Mostrar mensagens com a etiqueta Pagola. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pagola. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

domingo, 11 de novembro de 2012

O melhor e o pior da Igreja


Reportando-se ao evangelho que hoje é escutado nas missas – uma viúva pobre dá duas pequenas moedas ao templo, dá “tudo o que tinha” - José António Pagola diz:
Também hoje, tantas mulheres e homens de fé simples e coração generoso são o melhor que temos na Igreja. Não escrevem livros nem pronunciam sermões, mas são os que mantêm vivo entre nós o Evangelho de Jesus. Deles, têm de aprender os presbíteros e os bispos.
Ler tudo aqui.

E explica o “Acautelai-vos com os escribas”. Ou, na verão de Pagola, “Cuidado com os letrados”.

O que podem ser hoje os letrados?

Os teólogos.
Os intelectuais.
Os dirigentes de comunidades que sabem muito.
Os que escrevem blogues.
Os que leem blogues.
Os que escrevem livros e artigos.
Os que fazem conferências, palestras e comunicações.
Os que defendem teses.
Os que ensinam.
Os que criticam.
Os que sabem muito.
Os que sabem tudo.
Os que acham muito.
Os que desculpam muito.
Os que impressionam.

Tudo isso, todos esses, mas sem amor, sem autocrítica, sem abertura, sem empurrarem debaixo para cima, com pouca ação, sem se darem, sem que o mundo fique melhor pela colaboração deles.

Livrai-nos destes todos, inclusive quando nos próprios estamos neles.

sábado, 28 de julho de 2012

Cinco pães e dois peixes



"Mandai-os sentar" (Jo 6,10).


A necessidade de nos alimentarmos é, antes de mais nada, sinal da nossa indigência radical. Obscuramente, vamos percebendo que não nos bastamos a nós mesmos. Na realidade vivemos recebendo, alimentando-nos duma vida que, através da terra, se nos oferece em cada dia a cada um. Por isso,é um gesto profundamente humano recolher-se antes de comer para agradecer a Deus esses alimentos, partilhando a sua mesma com familiares e amigos. Comer juntos é confraternizar, dialogar, crescer em amizade, partilhar a dádiva da vida: por isso é tão difícil dar graças a Deus quando uma pessoa tem mais alimento do que o necessário, enquanto outros sofrem miséria e fome.


José Antonio Pagola


sexta-feira, 20 de julho de 2012

D 05 - Jesus, os demónios e os exorcismos


O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros que pensaram a questão com mais profundidade do que eu. É mais um esboço com alguns elementos mal ligados do que uma exposição sistemática.

Na questão dos demónios nos evangelhos e em qualquer outra bíblica, não devemos olhar para os textos com as nossas ideias dogmáticas, mas analisá-los e procurar entender o que querem dizer. Num segundo momento, poderemos tirar conclusões para a dogmática e para a nossa ação e a da Igreja, a pastoral. Fico-me só pelo primeiro aspeto: procurar perceber o que significaram os exorcismos de Jesus.

Para isso, em primeiro lugar, temos de apontar o que hoje sabemos sobre as mentalidades da época de Jesus, a partir de obras de referência.

Nos últimos séculos a. C., a chamada época intertestamentária, “sob influência do dualismo persa, produziu-se uma evolução nas conceções de determinados meios judaicos. Apareceram então «espíritos do mal», opostos a Deus” (Diccionario Enciclopédico de la Bíblia, Herder, 1987, 414).

Notemos, também, que os evangelhos foram escritos em grego e no meio da mentalidade greco-romana (certamente em comunidades judaicas no seio da cultura helenística).

“Segundo a crença popular grega, o mundo está cheio de demónios, de seres que ocupam um lugar intermédio entre os deuses e os homens e sobre o quais influenciam e aos quaise se aplaca mediante a magia, a bruxaria e o conjuro ” (Diccionario Teologico del Nuevo Testamento, II, Sigueme, 14).

“Segundo a história das religiões, o que se diz entre os cristãos do demónio está sujeito a influxos extrabíblicos, pagãos e pré-cristãos: já séculos antes de Cristo existia o dualismo persa dos princípios do mundo, com o deus mau das travas, Angra Manyu, que influenciou certos círculos do judaísmo. E certamente na formação da doutrina eclesiástica sobre o demónio influenciaram eficazmente tais correntes extracristãs; influenciaram as doutrinas gnósticas (…) Não se funda na Bíblia o mito de Lucifer: Satanás originariamente seria um anjo de luz que se teria levantado contra Deus e teria sido derrubado para ser submetido a um castigo (Diccionario Teologico del Nuevo Testamento, IV, Sigueme, 165-6).

Prossigamos para Jesus e o seu ambiente cultural.

“No judaísmo, abandona-se a grande moderação que a religiosidade veterotestamentária  mantinha sobre este ponto [o demónio] e propaga-se a crença nos demónios, se bem que o judeu nunca se tenha sentido ameaçado pelos demónios como os adeptos  das religiões à sua volta. Os doutores da lei também admitiram a crença nos demónios. As figuras demoníacas são numerosas - sedim, poderosos; mazzidin, maléficos; mehabilim, corruptores; pegaim, tentadores; sirim, demónios com figura de bode; ruah raah, espírito mau. Numa época mais antiga acreditava-se que os demónios tinham nascido da união dos anjos caídos com mulheres (Gn 6,1). Outros pensavam que uma parte da geração dos homens que construíram a Torre de Babel foram transformados em demónios; ou que os demónios surgiram do comércio entre Adão e Eva com espíritos femininos e masculinos, respetivamente; ou que os demónios são uma criação singular de Deus” (Diccionario Teologico del Nuevo Testamento, II, Sigueme, 15).

É neste contexto que vive, pensa, anuncia, come, bebe, fala, cura Jesus.

“Sem dúvida que Jesus e o cristianismo primitivo têm a mesma ideia do demónio que os seus contemporâneos. Mas enquanto o ambiente judaico e pagão tentava desterrar e exorcizar os demónios recorrendo a sortilégios, conjuros e outras práticas mágicas, Jesus expulsa-os com a sua palavra (Mt 8,16), de tal forma que as expulsões de demónios são fenómenos que acompanham a sua pregação, a par com as curas (Mc 1,39). Dado que Jesus tem plenos poderes de Deus e se mostra como o mais forte (Mc 1,14), os demónios temem-no e inclinam-se diante dele. Graças a esta soberania que ele possui, pode outorgar aos seus discípulos o poder de expulsar os demónios (Mt 10,1.8) e esta autoridade sobre as potências demoníacas é o sinal de que em Jesus aconteceu a irrupção do reino de Deus (Mt 12,22)” (acrescentarei mais tarde a fonte deste trecho).

Temos ainda que notar que os conceitos de verdade e de história desta época não são os nossos. Uma lenda herdada da noite dos tempos é apropriada como verdade. E não podemos esquecer que a linguagem bíblica, oriental, é fantasiosa e imaginativa.

Por outro lado, nos evangelhos diz-se que se dão possessões demoníacas, mas nunca possessões diabólicas. Essa distinção é significativa e é feita por muitos autores, entre os quais o que aqui se cita. Este ponto da doutrina deste autor não foi posto em causa pela autoridade eclesiástica, ao contrário de outros, num processo pouco claro e já apontado por alguns neste blogue para desconsiderar o pensamento do autor. Insisto que o texto é uma exposição acessível para compreender a questão.

Jesus expulsa demónios. Jesus não expulsa o diabo porque não há possessões diabólicas na Bíblia. Jesus acalma a tempestade da mesma forma que expulsa um demónio. O demónio sai e a pessoa fica calma, curada. O demónio sai da tempestade e o mar fica calmo, curado. Outros expulsavam demónios, mas nenhum curava a natureza. Só Jesus.

Nenhum dos possessos curados por Jesus mostra os sinais que “podem indiciar a presença de distúrbios de origem diabólica” referidos pelos exorcistas atuais. Cito os tais sinais (aqui, ponto 13):

“Conhecer línguas desconhecidas à pessoa, bem como factos ocultos, manifestar uma força acima do normal e ter aversão às coisas sagradas; ver, ouvir, sentir, cheirar e imaginar coisas inexplicáveis à luz das ciências psicológicas; ter doenças ou distúrbios somáticos inexplicáveis à luz das ciências médicas; acontecimentos estranhos com objetos e animais inexplicáveis à luz da ciência, como por exemplo, coisas que se movem do lugar sozinhas, eletrodomésticos que se acendem e desligam sozinhos, etc.”.

[Temos de concluir por aqui, em alternativa, que a) as possessões no tempo de Jesus não eram verdadeiras possessões; ou b) as possessões de agora não são verdadeiras possessões como no tempo de Jesus; ou c) umas e outras são outras coisas que verdadeiras possessões; também podemos ser pela d) os sinais das chamadas possessões mudam de época para época; eu sou pela d) porque c)].

Claro que no tempo de Jesus não havia eletrodomésticos. E há um caso de alguém com uma força acima do normal, o possesso de Gerasa (Mc 5,1-14, episódio tão querido de Saramago por causa do desperdício de carne de porco com tanta gente a passar fome, dizia ele, numa interpretação literalista, aliás muito próxima, nos seus métodos, da dos defensores da doutrina tradicional do diabo e do demónio).

Vejamos o que diz um investigador atual sobre esta “possessão”, que geralmente é apontada pelos exorcistas como a mais importante, e o que significa a ação de Jesus de exorcizar. Considero que, entendido assim, as ações de Jesus são muito mais iluminadoras para o homem contemporâneo.






Os texto acima é retirado de "Jesus, uma abordagem histórica", de José Antonio Pagola (Gráfica de Coimbra 2, 2008).

Manuel Fraijó, em “Satán en horas bajas”, Sal Terrae, 1993, afirma, em resumo (reconheço que alguns, invocando determinadas cristologias, repudiam à partida o que se segue):

"É provável, ainda que não seguro, que Jesus participasse da mentalidade do seu tempo e acreditasse nos demónios. Não seria o único erro que há que lhe imputar. Também parece que contou com o fim iminente do mundo. Os escritos bíblicos afirmam que Jesus foi igual em tudo a nós, menos no pecado. Não esteve, pois, isento de erros. Nem tal significa que os cristãos estão obrigados a partilhar estes erros".



“A maioria das passagens em que os evangelhos falam de Satã e seus sequazes são criação da comunidade posterior. Não são, pois, expressão das ideias pessoais de Jesus sobre Satã. (…) Do conjunto da mensagem de Jesus deduz-se que o autêntico perigo para o ser humano não procede de Satã, mas do coração humano. O que mancha o homem, diz Jesus, nunca é o que vem de fora, mas o que procede de dentro".


"A figura de Satã não faz parte da autocompreensão essencial de Jesus nem é necessária para que os cristãos acedam a Ele. Jesus anunciou a Deus, não a Satã. Se alguma vez recorreu a Satã, foi para exemplificar melhor a sua mensagem. Mas não especulou sobre ele nem desenvolveu uma teoria demonológica. Toda a sua vida, morte e ressurreição se orientou em prol do positivo, da boa nova. O verdadeiramente importante para os cristãos não é Satã nem os milagres de Jesus, mas o «milagre Jesus»".

Citando Vasco Pinto de Magalhães, que se reporta a Walter Kasper, temos de afirmar que “interpretando os textos bíblicos com a exegese atual [que não é feita aqui; apenas se dão pistas] não é possível manter a doutrina tradicional” do diabo e do demónio.

Quero ainda mostrar como um autor atual e insuspeito entende hoje a missão de Jesus dada aos discípulos de “exorcizar e curar”. A seguir, mas não sei ao certo quando.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Não factos, mas convicções



Da entrevista de António Marujo a José Antonio Pagola (autor de “Jesus, uma abordagem histórica", ed. Gráfica de Coimbra 2)

Um dos temas divergentes entre exegetas é o das narrativas de infância. Em que ficamos? São narrativas simbólicas ou devemos lê-las como relatos verdadeiros?
Um estudo crítico e rigoroso dos chamados «evangelhos de infância» mostra que, mais do que relatos de carácter biográfico, são composições cristãs elaboradas à luz da fé em Cristo ressuscitado. Aproximam-se muito de um género literário chamado «midrash hagádico», que descreve o nascimento e a infância de Jesus à luz de factos, personagens ou textos do Antigo testamento.
Não foram redigidos para informar sobre os factos ocorridos (provavelmente sabia-se pouco), mas para proclamar a boa notícia de que Jesus é o Messias esperado em Israel e o filho de Deus nascido para salvar a humanidade. Esta é a posição dos melhores especialistas.

António Marujo, “Deus vem a Público. Entrevistas sobre a transcendência. I volume” (ed. Pedra Angular), pág. 41

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Deus vem a Público - livro de entrevistas de António Marujo



Informação da editora Pedra Angular

Chegou já às livrarias (…) o primeiro volume do livro «Deus vem a Público — Entrevistas sobre a transcendência», de António Marujo (…).

A forma de dizer o nome de Deus foi sempre plural. A pluralidade de olhares é uma marca destas entrevistas, que reflectem diferentes palavras e modos diversos de olhar o mistério insondável a que se chama Deus. E que tanto podem provir de um cristão católico ou protestante, de uma muçulmana ou de um judeu, de um budista ou um não-crente. Nelas se debatem cortinas de dogmas que por vezes tolhem a possibilidade de um debate sério e mais rico sobre muitas das questões que a Deus e à humanidade dizem respeito. Ou revela-se o espantoso empenhamento radical de mulheres e homens na construção de uma «parábola de comunhão» para a casa comum da família humana. Ou ousa-se propor novos horizontes aos modos de olhar. As entrevistas foram inicialmente publicadas no Público (em alguns casos, apenas em versões reduzidas) que, desde a fundação, «deu uma atenção moderna e esclarecida ao noticiário religioso», como um dia escreveu Eduardo Prado Coelho. O facto de estes textos serem agora reunidos muito fica a dever a essa atitude fundadora e à concretização que António Marujo lhe imprimiu.

António Marujo é jornalista do “Público” desde 1989, tendo-se dedicado no jornal às questões religiosas. Venceu por duas vezes (1995 e 2006) o prémio de jornalismo religioso na imprensa não-confessional, instituído pela Fundação Templeton e Conferência das Igrejas Europeias. É autor ou colaborador de vários livros.

Neste volume publicam-se entrevistas feitas a: Abbé Pierre, Aga Khan, Albert Friedlander, Alessandro Zanottelli, Aloísio Lorscheider, Andrea Riccardi, Anne Nasimiyu, Antônio Moser, Asma Barlas, Azim Nanji, Bronisław Geremek, Carlos Gil Arbiol, Carlos Padrón, Dalai Lama, Erri de Luca, Eugen Drewermann, Feisal Abdul Rauf, Gianfranco Ravasi, GianMaria Polidoro, Gianni Vattimo, Godfried Danneels, Hans Küng, Irmão Aloïs de Taizé, Irmão Roger de Taizé, Jacques Arnould, Jacques Gaillot, Jaime Gonçalves, Jean-Marie Lustiger, Jean-Noël Aletti, Jean-Yves Calvez, Joan Chittister, Johann Baptist Metz, José Andrés-Gallego, José António Pagola, Josep M. Soler, Joseph Comblin, Jordi Savall, Juan José Tamayo, Juan Masiá, Jürgen Moltmann, Lavinia Byrne, Leonardo Boff, Mark Raper, Marko Ivan Rupnik, Michel Quesnel, Nicoletta Crosti, Paul Poupard, Pedro Meca, Philip Gröning, Raimon Panikkar, Rémi Brague, Renato Kizito Sesana, René Samuel Sirat, Rino Fisichella, Sergio Bastianel, Timothy Radcliffe.


Será, sem dúvida, um livro excepcional, com um título que é um achado, na sua simplicidade, pela revelação da finalidade e referência ao jornal que primeiro publicou as entrevistas.

Sendo leitor do “Público” desde o primeiro número, devo ter pelo menos passado os olhos por todas estas entrevistas. Algumas, muitas, recortei para guardar. Mas onde estava eu quando saíram as de Zanottelli, Geremek, Arnould? Pessoas de quem recentemente li algumas coisas (a admiração de Tabucchi por Zanottelli; “A piedade e a forca” de Geremek e os seus diálogos com G. Duby; o “Requiem por Darwin” de Jacques Arnould, que foi presença assídua neste blogue). Um livro para ler como grande novidade. Que é.

sábado, 6 de agosto de 2011

Tenham medo, muito medo

Quadro de Alessandro Allori, nas Galerias Uffizi, Florença

 


Escreve José Antonio Pagola a propósito do trecho do evangelho que hoje e amanhã é ouvido nas missas (fala de Jesus que aparece a caminhar sobre as águas e diz-lhes aos discípulos: "Sou eu, não temais"; Pedro caminha nas águas e começa a ir ao fundo...), e compreende-se, então, que os seus livros seja proibidos em Espanha, mais do que por qualquer erro dogmático, e, pelo que me dizem, muito brevemente em Portugal, ainda que com menos alarido:
Na Igreja de Jesus entrou o medo e não sabemos como nos podemos libertar dele. Temos medo do desprestígio, da perda de poder e da rejeição da sociedade. Temos medo uns dos outros; a hierarquia endurece a linguagem, os teólogos perdem a liberdade, os pastores preferem não correr riscos, os fiéis olham com temor o futuro. No fundo destes medos há quase sempre medo de Jesus, pouca fé nele, resistência em seguir os seus passos. Ele mesmo nos ajuda a descobri-lo;: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» ("O caminho aberto por Jesus. Mateus", ed. Gráfica de Coimbra 2).

sábado, 16 de abril de 2011

Anselmo Borges: Bento XVI 'versus' Joseph Ratzinger

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (aqui):

Um dia, João XXIII passou por um dos Colégios para estudantes nas Universidades Pontifícias, em Roma. Um deles terá ousado atirar-lhe: "Santidade, como é sentir-se o primeiro?" E o bom Papa João: "Está enganado. Pus-me a contá-los, e eu, lá no Vaticano, sou o quarto ou quinto."
Esta estória deve ter muito mais verdade do que se julga. De facto, essa coisa do Poder é muito complexa. Quem manda realmente? Com alguma sociologia das burocracias, alguns conhecimentos de História e do funcionamento da Cúria Romana, percebe-se as dificuldades que há, quando se quisesse reformar a Igreja.
Depois, há evolução no pensamento próprio. E nem tudo se diz a todos e em todos os contextos.
J. Ratzinger escreveu em 1968: "Acima do Papa encontra-se a própria consciência, à qual é preciso obedecer em primeiro lugar; se fosse necessário, até contra o que disser a autoridade eclesiástica. O que faz falta na Igreja não são panegiristas da ordem estabelecida, mas homens cuja humildade e obediência não sejam menores do que a sua paixão pela verdade, e que amem a Igreja mais do que a comodidade da sua própria carreira." Continuou a pensar assim enquanto Prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé? O que pensará hoje?
Para repensar a descentralização da Igreja e abrir um debate sobre o primado papal, tendo como interlocutores os protestantes, ortodoxos e anglicanos, J. Ratzinger escreveu em 1971 que se deveria caminhar na direcção dos cinco patriarcados antigos (Roma, Alexandria, Antioquia, Jerusalém e Constantinopla), que, sob a presidência de um deles (o de Roma), asseguravam autonomia: "Olhando para o futuro, deveria constituir uma tarefa distinguir de novo mais claramente o verdadeiro ofício do sucessor de Pedro e o ofício patriarcal, e, se fosse necessário, criar novos patriarcados e desmembrá-los da Igreja latina. Isso quer dizer que uma união com a cristandade oriental não deveria mudar nada, mesmo nada, na sua vida eclesiástica concreta. As mudanças palpáveis poderiam ser estas: que na provisão de sedes episcopais se desse uma 'ratificação' comparável à permuta de cartas de comunhão na Igreja antiga; que houvesse de novo reuniões comuns em sínodos e concílios e de novo atravessasse as fronteiras do Oriente e do Ocidente a permuta de cartas ou documentos semelhantes ('encíclicas'); finalmente, que o bispo de Roma fosse outra vez nomeado no cânone da Missa e nas orações. De modo semelhante, poderia sem dúvida pensar-se numa forma especial da cristandade protestante dentro da unidade da Igreja universal; e, finalmente, deveria reflectir-se num futuro talvez não longínquo sobre se as Igrejas da Ásia e da África, à maneira das do Oriente, não poderão ou deverão oferecer a sua forma própria como patriarcados ou 'grandes Igrejas' independentes."
Quando ainda era só professor, Ratzinger também defendeu, com outros grandes teólogos, como Karl Rahner e Karl Lehman, a necessidade de debater o tema do celibato obrigatório, pois não é um dogma e há o perigo de assistir-se a uma deserção massiva de sacerdotes.
Como escrevi aqui, no meu entender, o último livro de Ratzinger/Bento XVI sobre Jesus de Nazaré tem como fio condutor estas palavras: "a Encarnação de Jesus ordena-se para o sacrifício de Si mesmo pelos homens, e este para a ressurreição; caso contrário, o cristianismo não seria verdadeiro." Julgo que esta afirmação tem de ser lida à luz de uma outra dele, quando professor: opondo-se à teologia da "satisfação" que situava a Cruz "no interior de um mecanismo de direito lesado e restabelecido", Ratzinger rejeitou a noção de um Deus "cuja justiça inexorável teria exigido um sacrifício humano, o sacrifício do seu próprio Filho. Esta imagem, apesar de tão espalhada, não deixa de ser falsa".
E dá liberdade para debater e divergir da sua obra. Pergunta-se: porque abriu então a Congregação para a Doutrina da Fé um processo à obra igualmente admirável sobre Jesus, de J. A. Pagola, "Jesus. Aproximação histórica", que vendeu 80.000 exemplares e está traduzida para várias línguas? Mas saberá Bento XVI o que se passa?




Nota desta Tribo: Sobre José António Pagola, um autor que de vez em quando aparece por este blogue, sugiro a leitura da entrevista “Jesus pode ser um desafio muito perigoso para a Igreja actual”.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sermão para mim próprio: "Não foi em teu nome que profetizámos?"


Uma amiga do blog Levantai-vos! desafiou-me a dizer o que penso dos evangelhos do domingo seguinte. Inicialmente o desafio não era bem este, mas acabou assim formulado. Começo hoje a dizer o que penso do evangelho que os católicos escutam na missa do domingo seguinte. Não sei se o farei todas as semanas. É um compromisso que tentarei cumprir à quarta ou quinta-feira. São os sermões para mim próprio.

“Senhor, Senhor! Não foi em teu nome que profetizámos, em teu nome que expulsámos os demónios em teu nome que fizemos muitos milagres?” (de Mt 7,21-17)


A resposta é: “Não vos conheci”. Escusava de ser tão ingrato. Mas é que pode tudo ter sido feito no nome do Senhor sem ter sido feito na “vontade” do “Pai que está no Céu”. É um sério aviso para todos os que têm títulos, fazem parte de denominações e confissões, andam com o credo na boca ou coleccionam sacramentos. É que até milagres podem (podemos) fazer na falsidade. E têm abundado os tristes exemplos das vidas duplas. O título não dá garantia.

Noutro ponto, Jesus diz que pelos frutos se vê a árvore, o que quer dizer que, para mais em tempo de engenharia genética, de OGM, e de viveiros especializados em criar árvores pequenas que dêem grandes frutos, o que interessa mesmo é o fruto, não o título. Ninguém pergunta à repositora da frutaria pelo tamanho da macieira quando compra um quilo de maçãs.

Com o bem, é a mesma coisa. Interessa mais o bem bem feito (não há nenhuma palavra a mais) do que o título de quem o faz. Por isso é que há mais cristãos do que os que foram baptizados. Por isso é que há muitas moradas no reino dos céus.

E como não ser apanhado em falso quando se diz “Senhor, Senhor”, já que religião é dependência e todos desejamos genuinamente ser dependentes do Senhor realmente Senhor?

Aqui, a reposta já não está nos frutos, que se vêem, mas nas raízes, que não se vêem. Nos alicerces da casa. A casa que não cai é a que está fundada sobre a rocha. Isso é que é construir com qualidade e garantia contra os lobos maus. Essa é a guerra preventiva no interior de nós próprios que temos de levar a cabo.

A crise que nós, cristãos, estamos a viver tem raízes sociológicas e culturais muito concretas, mas obriga-nos a rever os alicerces e a observar sobre que bases estamos a construir a nossa vida cristã. 
Talvez não tenhamos enraizado o nosso cristianismo sobre o alicerce sólido do evangelho, mas sobre costumes, modas e tradições, nem sempre muito de acordo com a verdade do evangelho. 
Quisemos apoiar a nossa religião na segurança das nossas fórmulas e no rigor da disciplina, mas talvez não nos tenhamos preocupado demasiado em procurar a verdade do evangelho. 
Vivemos muitas vezes demasiado atentos aos códigos, rubricas, normas e prescrições, e não aprendemos a confrontar a nossa própria responsabilidade e os riscos da liberdade cristã. 
José Antonio Pagola, pág. 77 de “O caminho aberto por Jesus”

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Para recolocar Jesus no coração dos crentes


O caminho aberto por Jesus. Mateus
José Antonio Pagola
Gráfica de Coimbra 2
280 páginas

Este livro é constituído por 42 capítulos que seguem sempre o mesmo modelo. Primeiro apresenta-se um trecho do Evangelho de S. Mateus e a seguir cinco breves comentários com sugestões “para mergulhar no relato de Jesus”. Os trechos evangélicos em questão são os das missas dominicais do presente ano litúrgico. O que o autor faz agora em relação a Mateus terá réplicas equivalentes com os evangelistas Marcos, Lucas e João nos próximos anos.

José Antonio Pagola deixa bem explícito na Apresentação o que pretende com este livro que teve óptima recepção em Espanha: “Pensei sobretudo nas comunidades cristãs, tão necessitadas de alento e de novo vigor espiritual; tive presente muitos crentes simples em quem Jesus pode acender uma fé nova. Mas quis também oferecer o evangelho de Jesus a quem vive sem caminhos para Deus, perdidos no labirinto duma vida desconjuntada, ou instalados num nível de existência em que é difícil abrir-se para o mistério último da vida. Sei que Jesus pode ser para eles a melhor notícia”.

O autor reconhece que, “como é vivido por muitos, o cristianismo não suscita «seguidores» de Jesus, mas apenas «adeptos de uma religião»” que podem nunca conhecer a experiência “mais originária e apaixonante”, que consiste em “entrar pelo caminho aberto por Jesus”. Por que é que tal acontece? Há muitos factores dentro e fora da Igreja que explicam a “mediocridade espiritual”, mas, provavelmente, “a causa primeira está na ausência de uma adesão vital a Jesus Cristo”. Este livro, pretende, pois, dar a conhecer a “energia dinamizadora que está presente em Jesus”.

O autor. José António Pagola, padre, foi vigário geral da diocese de San Sebastiám (Espanha). Desde há sete anos que se dedica exclusivamente a investigar e dar a conhecer a pessoa de Jesus, como afirma. Publicou em 2007 “Jesus. Aproximación histórica” (tradução em português pela Gráfica de Coimbra 2, em 2009), livro sobre o qual a Congregação para a Doutrina da Fé abriu recentemente um processo, embora não tenha sido dito ao autor quais são os pontos do seu pensamento sobre Jesus são motivo de questionamento. Em 2008, a Conferência Episcopal Espanhola contestou que Pagola sugeria que “algumas propostas fundamentais da doutrina católica carecem de fundamento histórico em Jesus”.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O melhor que temos na Igreja

José António Pagola

Decorridos vinte séculos, qualquer pessoa que se aproxime interessada e honestamente da figura de Jesus, fica confrontada com esta pergunta: “Quem é Jesus?” A resposta tem de ser pessoal. Sou eu quem tem que responder. Pergunta-se-me sobre o que é que eu digo, não sobre aquilo que os concílios disseram, ao formularem os grandes dogmas cristológicos, nem sobre o que explicaram os teólogos, nem sobre as conclusões a que chegaram aos exegetas e investigadores acerca de Jesus.
(…)
O primeiro que se deve fazer é colocar a Jesus no centro do cristianismo. Tudo o resto virá depois. Que poderá haver de mais urgente e de mais necessário para os cristãos do que despertar entre nós a paixão pela identidade de Jesus? É o melhor que temos na Igreja. É o melhor que podemos oferecer e comunicar ao mundo de hoje.

José Antonio Pagola, nas páginas 481-482 de “Jesus. Uma abordagem histórica” (Gráfica de Coimbra 2, 2008)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mais umas farpas de José Luis Cortés

José Luis Cortés não é nada simpático para os bispos espanhóis como se pode ver pelo "dibujo" acima. E a Santa Sé (ou alguns sectores dela) também não escapa. O último desenho desta sequência é um louvor ao teólogo José Antonio Pagola e à sua cristologia. Textos e entrevistas de Pagola já apareceram nesta tribo, aqui e aqui.





segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Poder incendiário do Evangelho


Annie Dillard, citada por Timothy Radcliffe (pág. 90 de “Ir à Igreja porquê?”), sobre a coisa arriscada que é (devia ser) escutar do evangelho:
“As Igrejas são crianças que brincam no chão com os seus estojos de química, misturando um lote de TNT mortífero, no domingo de manhã. É uma tolice levar à Igreja chapéus de palha e de veludo de senhora; deveríamos todos utilizar capacetes de protecção. Os porteiros deveriam distribuir protectores de vida e sinais luminosos”.
É um bom texto para meditar em contraste com a realidade aqui descrita por José Antonio Pagola.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Entrevista a José Antonio Pagola: “Jesus pode ser um desafio muito perigoso para a Igreja actual”


O sacerdote basco José Antonio Pagola (Guipúzcoa, 1937), o já célebre autor de "Jesús, Aproximación histórica", mantém uma visão contemporânea e radical de Jesus Cristo. O número dois de José María Setién [bispo de 1979 a 2000] na diocese de San Sebastián vendeu 40 mil exemplares de seu livro em dois meses, antes que a Conferência Episcopal interferisse no assunto e a obra fosse retirada das livrarias eclesiásticas e diocesanas pela editora católica que a publicou. Em Portugal a obra está publicada na Gráfica de Coimbra 2 (“Jesus, uma abordagem histórica”), vendendo-se com um livrinho de 62 páginas, “suplemento”: “Uma explicação ao meu livro «Jesus, uma abordagem histórica”. A obra principal tem 552. A entrevista de Matías Vallés foi publicada no jornal “La Nueva España”, no dia 03 de Outubro de 2010. Copiei daqui. Original aqui.
Considera-se uma vítima?
Não. No meu livro apresento Jesus como conflitivo e perigoso. Agora comprovei na minha própria carne que ele o foi e o será sempre. Quando são conhecidas as suas palavras de fogo, a sua liberdade para defender as pessoas, o seu projecto de uma sociedade ao serviço dos últimos ou a sua crítica a uma religião vazia de compaixão, Jesus gera reacções encontradas de atracção ou de rejeição. Creio que, em boa parte, meu livro suscitou inquietação quando se captou que Jesus pode ser um desafio muito perigoso para a Igreja actual.
Jesus Cristo era mais homem do que Deus?
Provavelmente, ninguém exerceu um poder tão grande sobre os corações como Jesus, ninguém expressou como ele as inquietações e interrogações do ser humano, ninguém despertou tantas esperanças. Ainda hoje, quando as ideologias e religiões experimentam uma crise profunda, Jesus continua a alimentar a fé de milhões de homens e mulheres. Nós, cristãos, pensamos que Jesus é tão plenamente humano que não é como nós. Leonardo Boff dizia que “tão humano só pode ser Deus”. Para mim, Jesus é Deus, falando-nos, acompanhando-nos e salvando-nos a partir desse homem entranhável.
A nomeação de Munilla [José Ignacio Munilla Aguirre, 48 anos, nomeado bispo de San Sebastián em Novembro de 2009 ] é um desafio de Rouco [arcebispo de Madrid] à Igreja nacional basca?
É um erro analisar o que ocorreu em San Sebastián a partir de chaves exclusivamente políticas. Penso, ao contrário, que o que se vive em minha diocese é, sobretudo, um conflito eclesial que está a ocorrer também em outras partes, como consequência de um confronto entre dois modelos de Igreja ou duas sensibilidades sobre o conteúdo e o significado do Vaticano II ou sobre a missão da Igreja na sociedade secularizada. O lamentável é que, em geral, as nossas mútuas desqualificações não estão a conduzir-nos em direcção a uma Igreja mais fiel a Jesus e ao seu projecto.
Vai ler o livro de Hawking que nega a existência de Deus?
Não. Os trabalhos de Stephen Hawking sobre astronomia sempre me interessaram, mas não as suas conjecturas sobre Deus. Os especialistas no diálogo ciência-fé afirmam que nem as religiões podem provar a existência de Deus, nem a ciência a sua não existência. Parece que o homem moderno decidiu que o que o ser humano não pode provar cientificamente não existe.
Deus é necessário?
Deus não é necessário para ganhar dinheiro, adquirir poder ou conquistar bem-estar. Também não é necessário para nos dispensar do mal, do sofrimento ou das desgraças da vida. Deus serve, para nós, crentes, para enfrentarmos com uma luz, um estímulo e um horizonte novo a dureza da vida e o mistério da morte.
Gostaria de manter um debate aberto com Bento XVI sobre os conteúdos de seu livro?
Gostaria que, em Roma, fossem ouvidas as diversas correntes teológicas existentes no seio da Igreja – não só na Europa –, mas, principalmente. Alegrar-me-ia que a hierarquia liderasse um movimento de conversão a Jesus Cristo. Não há nada mais urgente.
Jesus tomaria as mesmas decisões que o Vaticano toma sobre a mulher?
Jesus critica uma sociedade patriarcal que estabelece o domínio e o poder do homem sobre a mulher. Essa actuação de Jesus está a exigir-nos hoje uma revisão profunda da situação injusta da mulher na Igreja e na sociedade, uma consciencialização mais viva da nossa infidelidade a Jesus e um processo valente de renovação para que a mulher possa desfrutar da sua dignidade, direitos e protagonismo.
Jesus acabou numa vala comum como os desaparecidos da Guerra Civil?
Não. Historicamente, é muito provável. Essa hipótese do norte-americano John Dominic Crossan não encontra apenas aceitação entre os especialistas.
Inclusive, seus críticos mais duros renderam-se diante do brilhante estilo literário de “Jesus”.
O que me enche de alegria é comprovar que muitas pessoas que lêem o meu livro sentem Jesus mais vivo e próximo, encontram um sentido diferente para a sua vida, desperta-se neles o desejo de uma vida mais humana. Encontram no meu livro algo que eu não coloquei.
Pensou alguma vez que ele se converteria num sucesso de vendas?
Nunca. Normalmente, o êxito de um livro mede-se nesta sociedade pelo número de exemplares vendidos. Eu não acho isso. De "O Código Da Vinci", de Dan Brown, foram vendidas milhões de cópias, mas eu considero-o um fracasso, pois não introduz verdade nem esperança, não nos aproxima do mistério de Jesus, não ajuda a viver de forma mais humana.
As contradições no discurso de Jesus abundam nos evangelhos?
Os evangelhos não são relatos biográficos redigidos para oferecer informação precisa de carácter histórico. São relatos em que, de forma variada e matizada por cada evangelista, se recolhe a memória de Jesus. Para nos aproximarmos do conteúdo histórico que eles conservam sobre Jesus é necessário contrastá-los, analisar os géneros literários que empregam, os procedimentos narrativos, o vocabulário próprio de cada evangelista, o contexto.
Jesus Cristo expulsaria os mercadores do Vaticano?
Não se deve esperar que Jesus volte. A partir dos milhões de famintos e desnutridos da terra, dos pobres esquecidos pelas religiões, das mulheres humilhadas em todos os povos, Jesus está a grita-nos agora mesmo, aos dirigentes do Vaticano e a todos os que nos dizemos cristãos, que expulsemos da Igreja riquezas, poderes, grandezas ou interesses que ocultam sua mensagem de esperança.
Pode-se seguir Jesus sem seguir sua Igreja?
Nestes momentos, eu não encontro outra forma melhor de seguir Jesus do que vivendo nesta Igreja, mas esforçando-me por me converter, eu mesmo, ao Evangelho, e trabalhando para fomentar nela um clima de conversão para Jesus.
A crise económica que tanto nos ocupa irá provocar um renascimento da espiritualidade?
Observo que o desejo de espiritualidade se desperta principalmente em pessoas que experimentam com força o vazio existencial, o sem sentido de sua vida, a saturação de bem-estar. Não é fácil viver uma vida que não aponta para nenhuma meta.
O que um não crente pode obter com a leitura de seu livro?
Recebi muitas centenas de cartas e escritos de leitores não crentes. A maioria me diz que se encontrou com um Jesus que nem sequer suspeitavam; alguns sentiram-se chamados a repropor a sua vida com mais verdade e honestidade; muitos sentiram-se libertos de medos e fantasmas religiosos que lhes fizeram sofrer muito apesar de se terem distanciado da Igreja; muitos ficam comovidos com um Deus amigo que ama com amor incrível e imerecido a todos os seus filhos. Alguns dizem: “Oxalá que esse Deus exista”. Muitos animam-se a trabalhar por um mundo mais humano e justo.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...