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domingo, 18 de setembro de 2016
Duas de David Lodge
Um fim de semana com duas entrevistas de David Lodge para ler nunca pode ser mau. Uma é no Observador (lida ontem), outra é no público (a ler em papel lá pelo fim da tarde, que hoje é dia de trabalho).
Da do Observador retiro isto:
Era um católico praticante, como viveu tudo isso?
Fui um católico fiel por muito tempo, casei-me com uma católica. Mas éramos católicos liberais e tivemos a nossa revolução contra a Igreja Católica. Queríamos libertar o catolicismo, opúnhamo-nos à proibição – ridícula — da contracepção. Foram as nossas causas dos anos 60 e 70 e, de certa forma, foram bastante interessantes e enriquecedoras. Mas, gradualmente, perdi a fé. Continuei a ser praticante, ia à missa por motivos familiares, mas deixei de me confessar. Deixei de aceitar a doutrina. E acabei por deixar de ir à missa. Fico em casa e leio livros de filosofia, religião e história eclesiástica. Já não sou um católico praticante.
Aqui a do Público.
David Lodge neste blogue.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Sucessão de bispos num mundo pequeno e em forma de bola
Ontem, um leitor deixou um comentário um pouco escatológico
sobre o trabalho dos jornalistas dizendo que o título era “Papa nomeia
substituto de bispo que saiu por pedofilia”, dando uma ideia errada, já que o
que aconteceu foi que Donald Murray se demitiu em 2009 por ter encoberto abusos
sexuais (no comentário aqui). Não saiu por pedofilia. Saiu por encobrir
pedofilia.
Pois bem, hoje vem na “Bola” uma breve que, à partida, na
sua concisão, não tem imprecisões. Obrigado, “Bola”, pela excelente informação
religiosa. Bem sabemos que és um órgão confessional, mas também falas das
outras fés de vez em quando. Como agora.
O que me chama a atenção, no entanto, não é o bispo mas a
diocese para onde vai, Limerick. É a cidade da universidade de um autor muito
apreciado cá por estes lados, David Lodge. É na Universidade de Limerick que se
passa o romance “O mundo é pequeno” (Asa). Hoje, de facto, existe uma universidade em
Limerick, mas não existia quando o católico reticente escreveu a obra. O
romance é de 1984. A universidade é de 1989 (evoluiu de um instituto superior).
Vi na Wikipédia, mas cruzei os dados e parece-me que estão corretos.
(Em “Pensamentos secretos”, na Asa, Lodge fala da Universidade de
Gloucester, que também não existia quando escreveu a obra, mas agora existe como
University of Gloucestershire. A obra foi publicada originalmente em 2001;
nesse mesmo ano o instituto de mecânica tornou-se universidade.)
sábado, 14 de maio de 2011
Cobras e escadas, o jogo da salvação segundo David Lodge
A metafísica ou visão do mundo dos jovens católicos na década de 1950, em Inglaterra, segundo David Lodge no romance “Até onde se pode ir?” (ed. Asa, pág 14-15):
Lá em cima estava o céu e lá em baixo o inferno. O nome do jogo era Salvação e o objectivo alcançar o céu e evitar o inferno. Era como o jogo das Snakes na Ladders: o pecado fazia-os recuar cinquenta casas; os sacramentos, as boas acções, ao actos de mortificação davam-lhes a possibilidade de voltar a subir em direcção à luz. Tudo o que faziam ou pensavam era passível de contabilidade espiritual. Ou era bom ou mau ou indiferente. Os que tinham êxito no jogo eliminavam os maus e convertiam em bons o maior número possível de indiferentes. Por exemplo, uma banal viagem de autocarro (indiferente) podiam ser convertida em pontos se se rezasse o terço em silêncio, passando discretamente as contas entre os dedos, dentro do bolso, no decurso da viagem. Rezar o terço em voz alta e às claras na mesma situação já era mais problemático. Testemunhar a fé, mesmo suscitando a chacota dos não crentes (supondo que estes eram dotadas de paciência e tolerância), era, obviamente, bom - até heróico e virtuoso; mas, feito com o fim de impressionar os outros e chamar a atenção para a virtude própria, era pior do que indiferente, era mau – orgulho do espírito, uma serpente muito traiçoeira. O caminho para o céu estava cheio destas armadilhas. No fundo, existia uma regra que era garantida: qualquer coisa que detestássemos era com certeza boa, e uma coisa que gostássemos imenso de fazer era com certeza má, ou potencialmente má – uma «situação pecaminosa».
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Lodge e Hans Kung
O que sabemos?
Por que existem as coisas?
Por que não é o nada?
O que deveríamos fazer?
E fazemos assim porquê?
Somos responsáveis porquê e perante quem?
O que podemos esperar?
Por que estamos aqui?
O que nos dará coragem para a vida e coragem para a morte?
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