terça-feira, 7 de abril de 2015
Laicidade, o que é?, por Claudio Magris
"Laicidade não é um conteúdo filosófico, mas sim um âmbito mental, a capacidade de distinguir o que é demonstrável racionalmente do que, pelo contrário, é objeto de fé - independentemente da adesão ou não a essa fé - e de distinguir as esferas e os âmbitos das diferentes competências, por exemplo, as da Igreja e as do Estado, o que - precisamente conforme o dito evangélico - se deve dar a Deus e o que se deve dar a César."
Claudio Magris, na pág, 24 do admirável "A História não acabou. Ética, Política, Laicidade", Quetzal
sábado, 5 de outubro de 2013
Anselmo Borges: "Ratisbona, laicidade e laicismo"
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
El comandante
A notícia diz que o...
Governo da Venezuela proíbe notícias sobre escassez de bens
Mas eu olhei foi para a imagem que tem um Senhor que querem fazê-lo "dos exércitos". Só que ele, como mostra a imagem, não é "dos exércitos". É "das vítimas".
sábado, 31 de agosto de 2013
Anselmo Borges: "O que pensa Francisco: 3. sobre as religiões"
A globalização a defender tem de ser "como a figura de um poliedro, onde todos se integram, mas cada um mantém a sua peculiaridade, que, por sua vez, vai enriquecendo os outros". "A globalização que uniformiza é essencialmente imperialista e instrumentalmente liberal, mas não é humana."
Defende o Estado laico: "A convivência pacífica entre as diferentes religiões vê-se beneficiada pela laicidade do Estado, que, sem assumir como própria nenhuma posição confessional, respeita e valoriza a presença do factor religioso na sociedade."
Apontou o ecumenismo como uma das prioridades do seu pontificado: "Desejo assegurar a minha vontade firme de prosseguir com o diálogo ecuménico." Continuará igualmente o diálogo inter-religioso: "A Igreja Católica é consciente da impor-tância que tem a promoção da amizade e do respeito entre homens e mulheres de diferentes tradições religiosas. Quero repetir: promoção da amizade e do respeito entre homens e mulheres de diferentes tradições religiosas." Como sinal disso, enviou uma mensagem pessoal aos muçulmanos, por ocasião do fim do Ramadão, advogando "o respeito mútuo", pondo fim às "críticas e difamações" por parte das duas religiões.
O diálogo é activo e exerce-se de múltiplos modos. A Igreja Católica "também é consciente da responsabilidade de todos pelo nosso mundo, pela criação inteira, que devemos amar e guardar. E podemos fazer muito pelo bem dos mais pobres, dos mais débeis, dos que sofrem, para promover a justiça e a reconciliação, para construir a paz. Mas, acima de tudo, devemos manter viva no mundo a sede de absoluto, não permitindo que prevaleça uma visão da pessoa humana unidimensional, segundo a qual o ser humano se reduz ao que produz e ao que consome: trata-se de uma das ciladas mais perigosas do nosso tempo".
quinta-feira, 16 de maio de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Viver com o que temos
Karl Rahner
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Palestras versus sermões
Como conseguimos viver juntos? Como toleramos as falhas dos outros? Como podemos aceitar as nossas limitações e mitigar a nossa ira? (...) A diferença entre a educação cristã e a educação secular revela-se com especial clareza nos seus respetivos modos característicos de instrução: a educação secular faz palestras, o cristianismo sermões.
Alain de Botton, "Religião para ateus" (D. Quixote), pág. 115
domingo, 7 de outubro de 2012
Bento Domingues: "A religião terá futuro?"
Texto de Bento Domingues no "Público" de hoje. "É próprio da idolatria absolutizar obras das nossas mãos. (...) A verdade é fruto de uma busca humilde e do acolhimento da divina graça".
quarta-feira, 14 de março de 2012
Para que serve rezar?
Que um bispo lamente que não se reze a pedir chuva tanto deixa algum desconforto sobre o que se entende como efeito da oração e sobre o que se entende da transcendência de Deus, como deixaria se dissesse precisamente o contrário, que não se deve rezar para este tipo de coisas (poderia sempre dizer: "Mal, não faz").
E quando foram salvos os pescadores de Caxinas, quantos não viram a mão de Deus ou de Nossa Senhora no caso? E quando tiraram os mineiros do Chile, que passaram parte do tempo a rezar lá no ventre da terra? Seria legítimo dizer-lhes que a confiança em Deus, em Maria, nos santos de nada valeu se não fosse o engenho humano?
E porque é que é a Igreja rituais de bênçãos para tudo e mais alguma coisa? Se a viatura benzida tiver um acidente pede-se indemnização por uma bênção mal feita? Ou procura-se pela falha técnica ou humana?
Falta, sem dúvida, um discurso coerente sobre o que foi e é a secularização e sobre o poder (ou ausência dele) da oração cristã. A superstição espreita por todo o lado. E a exigência, a procura de coerência, pode parecer falta de fé.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Acordo é acordo, diz a Igreja em relação aos feriados
terça-feira, 29 de novembro de 2011
A. C. Grayling escreveu uma bíblia secular. Será que salva?
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Back to basics
Isto é despropositado em relação ao que passa na Inglaterra? Será somente um caso isolado e fruto da crise económica? Penso que não ao ver o que move os que causam distúrbios. Não há ideologia (que não desculparia os distúrbios) nem causas ou valores. Aliás, a ausência de valores morais em todo aquele caos talvez explique o panorama – o que leva José Manuel Fernandes a escrever hoje no “Público”, que “se não existir um sentido moral nas nossas regas de vida em comum, não haverá ordem nas nossas cidades”.
É sabido que muitos daqueles jovens passaram a nada ter que fazer devido ao fecho de clubes e outras organizações que viram os seus orçamentos diminuídos por causa da austeridade imposta pelo governo. Mas já não é tão dito – isso geralmente não entra nas reflexões dos sociólogos e comentadores políticos – que é uma geração sem qualquer referência religiosa. E aqui entra, em dúvida, o pensamento do cura d’Ars, mesmo que não se simpatize com o seu estilo pastoral (duvido que tê-lo proposto como modelo para os padres actuais, coisa que fez bento XVI em 2009, tenha servido para algo).
Ouvi há tempos que um responsável prisional português disse que, no percurso dos que estão nas prisões portuguesas, geralmente faltou a catequese. Não o disse certamente por beatice.
Ainda está por provar que uma sociedade consegue viver sem uma ou várias religiões que lhe dêem um substracto moral. As tentativas voluntariosas de construir comunidades sem Deus nunca resultaram. Mas em sociedades em que a irreligiosidade é resultado da liberdade individual – a Inglaterra é dos países onde as liberdades individuais há mais tempo são respeitadas e dos mais descristianizados, onde hoje se discute se o cristianismo não estará a chegar ao fim, principalmente na versão anglicana –, fica por saber se restará espaço para os valores humanos. Temo que não.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Prevejo que o futuro não vai ser como prevêem
Antes: Deus, Pátria e Família.
Agora: Adeus, Pátria e Família.
Não conhecia a piada. Fica registada. Obrigado.
Em relação a toda a Europa ficar como os nove países sem religião (digo "sem religião" e não "ateus" porque ser ateu também dá um bocado de trabalho), não creio, além de não imaginar por que é que a Itália seria a excepção e não Portugal, Malta ou a Polónia.
As surpresas acontecem, além de que, como afirmou um bispo, nós (Portugal, Europa) não éramos tão cristãos como supúnhamos, nem seremos tão irreligiosos como se diz. E depois há os teólogos que dizem que o cristianismo não é uma religião, mas antes a fé da saída da religião. O fim de religião será, então, uma consequência do cristianismo.
Outros, como Harvey Cox (ver vídeo pelos 1m20s), parecem que estão arrependidos da predições do desaparecimento da religião, feitas nos anos 60 e 70. A única previsão certa a longo prazo, além da que diz que estaremos todos mortos - são sei se se abre excepção para os congelados -, é que o futuro não será como agora se prevê.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Cristãos num estado felizmente laico

Os cristãos num estado laico
Luis González-Carvajal Santabárbara
Gráfica de Coimbra 2
178 páginas
Dificilmente um livro escrito a partir da realidade de outro país poderia dizer tanto a Portugal como este. “Os cristãos num estado laico”, de Luis González-Carvajal Santabárbara, logo na primeira linha mostra que fala de Espanha – “Franco morreu no dia 20 de Novembro de 1975” –, mas o tema e o seu desenvolvimento são perfeitamente aplicáveis ao caso português.
Espanha e Portugal passaram por ditaduras e alcançaram a democracia praticamente ao mesmo tempo. Foram e são tanto clericalistas como anticlericalistas. E hoje assistem a correntes laicistas mais ou menos conscientes em sectores sensíveis como a educação, a saúde ou cultura. Tem sido observado que em Espanha o extremismo é sempre maior. Não só há mais anticlericalismo como a Igreja, principalmente o episcopado, é mais aguerrida. Em Portugal os costumes são mais brandos e os confrontos nunca são assumidos abertamente.
Este livro dá umas breves notas históricas e define conceitos como clericalismo, laicismo, laicidade, destacando a doutrina conciliar; fala das soluções legislativas, que têm sido sempre imperfeitas; aponta valores e lugares para presença pública dos cristãos; sugere uma útil mudança de sensibilidade aos cristãos; aborda por fim a questão do financiamento (de parte das actividades) da Igreja pelo Estado.
González-Carvajal aponta critérios e orientações, muitas vezes iluminados por uma situação histórica, para que os cristãos de hoje possam ter comportamentos públicos coerentes com a sua identidade num Estado que é e será, como diz, irremediável mas felizmente laico.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Esperança mas sem ilusão - Entrevista com D. Manuel Clemente
José Leite Pereira (JN/TSF): Não queria perder a oportunidade de falar consigo, Sr. D. Manuel, sobre a sua homilia no início do ano de combate ao laicismo, que no fundo, tem a ver com o que estivemos a falar: do envolvimento dos cidadãos.
D. Manuel Clemente: Exactamente. A laicidade é uma enorme conquista da civilização. Essa, sim, é uma verdadeira conquista da civiloização porque é uma redescoberta e um aprofundamento da realidade pessoal como dinamismo de apreensão, escolha, opção e decisão em termos daquilo a que se chama a verdade. A verdade em geral, mas, sobretudo, a verdade como ela é sentida por cada um. O respeito pela pessoa e pelas suas opções, religiosas ou não - o Papa diz na sua mensagem para este ano que a liberdade religiosa também permite a alguém não só mudar de religião como até não ter nenhuma. É uma liberdade da pessoa em relação à verdade da pessoa. A laicidade e secularidade é um grande bem. O laicismo, sobretudo como ele foi protagonizado em alguns sectores mais radicais desde a revolução francesa e depois se espalhou, em especial, na Europa latina, é outra coisa. É dizer que as convicções religiosas dos cidadãos não têm nem devem ter nenhuma projecção pública. Isto é mau e é exactamente o contrário da laicidade. A laicidade respeita a liberdade religiosa da pessoa. O laicismo suprime essa liberdade religiosa porque a põe apenas no seu intímo, na sua consciência.
JLP: Isso seria um tema bom para outro programa. De qualquer modo creio que o Sr. D. Manuel não subscreve as palavras do Cardeal espanhol, o Arcebispo Roco, que, curiosamente no mesmo dia, falando do combate ao laicismo, dizia que era preciso lançar uma reconquista pela Espanha que estava demasiado laica. Estamos a falar de duas personalidades muito diferentes: a sua e a do Cardeal espanhol. Também penso que as suas visões são um pouco diferentes das dele.
DMC: Sobretudo não uso nem sinto as coisas em termos belicistas. Compreendo historicamente a palavra reconquista. Sou capaz de a situar em Espanha que, tal como Portugal, nasceu num quadro da chamada reconquista cristã. Compreendo a alusão histórica, mas não gosto de utilizar esse tipo de terminologia porque acho, antes de mais, que serve mais para distanciar as posições do que propriamente para fazermos qualquer coisa em conjunto e nos reencontrarmos mais à frente.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Sotaina
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
O pó das nossas certezas
terça-feira, 6 de julho de 2010
Leituras matutinas: Secularismo, o aliado mais próximo da fé
Num contexto como o nosso, que parece marginalizar a fé pelo surgimento das consequências do secularismo, é importante reafirmar que é justamente ele o aliado mais próximo da fé. Já chegou o tempo em que, cansados das suas promessas nunca efectivadas e fortalecidos pela consciência das ilusões que ele trouxe, o olhar de muitos se volta de novo para aquilo que abandonaram ou consideraram supérfluo. Aliás, a promessa de viver «como se Deus não existisse» não ajudou a atingir a ansiada meta da maturidade humana e da autonomia das decisões pessoais. A liberdade tem um preço bem mais alto do que a recusa de Deus!
Rino Fisichella in "A fé como resposta de sentido", ed. Paulinas, 8.
domingo, 27 de junho de 2010
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
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P.e Gabriele Amorth Ando a ler “Mais fortes que o mal. O demónio, reconhecê-lo, vencê-lo, evitá-lo”, do mui célebre exorcista italia...











