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sábado, 26 de agosto de 2017

Os dois maiores erros da história de Portugal

António Rendas, reitor da Universidade Nova (de partida) e durante dez anos reitor dos reitores portugueses, diz que "expulsar os judeus e os jesuítas foram os dois grandes erros de Portugal". Fica registado. Concordo. Li na entrevista do DN de hoje.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Henrique Raposo: O pós-verdade e o pós-pecado

Vale a pena ganhar uma hora a ler o texto de Henrique Raposo no Observador. O texto tinha sido proferido em Coimbra, nas jornadas do CUMN, no dia 1 de abril.


O pós-verdade é o pós-pecado. Aqui.

O sr. é mesmo jesuítico

Li na revista "Ler" desta primavera que José Sócrates "acusou Cavaco de ser «jesuítico»". Passou na TV, mas não vi. Cito o texto de BVA: "Perante a sua própria perplexidade, tratou logo de esclarecer que dizia jesuítico não no sentido neutro de «relativo aos jesuítas» e ao seu fundador, Santo Inácio de Loiola, mas no sentido figurado e popular de «maldoso» (palavra utilizada por Sócrates)". Fim de citação. Registado.

sábado, 24 de outubro de 2015

Primeiro comer, depois filosofar

A fé cristã não é uma experiência que se possa planificar primeiro para a ter depois conforme se previu. Não resulta de uma qualquer racionalidade laboratorial. Impõe-se com a sua própria dinâmica à consciência daquele que reflete sobre ela. É claro que viver e pensar são dois momento que se devem conjugar no itinerário da fé. Mas convém notar que existe, aqui, uma ordem de prioridade. Normalmente é o viver que está primeiro; o pensar vem a seguir, procurando acompanhá-lo o melhor que pode.

Domingos Terra, in "A fé da Igreja", Paulus, pág. 131

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Teilhard entrou na grande missa cósmica há 60 anos


Está quase a fazer 60 anos que morreu Teilhard de Chardin. É na sexta-feira. Li um texto sobre o assunto aqui.

As suas relações com os seus superiores nem sempre foram fáceis e, com alguns dicastérios da Santa Sé, foram bastante problemáticas e não poucas vezes ameaçadoras e punitivas, porém, dois papas – Paulo VI e Bento XVI –, sobre o pensamento de Teilhard de Chardin, expressaram juízos de elogio e de alto interesse e apreciação.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Marquês de Fronteira e ligações aos jesuítas


Morreu há dias o Marquês de Fronteira, Fernando Mascarenhas (deixa ver… foi no dia 12 de novembro), que se opôs à ditadura - “marquês vermelho” - e foi mecenas da cultura nos tempos democráticos.

E lembrei-me disto porquê? Não sei da fé do marquês, embora se diga que o funeral teve missa, mas lembro-me de ter lido algures que os Marqueses de Fronteira apoiaram o Padre Carlos João Rademaker (1828-1885), que foi o principal impulsionador da restauração da Companhia de Jesus em Portugal. E julgo que por causa disso, há cerca de uma década, uma edição dos “Monita Secreta” foi apresentada no Palácio dos Marqueses de Fronteira.

O livro “Monita Secreta” (“Instruções secretas”) são umas falsas instruções da cúpula dos jesuítas, escritas por um polaco dissidente dos jesuítas, no princípio do séc. XVII. Há quem diga que os “Monita Secreta” estão na origem de toda a literatura conspiracionista. E não digo mais, caso contrário, ainda levo o leitor a engrossar as fileiras dos que acreditam nos conteúdos do livro. Aliás, nem devia ter falado nisto.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Certeza

É nas questões em que faltam certezas que se pode experimentar a certeza de uma amizade.

Matteo Ricci, Máxima 26 do seu "Tratado da Amizade"

domingo, 2 de novembro de 2014

Máxima 50 de Matteo Ricci

Os amigos são superiores aos pais pois estes podem não se amar, aqueles não. Quando os membros de uma mesma família não se amam, os laços de parentesco permanecem. Retirai o amor à amizade, e ela não terá mais razão de ser.

Matteo Ricci, máxima 50 do seu "Tratado da Amizade" 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Padres na moda e os sobrinhos de Deus

Texto do P.e Gonçalo Portocarrero de Almada no "Público" de anteontem. Se os padres da moda referidos na opinião forem os mesmos padres da moda que Zita Seabra apontou no lançamento do livro de conversas dos dois, digamos que eles não gostam de certas companhias. E o Papa também está na moda.

domingo, 6 de outubro de 2013

Como reformar o Vaticano

Thomas J. Reese

Por estes dias em que se tem falado da reforma da cúria vaticana, veio-me à memória um artigo que li há uns tempos sobre “Reformar o Vaticano”. O autor do artigo é Thomas J. Reese, um jesuíta.

Em português, o padre norte-americano que já foi diretor da revista “America” tem publicado o livro “No interior do Vaticano”, nas edições Europa-América, que é de longe o melhor livro em português, mesmo que haja outros sérios (conheço mais dois ou três, mas são panfletários) para perceber como funciona a organização vaticana (funções papais, sínodos, colégio dos cardeais, cúria romana, finanças do Vaticano, etc.).

E agora a nota de humor. Conta Reese, na página 197:
“O consultor de uma congregação organizou os cinco «não» para se sobreviver na Cúria:
Não penses.
Se pensas, não fales,
Se pensas e falas, não escrevas.
Se pensas e falas e escreves, não assines o teu nome.
Se pensas e falas e escreves e assinas o teu nome, não fiques surpreendido.”
Ele sabe do que fala. Ora, no tal artigo - não está no livro citado -, Reese explica seis propostas concretas para a reforma do Vaticano. São elas:

1. Transformação do Vaticano de uma corte real para uma burocracia.
2. Fortalecimento dos grémios legislativos na igreja.
3. Transformação das congregações em comissões sinodais eleitas.
4. Criação de um poder judicial independente.
5. Eleição dos bispos.
6. Fortalecimento das conferências episcopais.

Antes de estranhar ou contrariar algumas destas proposições, convém ler o que Reese escreve em concreto. O artigo, condensado, pode ser lido aqui (formato PDF).

Tenho quase a certeza de que o Bispo de Roma – uma vez jesuíta, jesuíta para sempre – conhece o artigo.

Thomas J. Reese termina assim:
¿Qué oportunidades reales tenemos de que estas reformas se produzcan? Como sociólogo debo contestar: prácticamente nulas. La iglesia está regida actualmente por grupos que se refuerzan unos a otros y que saben perfectamente que esta reforma restringiría su poder. Y esto es exactamente lo contrario de su teología de la iglesia. Pero como cristiano católico debo seguir esperando.
Há tempos, no rescaldo das congregações gerais e da eleição papal, o jesuíta voltou ao tema no "National Catholic Reporter". Escreveu, entre outras coisas, o que quase já me pareceu ouvir da boca de Francisco:
My own prescription for reforming the Curia is based on the supposition that it should be in service to the pope as head of the college of bishops. It should be organized as a civil service and not part of the hierarchy of the church. 
Ler tudo (no NCR) aqui.

sábado, 21 de setembro de 2013

Três dedos que apontam para o Papa

O Papa deu uma entrevista a 16 publicações dos jesuítas. Um dia é um texto no "Repubblica", no outro uma entrevista (que esteve em tantas mãos durante um mês e ninguém se descaiu), mais uma encíclica, um sermão diário e não sei quantas comunicações por semana... Ufa. É difícil tem pedalada para o Papa. Já com os outros assim era. Mas quanto aos outros, poucos lhes ligavam. Com este, há uma certa pressão mediática e social e que nos diz: "Já ouviste o que o Papa disse". Na verdade, já não ouço muito do que o Papa diz. Vou ouvindo umas coisas. E por vezes guardo para ler mais tarde, o que, nestes tempos de informação torrencial, quer dizer nunca. Da entrevista jesuítica, cheguei a este ponto. E procurei as imagens.

 Três dedos que apontam para Mateus (clique para ver bem)
Vindo a Roma sempre vivi na Via della Scrofa. Dali visitava frequentemente a igreja de São Luís dos Franceses e ali ia contemplar o quadro da vocação de São Mateus, de Caravaggio». Aquele dedo de Jesus assim… dirigido a Mateus. Assim sou eu. Assim me sinto. Como Mateus. É o gesto de Mateus que me toca: agarra-se ao seu dinheiro, como que a dizer: “Não, não eu! Não, este dinheiro é meu!”. Este sou eu: um pecador para o qual o Senhor voltou o seu olhar.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Jesuíta por jesuíta

Completa-se amanhã um ano que morreu o jesuíta Martini, que muitos dizem ter podido ser papa. Quem há um ano diria que hoje teríamos um papa jesuíta?

terça-feira, 28 de maio de 2013

Solução «jesuítica» para falar de temas tidos como controversos


Um dia convidaram Carlos González Vallés para fazer uma série de conferências num país da América Latina sobre “Espiritualidade Oriental”. Quando já tudo estava tratado, incluindo as passagens aéreas, telefonam-lhe a dizer que tudo fora cancelado em certa diocese, porque o bispo não autorizava tais palestras. Certamente, o bispo não conhecia o jesuíta espanhol com longos anos dedicados à Índia.

Carlos González Vallés manteve a viagem. Se não podia falar em público, dedicar-se-ia ao turismo, “que é mais divertido”. Mas quando chegou ao aeroporto, receberam-no e disseram-lhe que estava tudo pronto e que no dia seguinte iniciariam as conferências. O que acontecera?
Conta o jesuíta:
Todo o «oriental» era perigoso, e isso bastava para proibir-me de falar. Mas tampouco meus anfitriões eram tolos. Voltaram à presença do bispo, disseram-lhe que acatavam obedientemente a suas decisão e que eu, como consequência, falaria em minhas palestras de um tema diferente: «Espiritualidade inaciana». Algum problema? Nenhum, plena bênção episcopal. Ela me foi transmitida no aeroporto por meus amigos, que acrescentaram: «Agora você fala tranquilamente o que preparou». Solução «jesuítica». Atrapalharam o meu turismo.

Adaptado das páginas 71-72 de “Querida Igreja” (Paulus - Brasil)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Scorsese faz um filme sobre os jesuítas portugueses no Japão


Scorsese vai finalmente filmar a adaptação de "Silêncio", romance de Shusaku Endo que fala dos missionários jesuítas no Japão que renegam a fé durante as perseguições dos poderes nipónicos.

No papel de Sebastião Rodrigues, o jesuíta que é enviado para investigar o caso, estará Andrew Garfield, que há pouco fez de Homem-Aranha.


Há muito que se falava deste filme do ex-seminarista Scorsese. Parece que deste vez é que é.

Da notícia do "Público" de hoje:
Em declarações à revista Variety, Scorsese disse que Silêncio é um filme sobre as raízes da fé religiosa, uma questão que o acompanha desde a infância e que já explorou em filmes como A Última Tentação de Cristo (1988) ou Kundun (1997). Em A Última Tentação de Cristo, que valeu a Scorsese uma nomeação para o Óscar de Melhor Realizador, Jesus Cristo, apesar do chamamento de Deus, é tentado a viver a vida de um mortal. 
“É algo que sempre fez parte da minha vida. Para as pessoas que estão de fora é difícil entender o mundo em que eu cresci, o do catolicismo romano na Nova Iorque dos anos 1950. Fiquei tão impressionado que tentei fazer parte desse mundo mas aos 15, 16 anos percebi que era muito mais duro e complicado do que eu tinha pensado…em termos de vocação”, disse ao site da revista Variety. 
Scorsese leu pela primeira vez o romance de Shusaku Endo há 25 anos, quando o arcebispo Paul Moore lho enviou, na sequência de um visionamento de A Última Tentação de Cristo. O realizador recorda que o livro o marcou pela sua “simplicidade complexa” e por se tentar “ libertar dos dogmas e tentar lidar apenas com a essência…da Cristandade, de Jesus". Após ter lido o livro o realizador começou imediatamente a trabalhar na sua adaptação ao cinema, com o argumentista Jay Cocks, seu colaborador regular. Entretanto interrompido por outros projectos, o guião só ficou terminado em 1996.

Vida cósmica

A ressurreição de Cristo fundamenta a esperança viva do êxito vitorioso e eterno da grande vida cósmica, êxito que nós não somos capazes de descrever, mas unicamente de pressentir e esperar.

Peter Nemeshegyi

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Lamentações de Rahner e de outros

Lido num livro de Carlos González Vallés:

"Karl Rahner disse pouco antes de morrer que lamentava duas coisas em sua vida; não ter amado mais as pessoas e não ter tido mais audácia com as hierarquias da Igreja. Não quero morrer sem dizer realmente o que penso".

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Santidade versus sabedoria


Inácio de Loiola dizia que
Muita sabedoria unida a uma santidade moderada é preferível a muita santidade com pouca sabedoria.
Teresa de Ávila, que tinha 41 anos quando morreu o fundador dos jesuítas, não sei se conhecendo o dito inaciano, deixou bem claro às suas filhas o critério para escolher um diretor espiritual:
Escolhei um confessor antes sábio que santo.
E comentava ter sofrido muito às mãos de confessores não sábios.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Prudência, Francisco, prudência


Contaram-me uma vez que quando o anterior superior geral dos jesuítas foi eleito, Peter Hans Kolvenbach, este disse “estou aqui” e apresentou-se apenas com uma mala de mão. Dentro da mala havia uma folha em branco e uma esferográfica.

Lembrei-me disto a propósito do Papa Francisco, que, como já várias vezes ouvi, “parece que é Papa desde sempre”, embora só o seja desde 13 de março. Talvez tenha pensado muito nisso durante os últimos oito anos, se teve votos em 2005.


Por estes dias circula por aí esta comparação dos dois Papas. Não creio que a ostentação seja própria de Bento XVI. Julgo antes que Bento, pela sua humildade, vestia tudo o que lhe apresentavam, sentava-se onde diziam para se sentar e, se alguém lhe dava um chapéu antigo e ele o punha, de imediato iam sacudir o pó de outro ainda mais antigo a pensar que o Papa gostava. Nunca dizia não, mas nas coisas do vestir e aparecer, ele era apenas o quarto ou quinto da hierarquia da moda papal.

Já Francisco, para desgosto dos tradicionalistas sentimentaloides, parece que diz não a muita coisa, principalmente a vestimentas e dourados cujo sentido se perdeu. E diz sim a outras como dar beijos a mulheres como forma de cumprimento. Não tarda nada, estão a pedir prudência ao Papa imprudente.

sexta-feira, 15 de março de 2013

O Papa jesuíta não se vai vingar nos franciscanos



Clemente XIV, o Papa franciscano que suprimiu os jesuítas

Muitas coisas têm dito os franciscólogos instantâneos desde quarta-feira à tarde. Mas julgo que ainda não disseram esta: o facto de o primeiro Papa jesuíta (bem, eles já tinham o “papa de negro”) ter escolhido o nome Francisco (podem dizer, como alguns já disseram, que também remete para o Francisco Xavier que queria ir à China, para o de Sales, o Bórgia que também era jesuíta e é santo… enfim, ser Francisco é como uma mulher Teresa, dá para as santas, as santinhas e as santonas) reconcilia os jesuítas com os franciscanos. Não é que as ordens andassem zangadas. Acontece é que foi um Papa franciscano, Frei Lourenço /Clemente XIV, que extinguiu os jesuítas em 1773. Um Papa jesuíta chamado Francisco certamente oferece esta garantia: não se vai vingar nos franciscanos.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...