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terça-feira, 28 de maio de 2013

Solução «jesuítica» para falar de temas tidos como controversos


Um dia convidaram Carlos González Vallés para fazer uma série de conferências num país da América Latina sobre “Espiritualidade Oriental”. Quando já tudo estava tratado, incluindo as passagens aéreas, telefonam-lhe a dizer que tudo fora cancelado em certa diocese, porque o bispo não autorizava tais palestras. Certamente, o bispo não conhecia o jesuíta espanhol com longos anos dedicados à Índia.

Carlos González Vallés manteve a viagem. Se não podia falar em público, dedicar-se-ia ao turismo, “que é mais divertido”. Mas quando chegou ao aeroporto, receberam-no e disseram-lhe que estava tudo pronto e que no dia seguinte iniciariam as conferências. O que acontecera?
Conta o jesuíta:
Todo o «oriental» era perigoso, e isso bastava para proibir-me de falar. Mas tampouco meus anfitriões eram tolos. Voltaram à presença do bispo, disseram-lhe que acatavam obedientemente a suas decisão e que eu, como consequência, falaria em minhas palestras de um tema diferente: «Espiritualidade inaciana». Algum problema? Nenhum, plena bênção episcopal. Ela me foi transmitida no aeroporto por meus amigos, que acrescentaram: «Agora você fala tranquilamente o que preparou». Solução «jesuítica». Atrapalharam o meu turismo.

Adaptado das páginas 71-72 de “Querida Igreja” (Paulus - Brasil)

domingo, 26 de maio de 2013

Amor e audácia

Lido num livro de Carlos González Vallés:

Karl Rahner disse pouco antes de morrer que lamentava duas coisas em sua vida: não ter amado mais as pessoas e não ter tido mais audácia com as hierarquias da Igreja.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Lamentações de Rahner e de outros

Lido num livro de Carlos González Vallés:

"Karl Rahner disse pouco antes de morrer que lamentava duas coisas em sua vida; não ter amado mais as pessoas e não ter tido mais audácia com as hierarquias da Igreja. Não quero morrer sem dizer realmente o que penso".

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Teologia elementar

Se Cristo não é Deus, a sua ação redentora não é divina e não nos salva; e se não é humano, a sua ação não é humana e não nos assume.

Carlos González Vallés (também o autor do título deste "post")

sexta-feira, 16 de março de 2012

Crianças interrogam Deus


Excertos de cartas infantis, Carlos Vallés garante que são autênticas, a Deus:

Por que é que há algum tempo que não inventas animais novos?

Se não gostas que digamos palavrões, e se tu inventaste tudo, porque os inventaste?

Criaste a girafa tal como querias ou saiu-te assim por engano?

No Carnaval vou disfarçar-me de diabo. Não te importas, pois não?

De onde vêm os bebés? Espero que me expliques melhor do que o meu pai.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Como alcançar a felicidade



Carlos Vallés conta num dos seus livros que um dia deu uma conferência sobre como alcançar a felicidade. Falou dos quatro pilares da felicidade: 1) Liberdade interior; 2) Satisfação afetiva; 3) Gosto pelo trabalho; 4 ) Energia da fé.

No diálogo que se seguiu, um ouvinte levantou a mão e interrogou o jesuíta: “Você disse que a felicidade consegue-se com a liberdade interior, a satisfação afetiva, o gosto pelo trabalho e a energia da fé. Poderia agora dizer-me como se conseguem a liberdade interior, a satisfação afetiva, o gosto pelo trabalho e a energia da fé?”

terça-feira, 31 de maio de 2011

O perigo de caminhar e só caminhar

Caminhar é uma maneira dissimulada de esperar, mais digna do que a do hóspede despreocupado na sala de espera, mas não menos maliciosa. Continua a caminhar, para que não tenhas de tomar decisões ao chegar. E este caminhar a que me refiro não é o caminho físico do vagabundo alegre, mas o caminhar moral, mental e psicológico que representa a actividade constante, a pressa, o trabalho sem fim e as ocupações que se sucedem umas às outras sem parar. Tudo aquilo que nos protege do perigo de pensar e do risco de tomar decisões. Continua a caminhar para não ter de pensar. Procura trabalhar todo o dia para não teres tempo de te enfrentar contigo mesmo, com a tua vida e com as tuas opções. Corre sem parar. Em paradoxo irónico quer dizer, espera tranquilo e não faças nada. (...) A pontualidade em decidir-se é uma virtude rara.


Carlos G.Vallés, sj. "Saber escolher" (Livraria A.I., Braga), pág. 111-112

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A política segundo um livrinho de espiritualidade de 1989

Da leitura fortuita de um livrinho do ano da graça de 1989 (edição em Portugal):
O homem é um animal político e a essência da política é o pacto, a acomodação, o ajuste. Sim e não. O teu e o meu. Isto sim e aquilo também. Não te definas, ou então perderás votos. Dá respostas vagas, propostas gerais, declarações inofensivas. Procura agradar a todos, ou pelo menos não desagradar positivamente a ninguém. Comunicados conjuntos, vigorosos apertos de mãos, sorrisos para os fotógrafos. Dá a impressão de que é o candidato universal, no qual todos podem votar e que estás disposto a fazer um pacto eleitoral seja com que partido for, se ele te assegurar a vitória nas urnas. Pactos, promessas, regateios. Cede por um lado e ganha por outro. Sacrifica o que faça falta, mas ganha o voto, custe o que custar. É isso a política.
Carlos Vallés, s.j., na pág. 79 de  "Saber escolher. A arte do discernimento" (Livraria A.I.)

Animal político

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...