Dizia R. M. Rilke a F. X. Kappus:
Mas se notar que ela é grande, alegre-se, pois o que seria uma solidão (faça esta pergunta a si mesmo) sem grandeza?
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segunda-feira, 19 de maio de 2014
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Solidão
A solidão é certamente uma das raízes essenciais de que brotou o encontro do ser humano com Deus. Quando o ser humano experimenta a solidão, percebe ao mesmo tempo até que ponto toda a sua existência é um grito pelo tu e até que ponto não foi feito para ser apenas um eu encerrado em si mesmo.
Joseph Ratzinger, "Introdução ao Cristianismo", pág. 75.
Joseph Ratzinger, "Introdução ao Cristianismo", pág. 75.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Que eu aprenda a ler
Antoine de Saint-Exupéry e sua mulher
Senhor, a solidão só é fruto do espírito quando ele está doente. Ele só habita uma pátria, a qual é sentido das coisas. O mesmo acontece com o templo quando é sentido das pedras. Só tem asas para este espaço. Não se regozija nada com objectos, mas unicamente com o rosto que se lê de um lado ao outro e que os une. Faz simplesmente com que eu aprenda a ler.
Então, Senhor, acabará a minha solidão.
Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944)
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Das escutas à escuta
A crónica de D. Carlos Azevedo no "Correio da Manhã" parte das escutas, que por estes dias andam pelos jornais, para chegar à escuta que é própria do tempo quaresmal.À escuta
Desde há uns meses que o assunto das escutas ocupa grande espaço na comunicação portuguesa, com perversa confusão entre meios e fins, condenação dos modos e acolhimento dos resultados. O que não se devia saber publicamente faz-se notícia e revela sentimentos, carácter, comportamentos de pessoas responsáveis pelo bem público. A lentidão do sistema judicial contrasta com a celeridade dos boatos. A dedicação ao bem comum do país é desviada para a defesa pessoal dos visados. Eis o que produzem as escutas: uma murmuração em cadeia, uma grande baralhada que promete durar, porque o gosto por mexer na porcaria é próprio de alguns animais!
Esta introdução serve para abrir o tema da escuta, da criação de silêncio, próprio do tempo quaresmal, a iniciar na próxima quarta--feira pelos cristãos. Deus é a Palavra, nós somos escuta: e a escuta pressupõe o silêncio, isto é o despojamento de todas as vozes que nos distraem da escuta, sejam aquelas que partem do nosso coração ou da nossa inteligência, sejam aquelas que entram em nós, usurpando um lugar indevido...
É difícil falar de silêncio num mundo habituado ao barulho. Não é grande prova o silêncio sobre um monte deserto, onde tudo nos convida à harmonia com a terra, o céu, as estrelas, as flores, o vento. Sem o silêncio, o ser humano morre de fome, não fome de pão, mas de escuta da Palavra do Senhor (Amós 8,11).
O silêncio cria à volta de nós o clima de deserto levando-nos à nobre e necessária solidão. O valor justo da solidão é o contrário de um isolamento, de uma distância aristocrática, de uma presunção auto-suficiente. A solidão do deserto é contínua procura de água, de lugar de encontro, de oásis. Deus atrai ao deserto para se revelar, para falar ao coração, para fazer conhecer o Seu desígnio. No deserto aprende-se a ter sede e a organizar a própria vida, dirigir o próprio caminho. É a experiência de que só Deus basta: pobreza radical e plenitude perfeita.
A fuga diante da solidão, a murmuração no deserto, a procura quase nevrótica do dia cheio, da actividade, da distracção e da companhia testemunham a incapacidade de viver sem débeis apoios e como Deus não aparece guia absoluto dos passos incertos, atento a qualquer grito ou a qualquer desequilíbrio.
As escutas lusitanas, aludidas no início, apelam a murmuração, impedem a escuta dos apelos profundos do Portugal real. O tempo de Quaresma, marcado pela escuta da Palavra, permitirá passos novos, Páscoa verdadeira.
Fonte: CM
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Insuportável solidão humana
“Depois de ter deixado de haver Deus, a solidão torna-se insuportável: é preciso que os homens superiores encontrem uma solução”, escreveu Nietzsche em “A vontade de Poder”.
Porém, parafraseando Woddy Allen, que dizia que o sangue ainda é o melhorzinho que podemos trazer nas veias, podemos afirmar que Deus ainda é a melhorzinha solução para a insuportável solidão humana, pelo menos se tivermos em conta as que os homens superiores encontraram.
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