
O tempo é um véu interposto entre nos e Deus, como a nossa pálpebra entre o nosso olho e a luz.
Chateaubriand (1768-1848)

Claude Dagens, bispo católico e membro da Academia Francesa desde 17 de Abril de 2008, conta (na "Communio" aqui referida):
Foi há alguns anos. Um conhecido jornalista, ao aperceber-se de que no seu estúdio de televisão está uma mulher com véu, exclamou:
- Desde que existe um Livro revelado, existe o obscurantismo.
Encontrava-se lá, no mesmo momento, um filósofo ateu, André Comte-Sponville, que replicou de imediato:
- Que grande exagero!
Concluiu o bispo de Angoulême (a terra dos grandes festivais de BD): "As reacções tacanhas, e até fanáticas, podem escandalizar também aqueles que não partilham a fé".
Mera coincidência ou não, reparo em vários articulistas que na imprensa escrita (praticamente não consumo das outras) usam o termo metamorfose para falar da mudança que é necessária. Alterações climáticas, consumismo, novas formas de família, corrupção, políticas... quase tudo serve para falar da metamorfose urgente. Acabaram as exigências de revolução. É tempo da metamorfose.Anselmo Borges no DN de hoje (aqui):
Deus não é "objecto" de ciência, mas uma esperança, sobretudo quando se pensa nas vítimas inocentes. Como escreveu o agnóstico M. Horkheimer, um dos fundadores da Escola Crítica de Frankfurt, "se tivesse de descrever a razão por que Kant se manteve na fé em Deus, não saberia encontrar melhor referência do que aquele passo de Victor Hugo: uma anciã caminha pela rua. Ela cuidou dos filhos e colheu ingratidão; trabalhou e vive na miséria; amou e vive na solidão. E no entanto está longe de qualquer ódio e rancor, e ajuda onde pode... Alguém vê-a caminhar e diz: Ça doit avoir un lendemain!... Porque não foram capazes de pensar que a injustiça que atravessa a História seja definitiva, Voltaire e Kant postularam Deus - não para eles mesmos".
O texto chama-se "Seria injusto não haver Deus". Parece que há uma espécie de necessidade lógico-moral. Mas na Bíblia não é assim. Ou é mais do que isso. Deus, de certo modo, intromete-se. Na revelação judaico-cristã, Deus vem ao encontro do ser humano. Comunica-se. Mete-se com Adão e Eva, com Caim, com Abraão, com Moisés, com os profetas, com os pensadores sapienciais. Deus toma a iniciativa.
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...