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sábado, 26 de agosto de 2017

Os dois maiores erros da história de Portugal

António Rendas, reitor da Universidade Nova (de partida) e durante dez anos reitor dos reitores portugueses, diz que "expulsar os judeus e os jesuítas foram os dois grandes erros de Portugal". Fica registado. Concordo. Li na entrevista do DN de hoje.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Editora Verbo e a Igreja portuguesa

A importância da Verbo, quer se goste quer não se goste do estilo, nunca poderá ser menorizada. Dizia um padre, no tempo de maior pujança da editora, que os grandes órgãos de comunicação da Igreja eram a Universidade Católica, a Rádio Renascença e a Verbo, com a particularidade de a Verbo não pertencer à Igreja. E, de facto, em tempos de sanha revolucionária, de PREC e de purgas, a Verbo funcionou como única hipótese de direito ao contraditório dos vencidos.

Lido aqui.

Fernando Guedes e o Verbo

Morreu Fernando Guedes. O nome não me dizia nada até perceber que era o fundador da Verbo (e afinal já lera páginas dele sobre a história da edição em Portugal). Deu-nos livros como a "Apologia", de Henry Newman, ou os "Ensaios ecuménicos", de Yves Congar. E os "Diálogos sobre a Fé", de Ratzinger. Só por estas três obras (todas referidas diversas vezes ao longo deste blogue), já teria feito muito pela cultura católica em Portugal. E por mim. Evidentemente, Verbo tem conotações teológicas.

sábado, 25 de outubro de 2014

Instituições católicas perderam mais de um milhão com o GES

O BPN ia dando cabo de algumas dioceses e instituições católicas que lá tinha posto muito dinheiro (nalguns casos, mais do que o que a notícia que se segue refere). Agora o GES/BES, que ainda por cima tem nome santo.

Do DN de hoje. Em parte, aqui (julgo que o nome correto da congregação religiosa é só "Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coreção de Jesus"). Um milhão de euros talvez não seja tanto para a instituição que tem diversas casas de saúde. Mas este e outros casos servirão sempre para questionar o uso do dinheiro  - o "esterco do diabo", como se dizia na Idade Média - por parte de instituições católicas.
A crise do Grupo Espírito Santo arrastou quatro instituições católicas, que subscreveram empréstimos obrigacionistas. Foi o caso das "Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus no Espírito Santo". Esta IPSS, assim como a sua proprietária, a "Província Portuguesa da Congregação de Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus", colocaram quase um milhão de euros em obrigações da Espírito Santo Financial (Portugal), a holding que controlava o setor financeiro e os seguros do grupo Espírito Santo. Agora, ambas e mais 158 pessoas e empresasestão no Tribunal do Comércio de Lisboa a reclamar, ao todo, 330 milhões à ESF.

domingo, 27 de abril de 2014

Morreu Vasco Graça Moura

Morreu Vasco Graça Moura. Não tinha relação especial com ele para além de ser leitor habitual das suas crónicas. Citei-o sete vezes neste blogue, como aqui, o suficiente para ficar triste com a morte deste intelectual. E surpreendido, como acontece geralmente com a manifestação da irmã morte.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Maria Filomena Mónica: "A Irmã Lúcia no Penteão, já"


Maria Filomena Mónica, no "Expresso" de sábado. Com alguns amigos, também eu tinha comentado - como terá ocorrido a milhares de Portugueses - que se lá estava Amália e lá querem pôr Eusébio, ponham também a Ir. Lúcia, querendo com isto dizer que nem Eusébio nem Lúcia, que o Panteão deve servir para coisas mais identitárias e consequentes do país. Desta vez concordo com Maria Filomena Mónica.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Raridade: Medalhão de teólogo português


O Museu Nacional de Arte Antiga comprou um medalhão que retrata um teólogo português. A peça é rara. O "Público" explica porquê (aqui). Basicamente: este tipo de retrato era uma novidade. A peça é de 1575; o primeiro retrato do género é de 1438 (de João VIII, quando este imperador bizantino, o penúltimo, visitou Itália).

Penso, porém, que há um outro motivo para a peça ser rara. E ainda mais válido: um teólogo português. Isto sim, uma raridade. Diogo de Paiva de Andrade esteve no Concílio de Trento, defendeu a fé tridentina e polemizou com um luterano. Julgo que neste momento está a ser elaborada uma tese se doutoramento sobre este teólogo na Universidade de  Mainz/Mogúncia sobre a parte da altercação com Martin Chemnitz.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Parece que a Igreja portuguesa detesta Francisco

Mário Soares escreveu isto no "Público" de ontem:



(...) A Igreja portuguesa tem mantido um silêncio inaceitável, tal como o atual patriarca, em relação ao Papa. Parece que não gosta dele ou mesmo que o detesta.

domingo, 24 de novembro de 2013

Fernanda Câncio: "As famílias dos bispos"

Texto de Fernanda Câncio, no DN de 22 de novembro, caindo no erro sinedoqual de tomar Lisboa pelo país, D. Manuel Clemente pelos bispos portugueses. Penso eu. (Agradeço a um leitor que me alertou para o texto). De resto, entre esta e outras confusões, talvez algo se aproveite. É ler.

Que situações críticas da família no mundo contemporâneo podem tornar-se um obstáculo ao encontro da pessoa com Cristo?" Não se assuste, a pergunta não é minha: faz parte do questionário para o Sínodo da Família, iniciativa do Papa vertida, pelos bispos portugueses, em 57 questões passíveis de resposta online. A maioria com opções para cruzinha, como nesta: "Aborto"; "redução do cristianismo a um sentimentalismo, a um moralismo, a uma ideologia"; "cuidar de idosos ou doentes"; "divórcio ou separação"; "doença"; "individualismo"; "infertilidade"; "monoparentalidade"; "sexualidade desordenada"; "situação económica"; "uniões de facto"; "uniões entre pessoas do mesmo sexo"; "outro (especifique)". 
Então o Papa acha que a sua Igreja tem andado muito obcecada com aborto e homossexualidade e ali está o aborto em "primeiros" mais a "união das pessoas do mesmo sexo" como empecilhos a estar com Cristo? Calma: esta é a versão que os bispos de cá deram à coisa. No original, que nem menciona o aborto, esta questão tem resposta "aberta" (adotada noutros países). Por cá, porém, faz-se mais do que condicionar respostas: mudam-se e complicam-se as perguntas. O original fala de "situações críticas na família", ou seja, dentro. O "da" permite misturar, nas hipóteses sugeridas, o conceito social e legal de família e seu afastamento do ideal católico - as tais "obsessões" - com problemas no seu seio. 
Mas olhemos melhor as respostas. Se nos problemas "dentro" faz sentido incluir doença e infertilidade (por acaso uma doença), "situação económica" e "individualismo", como compreender que não haja rasto da violência doméstica, e, citando a conferência episcopal num documento recente, da "forte sujeição [da mulher] ao homem", sua "opressão" e "menorização social e cultural"? Bem sabemos que para a CEP estas situações estão "graças a Deus a ser progressivamente ultrapassadas" (ainda bem que a divindade acordou para o problema), mas será que os bispos não se lembraram que levar pancada no casamento ou morrer de morte matada pode obstar ao encontro com Cristo? Ou estão numa de humor negro? 
Por outro lado, se estamos a falar da "família católica" - e essa só há uma, a hetero unida pelo sacramento do matrimónio e mais nenhuma - que fazem ali, como suas "situações críticas", "sexualidade desordenada", "monoparentalidade", mais o "divórcio ou separação"? Aí já não há, ou nunca houve, "família", não é verdade? A não ser que, em revolução inconsciente, a CEP esteja a admitir que há "famílias", plural, e não só "família", singular. O que explica a questão, na senda do inquérito original (o quanto terá custado aos nossos bispos fazê-la) sobre a forma de agir, "em vista da transmissão da fé", quando há "uniões do mesmo sexo que têm crianças a seu cargo". Para quem propõe um referendo sobre coadoção (que não é mais do que o reconhecimento legal da existência, e proteção, de crianças nessas relações), a pergunta há de ser blasfémia.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

D. Manuel Clemente ainda é bispo do Porto segundo o "Inimigo Público"

O humor não tem de ser verdadeiro. Tem de ser engraçado, jogando com alguma verosimilhança. No caso desta "notícia" do "Inimigo Público" de hoje, o tiro sai ao lado. O humorista, porque este tipo de humor faz-se a ler as verdadeiras notícias, não deve ler notícias desde maio passado.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Perguntas do Papa 2. Bispos portugueses: quem ides ouvir?

No "Público" de domingo passado. Apesar do que se tem dito e escrito, parece óbvio pela formulação das perguntas, que o inquérito de destina aos párocos. Mas julgo que haverá todo o interesse em amplos setores e pessoas responderem ao inquérito.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Porto quer novo bispo. E tem todo o direito

Notícia do CM de ontem. Inclui dois candidatos ao cargo. Presumíveis mas certamente involuntários. Ambos muito novos no episcopado.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sol para D. José Policarpo


Diz o comentário do "Sol" de sexta-passada que as palavras de D. Policarpo contrariaram "alguns bispos". Sim, contrariaram alguns bispos e indignaram muitos católicos que em blogues e no facebook mandaram o patriarca emérito estudar doutrina social da Igreja. Neste ponto em concreto, pelo menos, ele está bem informado da DSI, que em nenhum dos seus ensinamentos defende a irresponsabilidade que diz que as dívidas não devem ser pagas. Por exemplo.

domingo, 6 de outubro de 2013

Bento Domingues: "Perdão da dívida"

Terceiro e último ponto do texto de Bento Domingues no "Público" de hoje:


Não seria eticamente aceitável fazer despesas com o propósito de as não pagar. Mas o "perdão da dívida", desde as épocas mais recuadas até aos tempos mais recentes, nada tem de insólito. A própria Alemanha, depois de guerras criminosas, beneficiou largamente desse gesto ancestral. 
Há 60 anos, 20 países, entre eles a Grécia, Irlanda e Espanha, decidiram perdoar mais de 60% da dívida da Alemanha Ocidental. Segundo uma análise de Éric Toussaint - historiador e presidente do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo -, a dívida antes da guerra ascendia a 22,6 mil milhões de marcos, com juros. A dívida do pós-guerra foi estimada em 16,2 mil milhões. No acordo assinado, em Londres, estes montantes foram reduzidos para 7,5 mil e 7 mil milhões respectivamente. Isto equivale a uma redução de 62,6%. O historiador alemão, Albrecht Ritschl, confirmou que existiu um perdão de dívida gigantesco ao país, que no caso do credor Estados Unidos foi quase total. Em 1953, os Estados Unidos ofereceram à Alemanha um haircut, reduzindo o seu problema de dívida a praticamente nada (Cf. Dinheiro Vivo 28/02/2013). 
Pedir o perdão da dívida pode ter inconvenientes. Não lutar por ele é continuar com o país estrangulado. Na Eucaristia, os cristãos confessam que é no perdão que Deus manifesta o seu poder. Demos essa oportunidade a Angela Merkel.


Amanhã porei o texto todo aqui. Mas desde já digo que não concordo de maneira nenhuma com o perdão da dívida portuguesa. Invocar a situação da Alemanha do pós-guerra para exigir ou pelo menos sugerir um perdão da dívida portuguesa não faz qualquer sentido. E nem sei se não será uma afronta ao povo alemão, destroçado, ainda que por vezes convivente, com o poder totalitário. Em Portugal, não houve guerra, o país não está destruído, não tem de começar do zero. A dívida foi feita livremente pela democracia e o país vive em democracia, apesar de tudo.

Se a dívida portuguesa se fez com consumo (entre outras coisas, certamente), tem de ser paga com menos consumo e mais produção. Além do mais, o discurso de Bento Domingues é contraditório com outro das mesmas bandas que diz que "os ricos paguem as dívidas" ou "a crise". Se os ricos deveriam pagar as dívidas e se agora se pede para que ela seja perdoada, deseja-se que seja perdoada aos ricos? Também me custa, mas eu quero pagar a dívida. Todos devem pagá-la, segundo o princípio cristão-marxista de "cada um segundo as suas capacidades".

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...