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sábado, 7 de novembro de 2015
Feriados
O governo das esquerdas vai repor os quatro feriados, dois civis e dois religiosos? Pela minha parte, não era preciso restaurar nenhum deles. Sugiro mesmo que suprimam todos os feriados que não calham ao domingo. Dava imenso jeito.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Era feriado hoje?
Hoje seria feriado do Corpo de Deus se não tivesse aparecido a trindade profana que é a troika. Na realidade, quase ninguém sente a falta deste feriado, "dia santo de guarda". Perguntei a três pessoas e nenhuma delas sabia que hoje seria feriado noutras circunstâncias. Tenho cá para mim que nunca mais será feriado.
sábado, 9 de junho de 2012
Do Corpo de Deus ao corpo na Linha
Sobre o fim do feriado do Corpo de Deus – ou supressão
meramente temporária, se voltar mesmo em 2018 –, deixa-me perplexo a indignação
de alguns eclesiásticos. Um exemplo. D. Nuno Brás (auxiliar de Lisboa) disse
aos microfones da Renascença:
A Igreja poderia bater o pé e dizer 'não queremos', mas com que autoridade moral é que o faria? (…) Convenhamos que nós, os católicos, temos alguma culpa nisso. Se todos fossem à missa nesse dia em vez de irem para a praia, muito possivelmente não haveria Governo que tivesse condições para retirar este feriado (li aqui).
O Governo retirou este feriado? Sim, porque os feriados são todos do Estado. Mas não foi a Igreja (e
no caso Conferência Episcopal coincidiu com a Santa Sé) que propôs que fosse
este? Mais sensata parece-me a atitude de D. José Cordeiro:
Nós não deixamos de celebrar a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus, comummente designado como Corpo de Deus. Passa é para o domingo seguinte, deixando de ser feriado. [A supressão do feriado civil não traz] nada de grave e relevante (li aqui).
E em Bragança-Miranda não se faz sentir o efeito das praias da Linha.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Feriados podem voltar em 2018? Para quê?
No DN de hoje. O "Corpo de Deus", parece-me, não volta mais. Celebra-se ao domingo, como a Ascensão. E dá jeito ao clero. Quanto aos outros, duvido que voltem. A eliminação é "à experiência" para não parecer definitiva. Já ninguém gosta de dizer "sempre". Se podem ser descartáveis em função da crise, quando passar a crise, restauram-se estes. É esta a lógica? Nesse caso, é mesmo economicismo, como alguns gostam de dizer. E quando vier a abundância, restauram-se outros?
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Neverending story
No "Sol" de hoje. Muito me rio à custa dos feriados. Andam de Anás para Caifás. Tivesse eu tempo e escreveria uma parábola sobre o assunto. Quem sabe se no próximo feriado, o dia sagrado do trabalhador...
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Sabe o que se celebra a 15 de agosto? E depois?
Na "Sábado" de hoje. Por momentos, pareceu-me que o opinador fazia um manguito aos católicos. Influências da ascendência. Quanto aos argumentos, o da ignorância, tipo "os católicos não sabem o que se comemora no 15 de agosto", não serve para nada. Os portugueses sabem o que se comemora no 25 de Abril? Ontem, perguntei a um aluno do oitavo ano e ele disse-me que foi quando "os liberais tomaram o poder aos absolutistas". Fiquei admiradíssimo por ele ter ouvido falar de liberais e absolutistas - a conversa derivou logo para os jogos on-line, em que o miúdo é anafadamente uma sumidade.
De qualquer forma, as pessoas que mesmo sem saberem comemoram numa igreja o 15 de agosto, o 1 de janeiro e o 8 de dezembro davam para encher de boa vontade, isto é, sem sono nem cara de enjoo como ontem se viu, milhares de Assembleias da República.
Acabar ou continuar com feriados nada tem a ver com a sabedoria / ignorância de quem os defende. Terá mais a ver com a adesão à sua comemoração. Até de um ponto de vista democrático temos de aceitar que a adesão do mais ignorante dos católicos a um feriado religioso vale tanto como a do mais iluminado na comemoração de um feriado civil.
Aliás, continuo a achar que verdadeiramente feriados são os religiosos. Os outros são uma tentativa de sacralização de um tempo, imitando a religião com rituais, espaços e memórias. Os católicos diziam dos feriados religiosos "dias santos de guarda". No plano civil é o que se tenta fazer: dias civis de guarda, mas com uma adesão residual, exceptuando uma ou outra manifestação nos grandes centros.
Mas a isto tenho de acrescentar que numa perspetiva cristã todo o tempo é profano - porque só Deus é santo e também o "Sábado é para o ser humano" - ao mesmo tempo que, pela imanência de Deus, a encarnação, todo o tempo é sagrado. Por outras palavras. Só o domingo é necessário. De resto, numa perspetiva que suponho genuinamente cristã, a Igreja poderia abdicar de qualquer feriado sem o mínimo problema. Só "não podemos viver sem o domingo". Em latim: "Quoniam sine domino non possumus vivere".
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Vasco Graça Moura: A questão dos feriados
Vasco Graça Moura escreve no DN sobre os feriados religiosos e civis.
Os feriados religiosos, ligados a evocações e cerimoniais do calendário litúrgico, têm na sua origem a destinação de certos dias para celebrações religiosas de sinal específico e para a interiorização das orações correspondentes, no caminho da salvação da alma. O feriado teria sido inicialmente destinado a permitir a participação numa determinada festa da Igreja e a concentrar mais intensamente a devoção do cristão num dia em que ele não teria mais nada que fazer a não ser isso. Não seria propriamente um dia de descanso, mas de devoção, que era vista como obrigação, sendo proporcionado assim um tempo interior para a vida religiosa.Ler mais aqui.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
É urgente acabar com estes feriados?
O "i" de hoje ilustra assim a notícia sobre o fim dos feriados (os civis acabam no presente ano, diz o matutino, quanto aos religiosos, ver-se-á):
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Já nem o Vaticano sabe que feriados eliminar
Tenho uma proposta absurda para estes tempos de individualismo e tecnologias digitais omnipresentes: O Estado dá a cada cidadão um certo número de feriados (dez, por exemplo) e cada um usa-os quando quiser, para fins religiosos ou civis, negociando com a sua entidade patronal, como quando marca férias.
O ateu pode muito bem trabalhar na Sexta-feira Santa. O católico, em vez de comemorar o 5 de Outubro, pode preferir fazer uma peregrinação no dia do seu santo homónimo. Para efeitos estatísticos e outros, os feriados de cada um poderiam ficar registados em www.meusqueridosferiados.pt.
terça-feira, 20 de março de 2012
Queridos feriados
No JN de hoje.
A dificuldade em eliminar feriados, civis ou religiosos (ao contrário do que se diz, que todos os feriados são civis, penso que só os religiosos têm realmente significado), deixa-me perplexo. Os portugueses, salvo duas ou três exceções, não querem trabalhar mais meia hora, não querem ganhar menos, não querem ter menos feriados, não querem perder privilégios, pensam que podem pagar dívidas sem dor, querem manter os mesmos padrões de consumo.
E estão todos, agora, concentrados no aumento da produtividade. Tivemos o tempo todo para aumentá-la e não o fizemos. Mas agora toda a gente tem ideias estupendas para aumentar a produtividade e tudo continuar como antes. Ou seja, todos querem, salvo duas ou três exceções, que tudo continue como antes. A produtividade é uma questão de conversa.
A dificuldade em eliminar feriados, civis ou religiosos (ao contrário do que se diz, que todos os feriados são civis, penso que só os religiosos têm realmente significado), deixa-me perplexo. Os portugueses, salvo duas ou três exceções, não querem trabalhar mais meia hora, não querem ganhar menos, não querem ter menos feriados, não querem perder privilégios, pensam que podem pagar dívidas sem dor, querem manter os mesmos padrões de consumo.
E estão todos, agora, concentrados no aumento da produtividade. Tivemos o tempo todo para aumentá-la e não o fizemos. Mas agora toda a gente tem ideias estupendas para aumentar a produtividade e tudo continuar como antes. Ou seja, todos querem, salvo duas ou três exceções, que tudo continue como antes. A produtividade é uma questão de conversa.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Vai-se o 1 de novembro, fica o 15 de agosto?
Afinal, parece que o Vaticano não quer que se acabe com o feriado de 15 de agosto (Assunção de Nossa Senhora). Prefere pôr fim ao 1 de novembro (Todos os Santos), diz a notícia de hoje no "Público" e na Ecclesia.
Há tempos exprimi aqui uma opinião coincidente com o Vaticano, ainda que por motivos diferentes. 15 de agosto, sim. 1 de novembro, não. Mas desde que não suprimam o domingo...
Há tempos exprimi aqui uma opinião coincidente com o Vaticano, ainda que por motivos diferentes. 15 de agosto, sim. 1 de novembro, não. Mas desde que não suprimam o domingo...
sexta-feira, 2 de março de 2012
Feriados que não acabam
Parte do editoral da "Sábado" de quinta-feira passada.
Tenho outra leitura para a indecisão quanto ao fim dos feriados de base não religiosa (ia a escrever "civis", mas todos os feriados são civis, caso contrário, os não católicos deviam trabalhar no dia da Assunção, por exemplo). Na realidade, os feriados de base não religiosa pouco dizem às pessoas. Mas dizem muito aos intelectuais e, no caso do 5 de Outubro, dizem tudo a sectores que fazem mais barulho, como os políticos e a maçonaria.
Já os feriados de base religiosa, dizem mais às pessoas, ao povo. Apesar de tudo, ainda vai muita gente às procissões do Corpo de Deus. Uma procissão paroquial ou arciprestal pode reunir mais pessoas do que todas as comemorações nacionais do 5 de Outubro. Mas quanto a esses feriados, se a hierarquia católica quiser, e esta já deu provas de querer, podem ser abolidos sem complicações de maior, desde que se cumpram as formalidades próprias da Concordata - o que leva o seu tempo. E, geralmente, "o seu tempo" é o tempo do Vaticano, não de Portugal. De resto, nenhuma Maria da Fonte vai descer sobre Lisboa por causa do fim de um feriado "religioso". Mas muitos artigos hão de ser escritos por causa do fim do 5 de Outubro.
Ou seja, quanto a mim, o Estado, que é tão forte noutras coisas, sente-se fraco para abolir dois feriados se a Igreja não der o primeiro passo nos outros dois. A Igreja portuguesa até deu, sendo a primeira a apresentar dois feriados para abolir, mas como os timings do Vaticano são outros, o governo não se quer arreliar.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Alegre, Rio, Belém, Torgal, Bragança e Veiga falam dos feriados
Na "Visão" de hoje. Gosto muito de expressão "talibans do ultraliberalismo". Se há alguma coisa que os talibãs são é liberais. Pois. Continuo a achar - provavelmente para desgosto de alguns leitores que por aqui passam - que o que falta a Portugal é um decente liberalismo, com respeito pela lei democrática e premiador do mérito. Ditaduras, socialismos, comunismos, maoismos... já tivemos e temos em doses suficientes.
Quanto aos feriados, desde que não tirem o domingo... Quoniam sine dominico non possumus (aqui).
sábado, 4 de fevereiro de 2012
"Feriados para quê?", pergunta Anselmo Borges
Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (aqui):
Não esperava voltar aos feriados. Se volto, é por causa da troika e do debate que se gerou. Não creio que o atraso nacional se deva propriamente aos feriados ou que seja a sua supressão que nos vai fazer dar um salto em frente. As razões do atraso - a ordem é arbitrária - são mais fundas: sem negar manchas felizes de excelência, uma educação coxa; falta de produtividade; não temos uma cultura do trabalho - a religião também influenciou; uma industrialização atrasada; o velho encosto ao Estado protector, que engordou desmesuradamente; incompetência na governação; assimetrias sociais gritantes; a corrupção e a aldrabice atávicas - não apareceram agora, por causa do fisco, mais de cem mil filhos inexistentes, e, nos centros de saúde, dois milhões de utentes-fantasmas?; excesso de administradores nas empresas públicas, com privilégios e prémios imerecidos; justiça lenta e sentida como desigual; desemprego galopante; uma multidão ondulante pendurada da política e dos partidos; cumplicidades entre a política e interesses privados... Quando se lê o estudo recente "A Qualidade da Democracia em Portugal: a Perspectiva dos Cidadãos", há razões sérias para preocupação.
Mas compreendo até certo ponto o projecto em curso, sobretudo porque há a tendência para as "pontes" e todo o problema dos gastos por causa da produção em cadeia.
Claro que o homem precisa de trabalhar. Essa é mesmo uma das suas características: é transformando o mundo que se humaniza. E esta relação com o mundo é mais do que uma relação de trabalho para a produção de bens para a subsistência, porque o trabalho é também realização própria, social e histórica, já que é construindo o mundo que a humanidade ergue a sua história de fazer-se. Cá está: o desemprego não é então dramático apenas por colocar em risco a subsistência, mas também a realização de si e o reconhecimento devido ao facto de contribuição na obra comum. Portugal precisa de responsabilidade no trabalho, de boa gestão, de educação e formação excelentes, de iniciativa e empreendimento, justiça social, estímulos salariais.
Mas o ser humano não se define apenas pelo trabalho. A sua relação com o mundo e com os outros é também de gáudio, de gratidão, de criação, de contemplação da beleza. O seu ser não se esgota na produção: destrói-se a si próprio, quando vive para sobreviver. Pelo contrário, sobrevive para viver, e viver tem em si a sua finalidade, e, nesse viver, estão presentes e gozosos a festividade, o "luxo", o gratuito, a alegria genuína e expansiva de ser, o inútil do ponto de vista da produção - "o fascinante esplendor do inútil", escreveu George Steiner.
Feriado quer dizer, atendendo ao étimo, precisamente dia festivo. Vale em si mesmo e por si mesmo. Tem a sua finalidade em si próprio e não é meio para outra coisa, concretamente para que os trabalhadores recuperem forças para poderem trabalhar outra vez e mais. É da natureza do feriado ser um acontecimento não programado: é um "luxo", uma "graça" inesperada. Para haver tempo para a família e o homem lembrar-se de que é criador festivo e não simples besta de carga.
Dimensão essencial do feriado é também a comemoração de um acontecimento importante, constituinte da identidade de um povo. Lá está a memória, a história e a simbólica.
No que se refere aos chamados "feriados religiosos", julgo que a Igreja lidou mal com o problema, ao situar-se no plano de reivindicação perante o Estado: dois feriados religiosos face a dois civis. No quadro de boas relações mútuas, a Igreja não pode nem deve colocar-se no plano da igualdade com o Estado, pois são ordens diferentes.
Deveria antes ir pela positiva e situar-se no plano daqueles feriados que, cultural e historicamente, estão para lá das pessoas religiosas, nos quais os portugueses em geral se vêem incluídos. Assim, a Páscoa celebra-se ao domingo. O Natal também é a festa da família. O dia dos Santos e dos Defuntos refere-se à memória, ao confronto com a morte e ao sentido da vida. A Imaculada Conceição é a Padroeira e lembra as mães. Na Sexta-Feira Santa, celebra-se o melhor: o amor, a entrega, a generosidade.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Acordo é acordo, diz a Igreja em relação aos feriados
No "i" de hoje.
Talvez o governo esteja a querer livrar-se de eliminar o 5 de Outubro, já que em relação ao 1 de Dezembro não haverá tantas dificuldades. Afinal, os monárquicos, que também têm razões para comemorar o 5 de Outubro (assinatura do Tratado de Zamora, em 1143), não terão tanta força como os maçons, que não querem por nada perder um diazinho muito deles.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Pede o sofista Rui Tavares que se suprimam os feriados religiosos
Gosto de ler Rui Tavares, na última página do “Público”. Geralmente
para discordar. Ele é perito em fazer regras a partir das excepções e gosta de
elaborar leis, necessariamente gerais, a partir de uma situação particular. E apresenta teses polémicas como se fossem consensuais, hipóteses como dogmas. É a
isso que se pode chamar um bom mestre sofista. Lembro-me de dois exemplos assim
de repente. Teria mais se fosse consultar o monte de “Públicos” que tenho ali
ou se fosse o seu blogue. Diz, por exemplo, que a arte gótica, com os seus
arcos em ogiva, inspirou-se na arte islâmica. É uma tese falsa, hoje abandonada.
Foi corrigido por historiadores, na sequência do seu texto, mas não me lembro de o cronista ter assumido o
erro na sua coluna. Diz, outro exemplo, que o melhor era os países da dívida
soberana não terem governo, como a Bélgica, que se tem safado bem. Dizia isto
quando tudo na Bélgica estava bem, admito que com alguma ironia. Quando se viu
que o país não está livre do perigo, invalidando a tese obviamente irrealista,
nada disse.
Hoje, realçando que todos os feriados são do Estado, porque são
“os que determina a lei da República”, decreta que “entre os dispensáveis estão
o 8 de Dezembro, o Corpo de Deus, o 15 de Agosto e o Dia de Todos os Santos. Se
querem cortar quatro, são estes”.
Por ele, mantêm-se o 25 de Abril, o 10 de Junho, o 5 de
Outubro, 1 de Dezembro. E justifica-os. Não sei porque não falou do 1 de
Janeiro nem do 1 de Maio.
Eu, que já aqui exprimi que desde que não suprimam o domingo
podem suprimir todos (religiosos e não religiosos), fico espantado com a clarividência
do eurodeputado. A regra dele é: suprimam todos os religiosos (o 25 de Dezembro
e o 1 de Janeiro, tendo base religiosa, jogam em ambos os campeonatos). Bastava ter escrito
esta frase.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Sindicatos desejam que o dia em que se encontrarão com o governo para decidir a supressão de feriados seja considerado feriado nacional
Notícia do "Inimigo Público" de hoje (jornal que, como dizem, sai às sextas, trazendo o "Público" como suplemento).
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