Mostrar mensagens com a etiqueta Religião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Religião. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 28 de março de 2017

E tem muito peso na sua vida?

Lido hoje no DN. Entrevista a Patrícia Reis (a da revista "Egoísta").


Falámos só do abuso em relação à Sofia mas há outros temas que aparecem n" A Construção do Vazio.

Há questões de identidade fortíssimas, de total desapego às coisas, o que é uma desistência - a construção do vazio - e depois há este cenário de pré-catástrofe. Há algumas referências religiosas de que eu não me tinha apercebido.

Como deu agora por isso?

Um professor meu perguntou-me por que me tinha interessado pelas religiões e eu fiquei a pensar. Percebi que todos os livros têm qualquer coisa relacionada com a religião. Este território judaico-cristão onde nós crescemos ainda é muito forte.

E tem muito peso na sua vida?

A religião?

Sim.

A fé em bastante peso na minha vida, não a religião institucional, essa não tem peso nenhum. A fé tem imenso peso.

Em que sentido?


A fé que eu tenho, a fé que eu sinto. É fundamental, acho que deve ser muito exigente viver sem fé, muito solitário, e eu optei por não viver nessa exigência nem nessa solidão.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Um brinde a C. S. Lewis


Faz amanhã 50 anos que morreu C. S. Lewis e ainda não pensei na forma como vou assinalar a data. Mas beber um cálice de Porto até é uma boa sugestão.


Numa conversa com empregados da Electric and Musical Industries Ltd., em Heyes, Middlesex (Inglaterra), no dia 18 de Abril de 1944, perguntam-lhe a C. S. Lewis:

Qual das religiões do mundo confere aos seus seguidores maior felicidade?

E ele respondeu:  "Qual das religiões do mundo confere aos seus seguidores maior felicidade? Enquanto dura, a religião da auto-adoração é a melhor. Tenho um velho conhecido já com seus 80 anos de idade, que vive uma vida de inquebrantável egoísmo e auto-adoração e é, mais ou menos, lamento dizer, um dos homens mais felizes que conheço. Do ponto de vista moral, é muito difícil. Eu não estou a abordar o assunto segundo esse ponto de vista. Como vocês talvez saibam, não fui sempre cristão. Não me tornei religioso à procura da felicidade. Eu sempre soube que uma garrafa de vinho do Porto me daria isso. Se vocês quiserem uma religião que vos faça felizes, não recomendo o cristianismo. Tenho certeza que deve haver algum produto americano no mercado que será de maior utilidade. Mas quanto a isso, não sei como vos ajudar.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Anselmo Borges: "O enigma da pergunta e a religião"

Texto de Anselmo Borges no DN de sábado, 16 de novembro:


Bertrand Russel, desta vez sem cachimbo

O ser humano é constitutivamente o ser da pergunta, não podendo deixar de perguntar. Mas o próprio perguntar é enigmático. Se perguntamos, é porque não sabemos, mas sobre aquilo de que nada sabemos não perguntamos. Então, o que é que sabemos quando perguntamos? Sabemos sempre de modo imediato e atemático sobre o ser. É sempre no ser que estamos, numa experiência originária.

Mas essa experiência é a do ser na sua ambiguidade, causando-nos, por isso, espanto positivo e negativo e levando-nos à pergunta: o que é? Outra experiência fundamental, explicitando esta, tem que ver com o aparente e o real. Há sempre aquele encontro com o que nos parecia real e era apenas aparente: alguém, por exemplo, parecia cheio de saúde e, afinal, estava doente. Daqui, a pergunta: o que é verdadeiramente? Qual é a realidade última? Como escreve o filósofo Carlos João Correia, a religião é, numa primeira abordagem essencial, "um fenómeno cultural, de natureza pessoal e social, que engloba um conjunto de crenças, acções e emoções organizadas em torno da ideia do que se poderia designar, em termos filosóficos, "como uma realidade última e fundamental"".

Esta realidade última remete-nos e liga-nos ao incondicionado ou, se se quiser, ao absoluto. De facto, o contingente, o efémero, tem como sua condição de possibilidade uma realidade necessária prévia, o incondicionado.

Aqui, pode surgir uma crítica semelhante à que Bertrand Russell fazia a uma causa primeira, a Deus enquanto causa sui, causa de si, causa incausada: se tudo tem uma causa, qual é a causa de Deus?, se o incondicionado é condição de todo o condicionado, qual é a sua causa? Simon Blackburn mostrou que a argumentação de Russell não convence: "Russell terá notado que o argumento da causa primeira era mau, excepcionalmente, terrivelmente mau, uma vez que a conclusão não só não se segue das premissas, mas também na realidade as contradiz. A sua ideia era que o argumento parte da premissa de que "tudo tem uma causa (prévia e distinta)", mas acaba na conclusão de que tem de haver algo que não tem uma causa prévia e distinta, mas "tem em si a razão da sua própria existência". Portanto, a conclusão nega o que a premissa afirma. Ora, a rejeição de Russell é um pouco fraca. Realmente, o objectivo do argumento, na perspectiva teológica, é mostrar que, apesar de tudo o que é material ou físico ter uma causa prévia distinta, precisamente este facto leva-nos a postular algo de diferente, que não tem uma causa prévia distinta. No jargão teológico, isso seria algo que é "necessário" ou "causa sui": algo que é a sua própria causa. E uma vez que isto não se verifica no caso das coisas comuns que nos rodeiam, precisamos de postular algo extraordinário, uma Divindade enquanto titular desta extraordinária auto-suficiência." A questão é realmente a de um ser auto-suficiente.

É raro tematizarmos esta questão essencial, mas ela está lá sempre presente. Carlos João Correia acrescenta: "Mesmo que não quiséssemos, a percepção da nossa mortalidade far-nos-ia relembrar a sua presença silenciosa, pois a morte, enquanto nadificação das nossas possibilidades, faz emergir a própria questão de se ser."

Aceitando o carácter irredutível e necessário de uma "realidade última", fica a questão da relação humana com ela, percebendo-se que varie em função das diferentes mundividências e perspectivas culturais. Assim, "múltiplas posturas designadas como ateias" - pense-se, por exemplo, na concepção marxista de uma realidade última dialéctica - "não deixam, por isso, de serem religiosas". De facto, dá-se uma experiência religiosa, sempre que há "a consciência de dois postulados fundamentais: 1. Para lá da contingência dos fenómenos existe um horizonte em que eles têm sentido; 2. É incontornável para cada ser pessoal uma certa postura de relacionamento com esse mesmo horizonte." Por isso, embora a importância da palavra religião pareça desaparecer a um ritmo galopante do léxico humano contemporâneo, "a sua realidade permanece actual, na medida em que a resposta global às questões centrais da vida permanece tão ou mais viva do que antes".

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Quem pode responder?

Olhando retrospectivamente, podemos dizer que a forma que transformou o cristianismo numa religião mundial consistiu na sua síntese entre razão, fé e vida; esta síntese condensou-se precisamente na expressão religio vera. Impõe-se, por isso, cada vez mais a questão: porque é que, hoje, esta síntese já não convence? Porque é que, hoje, ao invés, surgem contraditórios e até reciprocamente exclusivos a racionalidade e o cristianismo? Que é que mudou na racionalidade? Que é que mudou no cristianismo?


Joseph Ratzinger na pág. 84 do livro "Existe Deus? Um confronto sobre verdade, fé e ateísmo", de Joseph Ratzinger e Paolo Flores d'Arcais, ed. Pedra Angular.

sábado, 25 de maio de 2013

Anselmo Borges: "O mundo dos afectos, a fé e a cura"

Artigo de Anselmo Borges no DN de hoje:


A definição do Homem como animal racional não dá conta adequada do que somos: de facto, não começamos por pensar, mas por sentir. Somos afectados pelo meio ambiente, desde o ventre materno. Daí, não ser indiferente uma gravidez querida e serena e uma gravidez vivida no meio da inquietação e do sobressalto.

No instante da concepção, está-se no que alguns chamam a "inocência do sentimento". Depois, começamos a ser afectados, positiva ou negativamente, e assim se vai formando uma atitude positiva ou negativa face ao mundo e aos outros, com consequências na auto-estima e autoconfiança ou não, com confiança no mundo e nos outros ou, pelo contrário, com desconfiança e inquietação.

Na altura, ainda se não pensa, mas sente-se. Primeiro, são os afectos. Suponhamos que, depois do nascimento, não se cuida convenientemente do bebé, ninguém lhe sorri, ninguém o acarinha. O que fica? O sentimento de frustração. Afinal, o que vale o mundo? Para que serve? Não começa aqui o sentimento de revolta, violência e destruição?

Depois, com a aquisição lenta do uso da razão, há-de estudar-se a vida afectiva, para aproveitar a sua força - querer ser e viver - na condução da existência, sabendo conviver com ela nas suas dimensões positivas e negativas. Porque a razão, sem os afectos, pode ficar paralisada, mas estes, sem aquela, podem tornar-se cegos. E assim se constata a importância do que hoje se chama a razão que sente, razão sensível, razão emocional.

É neste fundo anímico-vital afectivo que mergulha a própria fé religiosa. Esquece-se frequentemente que a fé não começa por ser religiosa, mas uma atitude fundamental da existência enquanto confiança de base. Hoje, quando o que faz falta é confiança e crédito, percebe-se melhor o tema. Mas, a um dado momento, há-de colocar-se também a questão da fé religiosa, na medida em que se põe a pergunta pelo fundamento último da confiança.

A realidade da fé como atitude fundamental de toda a existência e como possível abertura à fé religiosa, garante do sentido último e pleno, é sublinhada cada vez mais, também em estudos científicos referentes à doença e à cura. Aliás, não há aqui nenhuma descoberta, pois sempre se soube que a atitude do Homem face à vida, à doença e à própria morte depende do grau da sua confiança.

Também da confiança em Deus? "Uma grande maioria do corpo científico considera que a religião tem um impacto positivo na saúde", explicou na Time Magazine Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia.


Agora, Le Monde des Religions (n.° 54, 2012) foi investigar e dá conta de um artigo da Universidade de Oxford em 2001, com a síntese de 1200 estudos sobre a questão, concluindo que "crer , rezar, praticar uma religião levam a uma melhor resiliência às doenças mentais como a esquizofrenia e têm uma acção positiva sobre a pressão arterial e as funções imunitárias". Isto não significa que a oração seja um medicamento, mas que acreditar permite suportar melhor a doença, favorecendo o tratamento. A imagem de Deus, bom ou castigador, é fundamental.

Gail Ironson, da Universidade de Miami, num estudo sobre a ligação entre VIH e crença religiosa, conclui que, "mesmo tendo em conta os medicamentos, a espiritualidade traz um melhor controlo da doença". Nel Krause, da Universidade do Michigan, mostrou que as pessoas que acreditam que "a sua vida tem um sentido" vivem mais tempo.

O acto médico não pode ser de modo nenhum o de um técnico perante uma máquina estragada que é preciso reparar. É necessário aproximar-se do paciente dentro de uma compreensão global do Homem. Georges Engel, num artigo célebre - "The Need for a New Medical Model" -, falou de uma aproximação "bio-psico-social", que, segundo o teólogo Guy Jobin, teve enorme impacto. "Já não se trata de uma divisão do trabalho entre cura do corpo e cura das almas. Em vários sectores do cuidado - em geriatria, nos cuidados de longa duração, nos cuidados paliativos -, o acompanhante espiritual faz agora parte integrante da equipa de cuidados. É considerado um profissional como os outros membros da equipa."

sexta-feira, 24 de maio de 2013

domingo, 31 de março de 2013

Bento Domingues: "A vida triunfa da morte"

Bento Domingues no "Público" de hoje:


Se para afirmar Deus fosse preciso sacrificar o ser humano, Deus estaria condenado e o ateísmo justificado. Deus, acolhido e celebrado como fonte de vida, foi acusado, na modernidade, de roubar a liberdade, a criatividade e a felicidade ao ser humano. O teólogo não pode recusar a participação numa investigação pluridisciplinar, capaz de apurar as responsabilidades das religiões, das igrejas e da cegueira humana, nessa acusação. A crítica das práticas e representações alienantes da religião pertence ao seguimento de Jesus Cristo. Não há discipulado sem a democratização desta atitude na Igreja.

Crítica não é má língua esterilizante. Para conceber e experimentar novos caminhos e expressões que assumam a tradição no seio da criatividade multifacetada de cada época, ou nos seus desvarios, é indispensável discernimento. Só um Deus de puro amor pode ajudar a humanidade a ser humana.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Anselmo Borges: "Cronista do Reino de Deus a caminho"

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (aqui):


No passado dia 10 de Dezembro, realizou-se em Lisboa uma merecida homenagem a Frei Bento Domingues, com a apresentação do livro Frei Bento Domingues e o Incómodo da Coerência, onde escrevem personalidades destacadas de diferentes quadrantes da cultura, da política, da religião.

Os intervenientes na sessão salientaram os valores por que Frei Bento se rege: a coerência, o diálogo, o humanismo universalista (Guilherme d'Oliveira Martins), a sabedoria, a dignidade humana, a ética (Maria José Morgado), o amor, a tolerância (Luís Osório, que concluiu: "Sempre que vejo um homem e penso em Jesus, penso em Frei Bento").

Ao longo da sua vida, foi deixando lições fundamentais: a paixão por Jesus Cristo, a liberdade cristã - "foi para a liberdade que Cristo nos libertou", escreveu São Paulo -, uma teologia que tem de ser encarnada, o combate pelos direitos humanos, a magnanimidade com os perseguidores, o despojamento em relação ao Poder, que conhece mas ao qual nunca se colou, a alegria, aliada a uma ironia fina, uma generosidade sem limites. É enorme a dívida da Igreja e dos portugueses para com Frei Bento Domingues.

O que aí fica é uma brevíssima tentativa de leitura da sua teologia, expressa cada domingo nas suas crónicas. Ele também lê o Evangelho, e lá está, no Prólogo do Evangelho segundo São João: o Logos, a Palavra, fez-se carne, ser humano frágil, fez-se tempo (Chronos), assumindo-o na sua fragilidade e dando-lhe sentido. Aí está a crónica no sentido teológico: a Palavra no tempo - a Palavra habita o tempo, e então o ser humano transcende o tempo na sua voragem, há um Sentido de todos os sentidos - quantas vezes, nos seus textos, Frei Bento refere esta ideia: a articulação do Sentido de todos os sentidos.

O que são os Evangelhos senão narrativas - histórias do e no tempo, iluminadas pela Palavra? O que são os evangelistas senão cronistas do Reino de Deus a acontecer em histórias paradigmáticas? Será possível uma teologia viva que não seja teologia narrativa? Concretamente a teologia cristã o que é senão reflexão explicitada sobre a praxis do Reino de Deus? É assim que Frei Bento é o teólogo-hermeneuta, se se quiser, cronista do Reino de Deus, que é o reino do homem bom, justo, livre, fraterno e feliz.

E aí estão os seus grandes princípios arquitectónicos: teologia do Reino de Deus; contra a gnose, porque "não há salvação fora do mundo"; teologia que não abandona a razão crítica, também em relação à Igreja, frequentemente "pasmada e sentada", no dizer de Fernando Alves, até porque sabe que a razão autónoma, feito o seu percurso todo, descobre que ela própria se acende na noite do Mistério e que só um homem livre pode dizer sim a Deus; teologia que vincula ética e estética; teologia ecuménica: todos estão incluídos, sem anular, pelo contrário, implicando, as diferenças; teologia para a paz e articulando-se à volta da ética e da mística, num vínculo indissolúvel, pois a nova catolicidade passa por essa outra nova globalização desde baixo, desde os débeis, pobres e marginalizados, à escala mundial.

O tempo, na sua fragilidade e carácter efémero, é habitado: o Verbo fez-se carne no tempo. Frei Bento Domingues continuará a alumiar-nos como cronista do Reino de Deus a caminho, Reino de uma humanidade boa, livre, justa e feliz. Precisamente a concretização desta bondade, liberdade, justiça, fraternidade, diálogo, felicidade, no horizonte sempre mais aberto de esperança no Sentido de todos os sentidos, irá sendo o critério de verificação da verdade da fé e da teologia, uma verificação sempre frágil, porque, num mundo que é processo, a verificação última é para todos escatológica: só no fim se saberá.

De todos os modos, como ele escreveu, "A religião verdadeira é a respiração da alegria da terra ou o projecto contra o sofrimento do mundo. Quando uma religião, uma igreja ou uma seita se cala perante a humilhação da condição humana, é porque se esqueceu da pergunta de Deus que percorre a história da desumanidade: 'que fizeste do teu irmão?' A arte de viver de Jesus de Nazaré foi esta pergunta feita carne, humanidade de Deus".

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Repropor a fé religiosa



Será possível (...) que a questão da fé não seja qualquer coisa que se proponha de novo? É uma boa pergunta, porque (...) parece-me constitutivo da problemática religiosa justamente o facto de ela ser sempre o retomar de uma experiência de algum modo já feita. Nenhum de nós, na nossa cultura ocidental - e se calhar em qualquer cultura - começa do zero na questão da fé religiosa.


Gianni Vattimo, "Acreditar em acreditar", pág. 8

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O verdadeiro cálice de Jesus. Mais um



O arcebispo de Valência foi a Jerusalém entregar uma cópia do Santo Cálice da Última Ceia do Senhor (na imagem). Li aqui.

É sempre muito engraçado este folclore à volta de objetos lendários que de certeza não são nada do que anunciam ser. A seriedade, a celebração, a comitiva, o orgulho, o vidro de proteção… E ninguém se ri pelo meio?

Se Indiana Jones e Dan Brown soubessem que o Graal estava em Valência, como ficava empobrecida a nossa cultura pop...

Ainda que estes objetos falsos possam ser um meio de promoção de fins cristãos, como o apreço pela Eucaristia, os fins não justificam os meios. Prefiro pensar que em matéria de relíquias, todos podemos ter uma que pertenceu a Jesus: a pedra que ele não teve para reclinar a cabeça (na realidade, já houve um medieval a gloriar-se de a possuir).

sexta-feira, 23 de março de 2012

Fé e religião

Desafiem a religião e as pessoas vão ficar a pensar que estão e pôr em causa a sua fé.


Seth Godin, "Tribos", Ed. Lua de Papel, pág. 78

quarta-feira, 21 de março de 2012

Religião e verbo «ser», religião e criação



A religião poderia ser definida como uma resposta narrativa à interrogação: «Porque há alguma coisa em vez de nada?», como um esforço estruturado visando demonstrar que esta interrogação não poderá esquivar dentro dela a presença contraditória do verbo «ser».


George Steiner, Gramáticas da Criação, Relógio d'Água, pág. 28

sexta-feira, 2 de março de 2012

Açores: Exposição "Santos e Devotos"



Decorre até 8 de abril, no Museu de Angra do Heroísmo, a exposição "Santos e Devotos". Diz no sítio do Museu que a exposição
procura trazer ao presente, conhecer e aprofundar uma das nossas maiores matrizes culturais, que são as manifestações religiosas cristãs, e sujeitá-las ao crivo das nossas preocupações e angústias mais atuais. (…) Expõem-se peças de imaginária e pintura de notável valor artístico, bem como outros objetos religiosos ligados à prática do sagrado, como sejam presépios, registos e ex-votos.
O catálogo pode ser visto e descarregado aqui. E vale bem a pena (presumo que poucos dos que leem isto possam ver a expo ao vivo), como se pode ver pelas páginas aqui reproduzidas Aumentam, se clicar. Agradeço ao Paulo, açoriano que me falou a exposição.


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Bento Domingues: Religião estável e religião itinerante

Texto de Bento Domingues no "Público" de hoje. "Não se pode pedir aos indiferentes que façam o trabalho de evangelização que compete aos cristãos e aos seus líderes".

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

17 de fevereiro de 1856. Morre o poeta que disse que a religião é ópio


Heinrich Heine (13 de dezembro de 1797 – 17 de fevereiro de 1865), alemão de ascendência judaica, um dos últimos poetas românticos, foi um crítico da religião. Escreveu em 1840: “Bendita seja uma religião, que derrama no amargo cálice da humanidade sofredora algumas doces e soporíferas gotas de ópio espiritual, algumas gotas de amor, fé e esperança”.

Marx inspirar-se-ia nesta frase para cunhar a expressão “religião ópio do povo”, na “Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”, de 1844.

Heine deixou também uma frase frequentemente citada, quase sempre sem o autor: “Aqueles que queimam livros, acabam cedo ou tarde por queimar homens”.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Remédios e magia

Antigamente, quando a religião era forte e a ciência era fraca, os homens usavam a magia como remédio; agora que a ciência é forte e a religião é fraca, os homens usam remédios como magia.


Thomas Szasz

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Kadafi. Ele disse isto?


Quando um líder se torna religioso, é impossível para tentar discutir com ele. Quando alguém lidera em nome da religião, as suas vidas tornam-se um inferno.

Kadafi, Tripoli, Outubro de 1989

domingo, 16 de outubro de 2011

Memórias combustivas

Meditação de domingo:
Não há ordem jurídica nem forma de governo que não procure fundar a sua legitimidade na religião. Foi o cristianismo que se secularizou, não a sociedade que se cristianizou.  A saída da religião diz muito cruamente que as religiões deixaram de ser memórias activas, combustivas. A sacralização da ordem política tem uma matriz ocidental. A cura do corpo está hoje a cargo do Estado, que se tornou o grande terapeuta. Até os bombeiros se propõem a salvação pública.
José Augusto Mourão na página 69 de "Quem vigia o vento não semeia" (ed. Pedra Angular)

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...