Mostrar mensagens com a etiqueta Universo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Universo. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Vida cósmica

A ressurreição de Cristo fundamenta a esperança viva do êxito vitorioso e eterno da grande vida cósmica, êxito que nós não somos capazes de descrever, mas unicamente de pressentir e esperar.

Peter Nemeshegyi

sábado, 22 de setembro de 2012

Procurar Deus nos buracos da ciência?


Excertos de uma entrevista que o IHU fez ao físico Marcelo Gleiser.


A espiritualidade é parte da nossa humanidade
Não vejo que a ciência avance devido ao diálogo com a fé, ao menos nos tempos modernos. Sem dúvida, historicamente alguns dos grandes nomes da ciência eram também profundamente religiosos; Copérnico, Galileu, Kepler, Newton. Para eles, a ciência engrandecia a obra de Deus e era interligada com a fé. Hoje, existe uma separação prática entre as duas. A religião não faz parte do discurso científico, ao menos diretamente. É perigoso para as duas buscar-se por estas ligações. Ciência e fé devem coexistir e não insistir numa relação de dependência mútua. Por outro lado, se buscarmos por uma inspiração na ciência, o que faz tantos homens e mulheres dedicarem suas vidas ao estudo da Natureza, encontraremos, em muitos casos, uma relação de profunda espiritualidade com o mundo, mesmo que, na maioria deles, esta relação não inclua fatores sobrenaturais. A espiritualidade é parte da nossa humanidade, e se manifesta de formas diferentes em tempos diferentes. (…)

Humildade de crentes e ateus
Acho que Dawkins, Dennett, Harris e Hitchens pecam pelo excesso, pelo uso da mesma retórica virulenta que criticam nos extremistas religiosos. Todo fundamentalismo é, por definição, exclusivista e destrutivo. Mesmo que muita gente ache que eles representam a posição da ciência, isso não é verdade. Existem muitos cientistas que, mesmo sendo ateus ou agnósticos, não adotam uma postura combativa em relação à fé. Esse tipo de atitude não só não leva a nada como é filosófica e extremamente ingênua. Basta dar uma olhada mais cuidadosa na ciência e em como ela funciona para entender que têm limitações essenciais, questões que estão além do seu alcance. Isso não significa que as pessoas de fé devam buscar Deus nos limites da nossa compreensão científica, mas que os cientistas precisam ter mais humildade em seus pronunciamentos sobre o que a ciência já compreende e o que é ainda mera especulação. Achar que todas as questões podem ser reduzidas ao método científico é privar a cultura humana de outros modos de compreensão. A realidade é bem mais rica do que isso.

Deus nas brechas? Estratégia de fracasso
Buscar por Deus nas brechas da ciência é uma estratégia que leva inevitavelmente ao fracasso; a ciência avança e esse Deus que “explicava” o que não se sabia explicar torna-se desnecessário. Melhor guardar a fé para questões de aspeto transcendente, que não são necessariamente abordadas pela ciência e seus métodos: qual o sentido da nossa existência, o que é o amor, por que existe o mal, o que é verdade etc.

Ler tudo, que não é muito mais, aqui.
Mais Marcelo Gleiser aqui.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Deus e os dados



Eu estou convencido que Ele não joga aos dados.
Einstein em carta Max a Born

Não só Deus joga dados com o Universo, como joga em lugares onde não podemos ver o resultado.
Stephen Hawking

Deus joga aos dados, mas escolhe apenas as melhores jogadas.
Anónimo

Ação

Esta é uma forma de Deus agir sobre o Universo: através de nós, como seus agentes com livre arbítrio.


Guy Consolmagno

sábado, 14 de julho de 2012

Anselmo Borges: "A partícula de Deus"


Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (aqui):

Para que a teoria-padrão da Física fosse validada, estava previsto, desde há cerca de 50 anos, o famoso bosão de Higgs, para dar massa às outras partículas. No passado dia 4, festejou-se no CERN, porque, mesmo que se não tenha a certeza total da descoberta da célebre partícula, houve um novo avanço científico no sentido de percebermos melhor o mundo e nos entendermos melhor a nós próprios. Foi um acontecimento histórico, a ponto de Stephen Haw-king sugerir a atribuição do Nobel a Peter Higgs, que teorizou sobre a existência do bosão.
Peter Higgs

A linguagem jornalística refere-se ao bosão de Higgs como "a partícula de Deus" - claro, os físicos não o fazem. A expressão, se não estou enganado, vulgarizou-se e teve êxito, a partir do título de um livro do Nobel da Física, Leo Lederman, que devia chamar-se The Goddamn Particle (a partícula maldita), por causa da dificuldade em observá-la, mas que o editor, temendo o impacto ofensivo da palavra, pediu para mudar. Seja como for, o bosão de Higgs não é Deus, como, em ignorância apressada e atrevida, sugeriu uma jornalista, quando, num noticiário de uma rádio nacional, atirou: foi descoberta "a partícula que substitui Deus".

Alguns pensam que esta e outras descobertas diminuirão a importância de Deus na compreensão do universo. Mas é o físico Carlos Fiolhais, da Universidade de Coimbra, que tem razão, quando diz que "não haverá consequências para as crenças religiosas, pois desde o tempo de Galileu que a ciência é uma coisa e a religião é outra".

A ciência e a religião não só não são incompatíveis como são perfeitamente compatíveis, desde que se perceba o âmbito e o método de cada uma. A prova está em que há cientistas não crentes e cientistas crentes. O que é preciso entender é que a ciência como tal não é crente nem ateia. É pura e simplesmente ciência, de tal modo que crentes e não crentes avançam para o domínio científico em pé de igualdade, com métodos científicos. A ciência não demonstra a existência de Deus, mas também não demonstra a sua não existência. Não pode fazê-lo, porque Deus não é objecto de ciência, Deus não é da ordem do verificável empiricamente.

No plano da ciência, a questão de Deus não se põe. O que se passa é que os cientistas também são seres humanos, com múltiplos interesses e pondo questões em vários âmbitos, para lá do domínio científico. Por outro lado, a realidade é infinitamente complexa e exige múltiplas abordagens. Depois, a razão é multidimensional, de tal modo que se foi percebendo que a religião não é hegemónica - entendeu-se, por exemplo, que a Bíblia não é um livro de ciência, mas um livro religioso e que, mesmo se 46% dos americanos continuam a crer que a Terra e os humanos foram criados por Deus há menos de dez mil anos, não pode ser lido à letra, pois exige uma leitura histórico-crítica -, como também se superou o positivismo cientificista do século XIX, que pensava ter resposta para tudo - os físicos hoje já não têm a pretensão de uma "teoria de tudo", no quadro de uma equação que tudo explicaria.

Há, portanto, o ser humano que enfrenta a realidade nos seus múltiplos planos e com variados interesses e com metodologias diferentes. Costumo dar um exemplo simples, quase ingénuo. É evidente que um botânico, um químico, um artista, um poeta, um jardineiro, um casal romântico, um administrador, não encaram todos da mesma maneira um belo jardim botânico. Trata-se do mesmo jardim, mas perspectivado de modos diferentes. Com a realidade globalmente considerada passa-se a mesma coisa.

Existem, pois, várias abordagens para a realidade, com metodologias diferentes. Depois da suspeita de que se encontrou o bosão que Higgs previra, a ciência continuará num caminho interminável de investigação. E, para lá das vantagens tecnológicas que o saber científico nos traz, é fascinante conhecer pelo simples gozo de saber. E lá estará sempre aquela pergunta radical: Porque há algo e não nada? Qual o sentido último de tudo? Aqui, ergue-se a resposta filosófica e religiosa, e há uns que acreditam e outros não. De qualquer modo, a religião não é necessariamente o asilo da ignorância e da superstição.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Somos únicos no universo?


Num artigo sobre as quatro eras da astrobiologia (as eras física, química, biológica e cognitiva), o astrofísico brasileiro Marcelo Gleiser afirma, contra certa divulgação científica, que a vida inteligente no universo pode ser rara (até na Terra - acrescento). Vale a pena ler pela simplicidade e concisão dos conhecimentos. Ler tudo aqui.
Sabemos que, em torno de 3,8 bilhões [mil milhões] de anos atrás, a vida surgiu aqui na Terra, composta dos restos de estrelas que explodiram em nossa vizinhança cósmica. Possivelmente, ela surgiu também em outros lugares, tanto antes quanto depois de ter surgido aqui. A quarta era, que chamo de era cognitiva, é bem mais recente, começando há menos de meio milhão de anos na Terra. Pode ter começado um ou dois bilhões de anos antes daqui, mas não muito mais do que isso. A vida demora a evoluir de seres unicelulares a seres multicelulares e, destes, a seres inteligentes, se é que o faz. A diversidade da vida em um planeta depende de sua história. A vida que encontramos aqui só existe aqui. Mesmo se a vida for de fato comum no Cosmo, é pouco provável que a vida inteligente o seja. Deste modo, somos únicos no universo.
Entrevista de Marcelo Gleiser numa recente passagem por Portugal.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Uma presença que me perturba com a alegria



William Wordsworth (1770-1850)

Tenho sentido
Uma presença que me perturba com a alegria
Dos pensamentos elevados; um sublime sentido
De algo em tudo profundamente impregnado,
Cuja morada é a luz de todos os sóis poentes,
O oceano redondo, e todo o ar que vive,
O céu azul, e a própria mente do homem;
Um movimento, e um espírito, que impele
Tudo o que pensa e todo o que há no pensamento,
E rompe por todas as coisas.

Wordsworth, “Versos escritos algumas milhas a norte de Tirten Abbey”, 13 de Julho de 1798 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Será que a ciência provou que Deus não existe? 2.ª Parte

Parte da astrónoma Teresa Lago sobre o debate à volta do último livro de Stephen Hawking, no "Q. Quociente de Inteligência" do sábado passado (ver primeira parte aqui). Nos próximos tempos, não há sinais de tédio no céu.



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Será que a ciência provou que Deus não existe? 1.ª Parte

A parte do P.e Joaquim Carreira das Neves sobre o debate à volta do último livro de Stephen Hawking, no "Q. Quociente de Inteligência" do sábado passado (ver aqui também). Será que a ciência provou que Deus não existe?



segunda-feira, 20 de junho de 2011

Eu espero pela forma


Deixai o caos bramar!
Deixai as formas das nuvens enxamear!
Eu espero pela forma.

Robert Frost (1874-1963)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O Papa à conversa com astronautas

O primeiro Papa a falar para o espaço. Chegou a estar a anunciado para 4 de Maio, mas aconteceu somente no dia 21, sábado. O texto da conversa, em baixo, foi copiado daqui.

Pope: Dear astronauts,

I am very happy to have this extraordinary opportunity to converse with you during your mission. I am especially grateful to be able to speak to so many of you, as both crews are present on the Space Station at this time.
Humanity is experiencing a period of extremely rapid progress in the fields of scientific knowledge and technical applications. In a sense, you are our representatives – spear-heading humanity’s exploration of new spaces and possibilities for our future, going beyond the limitations of our everyday existence.
We all admire your courage, as well as the discipline and commitment with which you prepared yourselves for this mission. We are convinced you are inspired by noble ideals and that you intend placing the results of your research and endeavours at the disposal of all humanity and for the common good.
This conversation gives me the chance to express my own admiration and appreciation to you and to all those who collaborate in making your mission possible, and to add my heartfelt encouragement to bring it to a safe and successful conclusion.

But this is a conversation, so I must not be the only one doing the talking.
I am very curious to hear you tell me about your experiences and your reflections.
If you don’t mind, I would like to ask you a few questions…

First Question [Pope]:
From the Space Station you have a very different view of the Earth. You fly over different continents and nations several times a day. I think it must be obvious to you how we all live together on one Earth and how absurd it is that we fight and kill each other one. I know that Mark Kelly’s wife was a victim of a serious attack and I hope her health continues to improve. When you are contemplating the Earth from up there, do you ever wonder about the way nations and people live together down here, or about how science can contribute to the cause of peace?

Reply (Mark Kelly, USA):
Well, thank you for the kind words, Your Holiness, and thank you for mentioning my wife Gabby. It’s a very good question: we fly over most of the world and you don’t see borders, but at the same time we realize that people fight with each other and there is a lot of violence in this world and it’s really an unfortunate thing. Usually, people fight over many different things. As we’ve seen in the Middle East right now: it’s somewhat for democracy in certain areas, but usually people fight for resources. And it’s interesting in space … on Earth, people often fight for energy; in space we use solar power and we have fuel cells on the Space Station. You know, the science and the technology that we put into the Space Station to develop a solar power capability, gives us pretty much an unlimited amount of energy. And if those technologies could be adapted more on Earth, we could possibly reduce some of that violence.

Second Question:
One of the themes I often return to in my discourses concerns the responsibility we all have towards the future of our planet. I recall the serious risks facing the environment and the survival of future generations. Scientists tell us we have to be careful and from an ethical point of view we must develop our consciences as well.
From your extraordinary observation point, how do you see the situation on Earth?
Do you see signs or phenomena to which we need to be more attentive?

Reply (Ron Garan, USA):
Well, Your Holiness, it’s a great honour to speak with you and you’re right: it really is an extraordinary vantage point we have up here. On the one hand, we can see how indescribably beautiful the planet that we have been given is; but on the other hand, we can really clearly see how fragile it is. Just the atmosphere, for instance: the atmosphere when viewed from space is paper-thin, and to think that this paper-thin layer is all that separates every living thing from the vacuum of space and is all that protects us, is really a sobering thought. You know, it seems to us that it’s just incredible to view the Earth hanging in the blackness of space and to think that we are all on this together, riding through this beautiful fragile oasis through the universe, it really fills us with a lot of hope to think that all of us on board this incredible orbiting Space Station that was built by the many nations of our international partnership, to accomplish this tremendous feat in orbit, I think … you know, that just shows that by working together and by cooperating we can overcome many of the problems that face our planet, we could solve many of the challenges that face the inhabitants of our planet … it really is a wonderful place to live and work, and it’s a wonderful place to view our beautiful Earth.

Third Question:
The experience you are having right now is both extraordinary and very important – even if you must eventually come back down to Earth like all the rest of us.
When you do return, you will be much admired and treated like heroes who speak and act with authority. You will be asked to talk about your experiences. What will be the most important messages you would like to convey – to young people especially – who will live in a world strongly influenced by your experiences and discoveries?

Reply (Ron Finchke, USA):
Your Holiness, as my colleagues have indicated, we can look down and see our beautiful planet Earth that God has made, and it is the most beautiful planet in the whole Solar System. However, if we look up, we can see the rest of the universe, and the rest of the Universe is out there for us to go explore. And the International Space Station is just one symbol, one example of what human beings can do when we work together constructively. So our message, I think - one of our many messages, but I think one of our most important messages – is to let the children of the planet know, the young people know that there is a whole universe for us to go explore. And when we do it together, there is nothing that we cannot accomplish.

Fourth Question:
Space exploration is a fascinating scientific adventure. I know that you have been installing new equipment to further scientific research and the study of radiation coming from outer space. But I think it is also an adventure of the human spirit, a powerful stimulus to reflect on the origins and on the destiny of the universe and humanity. Believers often look up at the limitless heavens and, meditating on the Creator of it all, they are struck by the mystery of His greatness. That is why the medal I gave Roberto as a sign of my own participation in your mission, represents the Creation of Man – as painted by Michelangelo on the Sistine Chapel ceiling. In the midst of your intense work and research, do you ever stop and reflect like this – perhaps even to say a prayer to the Creator? Or will it be easier for you to think about these things once you have returned to Earth?

Reply (Roberto Vittori, Italy):
Your Holiness, to live on board of the International Space Station, to work as an astronaut on the shuttle Soyuz of the Station, is extremely intense. But we all have an opportunity, when the nights come, to look down on Earth: our planet, the blue planet, is beautiful. Blue is the colour of our planet, blue is the colour of the sky, blue is also the colour of the Italian Air Force, the organization that gave me the opportunity to then join the Italian Space Agency and the European Space Agency. When we have a moment to look down, beauty which is the three-dimensional effect of the beauty of the planet is capturing our heart, is capturing my heart. And I do pray: I do pray for me, for our families, for our future. I took with me the coin and I allow this coin to float in front of me to demonstrate lack of gravity. I shall thank you very much for this opportunity and I’d like to allow this coin to float to my friend and colleague Paolo: he will make return to Earth on the Soyuz. I brought it with me to space and he will take it down to Earth to then give it back to you.

Fifth Question – in Italian – for Paolo Nespoli:
Dear Paolo , I know that your Mother passed away recently and that when you get back home in a few days she will not be there to greet you. We are all close to you in your loss, and I personally have prayed for her…How did you cope with this sorrowful time? Do you feel alone and cut off in your Space Station? Do you suffer a sense of separation, or do you feel united among yourselves and part of a community that follows your endeavours with attention and affection?

Reply (Paolo Nespoli, Italy):
Holy Father, I've felt your prayers, your prayers even now: it's true, we are away from this world, orbiting around the earth and having a vantage-point of looking upon the earth and feeling all that's happening on it. My colleagues here aboard the station have been close in this important, very intense, time for me, just as my siblings, my aunts, cousins and relatives were close to my mother in her last moments. I'm grateful for all this. I've felt myself far, but also very close, and surely the thought of feeling all you close to me, closely united in this moment, has been an extreme comfort. I also thank the European and American space agencies which made their resources available so I could talk to my mother in her last hours alive.

Pope: Dear astronauts,
I thank you warmly for this wonderful opportunity to meet and dialogue with you. You have helped me and many other people to reflect together on important issues that regard the future of humanity. I wish you the very best for your work and for the success of your great mission at the service of science, international collaboration, authentic progress, and for peace in the world. I will continue to follow you in my thoughts and prayers and I willingly impart my Apostolic Blessing.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Racionalidade e a espiritualidade nas três origens

“A compreensão dos fenómenos naturais, dos mais simples aos mais profundos, deveria apenas fortalecer nossa espiritualidade. A racionalidade e a espiritualidade são aspectos complementares”, escreve Marcelo Gleiser na “Folha de S. Paulo” (aqui). Para o professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), com várias obras publicadas sobre a relação ciência / religião, "as três origens", isto é, a do Universo, a da vida e a da mente, são um terreno excelente para a intersecção entre a ciência e a religião.
E mesmo que se venha a obter uma explicação científica (isto é, natural) dos três fenómenos tal não significa que seja abolida a “conexão espiritual com a natureza”.
A origem do universo, da vida e da mente “são as questões não respondidas que servem de motivação para os cientistas. O destino final importa menos do que o que aprendemos no meio do caminho”.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

L’origine du monde



Só as revistas francesas fazem números assim, os “hors-série”, autenticamente fora de série. Este, do “le nouvel Observateur”, Janeiro-Fevereiro de 2011, dedica-se às origens. 100 páginas para ler sem saltar nenhuma, até porque só há publicidade na contracapa.

Na primeira parte, traça-se um “atlas das crenças”, isto é, o que as religiões e as mitologias dizem das origens.

A segunda parte é especificamente sobre “ciência e religião”, nos moldes clássicos. A ciência é a ocidental; a religião é o cristianismo (com uma página para o Islão, porque houve um tempo em que não havia divórcio entre ciência e islamismo). Estão lá os pontos fundamentais: Galileu, o Génesis e a literalidade da Bíblia, Kant-Laplace, Einstein…

Na terceira parte fala-se dos novos mistérios do universo, que se resumem às respostas actuais para a velha questão do “ser e nada”.

Na última parte apresentam-se trechos s clássicos: excertos da “Teogonia”, de Hesíodo, à “Breve História do Tempo”, de Hawking, passando por Darwin, entre outros.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O citador de Bento XVI

O "Correio da Manhã" é o jornal português que mais cita o Papa. É rara a semana em que não sai uma citação, como esta, que é de hoje.

domingo, 2 de janeiro de 2011

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Implicações religiosas das recentes descobertas da ciência

Diarmuid O'Murchu

Diarmuid O'Murchu, irlandês, padre da Congregação Missionária do Sagrado Coração, reflecte sobre a fé e a vida religiosa à luz das novas descobertas da ciência. Publicou os livros "Quantum Theology", "Evolutionary Faith"e "Reclaiming Spirituality". No “National Catholic Reporter” publicou uma estimulante reflexão sobre “implicações religiosas das recentes descobertas da ciência”. Termina com oito pensamentos que copiei daqui.

1. Muito antes de a religião evoluir, o homem acreditava que o divino estava intimamente envolvido na criação. Todas as religiões sustentam essa ideia. Seria, então, a criação uma espécie de revelação primária de Deus a nós? Se assim for, precisamos observar atentamente a como entendemos a criação.

2. Nossa tendência humana, especialmente nos últimos 2 mil anos, é a de reduzir a criação a um artefato humano, que podemos usar e subjugar à nossa vantagem. Todas as grandes religiões, de uma forma ou de outra, endossam essa orientação. Consequentemente, não podemos mais aceitar que as compreensões religiosas da criação são, de certa forma, adequadas, espiritual ou teologicamente.

3. Embora os cientistas também assumam o interesse viciante com o poder e o controle, muitas de suas intuições sobre a vida cósmica e planetária podem ser muito mais informadas espiritualmente agora do que as compreensões das religiões formalizadas. Por outro lado, vários desses conhecimentos científicos são congruentes com os dos grandes místicos de todas as tradições religiosas da humanidade.

4. Os teólogos cristãos manifestam um forte interesse com o conceito de creatio ex nihilo (criação a partir do nada). Eles pretendem manter essa crença, a fim de salvaguardar a iniciativa divina e, presumivelmente, sua compreensão do poder divino. Hoje, nós entendemos o nada primordial como um substrato da criatividade efervescente. Talvez, para Deus, a noção de um ponto de partida não é significativa. Que isso não seja outro deslumbramento antropocêntrico!

5. As escrituras de todas as tradições fazem alusão ao fim do mundo. Ele é muito explícito nas tradições cristã e muçulmana. A ciência contemporânea está se movendo rapidamente em direção à noção de um mundo sem começo nem fim. Não seria esse um indicador mais forte da verdade, ao invés da postura antimundo que algumas das principais religiões sustentam?

6. O grande temor – científica e religiosamente – gerado por muitas dessas novas ideias faz referência ao nosso lugar e papel humanos no plano da criação. Está abundantemente claro que não estamos no comando, que não somos a espécie máxima em qualquer sentido, que dependemos de muitos outros aspectos da criação para sobreviver na terra, que somos um pequeno organismo dentre muitos outros e, perturbadoramente, não somos tão sábios quanto nós gostaríamos que fôssemos. Então, qual é o nosso propósito?

7. De todas as respostas a essa questão, a que eu acho mais desafiadora e inspiradora é a proposta de que somos a criação tornando-se consciente de si mesma. A nossa singular vocação - e contribuição para a criação – é aumentar o crescimento da consciência. Uma gigantesca responsabilidade! (Talvez é disso que os grandes místicos trataram e tratam!).

8. Teologicamente, a questão crucial está em torno da noção de revelação. Se o divino vem revelando criatividade e sentido em toda a história da criação, ao longo desses bilhões de anos, por que restringir a autonomia do divino aos limites de tempo e cultura religiosamente validados? De alguma forma, isso não parece fazer mais sentido!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Uma oração de vez em quando. Esta é de Teilhard de Chardin

O fogo no mundo


Pleno da seiva do Mundo,
Subo para o Espírito que me sorri
para além de toda conquista,
vestido com o esplendor concreto do Universo.
E eu não saberia dizer,
perdido no mistério da Carne divina,
qual é a mais radiosa
dessas duas bem-aventuranças:
ter encontrado o Verbo para dominar a Matéria,
ou possuir a Matéria para alcançar
e submeter-me à luz de Deus.


Teilhard de Chardin, in "Hino do Universo"

sábado, 27 de novembro de 2010

Um intervalo no meio do vazio

No Rerum Natura, uma crónica de António Piedade lembra que foi "Georges Lemaître, padre e cientista, o primeiro a propor, em 1927, um início assim para o Universo. Sem dimensões de tempo nem de espaço, uma singularidade. Chamou-lhe a «hipótese do átomo primevo» e baseava-se em assumpções decorrentes da teoria da relatividade geral de Einstein. Anos mais tarde, em 1949, Fred Hoyle haveria de baptizar, ainda que pelo ridículo, esse momento com a designação «Big Bang»".

O texto é sobre, digamos, o vazio do universo e o que somos.

"E que vazio? Incomensurável! Num átomo de hidrogénio, o combustível das estrelas e o elemento mais abundante do Universo, 99,9999% é vazio! O seu núcleo, constituído por um único protão, ocupa apenas 0,00001% do volume de todo o átomo. O resto é nada e uma certa probabilidade de encontramos um electrão, num determinado estado quântico".

"Somos então um intervalo vazio semeado de partículas e energia, cerzidos no tear sempre crescente de tempo e de espaço".

Ler tudo aqui. Sobre Lemaître, ver aqui.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...