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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

This Is the Way the World Ends


Ontem, mais ou menos por acaso, vi o último episódio da sexta temporada da série “Dexter” (RTP 2). Sei que é da sexta temporada por fui agora mesmo ver que a série já tem oito e que aquele era o 12.º episódio da sexta série. Devo ter visto na íntegra as primeiras duas ou três temporadas, na altura a série passava na segunda à noite, até achar que ficava demasiado nervoso com as embrulhadas de um serial killer. É ambivalente, estranho e principalmente desconfortável o sentimento de ter simpatia por um criminoso. Deve vir daí o sucesso da série. Mas precisamente por isso deixei de vê-la.

Mas vi o episódio de ontem. Dizia “último” no canto superior esquerdo. Que narrativa tão bíblica. Um náufrago que é salvo por uma barca que leva à terra prometida (deveria ter contado se eram oito os casais da barca mais Noé). Uma festa do infantário que é precisamente a encenação da entrada nos animais na barca. Um lugar alto onde vai ser sacrificado um inocente, filho único, um cordeiro, no dia do juízo final, no dia em que o sol se apaga. Um altar onde vai ser sacrificado um criminoso, sob o olhar do Crucificado. E a última afirmação de Dexter, com que encerra a temporada, quando se apercebe que alguém o vê a assassinar um criminoso: “Oh God”.


quarta-feira, 20 de março de 2013

A penhora do Cristo-Rei e o beijo do cardeal



Ontem Belmiro de Azevedo disse que se não houvesse salários baixos, não haveria emprego. De imediato foi contrariado. Em particular, porque com salários baixos as pessoas pouco compram nas lojas do Sr. Sonae. E em geral, porque como alguns dizem, o consumo é que cria emprego, não os patrões (o que também não é linearmente verdade, mas não adianta entrar aqui em pormenores).

Em todo o caso, o que muito me admirou foi os patrões pedirem o aumento do ordenado mínimo. Não sei se a notícia era a mesma, porque desde há uns anos ver notícias na televisão, cá em casa, é coisa quase impossível a horas decentes, mas estava certamente no mesmo bloco temático.

Os patrões acham que o ordenado mínimo é curto. É mais do que curto, é miserável. Mas porque não o aumentam? É preciso o Estado aumentar o ordenado para os patrões o seguirem? Confesso que ver patrões queixarem-se que o Estado devia aumentar o ordenado mínimo foi dos episódios mais surreais dos últimos tempos.

E vai daí, fui ler a entrevista que Belmiro de Azevedo deu ao “Público” no dia 10 de março. Partilho agora estas pérolas, com destaque para o beijo do cardeal por o engenheiro ter evitado a penhora do Cristo-Rei. Também achei piada à sugestão de ler “O Mundo de Sofia” (da?) para ficar a saber tudo sobre filosofia e fé.


Revista 2 - É um homem católico?
Belmiro de Azevedo - Sou baptizado. Não fiz a segunda comunhão e agora vejo-me à rasca para rezar o terço. É o tal problema. Uma vez fui com a minha mulher a Coimbra quando morreu a irmã Lúcia e fui apanhado na fila e transformaram-me logo em crente. Não tenho nada contra. Esta história dos milagres não me incomoda nada. Quem acredita acredita.
Até há bem pouco tempo a Sonae era a única entidade a ter ganho uns milhões com o negócio em televisão?

... TVI?
De alguma maneira contratámos alguém, o José Eduardo Moniz [ex-director geral], que acabou por vir a ser, provavelmente, a pessoa mais importante da TVI dos últimos anos. Ele não tinha emprego. Conhecia-o de quando estudámos a entrada [da Sonae] na televisão. E, então surgiu aquela hipótese, pois a Igreja estava com alguns problemas.

Estamos em 1998 [aquisição e venda de créditos da TVI pela Sonae Tecnologias]?
Sim. Até levei um beijo na testa do cardeal-patriarca que estava no Centro Cultural de Belém. Fui ter com o João Salgueiro [presidente da CGD] para saber se a CGD ia executar a penhora que estava a garantir a dívida da Igreja. Sabem o que estava penhorado? O Cristo-Rei e o Santuário de Fátima. A Sonae assumiu a posição na TVI e assegurou que ia estudar uma solução que possibilitasse à CGD não fazer a penhora. As responsabilidades foram transferidas para nós. Estivemos lá mais ou menos seis meses. O Paes do Amaral arranjou o dinheiro, levantou-o e pagou tudo.

(…)
Como é que olha para a decisão de Bento XVI de resignar?
O Papa de quem mais gostei foi o João Paulo II. Sabe porquê? Porque era jogador de futebol. É outra louça. Uma vida frugal. Nesse aspecto senti-me mais próximo dele.

Compreende a decisão de Bento XVI?
Já devia ter feito há mais tempo. Uma vez, numa entrevista, na televisão, o bispo de Setúbal apertou-me: "Mas você tem ou não tem fé?" Respondi-lhe: "Se calhar a minha fé não é a sua definição de fé." Ter fé é diferente de se saber que o mundo vai ser diferente e que devo adaptar-me a essa mudança. Tenho fé de que o mundo vai ser sempre melhor. Agora, quem é o artista que está por detrás, quem fez o Universo... Devem ler o livro "O Mundo da Sofia" [Jostein Gaarder] e ficam a saber tudo sobre filosofia e sobre fé. A ideia de que existe um ser humano que concentra todos os poderes e insistir que um indivíduo, quando se sabe que não há nenhum corpo humano que não fique cada vez mais debilitado à passagem do tempo, deve ser Papa até ao fim, é uma coisa tola.

A Igreja deve adaptar-se aos novos tempos?
Há medida que a idade avança, até podemos ficar mais sábios, mas somos sábios mais ignorantes. Portanto, o Papa tomou a decisão correcta e a minha convicção é que daqui para a frente não voltará a haver cargos vitalícios. Foi esta, aliás, a decisão que tomei quando disse que não queria ter lugares executivos no grupo com mais de 70 anos. Vou fazer outras coisas que podem ser mais úteis.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Do tempo em que Jesus queria que as pessoas fossem ricas


Larry Hagman, que morreu há dias, o J.R. Ewing da série "Dallas", que usava um chapéu feito em São João da Madeira, foi, enquanto ator da série, símbolo de uma geração "à qual em breve iriam dizer que se podia ser ganancioso, e que lia nos autocolantes dos carros que Jesus quer que as pessoas sejam ricas".

Li no "Público" de ontem. A parte que citei aparece citada. Julgo que o autor dela é David Jacobs, argumentista da série, em declarações ao "The New York Times". O matutino português não é claro.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Puseram droga no chá do Papa


O canal franco-alemão Arte começou a exigir uma série chamada “Ainsi soient-ils”, "Assim sejam".

Parece que os atores são bons e a produção é cuidada, ainda que, pelo trailer, não faltem os clichés (os sinos, o escuro, o canto gregoriano, o rapazinho que de certeza tem um segredo sexual para contar...) sobre essa entidade que atrai e não deixa de seduzir ao mesmo tempo que é odiada, que não pára de  surpreender mesmo quando se pensa tudo saber dela. Chama-se Igreja católica.


Acontece que algumas coisas, se não são mentira – é ficção, claro – são pouco verosímeis. O Bispo de Gap e d’Embrun (França), D. Jean-Michel di Falco Léandri, que já viu a série toda, deplorou a transmissão do seriado televisivo […] que agride à Igreja Católica ao apresentar aos seminaristas, sacerdotes, bispos e inclusive ao Papa, envolvidos em histórias de corrupção, alcoolismo, sexo, abortos e luta de poderes, entre outros temas. Li aqui.

Continuo a citar: Para "coroar" tudo, refere D. di Falco, “Ainsi soient-ils” apresenta um presidente da Conferência Episcopal da França "isolado, ambicioso, imbuído de poder, desalmado, calculador, que prepara uma campanha para sua reeleição ao estilo dos homens maus da política. Tudo sob a autoridade de um Papa carnavalesco, preguiçoso e mal-humorado, submetido à vigilância de uma religiosa bigotona que o droga… quando lhe prepara o chá".

Com isto tudo, é claro que quero ver a série.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Série sobre os Bórgia, hoje no AXN

Começa hoje a série "Os Bórgia", com Jeremy Irons no papel de Alexandre VI. Passa no canal AXN, às 22h25.




Sendo sobre a família Bórgia, que deu à Igreja o Papa Alexandre VI e inspirou "O Príncipe" de Maquiavel, pode-se esperar desta série quase tudo: luxúria, poder, intrigas, sangue, dinheiro, arte.


A promoção do canal diz o seguinte:
Os Bórgia é um retrato complexo e cru de uma das famílias mais intrigantes da História. Jeremy Irons interpreta Rodrigo Bórgia, o astuto e manipulador patriarca da família, que se move nas mais altas esferas do poder da era renascentista. A série começa quando Rodrigo Borgia se torna Papa Alexandre VI. A história desta série acompanha ainda os seus filhos Cesare (François Arnaud), Juan (David Oakes) e a sua bela e escandalosa filha Lucrezia (Holliday Grainger). Os Bórgia segue a ascensão desta família até se tornar na mais poderosa e influente do Renascimento italiano e que viria mais tarde a inspirar Maquiavel (“O Príncipe”) e Mário Puzo (“O Padrinho”). Os Bórgia é da autoria de Neil Jordan, realizador de “Jogo de Lágrimas” premiado com um Óscar da Academia, responsável também pela produção executiva e que realiza ainda os 2 primeiros episódios.
Para já, parece-me que a figura de Alexandre VI, do ponto de vista estético, sai beneficiada com Jeremy Irons.





Vai ser uma série boa para conhecer este período da história da Igreja e do mundo e para catar incongruências históricas, como a Colunata de Bernini, que se vê no trailer (pode ser que seja só no trailer), numa época em que o escultor ainda não tinha nascido. Aliás, no tempo de Alexandre VI, ainda nem a Basílica de S. Pedro como a conhecemos tinha sido construída.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Padres que não sabem os Dez Mandamentos


Um programa satírico da tv italiana (o canal é de Berlusconi, mas isso é irrelevante) andou pela rua a perguntar aos padres se sabiam os dez mandamentos. De certeza que muitos sabiam. E esses não passam na peça. Mas espanta-me que alguns não saibam. E, ainda mais, os rodeios que fazem para se safarem de os nomear em concreto. E há transeuntes que ajudam os padres. Ver aqui.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

Tem dúvidas sobre Jesus? O Papa responde na TV

Numa iniciativa inédita, o Papa vai à televisão pública italiana (RAI) responder a perguntas sobre Jesus Cristo. O programa, previamente gravado, é transmitido no dia 22 de Abril, Sexta-feira Santa, ao início da tarde, à hora provável em que Jesus morreu.

A “aparição” do Papa acontece no programa “A sua Immagine” (“À sua imagem”), que em breve vai abrir um espaço na Internet para captar perguntas dos telespectadores. O Papa responderá a três (não sei se o programa todo é sobre apenas três perguntas, ou se responde a três entre outras).

“Podemos escolher três perguntas especialmente significativas. Ou reagrupá-las por matérias para ver quais são os assuntos que mais interessam ao público”, afirmo Rosario Carello, apresentador do programa, ao “Corriere della Sera” (li aqui).

A ideia do Papa responder a perguntas dos ouvintes sobre Jesus é, digamos, estimulante. Se eu pudesse colocar uma pergunta ao Papa, qual seria?


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A melhor pergunta para colocar a Deus

Hoje é emitida a última entrevista de Larry King na CNN. “Larry King Live” é o programa que há mais tempo passa na televisão, com o mesmo autor e no mesmo horário. Está no Guinness. Cinquenta mil entrevistas depois, o homem dos suspensórios suspende o programa.

No “Público” de hoje diz-se que “ainda lhe faltava entrevistar Deus e Bin Laden”. Se pudesse entrevistar Deus, perguntava-lhe, e cá está uma pergunta genial: “Tem um filho?”

sábado, 17 de abril de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

As freiras vão à Oprah


Oprah Winfrey mandou fazer uma reportagem no Convento das Irmãs Dominicanas de Maria, do Michigan - a única comunidade que aceitou deixar entrar uma câmara de filmar. (Uma das comunidades, da Califórnia, nem conhecia o programa da Oprah.) E convidou irmãs para o seu programa.

As freiras do convento do Michigan têm uma média de idades de 26 anos. O resultado final, em quatro partes, é curioso. Passou na ABC no dia 8 de Fevereiro deste ano. Apresenta-se a primeira de quatro partes (com umas interferências pelo meio). No final da visualização surgem os links para as outras.

Pio XII na Rádio Vaticano

Pio XII disse no dia 24 de Agosto de 1939, uma semana antes de começar a II Guerra Mundial, nos microfones da Rádio Vaticano:

“Iminente é o perigo, mas ainda é tempo. Nada é perdido com a paz. Tudo pode ser com a guerra” (em italiano, aqui).

E escreveu uma encíclica, "Miranda Prorsus" (8 de Setembro de 1957), sobre a rádio, a televisão e o cinema. Pode ser lida em português, aqui.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"Última Ceia" no espaço


Mais “Últimas Ceias”.

A de cima refere-se à mini-série “Galáctica” ("Battlestar Galactica"). Lembro-me de ter visto na televisão, no início da década de 1980, uma série com o mesmo nome. Em 2003 a série foi recriada em dois episódios. A imagem foi-me sugerida pelo ensaísta e escritor João de Mancelos.

Por falar em espaço, a segunda é a “Última Ceia” com personagens da “Guerra das Estrelas” ("Star Wars").

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

"Última Ceia" e os Simpsons


Depois da "Última Ceia" davincinana citada por séries dramáticas ("Perdidos", "Sopranos" e "Dr. House"), chega a altura da encenação por figuras do cinema de animação, a começar pelos Simpsons, que foram referidos com apreço há pouco tempo no L'Ossevatore Romano, jornal oficial do Vaticano. Ver aqui.

A segunda imagem surgiu no final do episódio intitulado "Thank God, It's Doomsday" ("Obrigado Deus, é o dia do Juízo" ou "do Apocalipse"). Passou no dia 8 de Maio nos EUA.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Última Ceia - Sopranos

A recriação da “Última Ceia” pela cultura popular, como no caso da série “Perdidos”, tornou-se banal. Há dezenas e dezenas de adaptações, citações, paródias, subversões, etc. do quadro de Leonardo da Vinci. A imagem acima, retratando a família Soprano, foi feita pela fotógrafa Annie Leibowitz em 1999.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

"Última Ceia" promove "Perdidos"

A imagem que aparece no Público


A imagem que aparece no DN

Só vi uns minutos de “Perdidos” (“Lost”), há dois ou três anos, pelo que não sei o nome de um único personagem (talvez no final deste post já saiba) da série de 111 episódios cuja última temporada começa hoje nos EUA, embora saiba do essencial da história. Estão perdidos numa ilha, após a queda de um avião. É quase impossível não saber, tantas são as referências na imprensa ao longo dos últimos anos. Entrou na cultura popular.

Tanto o "Público" como o "Diário de Notícias" trazem hoje imagens promocionais da série (ambas ampliáveis). Imagens que se inspiram na “Última Ceia” de Da Vinci.

O DN diz que por estar John Lock ao centro, no lugar de Jesus, talvez seja ele o salvador.

sábado, 12 de setembro de 2009

Mike Bongiorno e Paolovi


No P2 do "Público" de hoje, Pedro Mexia escreve sobre Mike Biongiorno, um italo-americano apresentador de televisão, conhecido pelas suas “gaffes” e protótipo do “homo televisivus”. Morreu no dia 8 de Setembro deste ano. Sobre Mike Bongiorno há um ensaio de Umberto Eco, citado por Mexia (“Fenomenologia de Mike Bongiorno”, no “Diário Mínimo”). Escreve Eco em 1961, conforme cita Mexia: “A situação nova que se coloca a respeito da TV é esta: a TV não oferece, como ideal para o ensimesmamento do indivíduo, o superman, mas sim o everyman. A TV apresenta como ideal o homem absolutamente mediano”.

É elucidativo sobre a época em que vivemos, em que a comunicação “mais do que instrumental” é “ambiental”, como afirmou D. Manuel Clemente nas recentes jornadas de Fátima dos meios de comunicação de inspiração cristã.


E agora a pequena história

Em Mike Bongiorno as gaffes eram abundantes. “Não se envergonhava da sua ignorância, fazia gala de não aprender nada e multiplicava os erros embaraçosos em directo e ao vivo”, diz Mexia. E destaca este: “O apresentador leu mal «Paolo VI» e confessou de imediato que não fazia ideia quem fosse esse sujeito, o senhor Paolovi”.


[Como o colunista do "Público", também eu pensava que Mike Biongiorno era uma figura ficcional, à semelhança do albanês Milo Temesvar dos “Apocalípticos e Integrados”, que não existe, mas fez editores e críticos procurarem “espasmodicamente” as suas obras, como afirma o próprio Eco].

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...