -, "a nossa sociedade da aceleração produz culpados sem remissão nem perdão".
Não é, portanto, de uma nova relação mais atenta e serena com o tempo que precisamos? "Deixemos que as nossas vidas sejam guiadas por aquilo que eu chamo momentos de ressonância": o contacto com a natureza, passeando; escutando a grande música, a alma corresponde, o mesmo podendo acontecer com um grupo de amigos; diante do mar, é como se o mundo respondesse e as suas ondas fossem a respiração do mundo.
sábado, 24 de março de 2012
Agostinho lido por atores
Agostinho e o seu mestre, Ambrósio de Milão
O ator e encenador Júlio Martin lê hoje textos de Santo
Agostinho, a partir das 16h, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus (Rua Camilo
Castelo Branco, perto da rotunda do Marquês). Com música de Rão Kyao. «Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!». Ler
mais aqui.
terça-feira, 6 de março de 2012
Feliz acaso dos ateus inquietos
O hiato entre a fé e a experiência humana constitui um dos mais difíceis problemas da pregação e da teologia atuais. Em virtude desta distância, não só Deus, mas até mesmo a questão de Deus surge sem interesse. O ateu inquieto, cujo coração não descansa enquanto não repousar em Deus (Agostinho), tornou-se quase um feliz acaso pastoral (K. Rahner).
Water Kasper, "Introdução à Fé", ed. Telos, 1973
Water Kasper, "Introdução à Fé", ed. Telos, 1973
sábado, 21 de janeiro de 2012
Agostinho e o povo
Agostinho de Hipona, um dos três ou quatro génios universais, o intelectual mais influente do Ocidente e que também era bispo, dizia: "Prefiro falar sem gramática e fazer-me entender pelo povo do que falar com elegância e não me fazer entender".
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Rãs do charco
Santo Agostinho citado por Timothy Radcliffe (pág. 264 de "Ser cristão para quê»"):
"As nuvens do céu proclamam pelo mundo fora que a casa de Deus está a ser construída. Mas estas rãs sentadas no seu charco grasnam: «Só nós somos cristãos»".
"As nuvens do céu proclamam pelo mundo fora que a casa de Deus está a ser construída. Mas estas rãs sentadas no seu charco grasnam: «Só nós somos cristãos»".
sábado, 3 de dezembro de 2011
Anselmo Borges: Nem Eva, nem Adão, nem pecado original
O que de modo grave infectou o cristianismo foi a doutrina infausta do pecado original. Escreveu o grande historiador católico Jean Delumeau: "Não é exagerado afirmar que o debate sobre o pecado original, com os seus subprodutos - problemas da graça, do servo ou livre arbítrio, da predestinação -, se converteu (no período central do nosso estudo, isto é, do século XV ao XVII) numa das principais preocupações da civilização ocidental, acabando por afectar toda a gente, desde os teólogos aos mais modestos aldeões. Chegou a afectar inclusivamente os índios americanos, que eram baptizados à pressa para que, ao morrerem, não se encontrassem com os seus antepassados no inferno. É muito difícil, hoje, compreender o lugar tão importante que o pecado original ocupou nos espíritos e em todos os níveis sociais. É um facto que o pecado original e as suas consequências ocuparam nos inícios da modernidade europeia o centro da cena mundial, sem dúvida muito atribulado."
Quando se fala em pecado original, é necessário atender ao seu significado. A língua alemã, precisa como é, distingue entre Ursünde (o pecado originário) e Erbsünde (o pecado herdado). O autor principal do pecado original enquanto herdado foi Santo Agostinho. Para explicar o mal, também o sofrimento e a morte, postulou que no pecado de Adão e Eva todos pecaram e não hesitou em deixar cair no inferno as crianças sem baptismo.
Neste contexto, Santo Anselmo, no quadro jurídico da doutrina da satisfação, ensinou que só a morte de Cristo na cruz podia pagar a dívida infinita da culpa do pecado. Só a morte do Filho podia aplacar a ira de Deus e reconciliá-lo com a Humanidade.
Jesus, porém, não falou em pecado original.
Depois, com a doutrina da evolução, como era possível conceber o pecado dos primeiros seres humanos (quem foram os primeiros?), ainda em processo de humanização, um pecado tal que tinha transformado a natureza das coisas?
Foi Hegel que viu bem: o que se chama pecado original não é senão uma metáfora para indicar a passagem da animalidade à humanidade, da saída do paraíso da inocência da inconsciência e da fusão com a natureza à consciência de si e da mortalidade: se comerdes da árvore do bem e do mal (como podiam pecar, se ainda não sabiam do bem e do mal?), sabereis que estais nus (cada um é ele mesmo, ela mesma, separados e já não fundidos com a natureza) e que sois mortais.
Agora, é Armindo Vaz, professor da Universidade Católica, que, numa obra de profunda e ampla investigação - Em vez de "história de Adão e Eva": O sentido último da vida projectado nas origens - vem esclarecer a problemática do Génesis, capítulos 2-3.
Evidentemente, só posso deixar algumas proposições inevitavelmente fragmentárias.
1. Trata-se de um mito de origem, e os mitos de origem são etiológicos, pretendem, projectado nas origens, "compreender, interpretar, dizer o sentido último, antropológico/religioso, das coisas da vida por meio da fé". 2. Adão e Eva não existiram: são personagens míticos e não históricos. 3. O "paraíso terreal" é o "pomar da várzea"; o que existe para a fé é, em esperança, o "paraíso celeste". 4. Com Adão e Eva, pretende-se exprimir a existência complementar do homem em relação com a mulher e vice-versa. 5. A nudez não é passível de interpretação sexual; o abrir-se dos olhos pelo conhecimento do bem e do mal é o evoluir do ser humano da incivilização para a civilização e a cultura. 6. Como se pode falar em pecado ou mal moral, se ao cometer a "transgressão" o Homem ainda não gozava de "conhecimento", que só adquire precisamente no acto de "comer" o fruto proibido? 7. Com o motivo da "árvore da vida", afirma-se que não pode viver para sempre, porque a imortalidade é prerrogativa exclusiva de Deus: o Homem não pode ser como Deus. 8. Não há ligação entre mal moral e mal natural.
Concluindo, o que este mito pretende é ligar os aspectos do mundo a uma Origem ou a um Criador divinos. Deus é apresentado como sentido último de tudo o que existe.
domingo, 30 de outubro de 2011
“Toma cuidado e não vivas mal enquanto falas bem”
Alguém que ouvira o versículo «Oferece a Deus um sacrifício
de louvor» (Sl 49,14) pensou: «Todos os dias, ao acordar, irei à igreja e aí
entoarei um hino da manhã; ao final do dia, um hino da noite; e depois, em
minha casa, um terceiro e um quarto hinos. Deste modo, farei todos os dias um
sacrifício de louvor que oferecerei ao meu Deus». Fazer isto é bom, se
realmente o fizeres, mas livra-te de ficares tranquilo com o que fazes e vê
que, enquanto a tua língua fala bem perante Deus, a tua vida não fale mal à Sua
frente. [...] Toma cuidado e não vivas mal enquanto falas bem.
Porquê? Porque Deus disse ao pecador: «Que tens tu de
recitar os Meus mandamentos, com a Minha aliança na boca [tu que rejeitas as
Minhas palavras por trás]?» (v. 16-17) Eis o temor com que devemos falar. [...]
Vós, meus irmãos, estais em segurança: se ouvirdes dizer coisas boas, é Deus
que ouvis, qualquer que seja a boca que fala convosco. Mas Deus não quis deixar
de repreender aqueles que falam, com receio de que adormeçam em segurança numa
vida de desordem, afirmando que falam do bem e pensando: «Deus não quererá
condenar-nos, pois foi através de nós que quis dizer coisas tão boas ao Seu
povo». Portanto, vós que falais, quem quer que sejais, escutai o que dizeis;
vós que quereis ser ouvidos, ouvi-vos em primeiro lugar. [...] Possa eu ser o
primeiro a ouvir, possa eu ouvir, e ouvir melhor do que todos, «aquilo que o
Senhor Deus diz em mim, pois Ele diz palavras de paz ao Seu povo» (Sl 84,9).
Agostinho (354-430), Bispo de Hipona
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Hipátia de braço dado com Agostinho
Hipátia por Rafael
Dizia Hipátia de Alexandria (que viveu entre 355 e 415, aquela
sobre a qual se fez o filme “Ágora”, de pretensões anticristãs):
Governar agrilhoando a mente através do medo da punição noutro mundo é tão baixo quanto usar a força.
Curiosamente, também no Norte de África, em Hipona, um
contemporâneo, de seu nome Agostinho (354-430), afirmava:
Quem ama a Deus com medo do inferno não é virtuoso, é cobarde.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Ele disse isto?
Ninguém consegue chegar ao conhecimento das coisas divinas e humanas se antes não aprendeu matemática solidamente.
Agostinho de Hipona (354-480)
Agostinho de Hipona (354-480)
quinta-feira, 30 de junho de 2011
É bom não esquecer
Santo Agostinho dizia isto da Igreja e da salvação. É bom nunca esquecer em tempos propensos a estigmas:
"Muitos que parecem estar dentro estão fora, e muitos que parecem estar fora estão dentro".
"Muitos que parecem estar dentro estão fora, e muitos que parecem estar fora estão dentro".
sábado, 25 de junho de 2011
25 de Junho de 253. É eleito o Papa Lúcio I
Lúcio I foi eleito no dia 25 de Junho de 253 e morreu no dia 5 de Março de 254, sendo o 22.º Papa. O seu pontificado ficou marcado pela recusa dos novacianos, isto é, os que negavam que os cristãos baptizados e que tivessem renegado a fé durante as perseguições (os "lapsi", que por vezes até ofereciam sacrifícios aos deuses) pudessem voltar à comunhão com a Igreja. Lúcio, tal como mais tarde Santo Agostinho, achava que os "lapsi" arrependidos podiam voltar à Igreja.
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Sinodalidade e sinonulidade
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