segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Intifada e democracia não conjugam
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
"Não há milagres" - texto de Rui Tavares
terça-feira, 3 de julho de 2012
Rui Tavares: "Viver com o pecado"
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Programa para estes e outros dias
Compreendeu que a moleza, em época de crise, é tóxica. Compreendeu que a inconsequência, em época de crise, é uma irresponsabilidade.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Pede o sofista Rui Tavares que se suprimam os feriados religiosos
terça-feira, 25 de maio de 2010
Ser preso por varrer a casa ao contrário

Para falar sobre o perigo de perder a privacidade, Rui Tavares olha primeiro para o passado. E é principalmente isso que me interessa na sua crónica de ontem no “Público”. A história.
De resto, ninguém era preso por varrer a casa ao contrário, mas sim pelo que isso significava. Os exemplos são sempre muletas. E o cronista é mestre na sua manipulação, faltando ao rigor histórico, como foi o caso de dizer que a arte gótica inspirou-se na arte islâmica (ver aqui).
O texto de Rui Tavares:
Em Portugal já foi possível ser preso por varrer a casa ao contrário. Não acredita? Então vou contar-lhe uma história.
É comum, nas casas judaicas, afixar um rolo de pergaminho na ombreira da porta da entrada. A este rolo, que contém dois versículos da Bíblia e que às vezes está guardado dentro de uma caixa, chama-se mezuzá — o que significa precisamente “umbral” em hebraico. Para os judeus observantes esta é uma obrigação prescrita pela escritura sagrada, e todo o máximo respeito é devido à mezuzá.
Agora imagine que vivia no Portugal do século XVII, por exemplo em Castelo de Vide, vila de casas térreas, muitas vezes de porta aberta para a rua. Se a sua família fosse cristã, o mais natural seria que varressem o lixo para a porta da rua. Mas se por convicção, ritual ou hábito quisessem respeitar os preceitos judaicos ninguém varreria o pó para a rua, para não mostrar desrespeito pela mezuzá. A maneira correta de varrer a casa seria recolher o lixo para o centro, para só depois o recolher e despejar.
Quem quiser folhear os processos da Inquisição portuguesa verá que muitas mulheres portuguesas, judias ou “cristãs-novas”, foram denunciadas e presas por “varrer a casa ao contrário”.
Aquela era uma época de pouca ou nenhuma privacidade. Os vizinhos, incluindo a vasta rede de “familiares da inquisição” poderiam controlar a sua vida facilmente: saber em que direção varria, se punha camisa lavada e descansava à sexta-feira, se vestia linho no “Dia Grande” do Yom Kippur, se evitava comer carne de porco, etc. Quantos milhares foram presos, torturados e condenados por estas pequenas coisas? Sem privacidade, as suas convicções, a sua liberdade e até a sua vida estavam em risco.
O resto pode ser lido aqui.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Minaretes 4 - João Pereira Coutinho e os velhos anti-semitas

Os velhos anti-semitas
A‘islamofobia’ é uma nova forma de anti-semitismo? Rui Tavares, que se apresenta por aí como ‘historiador’, diz que sim: aqueles que proíbem minaretes na Suíça são tão intolerantes como os nazis que exterminavam judeus na 2ª Guerra. Não vale a pena dissertar sobre a natureza imoral da comparação. Melhor perguntar ao ‘historiador’ quantos atentados terroristas os judeus alemães cometeram na década de 30 em nome de uma interpretação fundamentalista da Torah.
A decisão dos suíços é obviamente absurda. Mas ela nasce de um medo real e não de uma mentira fabricada: o medo do terrorismo islamita. Atenção aos termos: a relação não é entre o islamismo e o terrorismo; é a inversa – uma fatalidade que, presumo, não é culpa dos suíços. Misturar tudo para alegar um novo anti--semitismo apenas serve para revelar os contornos do velho.
Minaretes 3 - O gótico não veio da arte islâmica
Minaretes 2 - Rui Tavares e os novos anti-semitas
Reflexão culturalmente sugestiva sobre os minaretes e a arquitectura ocidental foi a de Rui Tavares no Público de 7 de Dezembro. Diz ele que "Os novos anti-semitas não conhecem sequer a sua própria cultura". Diz que a arte gótica nasceu por influência da arte muçulmana, que as Torres Gémeas eram influenciadas pela arte islâmica (lembro-me de o Mário Crespo, na SIC, comentar que as Torres nova-iorquinas eram góticas...).Os novos anti-semitas
Quando decidiu passar à acção, assassinando milhares de pessoas num dos edifícios mais conhecidos do mundo, Mohammed Atta sabia muito bem o que estava a destruir.
Mohammed Atta, o terrorista que espetou o primeiro avião contra as torres gémeas de Nova Iorque, era diplomado em urbanismo, com uma tese de mestrado sobre uma das cidades mais antigas do mundo — Aleppo, na Síria — e discretamente detestava os arranha-céus “ocidentais” que ali eram construídos. Quando decidiu passar à acção, assassinando milhares de pessoas num dos edifícios mais conhecidos do mundo, Mohammed Atta sabia muito bem o que estava a destruir.
Minoru Yamasaki, o arquitectou que projectou as torres gémeas, era um apaixonado pela arquitectura islâmica. O seu edifício preferido era a Mesquita do Xá em Ispaão (ou Isfahan) no Irão. Um dos países onde trabalhou mais foi na Arábia Saudita, a serviço da família real (talvez tenha mesmo chegado a usar os serviços de Muhamad bin Laden, o pai de um certo adolescente chamado Osama, futuro estudante de engenharia). E em diversas ocasiões escreveu sobre o seu interesse pela arquitectura islâmica.
Na sua autobiografia, o arquitecto descrevia as Torres Gémeas como “uma Meca de tranquilidade na baixa de Manhattan”. Aposto o meu diploma em História da Arte em como o complexo do World Trade Center era todo ele influenciado pela arquitectura islâmica, a começar pela Grande Mesquita de Meca. Desde a escultura central, evocando a pedra sagrada da Caaba, aos delicados pilares de alumínio cujas nervuras se unem em arcos mouriscos, até ao pavimento do pátio interior desenhado radialmente como as filas dos peregrinos na hajj. (Escrevi sobre isso uma peça de teatro e ensaio chamado “O Arquitecto”, para quem estiver interessado).
E a maior pista de todas estava, naturalmente, nas duas torres gémeas — os maiores minaretes do mundo.
***
Um dos melhores cronistas do mundo é um israelita chamado Uri Avnery. Ele sabe bem o que é o anti-semitismo. Quando nasceu na Alemanha o seu nome era Helmut Ostermann, mas a sua família teve de fugir do nazismo em 1933, estabelecendo-se na Palestina.
Ao saber do resultado do referendo na Suiça que proibiu a construção de minaretes nas mesquitas, Uri Avnery escreveu o seguinte:
“Parece que o anti-semitismo se deslocou de um povo semita para o outro. Na Europa do pós-Holocausto é difícil ser anti-judeu, e por isso os anti-semitas se tornaram anti-muçulmanos. É como dizemos em hebraico: a mesma senhora num vestido diferente.”
Uri poderia ter acrescentado que até as manhas do velho anti-semitismo anti-judeu e do novo anti-semitismo anti-árabe se assemelham. Nos anos 30, os suiços tentaram afugentar os judeus proibindo alguns rituais de preparação de alimentos prescritos pela religião judaica.
Os novos anti-semitas podem até usar alguns dos argumentos que o Mohammad Atta usava antes de se tornar terrorista — que lutam contra a “descaracterização” das suas culturas, etc. Mas por detrás esconde-se a raiva a uma cultura em particular: Mohammed odiava os ocidentais, os novos anti-semitas odeiam árabes e muçulmanos. Nem o tentaram disfarçar proibindo outros edifícios, outras torres, outros templos de outras religiões.
Mas se quiserem ver a marca da arquitectura islâmica no seu país, basta olhar para as muitas igrejas góticas: foi apenas depois de verem as mesquitas de Jerusalém que os cristãos começaram a fazer edifícios altos, esguios, com os seus pilares nervurados, arcobotantes e torres pontiagudas. Os novos anti-semitas não conhecem sequer a sua própria cultura.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
O regresso dos deuses pagãos

Há dias referiu-se neste blogue Isaiah Berlin (aqui). Hoje, durante uma busca noutras direcções, dei com este texto de João Carlos Espada no jornal I (aqui). Fala de uma conferência anual na Universidade de Oxford, instituída a quando da morte do pensador de origem judaica.
A palestra de 2009, em Maio, foi proferida pelo Rabi Adin Steinsaltz (na imagem), que abordou a “a paganização da cultura ocidental”.
Diz Espada, resumindo as ideias desta conferência profundamente "berliniana", “profundamente pluralista”:
“A visão cristã do mundo perdeu influência. E, no lugar do Deus judaico--cristão, existem agora os deuses pagãos da antiguidade pré-cristã - ainda que possam ter novos nomes, novas imagens e novos templos.
O primeiro desses deuses é Baal, o deus do poder, também por vezes designado por Mammon, o deus do dinheiro. Os seus templos estão nos centros financeiros das grandes cidades e os seus padres são hoje designados por executivos e gestores.
O segundo deus pagão contemporâneo corresponde à antiga deusa da fertilidade e do sexo: Astarte, ou Ishtar, ou Ashtoreth. Os templos desta deusa - que já não é propriamente da fertilidade, mas simplesmente do sexo - encontram-se um pouco por toda a parte na sociedade ocidental.
Finalmente, temos uma musa promovida a deusa: Calliope, deusa da fama, simbolizada hoje na expressão "celebridade". Ser uma celebridade significa "ser um ninguém muito conhecido", isto é, alguém que toda a gente conhece mas ninguém sabe exactamente o que faz ou por que merece ser célebre. Os templos desta deusa estão em todas as casas e chamam-se televisão”.
Li o texto on-line hoje de manhã antes da compra diária do “Público” em papel. Leio na última página do matutino: “Há algum tempo – há quanto tempo, meu Zeus, já nem me lembro – era possível acreditar num Portugal fundamentalmente honesto” (início da crónica de Rui Tavares). Não me interessa o assunto da crónica, a corrupção, que, antes de ser um problema político e jurídico, é um problema moral e está resolvido à partida. Interessa-me a expressão: “Meu Zeus”. Não significa nada a não ser uma provocação. Mas que se usa a provocação - e Rui Tavares não é nem de longe o primeiro a fazê-lo na imprensa escrita - é já um sinal.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Rui Tavares é marcionita
Deixei de referir os que se pronunciaram sobre Saramago / Deus / a Bíblia / “Caim” et alia, mas retomo o tema por causa de Rui Tavares no Público de hoje. Não sei se o cronista vai colocar o texto que saiu na edição impressa no seu sítio/blog. Suponho que sim.
Quando, antevendo que um dia se pronunciaria sobre o assunto, julgava eu que ele retomaria uma ideia muito acertada, a de que a partir dos 40 anos somos culpados da nossa própria ignorância (nos assuntos sobre os quais escolhemos falar), afirma, afinal:
“Quanto ao resto; um deus vingativo, rancoroso, capaz de fúrias indiscriminadas contra culpados e inocentes; um deus que testa os humanos como se fosse brinquedos; um deus que às vezes parece que «não gosta de nós» - bem, que escândalo pode haver? Qualquer pessoa que goste de ler o Antigo Testamento sabe disto. Deus diz: exterminem os amorreus, e os amorreus são exterminados. A mulher adúltera e o filho desobediente são apedrejados; o pai deve sacrificar o filho; o homem com apenas um testículo é proibido de entrar no templo, e por aí adiante.
A relação entre humanos e o deus do Antigo Testamento – como diz Saramago «nem ele nos entende, nem nós o entendemos a ele» - é como uma história amorosa que poderia ter dado muito certo mas deu muito errado”.
Também Rui Tavares não percebeu nada. Estuda-se Feuerbach, Marx, Freud, para quê? Põem-se as coisas em termos de Deus, para quê? Por que é que ninguém põe a questão em termos do entendimento humano sobre Deus? Eu tenho uma explicação. Porque sendo Deus o sujeito, atinge-se mais facilmente a Igreja do que pondo o entendimento humano de Deus no centro da questão. Saramago sabe disso. Rui Tavares também. De resto, o pontífice e o acólito ignoram que a questão da maldade do Antigo Testamento foi discutida há cerca de 1850 anos. O nome Marcião diz alguma coisa?
Basta pôr o nome no Google e aparece logo o essencial do pensamento sobre Marcião (séc. II). Até a Wikipédia o diz:
“Marcião considerava que o Deus vingativo do Antigo Testamento não poderia ser o mesmo Deus amoroso a que Jesus se referia como Pai, e por isso, achava que só o Novo Testamento interessaria aos cristãos. Mas Marcião também não aceitava os quatro evangelhos canónicos, pois os considerava corruptos, cheios de falsificações. Na doutrina de Marcião havia assim um Deus bom e um Deus mau”.
Os cristãos dos primeiros séculos perceberam que o Deus do AT é o mesmo que do o NT. Não podia ser diferente. Os factos e as ideias estão de tal maneira misturados que ou se aceita tudo ou se recusa tudo. Os cristãos e os judeus aceitaram tudo, reinterpretando. O entendimento é que devia ser diferente. 1850 anos depois, o entendimento de alguns avançou pouco. Ainda há muitos marcionitas. Com uma diferença. Para os novos marcionitas, só há o Deus mau. E nesse, claro, não podem crer.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Mais Saramago. E chega
Sucedem-se as críticas a Saramago. Na última página do Público, na coluna “Sobe e desce”, escreve M.C.:
“As referências de Saramago à Bíblia e às crenças cristãs são testemunho de um espírito jacobino, sectário e intolerante. Para se dizer o que se pensa não é preciso ferir a fé de terceiros. O que releva nas suas palavras é o prazer de agressão e não espírito crítico. Desnecessário”.
Na mesma página, Rui Tavares escreve a propósito de outro assunto uma frase perfeitamente aplicável ao caso Saramago: “(…) A ignorância é má – e, a partir de uma certa idade, nós temos culpa da nossa ignorância”.
Respostas sensatas na Ecclesia:
Críticas de Saramago mostram que não compreende a Bíblia (aqui)
«Caim» é uma desilusão, diz Tolentino Mendonça (aqui)
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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A fé começa precisamente onde o pensamento acaba. Kierkegaard
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...



