As dez horas da série televisiva A Bíblia comprimidas em duas horas e picos. É difícil imaginar que isto alguma vez tenha sido bom, mas assim em versão digest (quem nem por isso deixa de parecer longuíssima) é uma penitência que só se aguenta em nome dos mais inconfessáveis pecados de cada um. Sem sentido de estrutura ou de dramaturgia, limita-se a atirar umas figuras para a paisagem e a ilustrar uma espécie de greatest hits da Bíblia, saltando de episódio célebre em episódio célebre, sempre sem contexto, sem olhar, sem construção. Sem crítica, também, no sentido em que não propõe nenhum pensamento sobre as personagens e as histórias, tal como remove cuidadosamente o pensamento de Jesus Cristo, reduzido ao estereotipo do milagreiro espectacular. O cinema filma esta história desde os primórdios, e de DeMille a Mel Gibson, de Oliveira a Zeffirelli, a vida de Cristo já serviu para muita obra-prima e para muito pastelão. O Filho de Deus é tão mau que põe tudo numa perspectiva nova: ao pé dele, até Gibson é parecido com DeMille, até Zeffirelli é parecido com Oliveira - pois ao menos tinham alguma ideia, minimamente pessoal, sobre o que estavam a filmar. Uma ideia estética, no limite. É finalmente o que mais impressiona neste Filho de Deus que não passa de um tristíssimo enteado dos deuses cinematográficos: a sua completa cegueira aos dois mil anos de trabalho que a arte ocidental leva sobre a representação destas figuras e destas histórias. Apenas uma inóspita fealdade, o nulo total, caso para dizer, com propriedade, que eles não sabem o que fazem.
sexta-feira, 28 de março de 2014
Jesus Cristo, o milagreiro espectacular
sábado, 15 de março de 2014
Noé
É altamente improvável vir a ver o filme no cinema. Mas até gostaria.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Filme: "Em nome do...", de Malgoska Szumowska
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
O papânico
A Igreja chamar-lhe-á tradição. Mas, de facto, muitos dos rituais, aquelas vestes, são anacrónicos. Ou pelo menos incompreendidos para a maioria, que é outra forma de anacronismo. Como o cura vestido de preto e rendas que dizia para o rapaz de ganga e piercings que aquilo não eram modos adequados de andar.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Moretti: A Igreja ao serviço do poder e do filme
quinta-feira, 23 de junho de 2011
A coisa perdida
sábado, 11 de junho de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Habemus Papam. Uns gostam, outros não. Como sempre
Boicotemos na bilheteria. Por que temos que financiar a quem ofende a nossa religião? O fato de que devemos conhecer antes de julgar não vem ao caso: não preciso me jogar do sexto andar para entender que poderia me matar.
"Habemus Papam" não trata de bispos, mas da dificuldade de estar à altura das expectativas.
Moretti faz-se intérprete de uma busca da sociedade que pede uma Igreja capaz de amor e de compreensão e que esteja em contacto com todos. Por causa disso, então, acho que o secretário do papa deveria levar para ele o videocassete e fazê-lo ver, porque é estimulante.
Habemus Papam - imagens do filme de Moretti
domingo, 17 de abril de 2011
17 de Abril de 1885. Nasce Karen Blixen
quinta-feira, 3 de março de 2011
3 de Março de 1983. Morre Hergé, criador de Tintin
quarta-feira, 2 de março de 2011
Óscares: Ganhou o cinema espiritual
domingo, 14 de novembro de 2010
“Dos Homens e dos Deuses”, um dos grandes filmes do ano

Estreou na quinta-feira passada o filme “Dos Homens e dos Deuses” (já aqui havia sido referido, mas com um nome ligeiramente diferente).
O “Ípsilon” escreveu isto sobre o filme (prosa de Jorge Mourinha): “Vamos colocar a coisa assim, de modo bruto e peremptório, para não deixar dúvidas: é um dos grandes filmes do ano”.
E isto: “É um filme de resistência: de resistência ao medo, de resistência ao desconhecido, de resistência a tudo aquilo que nos rouba a humanidade (e, por consequência, nos rouba também o divino que há em nós - porque a verdadeira fé, que implica sempre a dúvida, é algo de profundamente humano)”.
E mais isto: “ Estes monges condenados, magnificamente interpretados por um elenco de conjunto onde não há vedetas que se safem, nunca são erguidos a mártires nem a heróis. Beauvois quer-nos apenas fazer compreender o porquê do destino destes homens de um modo que nunca separa os homens da sua fé nem da sua casa, uma comunidade monástica tão parte do próprio tecido da comunidade local que se torna tão argelina como aqueles que ali viviam, uma partilha de uma existência e um apego à terra que transcende divisões de classe, religião ou nacionalidade”.
O melhor é ler o resto aqui.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Cristo e Che Guevara, uma comparação clássica


quinta-feira, 15 de julho de 2010
Depois do Concílio Vaticano IV

sexta-feira, 25 de junho de 2010
Papina Joana, agora em filme
sábado, 27 de março de 2010
Prémio Signis para "O Laço Branco"

O filme “O Laço Branco” ("Das Weisse Band"), aqui referido, de Michael Haneke (filme alemão, realizador austríaco), ganhou o prémio para melhor filme europeu de 2009, atribuído pela Signis – Europa (da Associação Mundial Católica para a Comunicação).
O prémio distingue filmes que aliem qualidade cinematográfica a valores retratados.
Outros premiados por ordem de qualificação: “À Procura de Eric”, de Ken Loach (Reino Unido); “O Profeta”, de Jacques Audiard (França); “Lourdes”, de Jessica Haussner (Áustria); “Welcome”, de Philippe Lioret (França).
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
"O laço branco", um filme à procura de uma explicação para a origem e aceitação do nazismo
Numa aldeia remota, no Norte da Alemanha, vários incidentes vão retirar os seus habitantes da calma monotonia a que se habituaram. Esses eventos, de grande violência, parecem ser rituais punitivos justificados pela fervorosa religião protestante. Até que o professor da aldeia (Christian Friedel) começa a tentar perceber o terrível segredo por detrás de tudo...
sábado, 19 de dezembro de 2009
O Papa precisa de psicólogo – filme de Moretti

“Habemus Papam” estreia em 2010. É o novo filme de Nanni Moretti (em cima, um dos artistas que recentemente esteve no encontro com Bento XVI). Após a eleição, o Papa fica indeciso e não sabe o que fazer. Chama então um psicanalista ao Vaticano (Moretti). As sinopses que já andam na rede dizem que o filme (está a entrar em produção) tanto tende para a comédia como para o drama. O papel do Papa é desempenhado pelo francês Michel Piccoli (em baixo).
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
2 de Novembro de 1975. Morre Pier Paolo Pasolini

Pier Paolo Pasolini morreu no dia 2 de Novembro de 1975, aos 53 anos (nascera a 5 de Março de 1922). Escritor, poeta e cineasta, comunista e homossexual assumido, crítico do governo italiano e da Igreja católica.
Em 1964 filmou “Il vangelo secondo Matteo” (“O Evangelho segundo Mateus”), o mais político dos filmes sobre Jesus Cristo. Para muitos, o melhor filme do género.
Na imagem: Pier Paolo Pasolini, ao centro, e Enrique Irazoqui (Jesus, no filme), à esquerda. Pausa durante as filmagens.
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
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A fé começa precisamente onde o pensamento acaba. Kierkegaard








