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sábado, 5 de maio de 2012

Comunhão e Libertação - vários escândalos de corrupção e um "mea culpa"

Roberto Formigoni


Em Itália, diversas notícias têm falado de corrupção entre políticos ligados ao movimento Comunhão e Libertação. Mas não se trata só de notícias.  John L. Allen Jr faz um ponto da situação:
Roberto Formigoni, o aderente de mais alto perfil do Comunhão e Libertação na política italiana, encontra-se agora envolvido em um grande escândalo de corrupção. O antigo governador da região da Lombardia está no centro de uma investigação judicial de suborno na concessão de contratos públicos de saúde. Ele também enfrenta acusações de ligações suspeitas com um empresário obscuro que está agora na cadeia por acusações de corrupção e de uso de fundos públicos para pagar férias privadas. 
Formigoni é membro do Memores Domini, um órgão de leigos consagrados comprometidos com o celibato vitalício, que faz parte do movimento Comunhão e Libertação. Quatro membros mulheres do Memores Domini compõem a equipe que cuida da casa papal de Bento XVI. 
Outro membro veterano do Comunhão e Libertação, Antonio Simone, já foi preso e acusado de fazer parte de um esquema para fraudar nada menos do que 74 milhões dólares de um instituto de saúde italiano muito conhecido. Segundo a imprensa, a piedade católica pessoal de Simone beira a lenda: aparentemente, durante a década de 1990, quando ele ocupou um cargo público como assessor na Lombardia, ele convocava a sua equipe para uma oração matinal antes de começar o dia de trabalho.
Estes e outros casos fizeram com que o padre Julian Carrón, presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação, escrevesse no jornal La Repubblica:
Caro Diretor, lendo os jornais nestes dias, fui invadido por uma dor indizível ao ver o que fizemos com a graça que recebemos. Se o movimento de Comunhão e Libertação é continuamente identificado com a atração pelo poder, pelo dinheiro, por estilos de vida que nada têm a ver com o que encontramos, algum pretexto devemos ter dado. E isso apesar de o Comunhão e Libertação ser alheio a qualquer malversação e jamais ter dado origem a um "sistema" de poder.
As coisas estão, pelo menos, feias para o CL, ainda que por umas maçãs podres mão se possa julgar o pomar. Mas até o cardeal Angelo Scola está distanciar-se do movimento.
O cardeal Angelo Scola, de Milão, amplamente visto como o principal candidato para ser o próximo papa e alguém que possui um histórico de relação com o Comunhão e Libertação, obviamente se sente compelido agora a se distanciar. Scola disse a um grupo de jornalistas no dia 26 de abril: "O que eu sei sobre o Comunhão e Libertação? Eu lido com a Igreja de Deus. Se você quiser saber algo sobre o Comunhão e Libertação, vá perguntar a eles".
Quanto a ecos disto em Portugal, que sendo um escândalo entre cristãos deve dar-nos humildade, dei uma vista de olhos por dois ou três blogues e sítios conotados com o CL e… nada.

Artigo de John L. Allen Jr. aqui.
Carta do P.e Julian Carrón aqui.
Análise do jornalista e político Franco Monaco aqui.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

As 10 viagens papais mais importantes da História

João Paulo II e líderes religiosos em Assis, em 1986

John L. Allen Jr., no “National Catholic Reporter”, responde a:
De todas as viagens papais que vimos ao longo dos anos, quais foram verdadeiramente memoráveis?
O jornalista norte-americano aponta as “dez viagens papais mais importantes da História", ou seja, as que serviram para mudar a História, para recalibrar as impressões do público e/ou para deixar uma marca na igreja local, as que mais impressionaram por terem sido desagradáveis, tristes, ou por perderem oportunidades.

Nestas viagens, Portugal e Brasil não aparecem nenhuma vez, o que será injusto, pelo menos quanto à viagem de João Paulo II, em 1982, a Fátima, um ano após o atentado, e mesmo em 2000, quando foi revelado o terceiro segredo de Fátima e beatificados os Pastorinhos.

Eis a lista:

10. João XXIII, Loreto-Assis, Itália, 4 de Outubro de 1962
9. João Paulo II, Denver (Estados Unidos), 12 a 15 Agosto de 1993
8. Bento XVI, Turquia, 28 de Novembro a 1 de Dezembro de 2006
7. João Paulo II, Manila, Filipinas, 12 a 16 Janeiro de 1995
6. Empate entre: João Paulo II, Nicarágua, 4 de Março de 1983;
     e João Paulo II, Cuba, de 21 a 26 Janeiro de 1998
5. João Paulo II, México, 26 a 31 Janeiro de 1979
4. Paulo VI, Terra Santa, 4 a 6 Janeiro de 1964
3. João Paulo II, Assis, 27 de Outubro de 1986
2. João Paulo II, Terra Santa, 20 a 26 de Março de 2000
1. João Paulo II, Polónia, 2 a 10 de Junho de 1979

John L. Allen Jr. aponta ainda mais oito que decidiu "não cortar" e alerta para o perigo, por questões de segurança, de uma viagem às Filipinas. Nas anteriores três, houve duas tentativas de assassinar o Papa.

Ler tudo aqui (o mais interessante são as explicações) em português e aqui em inglês.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Alguém sabe o que é a nova evangelização?

John L. Allen Jr., correspondente do semanário norte-americano “National Catholic Reporter”, é um dos jornalistas mais informados sobre coisas do Vaticano. O mesmo é dizer que é um dos mais bem relacionados com bispos, cardeais e afins. Rara é a semana em que não nos oferece uma entrevista interessante. Na semana passada, duas:

- com Giovanni Maria Vian, chefe de redacção do “L'Osservatore Romano”, publicação que em 2011 completa 150 anos. Aqui.

- e com o arcebispo Salvatore Rino Fisichella, que foi reitor da Universidade Lateranense e presidente da Academia Pontifícia para a Vida e agora está a montar o novo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização. Aqui.

Realço especialmente esta última. D. Fisichella fala da dificuldade em arranjar um padre norte-americano (os bispos dos EUA bateram-lhe o pé) e confessa, indirectamente, que ninguém sabe bem o que é a nova evangelização.

Um primeiro passo é que, depois do Natal, vamos ter uma conferência com vários especialistas para esclarecer o conceito da "nova evangelização". O que eu quero enfatizar é que se remova a ambiguidade, o risco de tratar a ideia da "nova evangelização" como uma fórmula abstrata. Temos que ser capazes de encher a expressão "nova evangelização" com conteúdo. Teremos dois dias de estudo dedicados ao tema da "nova evangelização", em algum momento de março. Ainda estamos considerando as datas exatas. Ainda estamos montando o programa, mas serão apenas especialistas, a fim de torná-lo um pouco como um seminário acadêmico. Vamos ter alguns bispos, alguns leigos especialistas, para que possamos avaliar os horizontes históricos, teológicos e pastorais do que está por trás da expressão "nova evangelização".

No entanto, considera que o recente livro do Papa é um instrumento para a nova evangelização – do que eu duvido, pois não há evangelização sem entusiasmo, coisa que se existe em “Luz do Mundo”, está muito ensombrada pelo temor e desejo de segurança, pelas justificações.

Quando terminamos a coletiva de imprensa, fomos ver o Papa para apresentar os volumes. Como eu era o único bispo lá, fui a primeira pessoa a saudar o Papa, e eu disse: "Santo Padre, obrigado, porque este é verdadeiramente um instrumento para a nova evangelização". Eu estou convencido disso. Há uma tal riqueza de espiritualidade nele... Ele fala sobre o valor da sexualidade, do amor, da alegria, da esperança. Há tantos elementos que refletem os desejos das pessoas hoje, e ele fala sobre eles de uma forma simples. Ele não é apenas facilmente compreensível, mas também é cheio de consolação e também é talvez um estímulo para nos tornarmos interessados pelo cristianismo, para além dos escândalos e das manchas que às vezes o marcam.

Pelo meio, ou melhor, no início, John L. Allen Jr. dá-nos dois ou três apontamentos, sempre curiosos, sobre a vida no Vaticano. Diz, por exemplo, que a encíclica "Fides et Ratio, de João Paulo II, de 1998, era também conhecida por "Fisichella et Ratzinger", por terem sido estes os dois teólogos a dar-lhe forma. Diz ainda que, em Roma, quando se quer remover alguém [de um lugar importante], promove-se [para um título grande mas vazio]. "Promuovere per rimuovere". "Promover para remover". Não é só em Roma que isso acontece.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...