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terça-feira, 21 de julho de 2009

A via radical de Peter Maurin


Peter Maurin foi co-fundador, com Dorothy Day, do Movimento do Trabalhador Católicos (Catholic Worker movement), no âmago do liberalismo económico que os EUA habitualmente protagonizam.

Nascido no sul de França, no dia 9 de Maio de 1877, Aristode Pierre Maurin entrou aos 16 anos para os “Irmãos cristãos”, uma organização que ensinava a vida simples e o serviço aos pobres. Quando chegou à idade do serviço militar, emigrou para o Canadá para evitar pegar em armas. Mais tarde entrou nos EUA, onde, em 1933, em plena Grande Depressão, fundou com a jornalista Dorothy Day (1897-1980), convertida ao catolicismo (é considerada a leiga mais influente nos EUA – o seu processo de beatificação iniciou-se na arquidiocese de Nova Iorque em 1983), o Movimento do Trabalhador Católico.

Este movimento não é uma organização semelhante a um sindicato, mas antes constituído por comunidades de vida laical, talvez mesmo comunas, geralmente ligadas ao cultivo da terra (“No cultivo da terra nunca há falta de trabalho”, dizia o fundador). A principal característica é terem sempre as portas abertas para quem chega, incluindo mesa gratuita, desde que aceitem os princípios da paz, da acção não-violenta, da justiça social. Actualmente existem cerca de 150 “casas de hospitalidade” do Movimento do Trabalhador Católico, principalmente nos EUA, mas também no Canadá, Austrália, México e Nova Zelândia.

Peter Maurin era leigo, nunca casou, e quis que o seu movimento fosse descentralizado e independente de organizações políticas e mesmo da Igreja. Alguns vêm nisso uma espécie de anarquismo cristão. Outros, como ele próprio, dizem que se inspira em Francisco de Assis. Hoje, para criar uma comunidade tipo Trabalhador Católico não é preciso autorização de ninguém. Bastará assumir as instruções simples de www.catholicworker.com...

Para a difusão das suas ideias, Peter Maurin usava a pregação simples na rua (“a forma de alcançar o homem da rua é encontrar o homem na rua”) e o jornal “Catholic Worker”, que continua a ser publicado. A publicação esteve para chamar-se “The Catholic Radical ” (“O Católico Radical”), no sentido de regresso às raízes, mas Dorothy Day achava que devia ter o nome dos destinatários e não da finalidade. Ficou “Catholic Worker”. “O homem propõe, a mulher dispõe”, observou Maurin.

Pierre Maurin morreu no dia 15 de Maio de 1949. Deixou o seu pensamento nos “Easy Essays”, pequenas composições simples e directas. Vou colocar aqui um desses “ensaios fáceis”.

www.catholicworker.com

terça-feira, 19 de maio de 2009

Vidas que marcam: Francisco Van Thuan

Francisco Xavier Nguyen Van Thuan foi bispo de Nhatrang, de 1967 a 1975, e arcebispo-coadjutor de Saigão, a partir de 1975. Nesse ano, no dia 15 de Agosto, foi preso, pelos comunistas, e detido sucessivamente nas prisões de Saigão, Nhatrang, Saigão, Haipong, Viñh Phú e Hanói. Foi libertado a 21 de Novembro de 1988. Nomeado vice-presidente e mais tarde presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, morreria em Roma, no dia 16 de Setembro de 2002. O seu processo de beatificação está em curso.

É um mártir dos tempos modernos, embora o seu sangue não tenha sido derramado fisicamente. Os seus tempos de prisão e as palavras que de lá conseguiu fazer sair são exemplo arrastador das vivências mais profundas da fé cristã.

Bento XVI disse dele que "era um homem de esperança, vivia da esperança e difundia-a entre todos os que encontrava. Graças a esta energia espiritual resistiu a todas as dificuldades físicas e morais. A esperança sustentou-o como bispo isolado durante treze anos da sua comunidade diocesana; a esperança ajudou-o a perceber o absurdo dos acontecimentos - nunca foi julgado durante sua longa detenção -, um desígnio providencial de Deus”.

Francisco Van Thuan relata as suas vivências da prisão num livrinho que acaba de ser publicado em português: “Cinco pães e dois peixes” (Ed. Paulinas) – um extraordinário testemunho de fé, dirigido aos jovens, mas de leitura sem dúvida proveitosa para qualquer pessoa, em qualquer idade. O bispo conta como conseguiu comunicar com os seus diocesanos, através de 1001 folhas de calendário (lembrado as histórias das 1001 noites), como, sem Bíblia, apontou em pequenos bocados de papel as 300 frases do Evangelho de que se lembrava, em suma, como sobreviveu a 13 anos, nove deles em isolamento total, “terrivelmente longos”. Como ele próprio lembra, há um ditado vietnamita que diz que um dia na prisão é como mil Outonos fora.

Os cinco pães de que fala no livro são a esperança, a fé, a oração, o pão eucarístico, e o pão do amor. Os dois peixes são amor filial a Maria e o seguimento de Jesus. O testemunho do bispo vietnamita inspira-se no relato do cap. 6 do Evangelho de S. João, quando um jovem dá a Jesus cinco pais e dois peixes que servem para alimentar a multidão. Francisco Van Thuan “oferece tudo o que tem para que, através dele, o Senhor possa operar maravilhas”, escreve o cardeal Saraiva Martins no prefácio. Hoje, podemos provar do mesmo Pão através do testemunho deste “homem da esperança”.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...