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sexta-feira, 10 de junho de 2011

10 de Junho de 1926. Morre o aquitecto Antoni Gaudí


Antoni Gaudí nasceu no dia 25 de Junho de 1852 e morreu no dia 10 de Junho de 1926. Arquitecto neogótico e modernista catalão, é autor do projecto Basílica da Sagrada Família, em Barcelona (sítio oficial aqui), inaugurada em Novembro de 2010 pelo Papa, mas ainda com uns 20 ou 30 anos de trabalhos pela frente para estar concluída.

Está a correr o processo de canonização deste arquitecto de espiritualidade que no final da vida ia todos os dias à missa.

sábado, 20 de novembro de 2010

Anselmo Borges: Hospital do Menino Deus

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje:


Bento XVI esteve de novo na Espanha, e os comentadores reconheceram, em geral, que a visita foi um êxito. Houve críticas? É a coisa mais natural. Numa sociedade pluralista, é evidente que nem todos concordarão com o Papa - como lembrou o teólogo galego Andrés Torres Queiruga, "quem fala em público expõe--se à crítica e ao peso das razões opostas" - e têm o direito de manifestar-se, como foi o caso dos homossexuais. O primeiro-ministro não esteve na missa? Fez bem e é mesmo de saudar, se realmente não acredita. O Papa foi alguma vez excessivo? Sim, quando comparou a actual situação espanhola em relação à Igreja com o que se passou na II República: "Em Espanha nasceu uma laicidade, um anticlericalismo, um secularismo forte e agressivo como o vimos precisamente nos anos trinta". Realmente, não se deve comparar o que não é comparável, mesmo se é verdade que hoje na Espanha e na Europa há má vontade contra a Igreja e se quer implantar um laicismo no lugar da laicidade. Mas também a Igreja não pode bater a culpa só no peito alheio.


Mas qual foi o núcleo da mensagem papal?


Em Santiago de Compostela, apareceu como "um peregrino mais" e daí lançou um convite premente à Europa para que recupere as suas "raízes cristãs". "É preciso que Deus volte a ressoar sob os céus da Europa", afirmou, acrescentando: "A Europa deve abrir-se a Deus." E reiterou a mensagem que tem mais a peito: a fé não é inimiga do ser humano, do progresso ou da razão; pelo contrário, constitui a sua plena realização.


Em Barcelona, no contexto da agora Basílica da Sagrada Família, esse hino de rara beleza em pedra a Deus e à fé, obra genial de Gaudí, o Papa cantou a beleza, ligando-a ao ideal da defesa da vida, da família e do casamento.


"Que fazemos ao dedicar este templo? No coração do mundo, perante o olhar de Deus e dos homens, num acto humilde e gozoso de fé, levantamos uma imensa mole de matéria, fruto da natureza e de um incomensurável esforço da inteligência humana, construtora desta obra de arte", como "sinal visível do Deus invisível, a cuja glória se erguem estas torres, setas que apontam para o absoluto da luz e dAquele que é a Luz, a Altura e a Beleza em si mesma". Gaudí conseguiu "unir a inspiração que lhe vinha dos três grandes livros nos quais se alimentava como homem, como crente e como arquitecto: o livro da natureza, o livro da Sagrada Escritura e o livro da Liturgia".


Para Bento XVI, "só onde há o amor e a fidelidade nasce e perdura a verdadeira liberdade". Por isso, "a Igreja advoga adequadas medidas económicas e sociais para que a mulher encontre no lar e no trabalho a sua plena realização; para que o homem e a mulher que contraem matrimónio e formam uma família sejam decididamente apoia- dos pelo Estado; para que se defenda a vida dos filhos como sagrada e inviolável desde o momento da sua concepção; para que a natalidade seja dignificada, valorizada e apoiada jurídica, social e legislativamente. Por isso, a Igreja opõe-se a todas as formas de negação da vida humana e apoia tudo quanto promova a ordem natural no âmbito da instituição familiar".


E insistiu na beleza: "A beleza é a grande necessidade do ser humano; é a raiz da qual brotam o tronco da nossa paz e os frutos da nossa esperança." Assim, Gaudí realizou uma das tarefas mais importantes: "Superar a cisão entre existência neste mundo temporal e abertura a uma vida eterna, entre a beleza das coisas e Deus como Beleza".


Num belo gesto simbólico, a última visita foi ao Hospital do Menino Deus, em Barcelona, cujo nome oficial é "Obra Benéfico-Social do Menino Deus", dirigido a crianças e jovens deficientes e suas famílias. Quis assim mostrar o seu interesse e afecto pelo trabalho a favor dos que mais precisam.


Afinal, quem duvidará de que este hospital e outras instituições do género são mais sinal do Evangelho de Jesus do que o Vaticano? Isto, também para sublinhar que "os papas do futuro viajarão cada vez mais como pastores", como disse ainda A. Torres Queiruga.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Os homens do século XXI sabem ainda construir catedrais, diz Tolentino Mendonça


A Sagrada Família não trabalha só o prodígio da altura. Nestes tempos, como dizia Pierre Bordieu, tão afunilados numa desvitalizante miséria simbólica temos aqui o dinâmico esplendor do símbolo. Texto de José Tolendino Mendonça tirado da Ecclesia (aqui).

O Papa Bento XVI deu início, em Barcelona, ao Século XXI. Um dia comentar-se-á assim a primeira sagração que se fez de uma parte da catedral da Sagrada Família. Ainda faltam construir três quartos, as melhores previsões atiram a sua conclusão para 2025 ou 2030, mas o actual momento da obra, com a finalização e funcionalidade da nave central, coberta com um inesquecível céu de colunas arborescentes, representa a viragem há muito desejada.

Só para termos uma ideia. Notre-Dame de Paris tem duas torres mais a agulha do transepto. A Sagrada Família tem, neste momento oito torres, que nos próximos quinze anos, segundo o que está projectado, se converterão em dezoito. E as dez que faltam são ainda mais altas do que as existentes. A grande cúpula de São Pedro (os romanos chamam-lhe, para sublinhar o espanto, “il cupolone”) mede 137 metros. As belíssimas agulhas góticas da Catedral de Colónia (as mais altas da Europa) estendem-se numa vastidão de 157 metros. Ora, a torre central da Sagrada Família estará coroada por uma cruz a 170 metros do chão. A cruz terá 15 a 20 metros com quatro braços horizontais para assegurar, de qualquer ângulo donde se contemple, uma visão central.

E a Sagrada Família não trabalha só o prodígio da altura. Nestes tempos, como dizia Pierre Bordieu, tão afunilados numa desvitalizante miséria simbólica temos aqui o dinâmico esplendor do símbolo. Gaudí, «o arquitecto de Deus» como lhe chamam, idealizou a “sua” Sagrada Família com base no número 12, o número da Jerusalém terrestre, mas também o da Jerusalém do Alto (leia-se a impressiva descrição feita no capítulo 21 do Apocalipse). Gaudí não partiu de soluções pré-existentes, nem repetiu manuais. A sua arquitectura não tem apenas uma sensibilidade ao espiritual, tem a estrutura de uma visão e a profundidade de uma experiência mística. Gaudí mostra a grande Arte como oração intensíssima. E mostra amplamente aquilo que talvez já tínhamos esquecido: os homens do século XXI sabem ainda construir e amar catedrais.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Papa em Barcelona dá lucro

29 800 000

euros de receitas previstas para a cidade de Barcelona durante a visita de Bento XVI, no dia 7 de Novembro.

370 000

euros que o "Ayuntamiento" prevê gastar na delimitação do percurso, em mensagens de boas-vindas e noutros aspectos, sem contar a limpeza e a Guarda Urbana.

0

euros que o governo local prevê gastar com aspectos directamente relacionados com o culto.

Lido aqui.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

25 de Junho de 1852. Nasce o arquitecto Gaudí

Antoni Placid Gaudí (Reus, 25 de Junho de 1852 — Barcelona, 10 de Junho de 1926), grande arquitecto, passou a maior parte da vida em Barcelona. É autor da Igreja da Sagrada Família, que ainda está em construção.

A Igreja Católica tem em andamento o processo de beatificação, cuja fase diocesana encerrou em 2003. Na altura, estudava eu espanhol no Instituto Cervantes e a minha professora dizia que não compreendia por que queriam fazê-lo santo (também não compreendia por que é que o Digo Infante dava voz a tantos anúncios, isto, respondendo a um aluno que dizia que a publicidade televisiva espanhola tinha toda a mesma voz – mas essa é outra história).

Gaudí ia à missa todos os dias. O arcebispo de Barcelona diz que “era um grande cristão, tinha uma espiritualidade franciscana, de amor e contemplação das belezas da natureza, imagens da beleza do Criador".

domingo, 31 de maio de 2009

Inspirações - 3

Nuno Madureira, no Diário de Notícias (29 de Maio de 2009), dá como título à sua crónica “O evangelho segundo são Pep”. Refere-se, claro, a Pep Guardiola e ao seu sucesso como treinador do Barcelona que, de acordo com o texto, resulta da posse de bola. “Para nós, não ter a bola é um desastre”, disse Guardiola. Porém, segundo Madureira, Guardiola é apenas um segundo evangelista. O primeiro foi Cruijff, que chegou a Barcelona em 1973 e conduziu o dream team à primeira Taça dos Campeões, em 1992. Pep e Rijkaard são, diz Madureira, “os seus filhos espirituais”.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...