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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Defesa

Se a vós, magistrados do Império romano, que na vossa alta posição presidis publicamente à justiça lá quase no cimo da cidade, não é lícito indagar abertamente e examinar na presença de todos o que haja por detrás da questão dos cristãos; se, neste caso tão somente, a vossa autoridade tem medo ou tem pejo de uma diligente e justa devasse pública; e se, como recentemente se passou, a ânsia de atacar esta nossa seita - ânsia muito atreita a denúncias domésticas - tapa simplesmente a boca à defesa... deixai que a verdade vos chegue aos ouvidos, pela via oculta, ao menos, destas letras silenciosas.

Tertuliano, n.º 1 de "Apologético"

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Violência agradável

As armas das nossas preces.
Esta sim, é uma violência agradável (...).

Tertuliano, Apologético

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Nível

Deus põe-se a viver à maneira humana para que o ser humano aprenda a viver de maneira divina. Deus põe-se ao nível do ser humano para que o ser humano possa pôr-se ao nível de Deus.

Tertuliano

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Demonofílicos e misóginos de mãos dadas?

Parece-me demasiado evidente que a crença no diabo anda a par com a desconsideração da mulher. Por outras palavras, o diabo é uma questão de sexualidade. E por isso, demasiadas vezes, a sexualidade foi algo de diabólico. A misoginia será um fruto, bastardo, da crença no diabo/demónio?

aqui deixei uns breves apontamentos sobre o que Tertuliano pensava das mulheres. Hoje dei com esta frase de Tertuliano que é o pináculo do edifício diabólico-misógino:

"Mulher, tu és a porta do diabo!"

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Tertuliano: As mulheres, essas sem pneuma, querem agora fazer ações do Espírito?

Pão, só fazê-lo. Reparti-lo, nunca.

Este texto surge como resposta a um comentário de J.S. sobre a oposição dos Padres da Igreja ao sacerdócio ministerial das mulheres (nos comentários daqui). Em vez de escrevê-lo nos comentários, ponho-o no corpo principal do blogue (algo que farei mais vezes). Agora fala-se apenas de Tertuliano.

Temos então os Padres da Igreja e a condenação do sacerdócio feminino. Foi unânime, é certo. Tão unânime que a respeito disso têm surgido algumas teses, recentes, cujo valor seria interessante debater.

Uns, pró-mulheres (da apologética feminista), dizem:

- As heresias foram mais defensoras da mulher do que a Igreja oficial.

Outros, antimulheres (do conservadorismo antifeminista) dizem:

- As mulheres eram mais dadas a correntes heréticas, pelo que a Igreja teve que proibir as mulheres de ensinar (entre outras coisas).

Não vou dizer o autor de onde colhi isto, mas, com ele, e com a autora que aponta (Anne Jensen, uma católica convertida, filha de um Nobel, falecida em 2008), também as considero erróneas.

Mais interessante, na mesma linha, seria verificar nos movimentos chamados heréticos e que dão destaque às mulheres o que é causa de quê. Se o movimento é herético por dar relevo a mulheres ou dá relevo a mulheres por causa de ser herético ou coincidindo com o ser herético. Em alguns casos, a chamada heresia está precisamente em dar relevo (mais protagonismo) às mulheres.

Outro dado significativo é o facto de “desde sempre”, em “todo o lugar”, em “todas as circunstâncias” (as expressões são minhas, mas apontam para a retórica dos que dizem que as mulheres não podem nem poderão vir a ser ordenadas) a ordenação ser proibida. Isto quer dizer, pelo menos, que “desde sempre”, em “todo o lugar”, em “todas as circunstâncias” o problema tem sido posto, mesmo que teoricamente – ou seja, não é uma questão irrelevante, nunca está resolvida ou então a resposta é não satisfaz ou não é percebido e recebida como tal. E o facto de “desde sempre”, em “todo o lugar”, em “todas as circunstâncias” a resposta ser a mesma, o não (é mesmo? julgo que não, mas a oficialidade diz sim), não significa que a justificação dessa resposta seja a mesma. Pelo contrário. E na maior parte da história cristã está subjacente uma antropologia pouco recomendável (para hoje, claro), que, entre outros aspetos, é pouco bíblica.

O caso de Tertuliano

= É curioso que um opositor à ordenação das mulheres me cite Tertuliano. Curioso porque, num outro debate (o de diabo/demónio) com a mesma pessoa, quando citei alguns autores, tentou desconsiderá-los porque em algum momento tinham sido admoestados – ou algo do género – pela autoridade eclesiástica. Pois Tertuliano, em alguns aspetos, foi considerado não ortodoxo. Mas, obviamente, defendo que mesmo os não-ortodoxos podem ser chamados ao debate. E no caso de Tertuliano, se é invocado aqui por um opositor à ordenação, espero que não seja esquecido quando o assunto em debate for o divórcio. É que Tertuliano (e não é por isto que era herético) defendeu o recasamento cristão depois do divórcio. =

Tertuliano opõe-se a que as mulheres ensinem, debatam, façam exorcismos, curas, oferecer (supõe-se que o Pão da Eucaristia)…

O que Tertuliano terá dito, por outro lado, sobre a sexualidade e a mulher? Assim de repente (ou seja, sem grandes pesquisas), leio o que ele escreveu sobre o papel da mulher na reprodução: “Ela não dá nem esperma, nem pneuma, nem matéria para o embrião, mas apenas sem dúvida o seu alimento, ao passo que o homem produz pneuma e matéria”.

E ele até explica com algum pormenor: “Enfim, na própria febre do prazer extremo, pelo qual é emitido o suco gerador, não sentimos que também se escapa de nós algo da nossa alma, ao ponto de contrairmos langor e debilidade, ao mesmo tempo que a vista diminui? Eis a substância animada, a qual vem direta da destilação da alma, como aquele suco é a semente corporal saída de um desprendimento da carne”. Ainda faltava muito para Hildegarda, a nova doutora da Igreja, descrever o orgasmo feminino.

Resumo: O homem sozinho faz tudo.

Se não há aqui uma desconsideração da mulher e conceções antropológicas insuficientes (naturalmente baseadas no conhecimento disponível na época), o que há? A mulher, que logo na reprodução tinha um papel passivo, de mero depósito, e que, como sabemos, era considerada “algo que não chegou a ser homem”, podia ensinar, ser líder, debater, fazer exorcismos, curas, oferecer a Eucaristia? De certo que a coisa nunca iria ficar bem feita. Como é que essas que não são fonte de “pneuma” querem presidir ou ser ministras para a ação do Espírito (pneuma)? – podia bem ser este o raciocínio de Tertuliano.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Impedir de nascer é apressar o homicídio

A nós, porém, interdito em absoluto o homicídio, não é lícito sequer desfazer o que foi concebido no útero, quando do sangue materno se vai extraindo ainda o necessário para plasmar o ser humano. Impedir de nascer é apressar o homicídio e é indiferente suprimir uma vida já nascida ou quebrá-la antes de nascer. O homem também é aquilo que será. Do mesmo modo em que todo o fruto está já na sua semente.


Tertuliano (160-220 d.C.), "Apologético", ed. Alcalá, pág. 173-4

domingo, 19 de junho de 2011

E o primeiro que usou a palavra Trindade foi...

Hoje é dia da Santíssima Trindade.


E dia de recordar Tertutiliano (165-212), um teólogo africano, de Cartago, provavelmente leigo, que no final aderiu à seita/heresia do montanismo.


Tertuliano, convertido que dizia que "não se nasce cristão, torna-se", foi o primeiro a usar a palavra "trinitas" aplicada a Deus, como complemento a "unitas". Unidade e trindade.


Dois esquemas clássicos para explicar o que está para além da razão:




segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

20 de Dezembro de 217. Morre o Papa Zeferino

O Papa Zeferino, décimo quinto da lista, foi eleito em 199 e martirizado no dia 20 de Dezembro de 217. Durante o seu pontificado foi excomungado Tertuliano, que continua a seu um dos grandes teólogos dos primeiros tempos (o primeiro a usar em contexto teológico o termo trinitas, trindade, por exemplo).

segunda-feira, 12 de abril de 2010

12 de Abril de 65. Séneca suicida-se

Suicídio de Séneca, segundo a "Crónica de Nuremberga" (finais do séc. XV)

Lúcio Aeneu Séneca suicidou-se no dia 12 de Abril do ano 65 (d.C.), depois de ter sido acusado da conspiração de Pisão – um plano de assassínio de Nero. Na presença de amigos, o filósofo e a sua mulher, Pompéia Paulina, cortaram os pulsos, mantendo a serenidade. Temendo nefastas consequências, o imperador mandou que os médicos tratassem o casal, mas só a mulher sobreviveu, sem mãos, devido ao garrote que estancou o sangue, mas sobreviveu. O restos dos seus anos ficou conhecida como "a mulher de Séneca".

Séneca, nascido no ano 3 a.C. em Córdova (Hispânia), tinha sido preceptor de Nero, filho de Agripina, desde o ano 49. Quando em 54 Nero se torna imperador, aos 17 anos, Séneca é nomeado conselheiro do imperador.

Modelo do pensamento estóico, Séneca foi muito apreciado pelos pensadores cristãos. Um dos primeiros intelectuais cristãos, Tertuliano, chamava a Séneca “um dos nossos”. No entanto, nos escritos de Séneca, não há qualquer referência a Jesus Cristo ou ao cristianismo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Verdade, costume e tradição

Tertuliano disse: "Cristo afirmou que era a verdade, não o costume". "Consuetudo" traduz-se por  "costume". Hoje, poderia ser "moda" (sugestão de Bento XVI, numa audiência geral de Quarta-feira) ou "o que está in". Mas não quereria dizer também "tradição"? Tertuliano disse: "Cristo afirmou que era a verdade, não a tradição".

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...