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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Escutar as histórias dos outros


Devemos escutar pessoas que são literalmente estrangeiros, mas também os outros à nossa porta. Os straights devem escutar as histórias que os gays contam e os cristãos as histórias dos judeus ou dos budistas.

Timothy Radcliffe na pág. 237 de "Ser cristão para quê?" (ed. Paulinas)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sem Buda, Paul Knitter não poderia ser cristão



“Senza Buddha non potrei essere cristiano” ("Sem Buda não poderia ser cristão"), obra do teólogo norte-americano Paul Knitter, é o
testemunho pessoal e convincente de quem atravessou a fronteira do budismo para abraçá-lo e depois a atravessou novamente para voltar à própria religião: "O meu diálogo com o budismo – pergunta-se o autor – tornou-se um cristão budista? Ou um budista cristão? Sou um cristão que compreendeu mais profundamente sua própria identidade com a ajuda do budismo? Ou me tornei um budista que ainda conserva vestígios cristãos?"
Foi o budismo que constituiu um dos dois recursos mais úteis (o outro é a teologia da libertação), que lhe permitiram continuar desenvolvendo a sua tarefa pessoal de cristão e de teólogo, permitindo-lhe rever, reinterpretar e reafirmar as doutrinas cristãs sobre Deus (capítulos 1-3), sobre a vida após a morte (capítulo 4), sobre Cristo como Filho único de Deus e Salvador (capítulo 5), sobre a oração e o culto (capítulo 6) e sobre o compromisso para conduzir o mundo rumo à paz e à justiça do Reino de Deus (capítulo 7), na consciência de que, como admite o teólogo na Conclusão, "no final da jornada, a casa para onde eu volto é Jesus" (retirado daqui).
Este segundo título da colecção "Campo dei Fiori", dirigida por Elido Fazi e Vito Mancuso parece estimulante. O primeiro título da colecção foi “In principio era la gioia” (no princípio era a alegria), de Matthew Fox. Haja editoras que os traduzam.


Paul Knitter

sábado, 26 de fevereiro de 2011

26 de Fevereiro de 2001. Os talibãs destroem os Budas de Bamiyan


O Vale de Bamiyan, na Rota da Seda, no Afeganistão, foi casa de muitos monges budistas, que viveram em cavernas e esculpiram dois imensos budas, de 55 e 38 metros de altura, por volta do século V d.C.

No dia 26 de Fevereiro de 2001, após uma série de ameaças, os talibãs, fundamentalistas, iconoclastas, dinamitaram-nas.

Com apoio internacional, as estátuas estão agora a ser reconstituídas a partir dos restos e de fotografias.

Episódios iconoclastas acontecem esporadicamente nas religiões monoteístas (o cristianismo teve duas grandes crises, uma no Oritente, nos séc. VI-IX, e outra no Ocidente, na época da Reforma), mas o islamismo é mais propenso a esta tendência. Veja-se, por exemplo, que a crise das caricaturas dinamarquesas de Maomé foi mais por causa da representação gráfica do profeta do que propriamente pela sátira (que a maior parte dos muçulmanos que se manifestaram na rua desconhecia).


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dicionários das religiões que não são dicionários


Está a sair à terça-feira, com o “Público” (mas não é obrigatório comprar o jornal) uma colecção de livros sobre as grandes religiões. Já saíram os volumes 1 (“Cristianismo I”), 2 (“Cristianismo II”) e 3 (Budismo I) de um total de 17. O primeiro custou 3,50 euros. Os restantes custam 6,90 euros. 107 no total.

Ainda não percebi por que é que chamam a esta colecção “Dicionários das Religiões”. A apresentação dos textos, que raramente continuam no par de páginas seguinte, nunca segue uma ordem alfabética. Talvez haja alguma explicação na introdução do primeiro volume – que ainda não li.

Apesar de a apresentação nas páginas do jornal parecer indicar volumes maiores do que na realidade são (20 x 13,5 cm), é uma colecção que vale a pena. Os textos estão bem escritos, são sintéticos mas informativos, e as imagens são sugestivas. Só não gosto do uso da palavra “laicos” para referir “leigos”. Deve ser má tradução. Ou ignorância quanto ao termo que mais se usa em português para referir mais de 99 por cento dos fiéis católicos.


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Religião no feminino - a parte católica

Ana Vicente. O cristianismo na vertente católica

Excerto sobre a "parte católica" do texto de Ana Catarina Pereira, na “Notícias Magazine” de 4 de Abril de 2010

«Muita gente diz que, se não concordamos com os princípios, devíamos ir para outra religião. (...) Eu gostava que a Igreja a que pertenço, e na qual fui baptizada, fosse mais perfeita».

«A Igreja Católica é uma igreja de amor. É isso que ela deve professar.» As palavras são de Ana Vicente, crente em Deus e católica apostólica romana desde os primeiros anos de vida. Os princípios em que acredita parecem, no entanto, não condizer com o actual estado da Igreja, o que a torna uma das vozes mais críticas da religião que pratica.

No início da sua carreira profissional começou por ser professora e tradutora. Mais tarde presidiu à Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres – CIDM, foi secretária executiva do Programa Nacional de Combate à Droga e consultora do Fundo das Nações Unidas para a População. Juntamente com Maria João Sande Lemos, foi uma das responsáveis pela chegada do movimento Nós Somos Igreja a Portugal, dois anos depois de ter sido fundado em Roma, em 1996. Tem 67 anos e é casada há quarenta.

Para Ana Vicente, a Igreja Católica deveria ter uma estrutura menos hierarquizada, que permitisse um maior envolvimento de todo «o povo de Deus» nas questões essenciais. Na sua opinião, o imenso fosso que separa clero e leigos é totalmente despropositado. Relembrando alguns casos de pedofilia dentro da estrutura eclesiástica, sublinha que o sacerdócio não deveria ser exclusivamente masculino: «Esta ideia de que os padres têm de ser homens, celibatários e uma espécie de seres fora deste mundo tem dado tristes resultados. Excluir as mulheres da Igreja é tão obviamente contra a mensagem de Jesus!» Para o provar cita a Carta de São Paulo aos Gálatas, que considera um importante passo na universalização dos direitos humanos: «Não há judeu nem grego, não há servo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo.» Ficava assim provado, sublinha, que todos os seres humanos detinham o mesmo valor, independentemente da sua condição social, género, idade ou orientação sexual.

Sendo esta última uma questão polémica, a representante católica discorda totalmente da posição da Igreja relativamente ao casamento entre homossexuais: «Algumas pessoas têm uma orientação homossexual que não escolheram. São uma minoria, mas essas pessoas existem, e certamente que Deus as ama da mesma forma que aos heterossexuais. Como cristã, acho que não faz sentido discriminar uma pessoa por ela ser homossexual.» Mas, no entender de Ana Vicente, as incongruências da Igreja Católica não se ficam por aqui. Na sua opinião, a postura irredutível face à interrupção voluntária da gravidez e ao uso de métodos anticoncepcionais está totalmente ultrapassada: «Como é que pode condenar-se uma mulher por ter praticado um aborto e, ao mesmo tempo, dizer que o preservativo é pecado? Isto não faz sentido! É evidente que todos somos contra o aborto, que é a interrupção de uma vida, mas eu não me sinto com capacidade, nem ninguém deveria sentir, para julgar uma mulher que faz um aborto, muito menos de dizer que ela tem de ir para a prisão.»

Num futuro próximo, Ana Vicente gostaria que a Igreja abandonasse a sua fixação negativa sobre a sexualidade: «É uma coisa boa, criada por Deus, e que faz parte intrínseca do ser humano!» Sublinhando que estes são desejos partilhados por inúmeros católicos, considera que a falta de novos padres não está relacionada com uma crise de vocações, mas antes com uma vontade de mudança: «Há ordens religiosas, tanto de homens como de mulheres, que estão a desaparecer porque, efectivamente, não souberam adaptar-se. A ideia de que ‘sempre fomos assim e sempre assim seremos’ é um erro».

Ao eterno argumento de que as mulheres não podem abraçar o sacerdócio porque os apóstolos eram homens Ana Vicente responde com pragmatismo. Tratando-se a Última Ceia de uma festa judaica, considera estranho que não se encontrem presentes mulheres e crianças: «Ainda assim, se aceitarmos que Jesus escolheu 12 homens, também podemos deduzir que todos os padres deveriam ser judeus. Para levar as coisas ao extremo, se Jesus, de facto, só queria homens, as mulheres não podem sequer ser baptizadas. Sejamos coerentes! Não existem dez mandamentos para os homens e dez mandamentos para as mulheres. Jesus pede às mulheres a mesma santidade que pede aos homens».

Apesar de lutar activamente pela ordenação das mulheres, Ana Vicente não deseja esta possibilidade para si própria. Por outro lado, também não pondera a hipótese de abandonar o catolicismo: «Muita gente diz que, se não concordamos com os princípios, devíamos ir para outra religião. Mas nós somos um movimento reformador dentro da Igreja, que quer continuar a ser católico. Eu gostava que a Igreja a que pertenço, e na qual fui baptizada, fosse mais perfeita».

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Os três melhores desejos para pedir ao génio

Há muitas histórias do génio que concede três desejos. Uma delas diz assim (pode ser budista ou cristã, se bem que uma tradição religiosa tende a suprimir o desejo, enquanto a outra pensa mais em redireccioná-lo ou sublimá-lo):

O génio é libertado e diz ao que encontrou a lâmpada:
- Formula três desejos que eu os executarei. Qual é o primeiro?
- Quero que me tornes suficientemente inteligente para que eu possa escolher na perfeição os dois desejos seguintes.
- Concedido - disse o génio. - E agora, quais são os teus outros desejos?
- O pescador reflectiu uns momentos e respondeu:
- Obrigado. Não tenho mais desejos.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Anedota budista

Perguntaram a um monge zen:
- Mestre, diga-me: o que há depois da morte?
- Não sei - responde o sábio.
- Pensávamos que o senhor era sábio...
- Sábio, talvez, mas morto não.

(Lida no "Courrier internacional" de Fevereiro de 2010)

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...