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sábado, 6 de abril de 2013

Já que hoje muito se fala de números cá pelo burgo

Palavras que o Concílio Vaticano I não utilizou:
diálogo
amor
fraternidade
historia
leigo
ministério
novidade
serviço
pobre.

Palavras que o Concílio Vaticano I utilizou uma vez:
Evangelho.

Vezes que o Concílio Vaticano II utilizou as mesmas palavras:
amor 131
diálogo 31
fraternidade 87
história 63
leigo 200
ministério 147
novidade 37
pobre 42
pobreza 21
serviço 97
Evangelho / evangelizar 188.

Li num artigo de José Nunes o.p. sobre "A recepção do Concíliovaticano II nos dinamismos de evangelização", na "Communio" de Julho/Agosto/Setembro de 2012, que é sobre os 50 anos do Concílio Vaticano II. A contagem, diz o teólogo dominicano português, foi feita pelo irmão de congregação Yves Congar.

sábado, 24 de março de 2012

Os "mea culpa" de João Paulo II


Quando num comentário falei dos pedidos de perdão de João Paulo II, em nome da Igreja, que culminaram no grande pedido do Jubileu 2000, pareceu-me que falava de uma novidade, a julgar pelas respostas ao meu comentário.


Para que não haja dúvidas, aqui fica um livro de 1997 (1998 em Portugal), quando os pedidos de João Paulo II já iam em 94 sobre 21 questões. Evidentemente, em algumas das questões, das Cruzadas a Galileu, da Inquisição à relação com os ortodoxos e protestantes, houve intervenções diretas dos papas.

Lembro-me bem de que no final do milénio passado alguns sectores da Igreja não aceitaram bem estes pedidos – como hoje, pelos vistos. Não era possível pedir perdão pelos erros do passado sem pensar que alguns deles foram cometidos com o consentimento e mesmo com a liderança do papado. Isso só causa problemas a quem tem uma ideia errada da identidade da Igreja. João Paulo II pediu perdão para purificar a memória. A de alguns ficou tão purificada que se esqueceram desta história recente.

Curiosamente, ao reler o prefácio desta obra, também me lembrei de algumas coisas de que já tinha esquecido. Esta, por exemplo: Paulo VI também pediu perdão. E, antes dele, o último a confessar os pecados da Igreja foi Adriano VI (1522-1523), o último papa não italiano antes de João Paulo II. Entre Adriano VI e Paulo VI (do séc. XVI ao séc. XX) sabemos bem o que aconteceu e qual a eclesiologia dominante. Aconteceu Trento, por exemplo, e o Vaticano I, entre outras coisa boas e más. Em Trento e no Vaticano I a eclesiologia dominante foi a da Igreja como sociedade perfeita. Numa sociedade perfeita por definição como poderia ter lugar um pedido de perdão? Os perfeitos não erram.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Raridade de Evangelho no Vaticano I

D. António Couto, na apresentação do livro “Nova Evangelização”, de Rino Fisichella (no fundo, no fundo, diz que é fraquinho, já que o capítulo III, sobre “o contexto”, é “frágil”, e quanto ao capítulo IV, sobre a “centralidade de Jesus Cristo”, gostava o bispo de Lamego de o ver “tratado com mais ousadia e grandeza”), disse o seguinte:
Recordemos que, em termos de vocabulário, o Concílio I do Vaticano (1869-1870) usou uma única vez o termo «Evangelho», e nenhuma os termos «Evangelizar» e «Evangelização». O Concílio II do Vaticano (1962-1965), por sua vez, empregou o termo «Evangelho» por 157 vezes, «Evangelizar» por 18vezes, e «Evangelização» por 31 vezes.
Os meus amigos mais papistas saberão por que é que o Vaticano I fala tão pouco de Evangelho. Onde está a infalibilidade não há lugar para o Evangelho.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

19 de Julho de 1870. Pio IX proclama o dogma da infalibilidade papal

No decorrer do I Concílio do Vaticano (08-12-1869 – 18-12-1870), Pio IX proclama o dogma que diz que o Papa é infalível em assuntos de fé e moral, quando fala "ex-cathedra”. O dogma está enunciado na constituição dogmática “Pastor Aeternus”.

Desde a declaração, no dia 19 de Julho de 1870, a infalibilidade papal foi usada uma única vez, em 1950, quando Pio XII definiu o dogma da Assunção de Maria.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

18 de Dezembro de 1870. Termina o primeiro Concílio do Vaticano

Bênção de Pio IX, no dia 25 de Abril de 1870

Convocado por Pio IX (Papa de 1846 a 1878) o I Concílio do Vaticano começou no dia 8 de Dezembro de 1869 e terminou no dia 18 de Dezembro de 1870.

Deste concílio sobressaem dois documentos: as constituições dogmáticas “Dei Filius” (“O Filho de Deus”, sobre a revelação – no II Concílio do Vaticano seria aprofundada pela “dei Verbum”) e “Pastor Aeternus”, que afirma a infalibilidade do Papa quando se pronuncia ex-cathedra em assuntos de fé e de moral.

Como é frequente, após um concílio, há quem não aceite as novas disposições (após o II CV surgiram os lefebvrianos). Neste caso, surgiram os Velho Católicos ou Vetero-Católicos, também conhecidos por União de Utreque (os bispos holandeses não participaram no Concílio). Existem no centro da Europa, Holanda, Alemanha, Áustria, Suíça, e também nos EUA e no Brasil. Têm um sítio aqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Darwin e a Igreja católica

Em 2009 completam-se 200 anos sobre o nascimento de Darwin e 150 sobre a publicação de “As origens das espécies”. Factos que por toda a parte têm originado exposições sobre Darwin e as duas descobertas, debates, documentários e até peças de teatro. Em toda a parte? Não. Na Igreja católica, que eu saiba, ainda não foi tomada nenhuma iniciativa de relevo. Pretendo deixar neste blogue alguns textos, pequenos apontamentos, sobre “Darwin e a Igreja católica” ou “Darwin e os católicos”.

Comecemos por aquilo que poderia ter sido o maior embate entre as ideias do biólogo inglês e o dogma católico. Não chegou a acontecer. Escreve Jacques Arnould em “Requiem por Darwin” (Gráfica de Coimbra 2):

“Quando de uma reunião preparatória [para o I Concílio do Vaticano], em Maio de 1869, um dos participantes mostra-se preocupado com a teoria que faz do homem um produto da evolução da matéria e, no decurso do Concílios propriamente dito, não faltam alusões aos trabalhos de Darwin. Os dois esquemas sobre a doutrina católica sucessivamente elaborados prevêem que se declare como sendo dogma da fé a definição da descendência de todos os homens a partir de um único casal (o que é costume chamar-se monogenismo); com efeito, parece impossível conciliar a outrina do pecado original com a ideia de uma humanidade proveniente da animalidade, tal como a ideia de um casal original e único, formado por Adão e Eva, com a imagem de pequenos grupos de macacos. Algumas vozes, como a de Mons. Vérot, admiram-se de que a Igreja possa considerar sem valor as descobertas da geologia e da paleontologia. Contudo, parece que nada consegue impedir que o monogenismo seja considerado dogma e assuma um valor coactivo; nada, a não ser a guerra de 1870, cuja consequência foi a interrupção do Concílio” (pág. 47-48).

O Vaticano I não voltou a ser convocado e evitou-se, felizmente, o que poderia ser a condenação do evolucionismo.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...