sábado, 19 de outubro de 2013
Anselmo Borges "Ateísmo, agnosticismo, teísmo"
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Ano da Fé. Ter fé na fé
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Quem lê "Teologia para Agnósticos"?
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
10 factos do Vaticano pouco noticiados em 2011 (2.ª parte)
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
"Vivemos na primeira civilização ateia", diz Vaclav Havel
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Para uma história da interpretação das frases crentes dos ateus e agnósticos
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Sentimento instigado pelo ataque
Sentir a falta de Deus é para mim um pouco como ser inglês: um sentimento instigado sobretudo pelo ataque, Quando o meu país é maltratado, um patriotismo dormente, para não dizer comatoso, agita-se. E quando se trata de Deus, sinto-me mais provocado pelo absolutismo ateu do que por, digamos, a confiança quase sempre insípida e hesitante da Igreja Anglicana.
Julian Barnes, pág. 94, de "Nada a Temer" (Quetzal)
Julian Barnes, recente Booker Prize, agnóstico, quase chega a ser crente, quando provocado, como muitos católicos indiferente em Portugal, que chegam a ser católicos perante os ateus, evangélicos e fundamentalistas. "A religião que eu não pratico, mas que é a minha, é a católica".
domingo, 30 de outubro de 2011
Dez convites para um novo humanismo
“Não são dez mandamentos, mas sim dez convites para pensar pontes entre nós”. Segue-se a parte final do discurso de Julia Kristeva no encontro de Assis. O Papa ouviu-o. Um texto para cristãos, ateus e agnósticos que pensam e olham para o outro lado. Copiei daqui.
1. O humanismo do século XXI não é teomorfismo. O Homem Masculino não existe. Não existem nem "valores" nem "fins" superiores, não há nenhum atracadouro do divino junto aos atos mais altos daqueles homens que, do Renascimento em diante, se chamaram "gênios". Depois do Holocausto e do Gulag, o humanismo tem o dever de lembrar os homens e as mulheres que, se nos consideramos como os únicos legisladores, é somente graças ao contínuo questionamento da nossa situação pessoal, histórica e social que podemos decidir a sociedade e a história.
2. Processo de contínua refundação, o humanismo se desenvolve necessariamente por meio de rupturas que são inovações (o termo bíblico hiddouch significa inauguração-inovação-renovação; enkainosis e anakainosis; novatio e renovatio). Conhecer intimamente a herança greco-judaico-cristã, colocá-la sob rigoroso exame, transvalorar (Nietzsche) a tradição: não há outro meio para combater a ignorância e a censura, e, assim, facilitar a coexistência das memórias culturais que se construíram ao longo da história.
3. Filho da cultura europeia, o humanismo é o encontro de diferenças culturais favorecidas pela globalização e pela informatização. O humanismo respeita, traduz e reavalia as variantes das necessidades de crer e dos desejos de saber que são patrimônio universal de todas as civilizações.
4. Humanistas, "nós não somos anjos, mas temos um corpo". Assim se expressava, no século XVI, Santa Teresa de Ávila, inaugurando a idade barroca, que não é uma Contrarreforma, mas sim uma Revolução Barroca que inicia o século das Luzes. Porém, o desejo livre é um desejo de morte. E era preciso esperar a psicanálise para reunir na única e última regulamentação da linguagem essa liberdade dos desejos que o humanismo nem censura nem lisonjeia, mas que se propõe a pôr em evidência, a acompanhar e a sublimar.
5. O humanismo é um feminismo. A libertação dos desejos necessariamente devia conduzir à emancipação das mulheres. Depois dos filósofos do Iluminismo que abriram o caminho, as mulheres da Revolução Francesa pretenderam essa emancipação comThéroigne de Méricourt, com Olympe de Gouges, e assim por diante com Flora Tristan, com Louise Michel e com Simone de Beauvoir, acompanhadas pelas lutas das sufragistas inglesas. E quero lembrar aqui as mulheres chinesas da Revolução Burguesa de 4 de maio de 1919. As lutas por uma paridade econômica jurídica e política requerem uma nova reflexão sobre a escolha e a responsabilidade da maternidade. A secularização é a única civilização que ainda está isenta de um discurso sobre a maternidade. O vínculo passional entre a mãe e a criança, este primeiro outro, aurora do amor e da hominização – aquele vínculo no qual a continuidade biológica se torna sentido, alteridade e palavra é um confiar, um confiar-se. Diferente da religiosidade assim como da função paterna, a confiança materna completa ambas, participando assim, plenamente, da ética humanista.
6. Humanistas, é por meio da singularidade compartilhada da experiência interior que podemos combater aquela nova banalidade do mal que é a automatização da espécie humana a que estamos assistindo. A partir do momento que somos seres falantes e escritores, já que desenhamos, e pintamos, e tocamos, e jogamos, e calculamos, e imaginamos, e pensamos: justamente por isso não somos condenados a nos tornar "elementos de linguagem" na hiperconexão acelerada. O infinito das capacidades de representação é o nosso habitat, a nossa dimensão profunda e libertadora, a nossa liberdade.
7. Mas a Babel das línguas também gera caos e desordens que o humanismo jamais conseguirá regular com a simples escuta, embora atenta, prestada às línguas dos outros. Chegou o momento de retomar os códigos morais do passado: sem enfraquecê-los com a pretensão de problematizá-los, e renovando-os a despeito das novas singularidades. Longe de serem puros arcaísmos, as proibições e as limitações são obstáculos que não podem ser ignorados, se não se quer suprimir a memória que é o pacto dos humanos entre si e com o planeta, com os planetas. A história não pertence ao passado: a Bíblia, os Evangelhos, o Alcorão, o Rigveda, o Tao habitam o nosso presente. É utópico criar novos mitos coletivos, e não é suficiente nem mesmo interpretar os antigos. Cabe-nos reescrevê-los, repensá-los, revivê-los: dentro das linguagens da modernidade.
8. Não existe mais um Universo. A pesquisa científica descobre e investiga continuamente o Multiverso. Multiplicidade de culturas, de religiões, de gostos e de criações. Multiplicidade de espaços cósmicos, de matérias e de energias que coabitam com o vácuo, que se compõem com o vácuo. Não tenhais medo de serdes mortais. Capaz de pensar o multiverso, o humanismo é chamado a se confrontar com uma tarefa epocal: inscrever a mortalidades nos multiversos da vida e do cosmos.
9. Quem poderá fazer isso? O humanismo, porque ele sabe como cuidar disso. Poder-se-á dizer que o cuidado amoroso do outro, o cuidado ecológico da Terra, a educação dos jovens, a assistência aos doentes, aos deficientes, aos idosos, aos fracos não detém nem a corrida das ciências nem a explosão do dinheiro virtual. O humanismo não será um regulador do liberalismo: ao contrário, será capaz de transformá-lo, sem inversões apocalípticas ou promessas de futuros gloriosos. Tomando-se o seu tempo, criando uma nova vizinhança e solidariedades elementares, o humanismo acompanhará a revolução antropológica que é anunciada tanto pela biologia que emancipa as mulheres, quanto pelo deixar-fazer da técnica e das finanças, e pela impotência do modelo democrático-piramidal, que não consegue canalizar as inovações.
10. O homem não faz a história, mas a história somos nós. Pela primeira vez, o Homo sapiens é capaz de destruir a terra e a si mesmo em nome das suas religiões, crenças ou ideologias. E, pela primeira vez, os homens e as mulheres são capazes de reavaliar em total transparência a religiosidade constitutiva do ser humano. O encontro das nossas diversidades, aqui em Assis, testemunha que a hipótese da destruição não é a única possível. Ninguém sabe quais seres humanos sucederão a nós, que estamos comprometidos nessa transvaloração antropológica e cósmica sem precedentes. A refundação do humanismo não é nem um dogma providencial, nem um jogo do espírito: é uma aposta.
A era da suspeita não é mais suficiente. Diante das crises e das ameaças cada vez mais graves, chegou a era da aposta. Devemos ter a coragem de apostar na renovação contínua das capacidades dos homens e das mulheres de crer e de saber juntos. Para que, no multiverso cercado de vácuo, a humanidade possa perseguir longamente o seu destino criativo.
sábado, 15 de outubro de 2011
Anselmo Borges: De Jesus a Jesus Cristo
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
O que diz um agnóstico provocado pelo absolutismo ateu
Julian Barnes, noutras ocasiões agnóstico confesso, ainda que tenha sido professor num "colégio de padres" em França, diz sobre a falta de Deus o que muitos, em Portugal, por exemplo, dirão da vaga identidade católica:
Sentir a falta de Deus é para mim um pouco como ser inglês: um sentimento instigado sobretudo pelo ataque. Quando o meu país é maltratado, um patriotismo dormente, para não dizer comatoso, agita-se. E quando se trata de Deus, sinto-me mais provocado pelo absolutismo ateu do que por, digamos, a confiança quase sempre insípida e hesitante da Igreja Anglicana.Da página 94 de "Nada a temer" (ed. Quetzal)
segunda-feira, 20 de junho de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
4 de Maio de 1825. Nasce Thomas Henry Huxley, o "buldogue de Darwin"
terça-feira, 29 de junho de 2010
29 de Junho de 1895. Morre o inventor da palavra “agnosticismo”

Thomas Henry Huxley morreu no dia 29 de Junho de 1895. Tinha nascido no dia 4 de Maio de 1825. Para a história ficou com o apelido de “buldog de Darwin” por ser o principal discípulo e defensor da teoria da evolução pela selecção natural, de Charles Darwin.
Thomas Huxley cunhou o termo “agnosticismo” por achar que “ateísmo” era demasiado dogmático. Além disso, na Inglaterra vitoriana, a palavra “ateísmo” estava muito conotada com as políticas revolucionárias da extrema-esquerda. “Agnosticismo”, segundo Huxley adequava-se mais correctamente à falta de indícios racionais sobre a existência de Deus. O agnosticismo não era um novo credo, como no fundo o ateísmo, mas um desconhecimento metafísico.
domingo, 14 de março de 2010
Bento Domingues: Uma parábola docemente inquietante

"Que acolhimento têm, na Igreja, as mulheres, os intelectuais heterodoxos, os divorciados recasados, os homossexuais? Não haverá, hoje, nas comunidades cristãs, grupos que acham escandaloso que se perca tempo com ateus, agnósticos, imigrantes de outras culturas e religiões, com o pretexto de que vêm minar os nossos valores e as raízes cristãs de Europa?" - pergunta Bento Domingues no "Público" de hoje. Nas missas deste domingo ouve-se a parábola do filho pródigo / pai misericordioso / irmão invejoso.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Deus e deus

Alexandra Lucas Coelho justifica hoje no “Público” os usos que faz da palavra “deus”, ora com inicial minúscula ora com maiúscula. Um texto muito sugestivo. Continua na próxima sexta.
O leitor referido no início, que “protestou”, fui eu, embora não me pense como protestante.
Na crónica de 26 de Fevereiro, a jornalista escreveu contra a manifestação que foi contra o casamento homossexual e pela realização de um referendo sobre o assunto (Lisboa, 20 de Fevereiro). A essa manifestação associaram-se alguns neofascistas. No texto de Alexandra Lucas Coelho (que infelizmente já não conservo), surgem referências aos tais neofascistas (ou neonazis?), a Hitler e a “deus”, numa mistura que se prestava a várias confusões, nomeadamente por uma suposta colagem da maioria dos manifestantes – cristãos – aos ideias fascistas e mesmos nazis. Escrevi por isso à jornalista. Trocámos no total seis mensagens – três para cada lado. A minha primeira foi esta, fazendo eco, aliás, de ideias já expostas neste blogue:
Você cometeu um erro fatal. Invocou o nome de Hitler numa discussão que não é sobre Hitler. Como sabe, ou saberia se lesse o Rui Tavares no seu "Público", numa discussão que não seja sobre Hitler, o primeiro que invoca Hitler perde.
Para mais, escreve Deus com minúscula e Hitler com maiúscula. Não é propriamente original. A Fernanda Câncio e o Rui Tavares, pelo menos, também o fazem em relação a Deus, além de Saramago. Na URSS escreviam Deus com minúscula e KGB com três maiúsculas. Cada um lá saberá aquilo a que dá importância.
Ah! Hoje o “Público” faz 20 anos. E é dado. Isso mesmo. Grátis. Basta passar por um quiosque.
Acrescento no dia 10 de Março: O artigo que deu origem à minha reacção pode ser lido aqui.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
A porta aberta dos agnósticos
"Quando se era agnóstico, no século XVIII, isso queria dizer que se estava contra Deus, uma vez que Deus era imposto pela sociedade e pelas instituições. Hoje, em que Deus é, senão negado, pelo menos rejeitado pela sociedade, ser agnóstico é, pelo contrário, deixar pelo menos uma oportunidade a Deus".terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Harvard tem uma capelania para os ateus

A Universidade de Harvard, nos EUA, tem 40 capelães, representantes de 25 “tradições mundiais”. Há o capelão católico, o baptista, vários judeus, o adventista e até o do zoroastrismo, entre muitos outros. Mas há também o capelão humanista. Mais concretamente, Greg Esptein, autor do livro “Being good without God”, que explica que humanismo é acreditar na vida cheia de significado, apenas graças à força da razão e da compaixão, sem uma ajuda sobrenatural. E quando lhe perguntam se os humanistas rezam, ele responde que os humanistas cantam. Há textos ligados à capelania humanista que defendem que devem ter rituais, o que não deixa de ser curioso.
A capelania dos humanistas acolhe “humanistas, ateus, agnósticos e não-religiosos”, diz o capelão. Greg Epstein, uma estrela entre os humanistas, estudou na… Harvard Divinity School. Refere-se várias vezes à compaixão humanista.
Até onde pode ir uma compaixão alicerçada neste humanismo que exclui Deus? Bento XVI diz que não vai longe.
Ah, a página Internet dos Humanistas é muito mais bonita e funcional do que a dos Católicos, que logo na abertura pedem dinheiro. Os humanistas têm como símbolo uma chama. Se eu não soubesse, pensava que eram carismáticos católicos ou então pentecostais.
domingo, 29 de novembro de 2009
Darwin, humanista vitoriano
Pedro Mexia diz que temia que "Darwin fosse um ateu fanático ou um desvairado eugenista".Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
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A fé começa precisamente onde o pensamento acaba. Kierkegaard













