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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Cerveja cristã contra café islâmico



Henrique II (1133-1189), rei de Inglaterra, criou em 1188 um imposto sobre a cerveja para financiar as Cruzadas. A cerveja cristã contra o café islâmico.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Há mil anos a fazer (e beber) boa cerveja



Li há dias numa revista de fim-de-semana que a cervejaria mais antiga do mundo é a de Weihenstephan, criada em 1040. A cervejaria fica em Freising, uma terra ligada ao actual Papa, Bento XVI, e é dos beneditinos.


Mas o Papa nunca apontou esse motivo para escolher o nome de Bento (coincidência: li hoje que não há certezas de que S. Bento tenha alguma vez sido ordenado padre. Monge, sim; padre, não se sabe).


Weihenstephan tem página aqui. E um hino. É só imaginar os bávaros a cantar com altas canecas na mão. Incluindo monges.

sábado, 26 de março de 2011

Sermão para mim próprio: O poço e a fossa


(Jo 4)
Num exame de teologia, um aluno escreveu que “para Lutero o ser humano está sempre na fossa”. O professor deve ter sublinhado ou riscado a vermelho, mas o aluno expressou bem em linguagem popular o pessimismo antropológico de Lutero (Agostinho de Hipona pensava o mesmo).

Acontece que o encontro entre Jesus e a samaritana (nem nome tem, como muitas outras mulheres da Bíblia, o que só denota androcentrismo da cultura antiga – evangelhos incluídos) dá-se ao pé de um poço, o de Jacob. O poço é o oposto à fossa no que a águas diz respeito. A fossa é um mau sítio para se estar dentro. O poço é um bom sítio para se estar fora. Água fresca, encontros, conversa, revigorar de forças para trabalhar ou continuar a caminhada.

Para a samaritana, o poço é lugar de descoberta do homem, judeu, profeta, messias - Jesus. É essa a subida em busca de água fresca (vem do alto e não do fundo). Tira qualquer um, seguramente, da fossa.


Bonus track
Um seminarista coloca objecções ao celibato invocando o episódio de Jesus e a samaritana. O padre formador responde:
- Primeiro, temos que ver que, de facto, nem todos os episódios do evangelho gozam do mesmo carácter histórico. Em relação a este, os exegetas colocam muitas dúvidas. Depois, temos que admitir que este não será, certamente, a passagem mais edificante dos evangelhos. Por fim, há que notar que entre Jesus e a Samaritana há um poço.

terça-feira, 22 de março de 2011

Embriaguez



Muitos outros corpos místicos, que não têm por cabeça Cristo, oferecem aos seus membros formas de embriaguez.


Simone Weil (1909-1943)

quinta-feira, 17 de março de 2011

O que dizem de Jesus: Comunista


Jesus foi o primeiro comunista. 
Repartiu o pão e transformou a água em vinho.


Fidel Castro (1926 - …)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Walter Kasper andou a bebeu vodka pelo bom relacionamento das confissões cristãs


O cardeal Walter Kasper contou há dias, num encontro de formação de leigos em Roma, que a coisa mais difícil que teve de fazer enquanto responsável pelo Conselho Pontifício da Unidade dos Cristãos, que promove o ecumenismo, foi beber vodka nas conversações com os responsáveis da Igreja Ortodoxa Russa. Um dia, um metropolita russo insistiu que o cardeal bebesse vodka ao pequeno-almoço. O que valeu foi que a vodka era bastante boa – disse o cardeal alemão.

Sempre bem-humorado, Walter Kasper contou também que a fé é uma virtude teologal, mas isso não quer dizer que todos os teólogos são virtuosos, tal como o facto de haver as virtudes cardeais não implica que todos os cardeais sejam homens de virtude.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O argumento do vinho

Com certeza que Deus é muito bom menino por ter dado o vinho ao homem. Se eu tivesse sido Deus, teria guardado a receita para mim próprio.

Théophile Gautier (1811-1872)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os AA portugueses também seguem os 12 passos


Um leitor comentou na entrada "Um padre nos Alcoólicos Anónimos":

"Não é exacto ao dizer «Procurando no sítio dos AA portugueses (aqui), não encontrei a formulação dos 12 Passos». Poderia dizer, com razão, que deveriam estar mais visíveis naquela página, dada a importância daquele programa na respectiva comunidade.

De facto estão lá os 12 Passos. É a pergunta 30 desta lista. Fica reposta a verdade.

Aqui ficam:

  • Admitimos que éramos impotentes perante o álcool - que as nossas vidas se tinham tornado ingovernáveis.

  • Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos nos poderia restituir a sanidade.

  • Decidimos entregar a nossa vontade e a nossa vida aos cuidados de Deus, como O concebíamos.

  • Fizemos, sem medo, um minucioso inventário moral de nós mesmos.

  • Admitimos perante Deus, perante nós próprios e perante outro ser humano a natureza exacta dos nossos erros.

  • Dispusemo-nos inteiramente a aceitar que Deus nos libertasse de todos estes defeitos de carácter.

  • Humildemente Lhe pedimos que nos livrasse das nossas imperfeiçőes.

  • Fizemos uma lista de todas as pessoas a quem tínhamos causado danos e dispusemo-nos a fazer reparaçőes a todas elas.

  • Fizemos reparaçőes directas a tais pessoas sempre que possível, excepto quando fazê-lo implicasse prejudicá-las ou a outras.

  • Continuámos a fazer o inventário pessoal e quando estávamos errados admitíamo-lo imediatamente.

  • Procurámos através da oraçăo e da meditaçăo melhorar o nosso contacto consciente com Deus, como O concebíamos, pedindo apenas o conhecimento da Sua vontade em relaçăo a nós e a força para a realizar.

  • Tendo tido um despertar espiritual como resultado destes passos, procurámos levar esta mensagem a outros alcoólicos e praticar estes princípios em todos os aspectos da nossa vida.

  • terça-feira, 16 de novembro de 2010

    16 de Novembro de 1950. Morre Bob Smith, um dos fundadores dos Alcoólicos Anónimos

    Bob Smith e Bill Wilson em 1949

    Robert Holbrook Smith, mais conhecido por Dr. Bob, foi fundador dos Alcoólicos Anónimos no ano de 1935 em Akron (Ohio, EUA), com Bill Wilson. O Dr. Bob nasceu no dia 8 de Agosto de 1879 e morreu no dia 16 de Novembro de 1950.

    A metodologia dos AA baseia-se em 12 passos desenvolvidos pelos fundadores e por Anne Ripley Smith, mulher de Bob. Os 12 passos apelam ao poder de Deus para a manutenção da sobriedade, segundo uma lógica muito luterana: o reconhecimento da incapacidade humana para alcançar a virtude.

    Na realidade, a fé em Deus, segundo o modelo protestante, está nos genes dos AA (ver aqui). O primeiro católico só entra para os AA no quarto ano do grupo, em 1939. Para todos os efeitos, é tida como data da constituição dos AA o dia 10 de Junho de 1935, o último dia em que Bob Smith se embebedou.

    Os dois fundadores dos AA deram origem a uma peça de teatro intitulada “Bill W. and Dr. Bob”. Foi levada à cena mais de cem vezes, em Nova Iorque, em 2007. O enredo da peça segue de perto a história real. Em 1929, William Wilson, famoso apostador da bolsa entra em falência com a derrocada dos mercados e vicia-se na bebida. Já Bob Smith é um cirurgião que vai de ressaca para a mesa das operações. Devido a uma série de coincidências, os dois acabam por se encontrar e ajudam-se mutuamente a manter-se sóbrios. Acabam por formar os AA.

    quinta-feira, 30 de setembro de 2010

    O bispo, o judeu e o copo de vinho

    O arcebispo de Paris visitou um dia o barão de Rothschild, judeu. Este mandou-lhe servir um excelente vinho tinto. Só que, apenas lhe serviram meio copo. O arcebispo gostava de copos cheios até cima. Pegou, por isso, no jarro de água e completou o copo. O barão ficou surpreendido:

    - Eminência, um vinho destes não se baptiza…

    - Oh – respondeu o prelado –, eu não estou a baptizá-lo. Estou a cortá-lo.

    Qual é o tempo razoável para se compreender uma anedota, quando não se compreende à primeira? Demorei alguns dias a compreender esta.

    domingo, 22 de agosto de 2010

    Uísque católico

    Fiquei hoje a saber que há whiskey católico. Foi lendo a croniquinha de Miguel Esteves Cardoso no “Público”. Fala do whiskey (assim, em “irish english) que Samuel Beckett bebia. “Sempre se disse de Beckett que era bebedor do whiskey da Irlanda do Norte (…)”. Supunha-se que bebia Bushmills, um whiskey protestante. “No entanto - afiança o cronista - nos últimos meses de vida dele, num lar de terceira idade de Paris chamado Tiers Temps, aqueles que o visitaram não viram Bushmills: só Jamesons e Tullamore Dew. Jamesons é o whiskey católico da Irlanda. Tullamore Dew é o whiskey irlandês que os irlandeses não têm clima para apreciar” (sic).

    Esta confessinalidade dos uísques faz-me lembrar aquela anedota dos ateus irlandeses, que são sempre ou ateus católicos ou ateus protestantes.

    Apesar da repetição da palavra Jamesons, não há um whiskey com esse nome. Há, sim, uma marca sem "s" final.

    quarta-feira, 21 de julho de 2010

    Humor fora de tempo litúrgico


    Um irlandês entre num bar de Dublin e pede três canecas de cerveja. O empregado serve-as. O cliente vai bebericando de cada uma das canecas. A cena repete-se ao longo dos dias, até que o barman lhe pergunta:
    - Ouça lá: sabe que a cerveja vai perdendo gás, não sabe? Perderia menos, se pedisse uma caneca de cada vez.
    - Eu sei, mas é que eu tenho um irmão nos Estados Unidos e outro na Austrália. Quando nos separámos, prometemos uns aos outros que beberíamos todos assim, lembrando os velhos tempos.
    O empregado e os que estavam no bar ficaram comovidos com o costume tão fraterno quanto fantástico.
    O irlandês continua a ir ao bar, mas um dia pede apenas duas canecas. Os clientes habituais reparam e o bar fica em silêncio. O empregado toma a iniciativa e diz:
    - Por favor, aceite as minhas condolências, amigo.
    - Oh, não, os meus irmãos estão bem – diz o irlandês. Acontece que é estamos na quaresma. E eu na quaresma eu não bebo bebidas alcoólicas.

    terça-feira, 1 de junho de 2010

    Monges, whisky e maçonaria

    Ruínas da Abadia de Lindores, na Escócia, onde se destilava whisky

    No “Exchequer Rolls” [suponho que seja uma espécie de inventário do Tesouro ou das Finanças na Escócia] de 1494–95, vol X, p. 487, diz-se: “Ao monge John Cor, por ordem do Rei, para fazer oito «bolls» de aqua vitae de malte”. Não sei como se traduz «bolls», mas leio que corresponde a 140 libras. Sendo a libra equivalente a 453 gramas, temos que o rei James IV (ou Jaime) pediu ao monge João qualquer coisa como 507 litros de “água da vida”, isto é whisky (se um "boll" leva cerca de 63 litros, talvez possa traduzir-se por “barril”).

    John Cor era monge (será mais correcto do que frade) da abadia de Lindores, na Escócia. Trata-se de uma casa da Ordem de Tiro, que surgiu em França, em 1109, perto de Chartres. Os monges desta ordem eram os “cinzentos”, por causa do hábito que trajavam (os beneditinos ainda são os “negros”; os cistercienses, os “brancos”).

    Surgida em França, a ordem rapidamente se propagou para o norte: Inglaterra, Irlanda, Gales e Escócia, desaparecendo com a reforma anglicana (na Inglaterra) e protestante (na Escócia). Em França, foram reintegrados noutra derivação da ordem beneditina.

    Curioso é que uma das abadias escocesas desta ordem, a de Kilwinning, está na origem da maçonaria escocesa.

    Terão os monges criado a maçonaria sob a influência do whisky?

    1 de Junho de 1494. Um monge refere-se ao whisky

    A primeira referência escrita ao whisky aparece datada de 1 de Junho de 1494. O monge John Cor, da abadia de Lindores, na Escócia, segundo um escrito da época, tem licença para produzir cerca de quinhentos litros de “aqua vitae” (“água da vida”) para o rei James IV.

    quinta-feira, 18 de junho de 2009

    O que diz Samuel L. Jackson


    Diz o seguinte (no “Pantalla”, suplemento do diário espanhol “ABC” de 5 de Junho):

    “Rezo todos os dias para não beber nem me drogar”.

    “O simples facto de estar aqui e de não ter sido atirado para a rua, bêbado e drogado, devo-o a Deus. Tive a oportunidade de ver a luz. Às vezes a fé é importante para me manter sereno nos momentos de tentação. Não bebi um copo durante 15 anos… (…) É uma das primeiras coisas que faço logo de manhã, pedir a Deus que me dê força para não beber nem tomar drogas nesse dia”.

    Sinodalidade e sinonulidade

    Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...