sexta-feira, 10 de junho de 2011
10 de Junho de 1926. Morre o aquitecto Antoni Gaudí
sábado, 20 de novembro de 2010
Anselmo Borges: Hospital do Menino Deus
Texto de Anselmo Borges no DN de hoje:
Bento XVI esteve de novo na Espanha, e os comentadores reconheceram, em geral, que a visita foi um êxito. Houve críticas? É a coisa mais natural. Numa sociedade pluralista, é evidente que nem todos concordarão com o Papa - como lembrou o teólogo galego Andrés Torres Queiruga, "quem fala em público expõe--se à crítica e ao peso das razões opostas" - e têm o direito de manifestar-se, como foi o caso dos homossexuais. O primeiro-ministro não esteve na missa? Fez bem e é mesmo de saudar, se realmente não acredita. O Papa foi alguma vez excessivo? Sim, quando comparou a actual situação espanhola em relação à Igreja com o que se passou na II República: "Em Espanha nasceu uma laicidade, um anticlericalismo, um secularismo forte e agressivo como o vimos precisamente nos anos trinta". Realmente, não se deve comparar o que não é comparável, mesmo se é verdade que hoje na Espanha e na Europa há má vontade contra a Igreja e se quer implantar um laicismo no lugar da laicidade. Mas também a Igreja não pode bater a culpa só no peito alheio.
Mas qual foi o núcleo da mensagem papal?
Em Santiago de Compostela, apareceu como "um peregrino mais" e daí lançou um convite premente à Europa para que recupere as suas "raízes cristãs". "É preciso que Deus volte a ressoar sob os céus da Europa", afirmou, acrescentando: "A Europa deve abrir-se a Deus." E reiterou a mensagem que tem mais a peito: a fé não é inimiga do ser humano, do progresso ou da razão; pelo contrário, constitui a sua plena realização.
Em Barcelona, no contexto da agora Basílica da Sagrada Família, esse hino de rara beleza em pedra a Deus e à fé, obra genial de Gaudí, o Papa cantou a beleza, ligando-a ao ideal da defesa da vida, da família e do casamento.
"Que fazemos ao dedicar este templo? No coração do mundo, perante o olhar de Deus e dos homens, num acto humilde e gozoso de fé, levantamos uma imensa mole de matéria, fruto da natureza e de um incomensurável esforço da inteligência humana, construtora desta obra de arte", como "sinal visível do Deus invisível, a cuja glória se erguem estas torres, setas que apontam para o absoluto da luz e dAquele que é a Luz, a Altura e a Beleza em si mesma". Gaudí conseguiu "unir a inspiração que lhe vinha dos três grandes livros nos quais se alimentava como homem, como crente e como arquitecto: o livro da natureza, o livro da Sagrada Escritura e o livro da Liturgia".
Para Bento XVI, "só onde há o amor e a fidelidade nasce e perdura a verdadeira liberdade". Por isso, "a Igreja advoga adequadas medidas económicas e sociais para que a mulher encontre no lar e no trabalho a sua plena realização; para que o homem e a mulher que contraem matrimónio e formam uma família sejam decididamente apoia- dos pelo Estado; para que se defenda a vida dos filhos como sagrada e inviolável desde o momento da sua concepção; para que a natalidade seja dignificada, valorizada e apoiada jurídica, social e legislativamente. Por isso, a Igreja opõe-se a todas as formas de negação da vida humana e apoia tudo quanto promova a ordem natural no âmbito da instituição familiar".
E insistiu na beleza: "A beleza é a grande necessidade do ser humano; é a raiz da qual brotam o tronco da nossa paz e os frutos da nossa esperança." Assim, Gaudí realizou uma das tarefas mais importantes: "Superar a cisão entre existência neste mundo temporal e abertura a uma vida eterna, entre a beleza das coisas e Deus como Beleza".
Num belo gesto simbólico, a última visita foi ao Hospital do Menino Deus, em Barcelona, cujo nome oficial é "Obra Benéfico-Social do Menino Deus", dirigido a crianças e jovens deficientes e suas famílias. Quis assim mostrar o seu interesse e afecto pelo trabalho a favor dos que mais precisam.
Afinal, quem duvidará de que este hospital e outras instituições do género são mais sinal do Evangelho de Jesus do que o Vaticano? Isto, também para sublinhar que "os papas do futuro viajarão cada vez mais como pastores", como disse ainda A. Torres Queiruga.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Os homens do século XXI sabem ainda construir catedrais, diz Tolentino Mendonça

O Papa Bento XVI deu início, em Barcelona, ao Século XXI. Um dia comentar-se-á assim a primeira sagração que se fez de uma parte da catedral da Sagrada Família. Ainda faltam construir três quartos, as melhores previsões atiram a sua conclusão para 2025 ou 2030, mas o actual momento da obra, com a finalização e funcionalidade da nave central, coberta com um inesquecível céu de colunas arborescentes, representa a viragem há muito desejada.
Só para termos uma ideia. Notre-Dame de Paris tem duas torres mais a agulha do transepto. A Sagrada Família tem, neste momento oito torres, que nos próximos quinze anos, segundo o que está projectado, se converterão em dezoito. E as dez que faltam são ainda mais altas do que as existentes. A grande cúpula de São Pedro (os romanos chamam-lhe, para sublinhar o espanto, “il cupolone”) mede 137 metros. As belíssimas agulhas góticas da Catedral de Colónia (as mais altas da Europa) estendem-se numa vastidão de 157 metros. Ora, a torre central da Sagrada Família estará coroada por uma cruz a 170 metros do chão. A cruz terá 15 a 20 metros com quatro braços horizontais para assegurar, de qualquer ângulo donde se contemple, uma visão central.
E a Sagrada Família não trabalha só o prodígio da altura. Nestes tempos, como dizia Pierre Bordieu, tão afunilados numa desvitalizante miséria simbólica temos aqui o dinâmico esplendor do símbolo. Gaudí, «o arquitecto de Deus» como lhe chamam, idealizou a “sua” Sagrada Família com base no número 12, o número da Jerusalém terrestre, mas também o da Jerusalém do Alto (leia-se a impressiva descrição feita no capítulo 21 do Apocalipse). Gaudí não partiu de soluções pré-existentes, nem repetiu manuais. A sua arquitectura não tem apenas uma sensibilidade ao espiritual, tem a estrutura de uma visão e a profundidade de uma experiência mística. Gaudí mostra a grande Arte como oração intensíssima. E mostra amplamente aquilo que talvez já tínhamos esquecido: os homens do século XXI sabem ainda construir e amar catedrais.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Papa em Barcelona dá lucro

29 800 000
euros de receitas previstas para a cidade de Barcelona durante a visita de Bento XVI, no dia 7 de Novembro.
370 000
euros que o "Ayuntamiento" prevê gastar na delimitação do percurso, em mensagens de boas-vindas e noutros aspectos, sem contar a limpeza e a Guarda Urbana.
0
euros que o governo local prevê gastar com aspectos directamente relacionados com o culto.
Lido aqui.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
25 de Junho de 1852. Nasce o arquitecto Gaudí

Antoni Placid Gaudí (Reus, 25 de Junho de 1852 — Barcelona, 10 de Junho de 1926), grande arquitecto, passou a maior parte da vida em Barcelona. É autor da Igreja da Sagrada Família, que ainda está em construção.
A Igreja Católica tem em andamento o processo de beatificação, cuja fase diocesana encerrou em 2003. Na altura, estudava eu espanhol no Instituto Cervantes e a minha professora dizia que não compreendia por que queriam fazê-lo santo (também não compreendia por que é que o Digo Infante dava voz a tantos anúncios, isto, respondendo a um aluno que dizia que a publicidade televisiva espanhola tinha toda a mesma voz – mas essa é outra história).
Gaudí ia à missa todos os dias. O arcebispo de Barcelona diz que “era um grande cristão, tinha uma espiritualidade franciscana, de amor e contemplação das belezas da natureza, imagens da beleza do Criador".
domingo, 31 de maio de 2009
Inspirações - 3
Nuno Madureira, no Diário de Notícias (29 de Maio de 2009), dá como título à sua crónica “O evangelho segundo são Pep”. Refere-se, claro, a Pep Guardiola e ao seu sucesso como treinador do Barcelona que, de acordo com o texto, resulta da posse de bola. “Para nós, não ter a bola é um desastre”, disse Guardiola. Porém, segundo Madureira, Guardiola é apenas um segundo evangelista. O primeiro foi Cruijff, que chegou a Barcelona em 1973 e conduziu o dream team à primeira Taça dos Campeões, em 1992. Pep e Rijkaard são, diz Madureira, “os seus filhos espirituais”.
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
-
O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
-
Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
-
P.e Gabriele Amorth Ando a ler “Mais fortes que o mal. O demónio, reconhecê-lo, vencê-lo, evitá-lo”, do mui célebre exorcista italia...
