Diz-se que, em 1773, [o Marquês de Pombal] ficara irritado com uma proposta de D. José I; tal como os reis que o antecederam e os que se lhe seguiram, sugerira que quem tivesse antepassados judeus devia usar um barrete amarelo. Uns dias depois, Pombal entrou no paço real com três barretes debaixo do braço. Como era de prever, D. José mostrou-se admirado e perguntou para que serviam; Pombal respondeu que estava apenas a obedecer às ordens reais. «Mas por que me trazeis três?», teria perguntado D. José, ao que o ministro respondeu: «Um é para mim, outro para o inquisidor-geral e o terceiro é para o caso de Nossa Majestade desejar cobrir a cabeça».
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Barretes amarelos
quinta-feira, 31 de março de 2011
O último condenado à morte pela Inquisição em Portugal
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Mentiras do 5 de Outubro de 1910

Caricatura do anticlerical Afonso Costa
Outra mentira habitual é a de que o regime saído do 5 de Outubro teria feito da educação uma das suas prioridades – é o mito da “educação republicana”, essa lenda que alimenta a farsa da “inauguração”, pelo centenário, de 100 novas escolas. Ora a primeira preocupação da República não foi a educação, antes a perseguição dos católicos, em especial dos jesuítas. Menos de cem horas depois de José Relvas ter subido à varanda dos Paços do Concelho de Lisboa, foi proclamada uma lei a renovar a proscrição dos jesuítas, repondo em vigor a legislação do Marquês de Pombal. Todos os membros de associações religiosas foram proibidos de “exercer o ensino ou intervir na educação”, o que teve como consequência imediata o encerramento de muitas escolas. No tempo de Pombal a expulsão dos jesuítas fizera desaparecer a rede de ensino secundário, a qual levaria décadas a ser reconstruída; com a República repetia-se o mesmo erro.
José Manuel Fernandes, "Público", 04-10-2010
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Kenneth Maxwell, Pombal e os jesuítas

Abarcando fé, cultura, história e ciência, é natural que os jesuítas figurem de vez em quando neste blogue. Por isso, não resisto a transcrever um excerto de uma entrevista da Revista de História da Biblioteca Nacional (Brasil) ao historiador Kenneth Maxwell, em 2007, em linha com o recente post sobre os "padres matemáticos" na Amazónia.
RH- Foi um desafio o estudo que você fez sobre Pombal? Como isso foi recebido em Portugal?
KM- É curioso como os portugueses acham que uma pessoa que escreve sobre Pombal deve gostar de Pombal. Ele era um homem muito feroz, ditador e não escondia em nada isso. E sempre foi muito bem visto no século XIX pelo setor liberal português. Mas há ainda uma parte da população portuguesa, descendente da aristocracia que foi reprimida por Pombal, que nunca o perdoou. Os jesuítas também não esquecem da atuação de Pombal. Cada vez que eu fazia uma palestra sobre ele, havia um jesuíta lá assistindo. Eles são muito bons historiadores, mas há jesuítas que estão lá para compilar qualquer coisa sobre Pombal. Ele esteve muito envolvido na ascensão do poder do Estado sobre a Igreja. Mas foi apoiado por grande parte da Igreja Católica que tinha interesse nesse reformismo contra o poder do Vaticano. E não é só em Portugal e na Espanha não: o iluminismo napolitano também deu um forte apoio. E isso ainda não é muito bem aceito pela Igreja Católica por ser fortemente contra o poder da cúria. Eu entro um pouco em Pombal nessa discussão e também nessa idéia que o iluminismo tem duas partes: uma liberal, constitucional, mas outra parte muito ligada ao Estado, da utilização, racionalização do poder do Estado. O paradoxo de Pombal é que ele era iluminado mas também duro e ditador.
Entrevista na íntegra aqui (o excerto foi retirado da terceira parte).
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Quando o Marquês era amigo dos jesuítas

Na “Notícias Sábado” (que sai com o DN e o JN aos sábados) de 5 de Setembro, há um texto de três páginas sobre a expulsão dos jesuítas de Portugal, que foi há 250 anos. O decreto foi assinado em Janeiro de 1759, mas a expulsão só se consumaria no dia 3 de Setembro seguinte, exactamente um ano após o atentado a D. José, que é atribuído, em parte, aos jesuítas.
O primeiro parágrafo do texto de Pedro Almeida Vieira é muito curioso. Afirma o jornalista que aquele que viria a ficar conhecido por Marquês de Pombal tinha bons motivos para apreciar os jesuítas. Primeiro, correspondeu-se com alguns quando era diplomata em Londres e em Viena; tratava o italiano Carbone, conselheiro de D. João V, com uma “deferência filial”. Depois, a sua escolha para o governo de D. José “teve mesmo um dedo dos jesuítas e da rainha-mãe, protectora extremosa da Companhia”. Por último, “nos primeiros anos do governo, o jesuíta José Moreira, confessor de D. José, terá intercedido junto do rei para que ele não fosse despedido por causa de uma quebra protocolar”.
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
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A fé começa precisamente onde o pensamento acaba. Kierkegaard

