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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Ferreira Fernandes: "E pouco se falará do que se passou ontem"

Ferreira Fernandes no DN de hoje.


Em agosto de 1944, os oficiais alemães acusados de participar no atentado falhado contra Hitler foram julgados em Berlim. Iriam ser todos fuzilados, mas a condenação começou logo no julgamento. Todos os réus tinham calças largas e sem cinto. Quando se levantavam, agarravam-se às calças numa posição ridícula. Em 1952, o PC checoslovaco organizou o Processo de Praga contra ex-dirigentes comunistas caídos em desgraça. À entrada dos réus no tribunal, assistentes, advogados e juízes gargalharam porque os 14 detidos tropeçavam nas calças largas e sem cinto. Onze foram condenados à morte e executados (há um belo filme, A Confissão, de Costa-Gavras, sobre o processo). Ontem, dezenas de soldados ucranianos foram passeados numa avenida de Donetsk, na região leste da Ucrânia controlada por separatistas pró-russos. Os soldados iam de mãos amarradas nas costas e eram escoltados por baionetas e insultados pela multidão nos passeios. Depois de eles passarem, dois camiões de água varreram o asfalto, como que a limpá-lo, e a multidão riu. Era muito importante que os factos históricos - e ontem é também História - fossem lidos como as peças de Shakespeare. O trágico e o rir vão muitas vezes a par. E quando assim é, é porque a tragédia ainda é maior. Na tragicomédia "A Tempestade", Shakespeare quer mostrar que o mal existe - é preciso que se saiba que ele existe para o combater, porque derrotado nunca será. Estás a ouvir, Europa?

quarta-feira, 6 de março de 2013

Páscoa

Assim te alimentarás da morte, que se alimenta de homens, e, morta a morte, nada mais morre.

Shakespeare

sábado, 6 de agosto de 2011

Paulo on the beach

Há tempos, na praia, ouvi a seguinte conversa entre dois adolescentes:
- "Penso, logo existo". Jean-Paul Sartre.
- Não é Sartre, é Sócrates.
Muito me admirou o conhecimento do nome Jean-Paul Sartre.


Ontem, encontrei a seguinte imagem algures na rede. Há quem diga que Shakespeare foi católico (aqui). Talvez nalgum ponto da sua obra cite S. Paulo. Intriga-me o significado do segundo W. 

sexta-feira, 23 de abril de 2010

23 de Abril de 1616. Morre Shakespeare

Estátua no túmulo de Shakespeare, em Strantford.
Na pedra tumular (não a da imagem), está escrito:

Bom amigo, por Jesus, abstém-te
de profanar o corpo aqui enterrado.
Bendito seja o homem que respeita estas pedras,
e maldito o que remover meus ossos.

William Shakespeare nasceu no dia 23 de Abril de 1564, foi baptizado no dia 26 seguinte e morreu no dia 23 de Abril de 1616. Há muito mistério sobre a sua identidade do mais influente dramaturgo de sempre. E de vez em quando corre a "suspeita" de que era católico (ver aqui um dos elementos mais recentes sobre o assunto).

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Shakespeare era católico?

Há muito que se diz que Shakespeare talvez fosse católico. A mundividência da sua dramaturgia parece católica. Há referências a ritos católicos (mas nessa época os ritos anglicanos ainda não eram muito diferentes dos católicos). Os seus pais eram católicos (o testamento do pai, John Shakespeare, segue um modelo de Carlos Borromeu, cardeal, bispo de Milão). Há uma visão dramática que os especialistas dizem ser católica (o pecado e a graça, a redenção).

Talvez Shakespeare seguisse a “Old Faith” às escondidas, numa época em que não se podia ser papista em Inglaterra. Nas peças, algumas delas tendo como palco a católica Itália, há referências aos sacramentos católicos. Aparecem padres (que na Inglaterra isabelina eram perseguidos). E o fantasma com que Hamlet fala descreve um mundo que os católicos identificariam como sendo o purgatório.

Agora o I (aqui) e o JN (aqui) vêm dizer que durante uns anos o dramaturgo foi peregrino em Itália, deixando o seu nome inscrito, indirectamente, num livro de peregrinos.

Explica o I: O livro a que se refere [o padre Andrew Heaton, vice-reitor do Venerable English College, um seminário romano para sacerdotes católicos ingleses] está assinado em 1585 por um certo Arthurus Stradfordus Wigomniensis. Também há referência a Gulielmus Clerkue Strafordiensis, que deixou a sua marca no livro em 1589, informa o “The Independent”. Ambos os nomes pertenciam, na realidade, a William Shakespeare. Segundo o vice-reitor, o primeiro nome pode decifrar-se como “(O compatriota) do (rei) Artur de Startford (na diocese) de Worcester”.

Mas existe ainda uma terceira menção, de 1587, noutro livro de peregrinos: Shfordus Cestriensis. Segundo Heaton pode querer dizer “Sh(akespeare de Strat)Ford (na diocese de) Chester”.

E o JN acrescenta que estas referências reportam-se a um período de quatro anos em que se desconhece por onde o autor de "Hamlet" terá andado. Shakespeare abandonou a sua Stratford natal em 1585 e reapareceu em 1592 em Londres, onde começou a sua carreira de dramaturgo. "Há vários anos na vida de Shakespeare dos quais nada se sabe", assinalou Heaton, que aponta como mais provável a hipótese de o poeta ter então visitado Roma como católico clandestino.

sábado, 24 de outubro de 2009

A supernova de Tycho Brahe

O que resta da supernova de Tycho, segundo a NASA (aqui)

Há dias apontei neste blogue o visionamento por parte de Galileu e Kepler de uma super nova, em 1604 (aqui). Também Tycho Brahe viu uma, em 1572, na constelação de Cassiopeia, e ficou estupefacto com a “nova estrela”, que contradizia a imutabilidade dos céus. Esse facto terá sido determinante para seguir a carreira da astronomia. Em 1573, publica a obre “De nova stella” e é daí que vem o termo “nova” aplicado a este fenómeno. Há quem defenda que a "estrela que arde" referida pelo guarda Bernardo no início de "Hamlet" é esta supernova. A peça de Shakespeare, terminada em 1601, passa-se... na Dinamarca.

O livro onde Tycho Brahe descreveu a "nova estrela"

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Tyndale mais influente do que Shakespeare

William Tyndale, que actualmente é venerado pelos anglicanos, mostra, como Miguel Servet, que a intolerância quinhentista e seiscentista não era um exclusivo da Igreja católica (que também condenou o trabalho de Tyndale).

Sobre o trabalho deste mártir anglicano (ex-frade franciscano), o católico Tomás Moro disse que encontrar erros na sua Bíblia (isto é, na parte traduzida e disponível) era tão fácil encontrar água no meio do mar. Porém, a tradução de Tyndale foi muito influente, quer em termos religiosos, no afastamento da Igreja inglesa em relação a Roma, quer em termos linguísticos. A Bíblia do Rei Jaime (King James) segue em grande parte a tradução de Tyndale, ao ponto de se dizer que este tradutor influenciou mais o inglês moderno do que Shakespeare.

As divergências entre Moro e Tyndale geraram vários escritos de parte a parte. Moro acusava Tyndale de erros de tradução como “congregação” em vez de “igreja”, “ancião” em vez de “presbítero”, “amor” em vez de “caridade”… O texto de Tyndale já veiculava uma reforma.

Impõe-se um esclarecimento: quem matou Tyndale? Leio várias referências que dizem que a fogueira aconteceu por influência de Henrique VIII (que desde 1534 se separara de Roma), e nesse sentido vai o apelo para que o Senhor "abra os olhos ao rei", mas também se diz, ainda que não taxativamente, que morreu às mãos dos “católicos romanos”. Vou procurar a resposta em fontes impressas.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...