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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sacerdotes do “pensamento único”


Na polémica que começou no “Público” e extravasou para os blogues, sobre a "História de Portugal" de que Rui Ramos é autor e co-autor e que foi distribuída em fascículos pelo “Expresso” (basicamente, em resumo, começou com um artigo do historiador Manuel Loff a dizer que Rui Ramos suaviza a ditadura do Estado Novo), Fernando Rosas escreve (em apoio de Manuel Loff; mas só me interessa aqui o uso da linguagem religiosa):
O que julgo intelectualmente inaceitável é que alguns dos candidatos do costume a sacerdotes do “pensamento único” venham ameaçar com a excomunhão do seu mundo civilizado quem não aceitar o que eles parece quererem transformar numa espécie de cartilha “normalizadora” do salazarismo e da sua representação histórica.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"Desporto por desporto" - a mística olímpica por João César das Neves


Meditação de João César das Neves, no DN da semana passada (6 de agosto, aqui), sobre a dimensão pararreligiosa dos jogos olímpicos. Pus a negrito as palavras mais explicitamente religiosas.

A sociedade moderna, cortando as relações com o transcendente, teve de arranjar mitologias, cultos, teologias para se inspirar. O desporto, como a ciência, música e heroísmo, é um elemento central dessa espiritualidade. Os atletas alegadamente mostram o melhor do ser humano, esquecendo misérias, desgraças e maldades, promovendo a auto-superação, camaradagem, colaboração e paz. Os Jogos Olímpicos são a grande celebração mundial da mística, proclamando bem alto este evangelho.
Mas existe um abismo entre desporto e a alta competição dos certames mundiais que bate recordes. Aí a situação aproxima-se do que a sociedade moderna mais se orgulha de erradicar: a escravatura. O facto de ser voluntária e rodeada de fama não a redime. Torna-a paradoxal.
A vida dos atletas manifesta bem este paralelo. Treinos, dietas, disciplina, lesões, exaustão e sofrimento são coisas que, se fossem impostos a alguém, seriam consideradas campo de concentração. Além disso, há a rivalidade, obsessão pelas marcas, pressão psicológica, humilhações, violência moral, isolamento, exclusividade que são brutais. Até o mandamento central desta , levar-se a si próprio ao extremo, é vicioso, pois a virtude está no equilíbrio e moderação. A vida de atleta é, realmente, bastante miserável, destruindo a humanidade, em vez de a ampliar, como garante a mística. 
O dogma oculta a verdade com um truque. Não nega a violência e angústia, mas, centrando a atenção nos vencedores, garante que tudo vale a pena perante a alegria do sucesso e a glória da vitória. Mas, ao contrário dos filmes de aventuras, os adversários vencidos não são vilões malvados. São outros atletas, que também pagaram os custos altíssimos, também forçaram e esfrangalharam a sua humanidade, tendo como única recompensa vergonha e fiasco. 
A isto junta-se extrema injustiça e impiedade, oculta debaixo do rigor dos resultados. Com os níveis a que chegaram os recordes, o fracasso acontece por milésimos de segundo, centímetros, queda na pirueta, pequeno deslize, ligeira indisposição. Esse nada deita a perder anos de trabalho brutal, que valem zero. E o injustiçado, que se escravizou voluntariamente, nem sequer pode protestar contra o cronómetro, a fita métrica e evidência dos árbitros. Só tem de desaparecer e tentar outra vez, se ainda tiver idade. 
Isto aponta outra evidente falha da mística: desporto é para jovens saudáveis. Uma que apenas dá sentido à vida a alguns durante uns anos, não presta. Os apóstolos defendem-se dizendo que desporto é para toda a vida, sendo a alta competição apenas dos mestres, como os mosteiros e eremitérios na religião. Mas no desporto, ao contrário da religião, vitória e fama fazem parte da mística. A falsidade da tese vê-se na vida posterior dos grandes atletas.Tirando o pequeno punhado de superestrelas que vive da celebridade, à esmagadora maioria dos desportistas, mesmo grandes campeões, espera-os anos de nostalgia, anonimato, até miséria, pois muitos desperdiçaram a juventude sem aprender uma profissão útil. A mística tenta esconder a verdade, celebrando glórias passadas, mas ela por vezes emerge, como no filme Belarmino (Fernando Lopes, 1964) ou nas notícias recorrentes de ex-campeões que vendem as medalhas para comer. 
É verdade que estes são precisamente os pontos em que toca o espírito olímpico. Ao contrário dos campeonatos, os Jogos dirigem-se a amadores, pessoas que praticam desporto por desporto, não por obrigação. Participar é mais importante do que vencer ou bater recordes. Esta é a teoria, muito longe da realidade. Repetidamente se ouvem os sumo sacerdotes lamentar a perda do espírito olímpico. Em grande medida, os Jogos são apenas mais um campeonato, para os mesmos profissionais que batem o circuito. Mas o mal estava na origem: se apenas interessa a prática, porquê criar medalhas e podium? 
O desporto é uma excelente actividade humana, como a arte ou ciência, mas, como elas, não suporta ser erigida em finalidade de vida. O desporto só é desporto se for praticado por desporto.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Estatura papal de Quentin Tarentino


No "Público" de hoje, a propósito do filme "Sexo, Mentiras e Vídeo", que é de Soderbergh e estreou no dia 4 de Agosto de 1989, diz-se que a película deu origem a uma vaga "indie" que teve em Quentin Tarentino ("Cães Danados", de 1992, e "Pulp Fiction", de 1994) um realizador "com estatura papal". Não conhecia a expressão. Está registada.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

“Holy Drink”

Como dizia alguém: "Por humor de Deus, o humor nunca foi e nem tem de ser teologicamente correcto". Francisco Gomes, na página Nano-Contos do FB e hoje ao vivo no Bar A Barraca, de vez em quando inspira-se na religião, como neste nanoconto (que tem mais de teológico do que de suposta blasfémia):
Quando o Vaticano se apercebeu da asneira, já era tarde. Um bispo engarrafava água benta e vendia-a como “Holy Drink”. A malta começou a levá-la para as raves e dizia que, com a pastilha certa, até viam Deus.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O Missal do Novo Catecismo da "troika"

No dia 14 de Maio, São José Almeida escreveu no “Público” uma opinião sobre o programa de intervenção na economia portuguesa elaborado pela troika. Deu-lhe o título de “A Contra-Reforma” e usou diversas expressões de origem religiosa para falar do assunto.

Sendo a troika constituída por representantes de três instituições (FMI, BCE e CE), só faltou falar em trindade.

Vejamos as frases e expressões com linguagem de inspiração religiosa (os negritos são meus):

- “O documento da troika surge assim como uma espécie de Missal do Novo Catecismo da Contra-Reforma, imposto por um novo Concílio de Trento que instalou a sua doutrina na Europa. E nele surge uma visão salvífica e redentora, que ignora a degradação social que provoca, e que se apresenta como um novo dogmatismo que promete trazer um paraíso de leite e mel ou ser uma espécie de novo sol na terra”;

- [documento apresenta-se como] "verdade absoluta";

- “Não sendo demonstrável a capacidade salvífica do documento da troika…”;

- “Será que contém alguma solução milagrosa para o desenvolvimento económico que tenha resultado na Grécia?”;

- "Contra isso [tensão e revolta social] o Missal da troika não apresenta ainda milagre".

Mais para o final a jornalista, que já em diversos textos mostrou que é ateia ou pelo menos agnóstica, volta a falar do enigmático “Missal do Novo Catecismo desta Contra-Reforma”. Digo enigmático porque não existe nenhum “Missal do Novo Catecismo”. O que existe é o Catecismo de Pio V, preparado pelo Concílio de Trento (1545-1563) e publicado por Pio V em 1566, e o Missal Romano, publicado pelo mesmo Papa em 1570. Mas são coisas diferentes. A jornalista devia ser mais cuidadosa. Devia ter mais trento na língua.

sábado, 30 de abril de 2011

Fé e religião no Benfica - Braga



O jogo foi na quinta-feira, 28 de Abril, em Lisboa. O "Público" relatou assim o jogo (os negritos são meus): 
A equipa de Jesus garantiu o golo da vitória sobre o Sporting de Braga (2-1) da forma mais irrepreensível. E é também um caso raro de sucesso do cruzamento entre ciência e religião. Assim foi ontem. Fez no melhor pé esquerdo que habita o futebol nacional, o do paraguaio Cardozo, num lance que exige a ciência dos sábios - um livre directo com tudo estudado. Ele que falhou dois golos certos, atirou ao poste nessas duas ocasiões, uma delas deu o primeiro golo da noite a outra desesperou a Luz. Do outro lado mora a esperança, com o golo nascido e criado na cabeça de Vandinho.Tanto o Benfica como o Sp. Braga vivem da fé e da esperança, num trabalho religiosamente estudado. Foi Domingos que o disse na véspera. Quando se chega a uma meia-final europeia, os jogos resolvem-se nos pormenores. Deus está nos detalhes, já se sabe. E foi isso que ambas as equipas procuraram. Não descobriram deuses, mas Aimar e Vandinho, Cardozo e Hugo Viana mostraram-se maiores que os restantes e marcaram o jogo de ontem. A má notícia para os seus treinadores é que nem Aimar nem Vandinho vão jogar o segundo jogo, castigados pelo cartão amarelo.
Este excerto veio na edição em papel, no dia 29 de Abril, e pode ser lido aqui

sexta-feira, 25 de março de 2011

Ir ao culto engorda? Um estudo indica que sim

Veio no "Público" de hoje e consigo imaginar várias razões para que a participação em actos de culto engorde, desde o "se não comes tudo, o Menino Jesus fica triste", argumento que os não religiosos não deverão usar (e muitos dos cristãos também não, como é evidente), à compra de bolos para ajudar as obras da igreja ou outra causa social. Mais um estudo de uma universidade americana, por coincidência, a mesma do Illinois que dizia que as religiões vão desaparecer em alguns países (aqui). 

terça-feira, 1 de março de 2011

Charro arrependido


Criticando as “cruzadas dos americanos”, a “intifada puritana sobre a intimidade dos políticos”, e a tirania do marketing sobre quem faz política, Henrique Raposo diz no “Expresso” que há hoje um “confessionário do charro”: “Político-que-é-político tem de dizer que fumou um charrinho na juventude”. “(…) O nosso Eça falava num «pensativo cigarro». Ora eu acho que podemos usar a expressão «charro arrependido» para descrevermos esta tontice dos gringos”. Os meus negritos realçam a semântica religiosa do cronista.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Prostituição da actividade publicitária

Trata-se de "prostituição da actividade publicitária" o uso depreciativo de situações religiosas para fins comerciais. E contra os católicos, pode-se tudo. Mesmo assim, como diz Eduardo Cintra Torres, e eu subscrevo, é um erro as autoridades proibirem este tipo de anúncios. O texto vem o "Jornal de Negócios" de 07-10-2010.

domingo, 3 de outubro de 2010

José Diogo Quintela: Quem quer ser miserável?

José Diogo Quintela deve ter andado na catequese até bastante tarde. Por pouco que não foi seminarista – suponho eu. É que é dos humoristas mais conhecedores da cultura católica. O outro, Ricardo Araújo Pereira, foi aluno de jesuítas. Mas parece-me que JDQ conhece mais por dentro as coisas católicas. Para fazer humor sem ofender é preciso conhecer bem. Veja-se a crónica de hoje na “Pública”. JDQ merece ser uma etiqueta.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Uma coisa que Saramago fez religiosamente

O uso da linguagem religiosa para outros fins que não o religioso é sempre interessante e estimulante. Leia-se o início deste artigo de um jornalista espanhol: "A Igreja Católica ficaria surpreendida ao saber que Saramago, durante toda a sua vida, fez algo religiosamente. (...) Saramago pagou religiosamente os seus impostos".

E se se tratasse da Associação Ateísta de Portugal? "A Associação Ateísta de Portugal congratula-se em saber que o senhor fulano de tal fugiu ao fisco sem fé nenhuma" (sem fé, quem? o faltoso ou o fisco?). Ou "o sr. X não cumpre as suas obrigações ateisticamente". Ou "cumpre com todo o ateísmo a sua não participação na vida colectiva".

Espero que a AAP (não sei se é este o nome correcto) não me processe por causa de conotar ateísmo com irresponsabilidade. Mas é que não dá para cumprir deveres com fervor ateu. Quer dizer, dar, dá. E é o que acontece com algumas pessoas. Mas não fica tão bem em letra de forma.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O perigo de uma capa com Jesus

Primeiro, o “Correio da Manhã” noticiou que a Playboy Internacional queria acabar com a edição portuguesa por causa desta capa, inspirada no livro de Saramago “Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Agora, o matutino vem dizer que a empresa responsável pela “Playboy” portuguesa, a Frestacom - Lisbon Media Consulting, nega ou pelo menos desconhece o encerramento da revista (aqui).

O que interessa aqui apontar é o uso da figura de Jesus Cristo. A estrelinha é um exclusivo do Correio da Manhã, de onde copiei a imagem.

domingo, 4 de julho de 2010

No mundial, Deus só joga com as mãos


A mão de Suárez foi "canonizada", diz o DN deste domingo. Suárez é o avançado do Uruguai (maior goleador das ligas europeias, joga no Ajax) que defendeu com as mãos um remate do Gana, no último minuto do prolongamento. Foi expulso. O Gana falhou o penálti. E no desempate por penáltis, o Uruguai ganhou e passou às meias finais.


E agora o que interessa neste blogue que só liga ao desporto por motivos religiosos. Cito o DN. "«Um dirigente mandou-me uma mensagem dizendo-me que a mão de Suárez foram, na verdade, as mãos de Deus e da Virgem Maria», exaltou o seleccionador Oscar Tabárez".

Suárez, por seu lado, disse: "Fiz a melhor defesa do torneio. Naquele momento não havia outra hipótese, por sorte o de lá de cima ajudou-nos e, agora, a mão de Deus é minha".

"A mão de Deus", em jogos de futebol, é sempre uma alusão à mão de Maradona no golo afastou a Inglaterra no México 86. Deus, nos mundiais de futebol, só joga com as mãos.

sábado, 3 de julho de 2010

Deus abandonou Maradona

Início de um texto do "Guardian" sobre o Argentina 0 - Alemanha 4: "Se de facto tivesse sido vontade de Deus que a Argentina ganhasse o Mundial, Diego Maradona deveria agora sentir-se extremamente abandonado" (aqui, mas é sobre futebol; "Deus" só aparece uma vez).

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Liturgia da Comissão Europeia

Bagão Félix diz no “Público” de hoje que “a perspectiva do comissário da Economia e Finanças [que apelou a reformas laborais em Portugal] é muito própria da liturgia da Comissão Europeia. Lançam uns palpites e umas ideias, mas sempre nada de concreto”.

Aponto o uso do termo “liturgia”, que, neste contexto, transmite a ideia de gestos ou rituais vazios de conteúdo. Mais um uso profano de linguagem religiosa.

domingo, 6 de junho de 2010

Menino Jesus de Cartolinha

No DN de hoje li a seguinte frase: "O PS resignou-se à reeleição de Cavaco, inevitável mesmo que os socialistas trocassem o Alegre pelo dr. Nobre ou pelo Menino Jesus da Cartolinha". Vem no texto de Alberto Gonçalves (aqui, ver trecho relativo a 1 de Junho).

Dos outros já ouvi falar. Mas do Menino Jesus da Cartolinha, não. Claro que basta pôr o conjunto de palavras no Google para ficarmos com uma ideia de quem é este Menino Jesus. Venera-se em Miranda do Douro, desde os tempos da Restauração da Independência, mas a cartola surgiu muito mais tarde. É um Menino Jesus fidalgo. Tem um imenso guarda-roupa. "Alguém se lembrou de colocar uma cartola na cabeça do Menino Jesus da Catedral de Miranda do Douro ou nos finais do século XIX ou nos princípios deste século XX". A história está em muitos sítios. Neste, por exemplo.

domingo, 30 de maio de 2010

A Bíblia de José Diogo Quintela

É impressão minha ou José Diogo Quintela é o humorista português que mais conhece a Bíblia? Talvez seja só impressão minha, porque não costumo ler Ricardo Araújo Pereira (na “Visão”) nem os outros colegas do Gato Fedorento (um deles escrevia no “Destak” – ou seria no “Metro”?), nem outros humoristas (João Miguel Tavares faz humor, no "Correio da Manhã", e já tem usado a linguagem de origem religiosa, mas fá-lo como jornalista) .

JDQ usa com frequência a linguagem teológica, bíblica e eclesial. Outro exemplo aqui. Na crónica da "Pública" de hoje remete-se para um episódio do Antigo Testamento, concretamente, o livro do Génesis, capítulo 41.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Inspirações: "Este país não é para crentes"

Mais um uso dos Evangelhos, no caso Mt 14,26 (ou paralelos), para falar da actualidade política portuguesa. Excertos de um artigo de Miguel Gaspar, no "Público" de 18 de Maio de 2010.


Este país não é para crentes

(...) Se conseguir levar-nos a mudar a maneira como fazemos política e como pensamos as coisas, então a crise poderá via a ter alguma utilidade.

Mas não estamos sequer perto de conseguir uma transformação dessas. Basta ler o que se continuou a dizer durante a semana negra que passou. De visita à Nunciatura, José Sócrates, além de ter chamado “sua eminência” ao Papa, sugeriu, tentando fazer graça (suponho) que haveria uma ligação entre o crescimento da economia e a viagem papal. Mais trivial, Cavaco Silva sugeriu que a visita de Bento XVI trazia “esperança” numa hora difícil – enquanto os portugueses acham que o título do Benfica e a presença do Papa serviram que nem uma luva para camuflar as medidas que estavam a ser tomadas.

Esta crise, de facto, não é para crentes. Compreende-se porquê. Não sabemos se Jesus Cristo andou sobre as águas (é uma questão de fé), mas sabemos que o Governo pensa que pode andar por cima desta crise como Cristo andou sobre as águas. Depois do delírio das obras públicas e da garantia de que os impostos não iam subir, ninguém acredita no Governo. (…)

A crise não é económica, nem financeira, nem dos mercados. É sermos um país ou tornarmo-nos irrelevantes. Ou seja, um país que não consegue governar-se a si próprio e que ninguém quer governar. Que esse futuro possa acontecer não é só uma questão de crença – é o destino que nos espera se continuarmos a acreditar que de uma maneira ou de outra acabamos sempre por nos safar.

Miguel Gaspar

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Inspirações 8 - O iPad sobre todas as coisas

O DN de ontem (1 de Fevereiro de 2010) remetendo para um artigo laudatório do iPad, no “El País”, diz:

1. que o “iPad de Steve Jobs foi elevado a categoria bíblica digital”;

2. que Jobs aparece como Job, a figura bíblica, na capa do "The Economist";

3. que o “novo «gadget» de Steve Jobs está envolto numa nuvem sagrada”

4. que o tom geral da imprensa sobre a novidade electrónica “é mais de entronização”.

E o artigo do “El País” titula: “Amarás al iPad sobre todas las cosas”.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...