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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Fernando Guedes e o Verbo

Morreu Fernando Guedes. O nome não me dizia nada até perceber que era o fundador da Verbo (e afinal já lera páginas dele sobre a história da edição em Portugal). Deu-nos livros como a "Apologia", de Henry Newman, ou os "Ensaios ecuménicos", de Yves Congar. E os "Diálogos sobre a Fé", de Ratzinger. Só por estas três obras (todas referidas diversas vezes ao longo deste blogue), já teria feito muito pela cultura católica em Portugal. E por mim. Evidentemente, Verbo tem conotações teológicas.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Nunca mais é dia

A noite está escura
e eu, longe de casa.
...
O teu poder (...)
me conduzirá (...)
até que o dia regresse.

John Henry Newman

domingo, 8 de setembro de 2013

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Adivinhe quem escreveu isto: "Pio não é o último dos papas..."


Quem escreveu isto?

“Pio não é o último dos papas... Tenhamos paciência, um novo concílio e um novo papa polirão a obra”.

a) John Henry Newman em relação a Pio IX
b) Alfred Loisy em relação a Pio X
c) Chesterton em relação a Pio XI
d) Joseph Ratzinger em relação a Pio XII

Resposta: a) John Henry Newman em relação a Pio IX, numa carta a um amigo. Pio é Pio IX e o concílio é o primeiro do Vaticano, interrompido em 1870 devido à reunificação italiana.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Como criticar a Igreja

Num debate sobre a Igreja, entre crentes, é comum a certa altura dizer-se que os mais críticos da Igreja, ao criticarem a Igreja, criticam o próprio Jesus Cristo. Já por este blogue, diversas vezes, andaram conceções semelhantes, que radicam numa eclesiologia que diz que a Igreja é o "corpo místico de Cristo", ou que não é possível ter a foz sem ter o rio todo, servindo-me agora de uma imagem de John Henry Newman.

Walter Kasper, no livro que tenho andado a reler com imenso proveito, vai por outro lado. (E não é, claro,o único.) Diz que acentuar o carácter escatológico da fé (isto é, uma fé aberta ao futuro, nunca completamente realizada no momento presente) implica que se tome a sério a diferença entre Igreja e Reino de Deus, entre Cristo e a Igreja. "Esta não mais pode ter-se a si mesma como representação de Deus ou como Christus prolongatus". Aponta depois o fundamento e, de certa maneira, o modo de fazer boa crítica eclesial, que, a meu ver, assemelha-se muito ao fundamento e ao modo como Jesus Cristo criticou o judaísmo, com base nas Escrituras, sem nunca deixar de ser completamente judeu:
No passado, conseguiu-se muitas vezes, por meio de tal pretensão, ficar imune contra toda a crítica, recusando-se esta como expressão da falta de eclesialidade ou até de descrença. Mas, no caso de se reconhecer que a Igreja possui no Evangelho uma norma prévia e superior, então é viável e susceptível de fundamento teológico a crítica sobre a Igreja. Por derivar do Evangelho e sublinhar o seu carácter escatológico de crise, será mais radical que toda a crítica proveniente do exterior. Toma, por assim dizer, a Igreja pela própria palavra e tenta transformá-la a partir de dentro. Não constitui uma crítica altaneira e distante, a partir de cima, mas uma crítica ativa e passiva, cuja finalidade única consiste em relevar o elemento cristão distinto e decisivo, movendo-o à provocação no meio da Igreja. 
Pág. 182 de "Introdução à fé"

quarta-feira, 9 de maio de 2012

100 anos da "Sal Terrae"



A revista "Sal Terrae", dos jesuítas espanhóis, de Santander, está a comemorar 100 anos. No dia 12 começa a parte mais importante das comemorações e, para o início de junho, está marcado um grande congresso de teologia em Madrid. Não é uma revista que eu leia muito. Não a assino. Mas sempre que dou com ela encontro artigos de grande interesse.


Embora não a referisse na altura, foi nela que encontrei o caso do senhor que gostaria de receber todos os dias, ao pequeno-almoço, o "Times" e uma encíclica papal infalível. Infalibilidade ao pequeno-almoço. Entretando já tropecei várias vezes nesse senhor, que até criticou duramente John Henry Newman.


A revista tem sítio aqui. As edições Sal Terrae geralmente oferecem o primeiro capítulo de cada livro em PDF. A revista não. Mas é possível comprar artigos via sms (2,46 euros), o que facilita muito a aquisição.

domingo, 15 de abril de 2012

Superstição



John Henry Newman (1801-1890), perto dos 20 anos, escreveu uma autobiografia sobre as suas primeiras duas décadas de vida. Em "Apologia" (ed. Verbo), dá-nos alguns excertos desses escritos juvenis. Num deles mostra-se como os sinais cristãos pode ter um uso supersticioso: 
"Eu era muito supersticioso e durante certo tempo antes da minha conversão [quando tinha 15 anos] costumava frequentemente benzer-me quando me dirigia para um lugar escuro".

sexta-feira, 16 de março de 2012

Adivinhe que disse (3)

Quem escreveu isto?


"O amigo que argumenta a favor de Roma invoca a imagem da vinha e dos seus ramos, que se encontra, julgo eu, em S. Cipriano, como se um ramo cortado da vinha católica tivesse necessariamente de morrer".


a) Lutero
b) John Henry Newman
c) Rowan Williams
d) Karl Barth


Resposta: b) John Henry Newman, na página 131 de "Apologia", ed. Verbo, 1974

quarta-feira, 14 de março de 2012

Adivinhe quem disse (1)

Quem escreveu isto?

"Se resolvemos os problemas da fé apenas pelo caminho da autoridade, possuiremos certamente a verdade, mas numa cabeça vazia".

a) John Henry Newman
b) Leonardo Boff
c) Hans Jung
d) Tomás de Aquino

Ler aqui a resposta (selecione): Tomás de Aquino. A frase aparece em Quaestiones quodlibetales, 4. a.18.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Saber e provar



"A existência de Deus é tão certa para mim como a minha própria existência, embora, ao tentar estabelecer as bases lógicas desta certeza, encontre dificuldade em fazê-lo de uma maneira e segundo um esquema que me satisfaçam".


John Henry Newman, in "Apologia" (ed. Verbo), pág. 272

quinta-feira, 2 de junho de 2011

2 de Junho de 1857. Nasce o músico Edward Elgar


O compositor britânico Edward Elgar nasceu no dia 2 de Junho de 1857 e morreu no dia 23 de Fevereiro de 1934. A sua música mais conhecida é, sem dúvida, a ode “Land of hope em glory”, que integra as “Marchas de Pompa e Circunstância”. Uma espécie de hino não oficial do Reino Unido.


Mas Elgar compôs também “The Dream of Gerontius”, em 1900, uma peça para vozes e orquestra, a partir de um poema de John Henry Newman (1801-1890), o convertido do anglicanismo que em Setembro passado foi proclamado beato. O poema descreve a viagem de um crente do leito de morte ao julgamento perante Deus e a sua entrada no purgatório. Esta peça, por vezes dita oratório, teve má recepção no Reino Unido, até porque o poema era claramente católico. Mas é hoje reconhecida como a obra-prima de Elgar.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

10 de Janeiro de 1834. Nasce Lord Acton

John Emerich Edward Dalberg-Acton nasceu no dia 10 de Janeiro de 1834 e morreu no dia 19 de Junho de 1902. Conhecido simplesmente por Lord Acton, este católico inglês foi escritor, político e historiador, reconhecido no final da vida por Cambridge e Oxford (antes, como católico, estas universidades estavam-lhe vedadas). Pensou em escrever uma "Grande História da Liberdade". Sucedeu a John Henry Newman como editor do jornal católico “The Rambler” em 1859.

É dele uma frase muito citada, por vezes atribuída a Churchill (como muitas outras): “O poder corrompe; o poder absoluto corrompe absolutamente”.

Em 1990, foi fundado nos EUA um “think thank” que tem como patrono Lord Acton (e pelo menos um seguidor em Portugal: João Carlos Espada), o Lord Acton Institute, “para o estudo da religião e da liberdade”.

“Inspirado nos escritos de Lord Acton, o grande historiador e pensador moral de Cambridge, o Instituto realiza seminários em inglês, dirige pesquisas e publica livros, ensaios e jornais que invocam a religião como defensora da liberdade”, lê-se na versão portuguesa do sítio.

Outra efeméride de 10 de Janeiro: Tintin.

sábado, 25 de setembro de 2010

Anselmo Borges: Bento XVI no Reino Unido


Contra todas as previsões, a visita de Bento XVI ao Reino Unido foi um êxito. Os próprios media britânicos foram unânimes nesse reconhecimento. Até a sua imagem pessoal saiu suavizada: já não "Rottweiler de Deus" nem um intelectual frio, mas um ancião sábio e simpático.


Porquê? Explica o teólogo José M. Castillo: "Porque, nesta viagem, o Papa não condenou nada nem ninguém. Não proibiu nem censurou. Pelo contrário, reconheceu as suas falhas, pediu perdão, mostrou-se próximo das pessoas. Fê-lo por política, diplomacia ou talvez outros interesses? Fê-lo. E basta. É isso que as pessoas esperam, é disso que as pessoas precisam. O que todos queremos que os outros tenham connosco: respeito, tolerância, humanidade, compreensão e bondade".


De qualquer modo, a figura do intelectual eminente não deixou, mais uma vez, de impressionar. "Obrigado por ter-nos feito sentar e reflectir", disse-lhe o primeiro-ministro, David Cameron, ao despedir-se no aeroporto. "Foram quatro dias incrivelmente emocionantes para o nosso país", garantindo-lhe que "foi escutado por um país de 60 milhões de cidadãos". E foi mais longe: "A fé é parte integrante do tecido do nosso país."


2. Quanto à chaga da pederastia, o Papa foi contundente, não podendo ser mais claro. Logo no avião, criticou publicamente a hierarquia católica por não ter sido "suficientemente vigilante". Reconheceu que a Igreja em geral e, nomeadamente, os bispos e a Santa Sé não foram suficientemente "vigilantes, céleres e decididos" no combate a estes "abusos vergonhosos, que minam gravemente a credibilidade dos responsáveis da Igreja".


Na catedral de Westminster, falou em "vergonha e humilhação", manifestando "profunda dor" pelo sofrimento causado às vítimas destes "crimes inqualificáveis".


Em Londres, encontrou-se com cinco dessas vítimas, dizendo-se "comovido pelo que tinham a dizer e manifestou profunda dor e vergonha pelo que elas e as suas famílias tiveram de sofrer". Assegurou que a Igreja continua a tomar medidas que sejam eficazes e a "colaborar com as autoridades civis e levar à justiça os clérigos e religiosos acusados desses crimes hediondos".


3. Ponto alto da visita foi o discurso perante políticos - para lá do actual primeiro-ministro, encontravam-se os seus antecessores Margaret Thatcher, John Major, Tony Blair e Gordon Brown -, académicos e corpo diplomático, no Westminster Hall, no lugar onde Tomás Moro foi condenado à morte por não querer renegar a sua fé católica.


Sublinhou a importância do diálogo profundo e permanente entre a razão e a fé e de relações boas entre a religião e a política.


Manifestou-se preocupado com a "marginalização crescente" da religião, nomeadamente da cristã: "Há alguns que desejam que a voz da religião seja silenciada ou pelo menos seja remetida para a esfera meramente privada." Contra o secularismo agressivo, defendeu que "a religião não é um problema que os legisladores devam solucionar, mas um contributo vital para o debate nacional".


A ética tem de ser trazida para a actividade económica. Lembrando Moro, foi ao tema essencial da fundamentação ética da vida civil, sublinhando que "se os princípios éticos que sustentam o processo democrático não se regem por nada mais sólido do que o mero consenso social, este processo apresenta-se evidentemente frágil".


4. Beatificou o Cardeal Newman, figura cimeira da cultura, convertido ao catolicismo e um dos "pais espirituais" do Concílio Vaticano II.


Carregados de simbolismo foram o abraço ao arcebispo de Cantuária e primaz da Igreja Anglicana, Rowan Williams, e a presença dos dois, lado a lado, no altar da Abadia de Westminster.

Paradoxalmente, a ordenação católica de clérigos anglicanos já casados pode alisar o caminho para o fim do celibato obrigatório. Ainda há dias, o novo bispo de Bruges (Bélgica), Jozef De Kesel, dizia: "Penso que a Igreja deve perguntar-se se convém conservar o carácter obrigatório do celibato".

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Tolkien, Newman e Bento XVI

Quem é o autor da estátua de John Henry Newman que esteve na cerimónia da beatificação? Pode ser vista na notícia do “Correio da Manhã”, na segunda página, imediatamente abaixo. O autor é Tim Tolkien. E como o nome sugere, é da família do autor do “Senhor dos Anéis”, J.R.R. Tolkien (1892-1973). Bisneto.

Não sei se o Papa gosta de ler Tolkien. Dele li em tempos comentários a C.S. Lewis, amigo de Tolkien, mas todo ele anglicano. Mas a relação no meio disto tudo não tem a ver com gostos literários, pelo menos directamente. É que Tolkien, o bisavô, foi estudante do oratório fundado por John Henry Newman, em Birmingham. Nasceu dois anos depois da morte do cardeal, mas foi aluno do irmão Francis Morgan, um protegido de Newman.

Se Tolkien era um católico convicto (até preferia a missa em latim, aqui), deve-o também a Newman e ao seu Oratório de São Filipe de Neri.

Notícia da BBC com Tim Tolkien, aqui.

domingo, 19 de setembro de 2010

Retratos de John Henry Newman

A National Portrait Gallery, em Londres, tem 32 representações de John Henry Newman (uma escultura, dois óleos e diversas fotos e desenhos, alguns deles quase caricaturas). Podem ser vistos aqui 23 desses 32 “retratos”. Fica-se com uma uma ideia muito plástica do padre feito cardeal por Leão XIII (mas não bispo).

Dois livros de Newman no dia da sua beatificação

1. “Apologia”, das edições Verbo, publicado em português em 1974 (aqui apontado, há tempos), de título completo “Apologia Pro Vita Sua”, é uma história das suas convicções religiosas em cinco capítulos, terminada no dia 26 de Maio de 1864. O autor ainda viveria mais 26 anos, até 11 de Agosto de 1890.

Newman descreve as influências na sua educação, como cresce a sua consciência religiosa, o que escreveu e porquê, a aproximação à Igreja Católica (por via da história e principalmente dos Padres da Igreja – teólogos dos primeiros séculos), mas também o ambiente cultural da Inglaterra e da Igreja anglicana do séc. XIX e até uma defesa contra o que pensavam alguns católicos.

Uma frase: “Desde que sou católico, já me têm por vezes acusado de relutância em fazer conversões; e os protestantes têm deduzido, do facto, que não tenho muita pressa de as fazer. Agir de modo diferente seria contrário à minha maneira de ser; mas, além disso, seria esquecer as lições que recebi na experiência das minha história passada” (pág. 147).

2. “Ensaio a favor de uma Gramática do Assentimento”, de 1870, publicado em português pela Assírio & Alvim, em 2005, é um estudo sobre a aquisição da certeza no conhecimento religioso e teológico, uma espécie de introdução à lógica religiosa que não descura a razão, por quem “aderiu a um realismo ontológico, sereno e crítico”, segundo expressão de Artur Mourão, que escreve na introdução a esta obra que Newman é “uma glória das duas Igrejas, um herói do pensamento cristão e um dos grandes mestres da língua inglesa na prosa, na oratória e sobretudo na controvérsia”.

Na contracapa, Joseph Ratzinger, que hoje como Bento XVI presidiu à beatificação (notícia aqui), conta que quando em 1947 continuou os seus estudos em Munique encontrou “no professor de Teologia Fundamental um culto e apaixonado seguidor de Newman” que lhe deu a conhecer a “Gramática do Assentimento”. E remata: “Com isto ele pôs nas nossas mãos a chave para inserir na teologia um pensamento histórico, ou melhor: ele ensinou-nos a pensar historicamente a teologia, e precisamente desta forma, a reconhecer a identidade da fé em todas as suas mutações”.

sábado, 18 de setembro de 2010

Baptizar extraterrestres

Lendo uns blogues, uns jornais, uns sítios e uns livros, podemos fazer, por vezes, as mais incríveis relações. Não é que a que eu vou fazer seja especial, mas tem a sua graça de coincidência. Vejamos. Hoje de manhã leio a crónica de Anselmo Borges no jornal (leio-a primeiro no papel e só depois a copio do DN digital). Fica-me na mente a ideia de desenvolver uma resposta ao argumento da pequenez humana na imensidão do universo (ou pluriverso, como alguns defendem) enquanto sinal do alheamento de Deus para com a questão humana e, presume-se, da própria inexistência de Deus. Ao mesmo tempo, penso hoje várias vezes em John Henry Newman, um teólogo das minhas preferências há muito tempo. Como se sabe, vai ser beatificado em Birmingham, amanhã, numa celebração presidida por Bento XVI. Ora hoje, em Birmingham, está um velho conhecido deste blogue, Guy Consolmagno, cujo livro “A Mecânica de Deus. Como os Cientistas e os Engenheiros entendem a Religião” esteve várias semanas na montra deste blogue (ver aqui e aqui, por exemplo).

Consolmagno é jesuíta e astrónomo. Foi à terra onde viveu Newman dar uma conferência no British Science Festival, evento que não está relacionado com a visita papal, como é óbvio. Por estes dias afirmou que estaria disposto a baptizar um extraterrestre, “se este assim o desejasse” (li aqui).

Ele explica melhor: “Desde a Idade Média, a definição daquilo que é dotado de uma alma é aquilo que possui inteligência, livre arbítrio, liberdade de amar ou não, liberdade de tomar uma decisão”. Nesse sentido, “toda a entidade – e não importa quantos tentáculos tenha – tem uma alma”. Sendo inteligente, qualquer criatura pode ser filha de Deus pela admissão no baptismo (desde que não seja alérgica à água, como no filme quanto a mim sofrível de Shyamalan, mas de mensagem baptismal, "Sinais": uns extraterrestres que se assemelham ao diabo das apresentações medievais e que só são destruídos pela água, enquanto o pastor passa por uma crise de fé... Está assim explicada a ilustração deste texto, a qual nada tem a ver com Consolmagno).

O que é que isto tem a ver com a questão do grão cósmico que é o ser humano? Muito. Primeiro, podendo não estar só, isso não causa problema teológico de maior (questão há muito debatida). Depois, afirmar a solidão humana no universo pode, afinal, ser apenas um sinal das limitações de quem faz a afirmação. Por outras palavras: é demasiado que o não sabemos sobre o ser humano, o universo e Deus para fazer afirmações peremptórias.

Há, contudo, a questão da missão única da humanidade no universo, já que foi a parte de vida inteligente (supondo que podem existir outras) em que encarnou Jesus Cristo, o Filho de Deus. Mas essa é outra história.

Um textinho de Newman em vésperas de ser santo

Retrato de John Henry Newman
na National Portrait Gallery, em Londres

Conduz-me,
Generosa Luz,
No meio da escuridão que me rodeia.
Conduz-me a Ti!
A noite é toda ela trevas
E estou muito longe de casa.
Conduz-me a Ti!
Guarda meus pés.
Não peço para ver
A paisagem distante.
Um passo é suficiente para mim.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Como o primeiro-ministro britânico vê a visita de Bento XVI

David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, escreve sobre a visita do Papa. No "Público".

"Têm sido feitos vários comentários exagerados de que o Papa Bento XVI visitaria esta semana um país maioritariamente laico. Não concordo com esta afirmação e há muitas evidências em estudos e na participação em serviços religiosos que a contradizem. De qualquer forma, acho que estes comentários falham o alvo. A visita papal deve ser recebida não apenas por britânicos católicos ou pessoas de fé, mas por todos aqueles que acreditam que os grupos religiosos contribuem para a nossa sociedade e que compreendem que, para muitos, a fé é uma dádiva que devemos estimar, não um problema.
Podemos nem sempre concordar com a Santa Sé. Mas tal não nos pode impedir de reconhecer que a sua mensagem nos desafia a procurar respostas para as grandes questões da nossa sociedade e sobre como nos tratamos um aos outros e a nós próprios". Ler mais aqui ou clicando na seguinte imagem da edição impressa.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

"Ele sabe bem do que se trata", texto de J. H. Newman


Deus criou-me para fazer um serviço definido: confiou-me uma tarefa que não confiou a mais ninguém.
Eu tenho a minha missão. Talvez jamais a conheça nesta vida, mas na outra ser-me-á revelada.
Sou um anel de uma corrente, um vínculo de ligação entre pessoas.
Ele não me criou para o nada.
Executarei a sua tarefa. E bem.
Serei um anjo de paz, um pregador da verdade no meu próprio lugar, ainda que apenas observando os seus mandamentos.
Por isso, confiarei n’Ele. O que quer que seja, onde quer que seja, jamais posso ser deitado fora.
Se estiver doente, que a minha doença o sirva.
Se estiver angustiado, que a minha angústia o sirva.
Ele nada faz em vão. Ele sabe bem do que se trata.
Ele pode levar meus amigos.
Ele pode lançar-me entre estranhos.
Ele pode fazer que me sinta desolado, fazer o meu espírito naufragar e esconder-me o futuro.
Em tudo isso. Ele sabe o que faz.

John Henry Newman (1801-1890)

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...