Mostrar mensagens com a etiqueta Nobel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nobel. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

100 anos de Camus

Faz hoje 100 anos que Camus nasceu. A notícia que aqui reproduzo é do "Público" deste 7 de novembro.

É muito difícil pensar a fé e o sentido da vida - duas coisas intrinsecamente ligadas - sem aludir a Camus e a obras como "O mito de Sísifo", "A peste", "O homem revoltado".

Camus, que, como o texto diz, não é figura consensual, tinha uma grandeza moral e coerência que não encontrávamos (o "nós" é do grupo do seminário de filosofia sobre o existencialismo, no início da década de 1990) em Sartre.

Sartre dizia que o "inferno são os outros". Com Camus sabíamos que o inferno podia estar dentro de nós. Ele defendia que, se alguma redenção houvesse, viria pela arte. O que não chegava, mas já era algo. E os seus livros, com os títulos envoltos num azul turquesa (naquela coleção da Livros do Brasil), sobre o absurdo, ainda fazem sentido.



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Dinheiro 4 - A Nobel generosa

Da última página do "Público" de hoje. Ela, que dizia que não se deve amar a humanidade, mas sim as pessoas (aqui). 


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Nobel da Paz para a União Europeia. Concordo, tanta paz é milagre


Nobel da Paz para a União Europeia. Sem entrar nas políticas atuais, acho que é mais do que merecido pelos 50 anos de paz. Nações que durante um milénio só estiveram umas décadas em paz (se contarmos os conflitos internos e internacionais das grandes nações como Alemanha, França, Itália, Espanha, Inglaterra), há 50 anos que discutem e discordam sem nunca pegar em armas. Se não é milagre num conjunto de países que tem uma bandeira de Nossa Senhora, não sei o que é.

Notícia do "Público" aqui.


Sobre a "bandeira de Nossa Senhora", leia-se:
Origem da bandeira.
Os protestantes que não gostam da bandeira.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Tomas Tranströmer: Decifrando o Grande Enigma


Diz um texto de José Riço Direitinho, na “Ler” deste Novembro (n.º 107), que Tomas Tranströmer, o Nobel da Literatura deste ano, “estuda história, religião e literatura a tentar decifrar o Grande Enigma”. Não conhecia nada do poeta, mas simpatizei com ele só por causa desta finalidade existencial.

Este blogue, com história, religião, literatura e alguma ciência e filosofia, se não pretende decifrar o Enigma, quer pelo menos aproximar-se dele.

Na mesma revista, José Mário Silva cita alguns poemas do poeta Nobel. Aqui um deles, traduzido, diz o cronista, a partir de uma versão castelhana:

[…] Por uma parte de trás da paisagem
chega a gralha
negra e branca.
E o melro que se move em todas as direcções
até que tudo seja um desenho a carvão,
salvo a roupa branca na corda de estender:
um coro da Palestina:

Não há vazios por aqui.

É fantástico sentir como cresce o meu poema
enquanto me vou encolhendo
Cresce, ocupa o meu lugar.

Desloca-me.
Expulsa-me do ninho.
O poema está pronto.

O poema é magnífico. Mas intriga-me o verso “Um coro da Palestina”. Não será antes “Um coro de Palestrina”?


Acrescento às 23h14. Nos comentários, um leitor deixou que, em inglês, de facto, está "coro de Palestrina". Agradeço-lhe.
"...Through a back door in the landscape
comes the magpie
black and white.
And the blackbird darting to and fro
till everything becomes a charcoal drawing,
except the white clothes on the washingline:
a Palestrina chorus..."

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

1 de Setembro de 1970. Morre François Mauriac


François Mauriac morreu no dia 1 de Setembro de 1970, quase a completar 85 anos. Foi um grande escritor católico, Nobel da Literatura em 1952, “pela intuição espiritual profunda e pela intensidade artística com que, em seus romances, penetrou no drama da vida humana”. Ver algumas frases dele aqui. Após a II Guerra Mundial, batalhou pela abolição da pena de morte em França, tendo escrito um ensaio sobre o assunto.

Recentemente, levantou-se a questão de ter sido homossexual. Era casado e teve dois filhos, Jean e Claude. Jean Mauriac, um antigo jornalista da France Presse, actualmente com 87 anos, confirma que o seu pai era homossexual, não no sentido de ter tido relações com homens, mas de ter amizade com jovens que andavam à volta dele e povoar a sua obra literária de jovens fogosos e maridos frustrados. Era um homossexual platónico. Jean Mauriac adianta ainda que se deve aos bonitos olhos do activista Robert Barrat (não confundir com o actor homónimo) o seu empenho pela independência das colónias africanas.

À “France catholique” Jean Mauriac disse em 2009:
Conheço bem os amigos do meu pai, aqueles por quem François Mauriac sentiu amizade, afeição, ternura, por vezes uma verdadeira paixão: na sua maioria eram homens casados, «homens de mulheres» («hommes à femmes» no original; será “mulherengos”?)”, como se diz vulgarmente. Fico triste quando evoco esta questão, porque o meu pai sofreu muito. Ele julgou – mais ou menos, é verdade – dever esconder os seus sentimentos por causa da religião (sempre ela), da sua família, das suas origens provincianas, da sua reputação. Mas não esqueçamos: sem este verdadeiro drama interior, sem esta terna afeição (…), jamais François Mauriac teria podido escrever a obra romanesca dilacerante, sofrida, sôfrega, trágica que escreveu. Ler aqui.

domingo, 26 de junho de 2011

26 de Junho de 1892. Nasce Pearl S. Buck, escritora



Pearl S. Buck, norte-americana, nasceu no dia 26 de Junho de 1892 e morreu no dia 6 de Março de 1973. Na China é conhecida por Sai Zhen Zhu, porque viveu lá durante várias temporadas desde os três anos de idade. Os seus pais eram missionários presbiterianos.


Escreveu mais de 100 romances, novelas e livros de contos, num estilo que imitava a prosa bíblica e a saga chinesa. Em Portugal, parte da sua obra está publicada na editora Livros do Brasil. 


Um dos seus livros, também em português, intitula-se precisamente “A História da Bíblia”. Foi escrito no final da vida, em 1971, já depois do Pulitzer, em 1932, e do Nobel da Literatura, em 1938.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A omnipotência ficou à porta



Deus poderia obrigar os seres humanos a seguir a rota que lhes traçasse, a ser obedientes como as estrelas. Mas fez-se homem e depôs a sua omnipotência à porta do mundo dos homens.

Sigrid Undset (1882-1949), norueguesa, Nobel da Literatura em 1928

sábado, 30 de outubro de 2010

30 de Outubro de 1910. Morre Henri Dunant, fundador da Cruz Vermelha e primeiro Nobel da Paz


Henri Dunant nasceu no dia 8 de Maio de 1828, em Genebra, e morreu no dia 30 de Outubro de 1910, em Heiden (Suíça).
Sensibilizado pela Batalha de Solferino (no norte de Itália, em 1859, enfrentaram-se as tropas francesas, aliadas às da Sardenha, e as da Áustria), fundou em 1863 uma organização para apoiar os militares feridos. A partir de 1876 tal organização assume o nome de Comité Internacional da Cruz Vermelha. Com Frédéric Passy, outro dos fundadores da Cruz Vermelha, Dunant obtém o primeiro Prémio Nobel da Paz, em 1901 (aqui).

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Novo livro de Philip Job, quer dizer, Roth


O Nobel da Literatura do próximo ano – estou a referir-me, é claro, a Philip Roth, que enquanto não o receber é sempre o candidato mais apontado para recebê-lo no ano seguinte – vai publicar o 31.º romance. Chama-se “Nemesis”. Tem o nome da deusa grega que combate tudo o que é excessivo, diz o “Ípsilon”. Quase uma deusa da vingança. Estraga a felicidade.
Ora, diz o mesmo jornal-revista, e isto é que me interessa: “Como noutros livros, a negociação entre a culpa e o livre arbítrio ocupa o essencial da narrativa, em que o escritor reflecte longamente sobre o papel de Deus na história dos homens. A imprensa que já leu o livro fala de uma exploração rara e directa desse driblar de culpas entre o homem e Deus, assegurando que «Nemesis» permite imaginar que Roth encerra aqui um conjunto de abordagens e temáticas”.
Só li dois livros de Roth (e vi um filme baseado noutro, “A Mancha Humana”), mas Roth não engana. É judeu. E, como todos os judeus que pensam, tem contas a ajustar com Deus. (Alguém disse que para os judeus o perdão não conta – isso é dos cristãos -, só a culpa). Ele sente-se como Job. Se receber o Nobel será que passa?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Em mim e no Universo

Todos os problemas da religião se resumem finalmente num só: o Deus que se revela em mim é diferente daquele que eu adivinho no Universo. Ele revela-se como vontade ética, enquanto no Universo Ele surge-me como uma força criadora maravilhosa e misteriosa. Em mim, Ele se revela como personalidade, enquanto no Universo Ele é como uma força impessoal.

Albert Schweitzer (1875-1965)

sábado, 14 de agosto de 2010

14 de Agosto de 1994. Morre Elias Canetti

Elias Canetti nasceu no dia 25 de Julho de 1905 e morreu no dia 14 de Agosto de 1994.

Nasceu na Bulgária, de uma família judaica com origens em Espanha (o nome Canetti vem de Cañete, perto de Valência), expulsa em 1492, viveu os primeiros anos em Inglaterra, cresceu na Áustria, estudou na Alemanha, voltou a viver na Áustria, na França, na Inglaterra e os últimos 20 anos na Suíça, onde está sepultado (Zurique).

Doutorou-se Química, mas dedicou-se em exclusivo à escrita. Romance, teatro, ensaio, memórias. Escreveu em alemão e ganhou o Nobel da literatura em 1981 (ver aqui).

A sua grande novela é “Auto-da-fé” (“Die Blendung”), a história do amante de livros e sinólogo, Peter Kien, que é enganado pela governanta e esposa e tem de lidar com o seu porteiro proto-fascista, Benedikt Pfaff. A novela é de 1935, reflectindo magistralmente a perseguição aos judeus que já se antevia na Alemanha e em qualquer época da história. O livro foi banido pelos nazis.

Frases de Elias Canetti sobre Deus.

domingo, 20 de junho de 2010

Saramago fazia teologia do protesto

Tolentino Mendonça e José Saramago

No sítio do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), da Igreja Católica, fala-se de Saramago. Uma nota do dia 18 de Junho, por “dever de cordialidade”, realça a aproximação do Nobel do texto bíblico e lamenta os “balizamentos ideológicos”.

“Como é público, o cristianismo e o texto bíblico interessaram muito ao autor como objecto para a sua livre recriação literária. Há uma exigência e beleza nessa aproximação que gostaríamos de sublinhar. O único lamento é que ela nem sempre fosse levada mais longe, e de forma mais desprendida de balizamentos ideológicos. Mas a vivacidade do debate que a sua importante obra instaura, em nada diminui o dever da cordialidade de um encontro cultural que, acreditamos, só pode ser gerado na abertura e na diferença”.

Numa entrevista à TSF, Tolentino Mendonça, padre e director do SNPC, partilha três notas que “mostram como um ser humano foge sempre às etiquetas”.

A primeira: “Na altura disse-lhe: «O Saramago, que faz estas afirmações incendiárias em relação à Bíblia, é contudo o mais bíblico dos autores contemporâneos, porque a sua escrita tem uma musicalidade, uma cadência e uma porosidade por onde a Bíblia entra». E ele sorriu.

A segunda: “Um outro momento interessante foi quando eu lhe recordei um texto de um amigo dele, um colunista do jornal «El Pais», que escreveu que Saramago não andava longe dos místicos. Saramago concordou e disse que aquele texto lhe tinha agradado muito. E de certa forma, o nada do ateísmo que Saramago proclamava como que se encontra numa viagem diversa…”

A terceira: “No fim ele mostrou-mo: era uma edição de Jordi Savall das «Últimas Sete Palavras de Cristo na Cruz», do compositor Joseph Haydn. Essa edição trazia um texto de um teólogo catalão e outro de Saramago.

E ele quis muito dizer que é chamado para escrever sobre Jesus, num texto que é de facto muito belo. E ele acaba por afirmar uma coisa que, a mim, que sou crente e teólogo, me interessa muito: para ele, Saramago, não era relevante a forma como Jesus ilumina a questão de Deus, porque para ele essa questão não se põe. Mas é muito importante a forma como a figura de Jesus ilumina a questão do homem, este enigma que nós somos. Ele achava que Jesus iluminava muito esse enigma”.

No final da entrevista, Tolentino Mendonça afirma: “Em José Saramago há muito do que eu chamaria uma espécie de teologia do protesto. Um homem que não aceita soluções fáceis para as grandes perguntas da existência. E que a tudo diz que não, protestativamente. Isso é uma coisa que nos faz bem a todos. Numa cultura muito conformista e de assentimentos fáceis, perceber o seu “não”, mesmo discordando dele e percebendo as limitações de algumas das suas declarações e do seu pensamento. Penso que esse ar de profeta que ele carregava é muito importante porque a cultura e um criador têm também uma responsabilidade civil que é de lançar esse inconformismo, de lançar a pergunta. Nesse sentido, a pessoa de José Saramago cumpria muito bem essa imagem”.


Nota do SNPC

Entrevista de Tolentino Mendonça

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Bergson e Camus morreram no mesmo dia, com 19 anos de intervalo

Quando Henri Bergson ganhou o Nobel de Literatura, o Comitê justificou a escolha como “reconhecimento das suas ricas e vitalizadoras ideias e da brilhante forma com que foram apresentadas”.

Um outro laureado, que morreria também num dia 4 de Janeiro, mas 19 anos mais tarde, em 1960 (completa-se hoje meio século) receberia o Nobel “pela sua importante produção literária, que com uma visão perspicaz e profunda, ilumina os problemas da consciência humana dos nossos tempos”. Albert Camus.

sábado, 7 de novembro de 2009

7 de Novembro de 1913. Nasce Camus

Albert Camus, que com Nietzsche e Dostoiévski, formavam uma trindade de existencialistas (ou pré) que, estudantes, gostávamos de ler ou de dizer que líamos, nasceu no dia 7 de Novembro de 1913, um dia depois de Gandhi ter sido preso na África do Sul, quatro anos precisos antes de Lenine depor Kerenski, na Revolução que para o calendário ortodoxo (juliano) foi em Outubro.

Camus, no estudo da Filosofia/Teologia, era um existencialista aberto, não-cristão, ao contrário de Gabriel Marcel ou Karl Jaspers, mas representando um humanismo ateu dialogante, diferente do de Sartre.

A tese de doutoramento de Camus foi sobre Santo Agostinho. Nobel da Literatura em 1957 (três anos antes de morrer), escreveu “O estrangeiro”, “O mito de Sísifo. Ensaio sobre o absurdo”, “A peste”, “O homem revoltado”, entre outras obras.

Como isto anda tudo ligado, li ontem em “A Vertigem das Listas” (p. 309-310):

Eu lembro-me de que o protagonista de “O Estrangeiro” é Antoine (?) Meursault: foi frequentemente observado que ninguém se recorda do seu nome.

sábado, 17 de outubro de 2009

Nobel para Madre Teresa foi há 30 anos

A secção do Público “No passado” (P2) recorda hoje que no dia 17 de Outubro de 1979 o Comité Nobel decidiu atribuir a uma “mulher de aparência frágil e espírito forte” (expressão de A.M., que assina o texto) o Nobel da Paz.

Justificação do Comité para premiar a “santa das sarjetas”: “O mais solidário, o mais desafortunado e o moribundo receberam [dela]” compaixão baseada na reverência pelo homem”.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

14 de Outubro de 1964. Luther King é Nobel da Paz

No dia 14 de Outubro de 1964, o pastor da Igreja Baptista da Avenida Dexter, em Montgomery, Alabama, foi anunciado como Prémio Nobel da Paz.

A Fundação Nobel justificou a atribuição pelo seu protagonismo na Conferência de Liderança Cristã do Sul (SCLC, Southern Christian Leadership Conference), que organizava o activismo pelos direitos civis.

Martin Luther King (1929-1968) é o laureado com o Nobel da Paz mais jovem. Tinha 35 anos (o advogado Obama tem 48).

A foto refere-se a uma das ocasiões em que foi preso, na altura dos protestos contra a discriminação nos transportes públicos (protestos desencadeados após Rosa Parks, em 1955, ter-se recusado a dar o seu lugar a uma mulher branca).

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...