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domingo, 15 de maio de 2011

O anjo invisível

Miguel Esteves Cardoso conta no “Público” de hoje uma anedota que diz vir no romance “Sabbath’s Theater” [há em português, “O Teatro de Sabbath”], de Philip Roth.
“Eis a grande anedota – no sentido verdadeiro, de talvez ter acontecido – que ele conta: o rabino Mendel, quando se encontrou com o mestre rabino Elimelakh, gabou-se de conseguir ver o anjo que leva a luz quando o sol se põe e, quando o sol se levanta o anjo que leva a escuridão.Vai o mestre e responde: «Sim, quando eu era novo também via isso. Mas depois esssas coisas deixam de se ver»”.
E Esteves Cardoso acrescenta: “Como tantas outras”.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Philip Roth e Philip Guston

O escritor Philip Roth tinha ao lado da sua cadeira um álbum de pinturas de Philip Guston (1913-1980) - li num recente texto do "Ípsilon".
Eram amigos. Ambos judeus. Algumas das pinturas de Guston (canadiano, descendente de judeus da Ucrânia) têm conotações bíblicas. A escada da última pintura é de quem dá nome a este blogue.

"Source"

 "The Frame"

 "The Line"

"The Ladder"

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Roth, Deus e os judeus


Os judeus são presença fundamental na sua obra. O modo como lidam com o passado, a noção de territorialização dos judeus norte-americanos de segunda geração, os conflitos com a tradição e o debate sobre o lugar de Deus são a espinha dorsal da obra de Roth, mesmo que sempre tenha dito “não ter no corpo um único osso religioso”.

Tiago Bartolomeu Costa, num texto sobre Philip Roth, no “Ípsilon” (“Público”) desta sexta-feira.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Philip Roth e Deus


Tiago Bartolomeu Costa comentou a minha surpresa pela sua surpresa por Philip Roth ter dado com a questão de Deus.
Escreveu o colaborador do Ípsilon aqui (nos comentários):
Surpreendo-me porque, precisamente, ele sempre disse, e reafirmou na entrevista à Vanity Fair, que citei no artigo, que "não há [nele] um único osso religioso".
E porque, tendo lido a íntegra da sua obra, achei, sim, surpreendente que ele o fizesse agora. Esperava que o tivesse feito em outros livros, como "Pastoral Americana", até mesmo em "Todo-o-mundo" que começa num funeral, ou em "The Humbling", onde o protagonista se suicida sem sequer pensar em Deus.
O Roth falou sempre muito de religião, obviamente. Mas fê-lo, tal como digo no artigo, usando-a para pensar no Homem, e nunca em Deus. Aqui, em "Nemesis", Deus é co-protagonista.
Eu li menos do que três livros de Roth. Li dois. E nem sequer os principais. Li “O Animal Moribundo” e “Todo-o-Mundo”. São dos mais recentes e, ao que sei, dos menores. Não receber o Nobel desmotiva. Vi o filme “Mancha humana”, mas isso não conta para os livros lidos. E não li os obrigatórios “Pastoral Americana” e “A conspiração contra a América”.
De qualquer forma, li o suficiente para pensar que a questão de Deus pairava sobre a fragilidade humana, quer quando se apaixona por uma mulher mais nova (“O Animal Moribundo”), quer na morte (“Todo-o-Mundo”). Roth, nos que eu li, falava sempre de coisas judaicas, pois claro. Mas com tanta judaicidade, a questão de Deus, mais tarde ou mais cedo, haveria de chegar. Eu não sabia que ele não tinha um único “osso religioso”. Apostava simplesmente que a “carne religiosa” (o corpo é a coisa mais bíblica que há) estava perto.
Há judeus ditos ateus. Pode ser o caso de Roth. Mas em nenhum outro povo a questão divina está tão intrincada na identidade humana. Por que é que ele é judeu, continua a ser judeu, vivendo nos EUA? Como é que um judeu pode ser judeu, gerações após gerações, sem nunca ter vivido na Judeia? A questão de Deus está lá sempre. Por vezes, vem ao de cima. Parece que é o caso do novo romance, que só lerei quando surgir em português, em 2011, suponho.
O caso de Roth faz pensar numa anedota que é mais ou menos assim:
Diz o corcunda:
- O sr. é judeu, não é?
O judeu admira-se:
- Como é que sabe?
Responde o corcunda:
- Pela mesma razão que o sr. não me pergunta se eu sou corcunda.

sábado, 20 de novembro de 2010

O passo surpreendente de Philip Roth


O "Ípsilon" da sexta-feira passada diz que Philip Roth, em "Nemesis", o seu mais recente romance, ainda não traduzido para português, "no que é um passo surpreendente ao fim de 31 livros, [explora] a relação com Deus".

O que me surpreende é a surpresa do crítico Tiago Bartolomeu Costa com tal passo surpreendente. A questão de Deus continua a ser a maior questão humana.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Humor judaico ganha Booker Prize 2010

Howard Jacobson ganhou o Man Booker Prize de 2010 com “The Finkler Question”. Não adianta procurar que não está traduzido. Aliás, o autor não tem nenhum dos seus 11 romances publicados em português. Mas posso garantir que é um bom romance, pelo menos no espírito deste blogue, que é filojudaico. Vejamos:

* Howard Jacobson é judeu e escreve sobre judeus. Humor, portanto. O júri diz que o romance é “sobre o amor, a perda e a camaradagem masculina, e aborda o que significa hoje ser-se judeu”. Todos os romances de judeus sobre judeus no meio de gentios são bons.

* Howard Jacobson intitula-se a “Jane Austen judia” (li no "Público") para sugerir que há nele algo de shakespeariano, algo que mistura trágico e cómico. É persuasivo.

* Dizem que Howard Jacobson é o um Philip Roth à inglesa (aqui referido há dias), menos sombrio e obsessivo e mais cómico, o que quer dizer que, mesmo moribundo, solta umas gargalhadas.

* Na capa do livro, Jonathan Safran Foer diz que Howard é “a real giant, a great, great writer”. Ora, J. S. Foer, outro judeu como Howard e Roth, costuma iluminar bem o que escreve (um texto aqui, a partir de “2. O Diálogo”).

* Finalmente, o escritor é um filho de Jacob. Pertence à tribo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Novo livro de Philip Job, quer dizer, Roth


O Nobel da Literatura do próximo ano – estou a referir-me, é claro, a Philip Roth, que enquanto não o receber é sempre o candidato mais apontado para recebê-lo no ano seguinte – vai publicar o 31.º romance. Chama-se “Nemesis”. Tem o nome da deusa grega que combate tudo o que é excessivo, diz o “Ípsilon”. Quase uma deusa da vingança. Estraga a felicidade.
Ora, diz o mesmo jornal-revista, e isto é que me interessa: “Como noutros livros, a negociação entre a culpa e o livre arbítrio ocupa o essencial da narrativa, em que o escritor reflecte longamente sobre o papel de Deus na história dos homens. A imprensa que já leu o livro fala de uma exploração rara e directa desse driblar de culpas entre o homem e Deus, assegurando que «Nemesis» permite imaginar que Roth encerra aqui um conjunto de abordagens e temáticas”.
Só li dois livros de Roth (e vi um filme baseado noutro, “A Mancha Humana”), mas Roth não engana. É judeu. E, como todos os judeus que pensam, tem contas a ajustar com Deus. (Alguém disse que para os judeus o perdão não conta – isso é dos cristãos -, só a culpa). Ele sente-se como Job. Se receber o Nobel será que passa?

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...