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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Comunicar em ambiente digital

Hoje e amanhã (3 e 4), em Fátima, há as jornadas de comunicação social promovidas pela Igreja Católica sobre "Comunicar no ambiente digital". Eu vou estar lá. E conto dar conta de algumas coisas aqui. Mas não em direto. Gosto de ouvir sem as distrações do ambiente digital. Mais tarde, cá porei algumas coisas.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Jesus Cristo foi o primeiro homem no mundo a tweetar, diz Ravasi


"Jesus usou o tweet antes de todos, com as suas frases cheias de essência e que tinham menos de 45 caracteres, por exemplo 'Amai-vos uns aos outros'", disse o cardeal Ravasi, "ministro da Cultura" do Papa Francisco na sessão romana do Pátio dos Gentios com jornalistas. Li aqui no "Público". Notícia da Ecclesia aqui.

Faltou dizer, acrescento eu, que um dos tweets de Jesus falava do símbolo do twitter: "Olhem os passarinhos. Não semeiam e Deus cuida deles" (52 caracteres).



quarta-feira, 13 de março de 2013

O próximo Papa já tem twitter?


Um passarinho soprou

Pelo que se diz, já que os vaticanistas brotam por todo o lado como cogumelos em pinhais húmidos – só dentro de mim deve haver uns dois ou três com cinco ou seis opiniões contraditórias – , os principais candidatos a Papa, obviamente não declarados, têm conta no Twitter.Ver aqui.

Mas Scola desativou-a.

Odilo, em dezembro de 2011 tinha 7566 seguidores. Agora tem mais de 30 mil. A última mensagem que mandou foi no dia 10 de março: «Amigos, ouçamos o apelo da Palavra de Deus deste Domingo 10.03: "deixai-vos reconciliar com Deus!”».

Ravasi – parece que de repente ficou fora dos candidatos - tinha 3639. Agora tem quase 50 mil seguidores. Despediu-se dos amigos no dia 28 de fevereiro. Prudente. “Grazie ai miei followers per il cammino condiviso. Mi congedo da voi per qualche giorno... In amicizia”.

O’Malley tinha 2181. Agora tem 16 mil. No dia 10 de março deixou link para a sua homilia.

Scola tinha 1522,mas fechou a página. Ainda mais prudente. Entretanto, alguém abriu uma chamada papascola.

Ouellet não tem Twitter. E espero que também não tenha votos.

domingo, 16 de dezembro de 2012

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Habemus Twitter


Sugestão de Fernando Cassola. O Twitter do Papa fica aqui (17.823 seguidores em português), mas só de hoje a uma semana é que há tuítes.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Cardeal Maradiaga: "No podemos seguir haciendo más de lo mismo"


O cardeal Maradiaga (arcebispo hondurenho, presidente da Cáritas Internacional, por alguns apresentado como “papabile” em 2005, quando se pensava que a Igreja poderia virar ao sul - mas este último aspeto não faz parte do seu currículo) esteve em Espanha, nos Pirinéus, para dar um retiro. E deu também uma entrevista. Pode ser lida aqui. Extraí o que chamou a atenção. Pareceu-me “mais do mesmo”, mas ele diz que não se deve ir por aí. Ou então, desejos vinho novo sem reparar que os odres estão velhos. E rotos.
Experiência de Cristo 
No habrá nueva evangelización sin nuevos evangelizadores, sin una auténtica "conversión pastoral". No podemos seguir haciendo "más de lo mismo", sino renovar el corazón misionero y no esperar que las personas vengan a nuestras parroquias, sino salir a buscar las ovejas. Hay nuevos areópagos y patios de los gentiles que esperan la Palabra de Dios. Si estamos llenos del ardor misionero de San Pablo, cuyo corazón palpitaba ¡"Ay de mí si no Evangelizo"!, el año de la Fe será una fuerte motivación para transmitir la "antorcha de la Fe" siempre ardiente y radiante a las nuevas generaciones de este milenio. No se trata simplemente de comunicar ideas sino de favorecer un encuentro personal con Cristo vivo, una auténtica experiencia de Cristo. 
Medo do risco e da aventura 
La juventud de hoy como ayer vibra ante las causas nobles. Si sabemos comunicar la alegría del Evangelio también ellos responden. El problema está muchas veces en el lenguaje. A veces pienso que en nuestras parroquias necesitaríamos ayuda de "foniatras espirituales". Vivimos en un mundo nuevo, lo que significa un territorio por explorar. Podemos tener miedo al riesgo y a la aventura. Nos parece que en el siglo XXI ya no hay nada que explorar. Pero...la humanidad sigue cambiando, no es estática. La gente cambia. Se siguen formulando nuevas maneras de ser en el mundo. 
Se nos presenta una nueva humanidad por interpretar: interpretar a fondo lo que está sucediendo. Debemos esforzarnos para entender a los jóvenes. Y entonces debemos considerar la comunicación de la Buena Nueva. 
Não nos entendem 
Hemos dejado de hablar el lenguaje del mundo actual. Cada vez menos gente nos entiende. Por eso pocos nos escuchan. Otra vez enfrentamos el problema de la comunicación. El lenguaje supone emisor y receptor. No estamos en la frecuencia y el receptor no nos entiende. ¿Cómo interpretar a la nueva humanidad, a la nueva juventud si no conocemos el lenguaje del mundo de hoy? 
Mundo mediático 
Vivimos un nuevo contexto cultural y mediático: lo que se mueve es el mundo de las percepciones, no de las realidades. Toda la herramienta mediática actual crea percepciones. Los Medios de Comunicación Social modifican la percepción social. La herramienta más espectacular es internet. En muchos países el adolescente promedio pasa 28 horas o más ante internet a la semana. Si va a la Iglesia, ¿lo máximo sería una hora? Se está produciendo un tipo de joven nuevo. A veces en ambientes hostiles a la Fe y en campañas constantemente sostenidas contra la Iglesia.

sábado, 26 de maio de 2012

Anselmo Borges: O tempo digital e o seu frenesim

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (aqui):

Enigma maior é o tempo. Lá está Santo Agostinho: "O que é o tempo? Como são o passado e o futuro, uma vez que o passado já não é e o futuro ainda não é?" E o presente? Mal dizemos "agora" e já caiu no passado. "Se, portanto, o presente, para ser tempo, tem de cair no passado, como podemos dizer que algo é, se só pode ser com a condição de já não ser?"

As culturas experienciam o tempo, cada uma a seu modo: nas tradicionais, o tempo privilegiado é o passado - lá está o mito do paraíso perdido; na modernidade, privilegiou-se o futuro - o passado é simplesmente o ultrapassado, a caminho da realização das utopias.

Por causa das novas tecnologias, sobretudo ao nível dos média - telefona-se, navega-se na Web, lê-se documentos ao mesmo tempo que se envia mensagens -, a vivência do tempo actual é a do tempo concentrado, do "curto prazismo" e até do imediatismo cumulativo. Aí está o tempo chamado digital ou numérico, que nos dá a sensação de quase simultaneidade e ubiquidade: pense-se na comunicação quase simultânea para todo o mundo. Afinal, o que se encurtou mesmo foi o espaço, que não pode ser separado do tempo: no mesmo dia, uma reunião no Porto, outra em Paris, uma terceira em Londres, com regresso ao Porto. Mas é sobretudo a computação que nos dá a possibilidade de contacto quase instantâneo com todo o mundo. Tudo é mais rápido - leio em Philosophie Magazine: num século, a velocidade de comunicação aumentou 107%, a dos transportes pessoais 102%, a do tratamento da informação 1010%.

Fazemos muito mais coisas em muitíssimo menos tempo. Vem então a pergunta da semana passada, aqui: porque é que todos se queixam da falta de tempo, em vez de aumentar o tempo livre? Resposta do sociólogo Hartmut Rosa: com os transportes e a Internet também se acelerou a vida social e entrámos numa lógica infernal de competição, de tal modo que somos devorados pelo produtivismo e consequente consumismo. A aceleração acabou por tornar-se "o equivalente funcional da promessa religiosa de vida eterna". Impôs-se-nos a multiplicação constante e frenética das experiências e das actividades, numa corrida sem fim.

Isto tem consequências também na economia? É evidente que sim. Investir implica uma vivência do tempo longo: quanto tempo leva para se receber os frutos do investimento? Assim, "o marketing substituiu a deliberação política, com a finalidade de lucros especulativos", escreve o filósofo B. Stiegler. A velocidade tecnológica foi posta ao serviço da guerra económica: em vez do investimento, a especulação.

Antepondo o fazer ao ser, somos melhores e mais felizes? Não há, pelo contrário, a sensação generalizada de cansaço e de stress? Precisamente porque "vivemos num tempo completamente descontínuo, disperso. Sem calendário, sem liturgia, sem ritual, já não conhecemos ritmo. Já não há tempo que permita o recolhimento do pensamento. Multiplicou-se a dispersão inerente ao mundo do quotidiano", observa a filósofa Françoise Dastur.

Afinal, mesmo se já há empresas que promovem cursos de meditação ou semanas de retiro num mosteiro, é para que os funcionários se tornem mais competitivos, no regresso ao trabalho. As pessoas vão para a cama - a duração média do sono baixou duas horas desde o século XIX - com o sentimento de culpa, pois não acabaram a lista dos afazeres.

Voltando a Hartmut Rosa, a aceleração tornou-se o novo modo da nossa alienação social: ao contrário das Igrejas, que, se criaram sentimentos de culpa nos fiéis, ofereciam alívio aos pecadores - podiam confessar-se, Jesus morreu para libertar dos pecados -, "a nossa sociedade da aceleração produz culpados sem remissão nem perdão".

Não é, portanto, de uma nova relação mais atenta e serena com o tempo que precisamos? "Deixemos que as nossas vidas sejam guiadas por aquilo que eu chamo momentos de ressonância": o contacto com a natureza, passeando; escutando a grande música, a alma corresponde, o mesmo podendo acontecer com um grupo de amigos; diante do mar, é como se o mundo respondesse e as suas ondas fossem a respiração do mundo.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Pierre Babin e as mãos sujas de letras


Morreu no dia 9 de maio, aos 87 anos, Pierre Babin, padre, psicólogo e estudioso da comunicação. Um pioneiro, ainda que não tenha entrada na Wikipedia. Nem em francês.


Nos anos 80-90, um padre muito influente cá por estes lados dizia que o cristão devia ter numa mão a Bíblia e na outra o jornal. E aconselhava a ler "A Era da Comunicação", justamente de Pierre Babin.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Crise de comunicação ou de identidade?



A Igreja não sabe comunicar com os fiéis e, vai daí, cria uma comissão para estudar a questão e ensinar a comunicar.

Na Ecclesia, acrescenta-se algo à frase de cima, que resume a notícia do CM de hoje:
O sacerdote jesuíta [padre Morujão, porta-voz dos bispos] disse, por outro lado, que a “dificuldade” sentida pela Igreja Católica em transmitir a sua mensagem é a mesma de “todos os pedagogos” de hoje, perante “milhões de mensagens” e "profetas alternativos". 
“Perante essas dificuldades [a Igreja], não cruza os braços; esperemos melhores tempos”, acrescentou (aqui).
Fico aliviado por saber que as dificuldades eclesiais não estão sós. Mas esta desculpa é uma ilusão. Isto de a Igreja não saber comunicar – isto é, não saber cumprir a sua missão – é verdadeiramente paradoxal. A crise de comunicação é uma crise de identidade. Mas centro-me na questão da comissão. Criar uma comissão para resolver um problema faz-me sempre lembrar aqueles versículos que não entraram no Livro do Êxodo mas estão implícitos. Passa-se no deserto, entre dois israelitas, quase à entrada na Terra Prometida:
- Sabes por que é que Deus nomeou Moisés para nos tirar da escravidão do Egito? [Não altura ainda diziam com “p”, mas eu sigo o acordo, apesar de engolir em seco, sentindo o pó do deserto, sempre que escrevo Egito.]
- Porque se tivesse nomeado uma comissão, ainda lá estávamos.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Como Jesus comunicava

Como mestre, Jesus é eloquente, mas sucinto; raramente usa duas palavras quando lhe basta uma. As ideias e a intensidade das mesmas, que comunica com a sua catequese e as suas parábolas, são de uma extraordinária economia de palavras, sem contudo darem a impressão de ser abruptas ou breves; o estilo é invariavelmente descontraído, os pormenores são os necessários. Mas os silêncios também são uma componente essencial do seu ministério.

Paul Jonhson, "Jesus" (Alêtheia), pág. 98.

sábado, 24 de dezembro de 2011

O maior gesto comunicativo de sempre



A minha meditação sobre as leituras de Natal ("Missa do Dia", lê-las aqui):


Deus comunica comunicando-se

1. Há um provérbio chinês que diz que quando um dedo aponta para a lua, o tolo olha para o dedo. Na lógica do provérbio, não devemos confundir os embrulhos, os copos, os meios com os conteúdos, as bebidas, as finalidades. Daí que a primeira frase que Isaías nos apresenta na primeira leitura Missa do Dia de Natal aparentemente não faça sentido. Os pés do mensageiro são os mesmos, nem mais nem menos belos, sempre com muito pó dos caminhos semidesérticos, quer traga uma boa, quer traga uma má nova. E no entanto, qual o/a amante que não teve vontade de beijar o carteiro, no tempo em que as cartas de amor não tinham a forma de sms e eram entregues pelo mensageiro, a pé ou de bicicleta? Como não recompensaria o pai misericordioso quem trouxesse notícias do filho pródigo?

Os pés do mensageiro são belos, mesmo que feridos pelas longas caminhadas, porque a mensagem é ainda mais bela e tudo contagia pelo facto de ser proclamada. E o mais importante da notícia é: “O teu Deus é rei”, diz o mensageiro. A mensagem foi proclamada entre o povo cativo na Babilónia e significaria isto: “Deus é quem manda, vence os ídolos e vai repor a ordem nos poderes do mundo (através de Ciro). Acabou o tempo de «o teu rei é deus». Em breve o povo regressará a Jerusalém, à sua pátria, ao seu lar”. Para o exilado não há palavra mais bonita do que “pátria”. E era a isso que “Deus” soava para os judeus no cativeiro.

2. Não é preciso ser muito pessimista para conceber que a humanidade está num cativeiro. Basta ler ou ver as notícias de todos os dias. Está num cativeiro em que é cativa de si própria, dos seus erros e ilusões, da sua cegueira, da sua vontade incontrolada, da sua liberdade mal usada, das suas assimetrias de rendimentos, dos seus abusos de poder. A crise actual, localizada no Ocidente, é apenas mais um episódio da série dolorosa. O diagnóstico é reservado. Há cura? Haverá libertação? Uns dirão que é uma questão de tempo, que a humanidade ainda não atingiu o estado adulto. Outros dirão que se trata do desequilíbrio próprio de quem caminha, que a humanidade tem em si mesma a salvação que há-de desabrochar. A Bíblia diz algo diferente. Diz que a salvação bem de fora, ainda que não nos seja estranha. “Nestes dias, que são os últimos, [Deus] falou-nos por ser Filho”, diz Heb 1,2. Cansado de mandar mensageiros continuamente ignorados, enviou o seu Filho, que é também a sua Palavra, o Logos, o Verbo, que é Deus com Ele. Comunicou comunicando-se. Diz o Evangelho que “o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (Jo 1,1), para depois dar o salto do maior gesto comunicativo de sempre, ainda maior do que a poderosa palavra genesíaca dos primeiros dias da Criação (porque, como diz Hebreus, também foi pelo Filho que o universo foi criado), que dividiu a história em duas parte e continua a ser pedra de toque para muitas vidas: “O Verbo fez-se carne e habitou entre nós”.


A humanidade que não se iluda. Se não se abrir à Palavra que vem do alto mas não é exterior a ela, porque se fez carne, parecerá sempre como o tolo do Barão de Munchausen, que estando a afundar-se num pântano, salvou-se puxando-se a si mesmo pelos cabelos. Tolo e mentiroso.

3. Ouvir no dia de Natal o prólogo do Evangelho de S. João, para quem não foi à Missa do Galo ou à da Aurora, é capaz de gerar uma ligeira sensação de vazio. Onde está o relato do Natal? O Menino? Os anjos? Os pastores? Mas este é um dos textos mais belos do Novo Testamento, um hino, uma meditação escrita quando os cristãos já tinham dado um salto dos factos incertos (que Jesus nasceu, sem dúvida que nasceu; mas onde?) para os símbolos (a cidade de David é Belém, que quer dizer “casa do Pão”; se Jesus é o messias e pão da vida, só pode ter nascido em Belém) e dos símbolos para o sentido mais profundo da fé (na Páscoa da morte e ressurreição, Jesus revela-se como o Messias que sempre foi desde o nascimento e ainda antes do nascimento, porque quem é Deus é sempre Deus).

O Evangelho de João olha para Jesus de outra maneira. Se os três sinópticos como que são uma subida para chegar à conclusão de que Jesus é o Cristo-Deus, com João o percurso é inverso: o Verbo, que desde sempre esteve com Deus, desce à humanidade. É comunicação de Deus.

Este é o Evangelho para quem já percebeu que em Jesus o mensageiro e a mensagem coincidem porque é o Verbo de Deus. Quando o dedo aponta, não somos tolos se olharmos para o dedo e dermos com o dedo de Jesus. Ele é a última e definitiva mensagem. Não é o dedo que aponta, mas a mão estendida do encontro de Deus com a humanidade.

4. Por Ele marcharam os passos dos legionários,
As velas dos barcos por Ele se tinham estendido
Por ele os grandes barcos de Outono tinham luzido,
Por ele se dobraram as velas nos estuários.
(…)
Os passos de Dário tinham marchado por Ele,
Era por Ele que esperavam no fundo da Pérsia,
Era por Ele que esperavam numa alma dispersa,
Ele é o Senhor de ontem e de hoje.
E os passos de Alexandre por Ele tinham marchado
Do palácio paternal às margens do Eufrates.
E por Ele o último sol tinha luzido
Sobre a morte de Aristóteles e a morte de Sócrates.
(…)
As regras de Aristóteles tinham marchado por Ele
Do cavalo de Alexandre às épocas escolásticas.
E o ascetismo e a regra luziram por Ele
Das regras de Epicuro até às regras monásticas.

(Excerto de um poema de Charles Péguy)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Top 5 dos cardeais que “tuítam”


São apenas cinco os cardeais que estão no twitter, pelos menos que se saiba, mas são importantes. Dois deles estão entre os papáveis do momento, Ravasi e Scola. O primeiro de todos fala português.

Eis o top-5, tendo em conta o número de seguidores (indico o número de seguidores no momento em que escrevo isto e não o que refere a fonte da notícia, aqui; e acrescento o tweet mais recente):









Odilo Scherer
Cardeal de São Paulo
7.566 seguidores
Tweet mais recente: E os @jconectados, estão vivendo bem o tempo do Advento? Espalhem a Boa Nova nas redes sociais digitais, mas tb na vida 'real' de vocês!










Gianfranco Ravasi
Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura
3.639 seguidores
Tweet mais recente: Non dire al tuo prossimo: Va', ripassa, te lo farò domani!, se tu hai ciò che ti chiede (Proverbi 3,28)


 







Sean Patrick O'Malley
Arcebispo de Boston
2181 seguidores
Tweet mais recente: Meeting with the Pontifical Council for the Family (do blogue)










 Angelo Scola
Arcebispo de Milão
1.522 seguidores
Tweet mais recente: Oggi alle 18 a S.Ambrogio il discorso del card. Scola su Crisi e travaglio all'inizio del Terzo Millennio http://www.chiesadimilano.it










Wilfrid Fox Napier
Arcebispo de Durban (África do Sul)
495 seguidores
Tweet mais recente: Isn't it like saying "The glass is half full, not half empty". It depends on whether our perspective is negative or positive!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Missa em mirandês e outros bispos



Alguém que habitualmente lê este blogue, ou pelo menos as notícias relativas ao novo bispo de Bragança-Miranda, pois costuma comentá-las, de certeza apreciará esta notícia e verá nela um sinal da diferença que este novo prelado representa. Penso nessa pessoa, com amizade, embora não a conheça. Esta notícia foi retirada do DN de hoje. Atenda-se ao título: "Deu... missa".


Hoje soube-se que Lisboa tem um novo bispo auxiliar, D. Nuno Brás. Deixo um conselho aos jornalistas que pensam em entrevistá-lo. Poupem tempo com as seguintes perguntas: o que pensa da ordenação das mulheres? O que pensa do celibato? O que pensa da democracia na Igreja? Porque pensa o que o Vaticano pensa e o Vaticano pensa que não.


Ontem, em Valadares, falando de Jesus Cristo, José Maria Castillo disse que do processo sigiloso para bispo também faz parte uma pergunta sobre se o candidato se dá bem com os poderes públicos, políticos. Portanto, é escusado perguntar por coisas mais proféticas. Pensando bem, haverá matéria  para entrevistas?

sábado, 1 de outubro de 2011

Falar e viver

No tempo da proliferação quase incomportável de meios e mensagens, uma frase medieval para lembrar o que realmente importa (o contrário é exactamente o que conta na sociedade hipermediática):


O nosso modo de viver parece-me ser mais importante do que o nosso modo de falar.


Guilherme de St. Thierry (1080-1148)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Novas do céu

Diz-se que é no dia 29 de Junho (nos 60 anos da ordenação de padre de Bento XVI) que o novo portal informativo do Vaticano vai entrar em funcionamento. Para já, só em inglês e italiano. E depois do Verão também em português, francês e espanhol.

domingo, 5 de junho de 2011

Dia da Ascensão e das comunicações



Hoje é Dia Mundial das Comunicações Sociais. Dia da Ascensão. Jesus "subiu" ao céu. Em vez de ficar ausente, diz a fé que ficou mais acessível a todos. Mais comunicante e comunicado. Em rede, que é a Igreja. Daí o dia mundial.
As novas tecnologias permitem que as pessoas se encontrem para além dos confins do espaço e das próprias culturas, inaugurando deste modo todo um novo mundo de potenciais amizades. Esta é uma grande oportunidade, mas exige também uma maior atenção e uma tomada de consciência quanto aos possíveis riscos. Quem é o meu «próximo» neste novo mundo? Existe o perigo de estar menos presente a quantos encontramos na nossa vida diária? Existe o risco de estarmos mais distraídos, porque a nossa atenção é fragmentada e absorvida por um mundo «diferente» daquele onde vivemos? Temos tempo para reflectir criticamente sobre as nossas opções e alimentar relações humanas que sejam verdadeiramente profundas e duradouras? É importante nunca esquecer que o contacto virtual não pode nem deve substituir o contacto humano directo com as pessoas, em todos os níveis da nossa vida.
(...) Os crentes encorajam todos a manterem vivas as eternas questões do homem, que testemunham o seu desejo de transcendência e o anseio por formas de vida autêntica, digna de ser vivida. Precisamente esta tensão espiritual própria do ser humano é que está por detrás da nossa sede de verdade e comunhão e nos estimula a comunicar com integridade e honestidade. 
Da mensagem de Bento XVI para este dia. Ler tudo aqui.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Agência Ecclesia visita Tribo de Jacob

O programa 70 X 7, produzido pela Agência Ecclesia, visitou o Tribo de Jacob, agora mesmo - uma conversa a propósito da mensagem do Papa para o 45.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que afirma que é necessário um perfil católico nas redes sociais (pode ser lida aqui). O programa passa na RTP 2, na manhã de 5 de Junho. Estará disponível aqui.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Vaticano convoca bloguistas católicos


Notícia da Agência Ecclesia (aqui):
O Vaticano convocou um encontro de bloguistas católicos, no próximo dia 2 de maio, numa iniciativa conjunta dos Conselhos Pontifícios da Cultura e das Comunicações Sociais.
Em comunicado, os responsáveis pela iniciativa explicam que o encontro tem como objetivo “permitir um diálogo entre bloguistas e representantes da Igreja, partilhar experiências de quem trabalha diretamente neste campo e compreender melhor as necessidades desta comunidade”.
Os blogues, páginas da Internet da autoria de pessoas ou grupos (denominados «bloggers», bloguistas), são compostos por opiniões e notícias, em forma de texto e multimédia, frequentemente abertas à interação dos leitores através da publicação de comentários.
No Vaticano vão ser apresentadas iniciativas que a Igreja está a promover para “entrar em contato com o mundo” dos novos meios de comunicação.
Segundo o programa divulgado pelos Conselhos Pontifícios, os trabalhos do encontro vão estar abertos a uma “discussão geral” por parte dos participantes, incluindo um painel com cinco bloguistas, representantes de várias áreas linguísticas.
Outro painel vai oferecer testemunhos de pessoas ligadas à “estratégia comunicacional” da Igreja, com destaque para as iniciativas que visam assegurar “um compromisso efetivo” no mundo dos blogues.
Entre os presentes vão contar-se o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, o arcebispo Claudio Celli, presidente do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais, e o padre Federico Lombardi, diretor da sala de imprensa da Santa Sé.
Este encontro acontece um dia depois da beatificação de João Paulo II, aproveitando a previsível presença em Roma de vários bloguistas católicos, que se podem inscrever através do mail blogmeet@pccs.it.
(Agradeço da Fernando Cassola Marques, que ma deu a conhecer. Mas eu não vou.)

domingo, 6 de março de 2011

Aconteceu um 11 de Setembro eclesial e a Igreja não se apercebeu


“O Vaticano não tem só um problema de comunicação externa – o problema também é interno. Todas as gafes, os mal entendidos, os erros dos últimos anos não foram realmente provocados pela falta de habilidades de comunicação com o mundo exterior. Essa é uma dimensão dela, mas o verdadeiro problema é que, dentro do Vaticano, a discussão não é livre e ampla o suficiente”, afirma Massimo Franco, jornalista do “Corriere della Sera”, numa entrevista que John L. Allen Jr. lhe fez para o "National Catholic Reporter".

Massimo Franco escreveu um livro intitulado “C'era Una Volta un Vaticano” (“Era uma vez um Vaticano”) defendendo que está a acontecer uma mudança histórica de que o Vaticano ainda não se apercebeu. O Vaticano deixa de ser o capelão do Ocidente.

A entrevista é instrutiva (mais diagnósticos do que soluções – reconhecem entrevistado e entrevistador) em vários aspectos. Dá pistas para uma o Vaticano fazer uma introspecção (e todos nós, como Igreja). Alguns excertos:
Autoconcolação? O Vaticano orgulha-se de ser contracultural, mas às vezes eu acho que essa é uma forma de autoconsolação. Na verdade, eu acho que o Vaticano está certo quando diz que, no futuro, o Ocidente terá que retornar para a religião. 
Divorciados do mundo externo. A questão é: qual religião? Será que o Vaticano vai estar lá no momento certo para responder às perguntas que as pessoas estarão se fazendo? Eu não tenho a resposta, mas posso dizer que há uma desconexão entre o Ocidente e o Vaticano do ponto de vista da linguagem. Não é o fato de os católicos serem uma minoria, mas sim de serem um modelo autorreferencial, não um modelo criativo, com nenhuma capacidade de expansão. É isso que eu temo. O risco é de dar voltas em si mesmo cada vez mais, divorciados do mundo externo. 
Comunicação interna. É importante dizer que o Vaticano não tem só um problema de comunicação externa – o problema também é interno. Todas as gafes, os mal entendidos, os erros dos últimos anos não foram realmente provocados pela falta de habilidades de comunicação com o mundo exterior. Essa é uma dimensão dela, mas o verdadeiro problema é que, dentro do Vaticano, a discussão não é livre e ampla o suficiente. 
11 de Setembro eclesial. O que os atentados das Torres Gêmeas foram para os Estados Unidos, os escândalos dos abusos sexuais são para a Igreja. As Torres Gêmeas significaram que o unilateralismo e a hegemonia militar norte-americanos haviam terminado, e os escândalos dos abusos sexuais significaram que o unipolarismo ético da Igreja Católica acabou. O Ocidente está em crise, de um ponto de vista militar, tecnológico, econômico e moral. Ambos os impérios paralelos hoje estão aprendendo mais interiormente, estão mais fracos e não colaboram um com o outro.
Ler a entrevista toda aqui.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Jorge VI e Pedro Arrupe

Jorge VI

No “Público” de hoje, o artigo sobre o filme “O Discurso do Rei” diz que há uma cena em que Jorge VI 
assiste com a filha, Isabel, no Palácio de Buckingham, a um filme de actualidades com um discurso inflamado de Hitler, e ela lhe pergunta: "O que é que ele está a dizer?" O pai responde: "Não sei. Mas a verdade é que o diz muito bem!" Jorge VI (1895-1952), que chegara ao trono de Inglaterra em 1936, mal conseguia disfarçar a admiração pela capacidade que o ditador alemão tinha de falar e de entusiasmar a população através de uma bem encenada utilização da rádio e do cinema (aqui).
A história é parecida com uma contada por Pedro Lamet sobre Pedro Arruge (1907-1991), que foi superior-geral dos jesuítas. Já aqui a referi, mas reconto-a em traços largos.
Passa-se no Japão. Perguntam a um surdo porque é assiste às pregações de Pedro Arrupe, se não pode ouvir. E ele responde que não sabe em que é que o jesuíta acredita, mas sabe que acredita.
Pedro Arrupe

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...