Mostrar mensagens com a etiqueta Poeta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poeta. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"Formigas", poema de Manoel de Barros



Não precisei de ler São Paulo, Santo Agostinho,
São Jerônimo, nem Tomás de Aquino, nem São
Francisco de Assis –
Para chegar a Deus.
Formigas me mostraram Ele.

(Eu tenho doutorado em formigas.)

Manoel de Barros

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ir pela sombra

Nada no universo pode viajar à velocidade da luz [vamos lá ver se os neutrinos conseguem], dizem eles, esquecendo-se da velocidade das sombras.


Howard Nemerov (1920-1991) 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Talvez até flutuar um pouco

No entanto, o que quero na minha vida
é estar disposta
a ficar deslumbrada
a pôr de parte o peso dos factos.


E talvez até flutuar um pouco
acima deste mundo difícil.
Quero acreditar que estou a mergulhar
no fogo branco de um grande mistério.


Mary Oliver (1935-...)



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Queda

O que é a queda? Se foi a unidade tonada dualidade, foi Deus quem caiu. Por outras palavras, a Criação não seria ela a queda de Deus?

Charles Baudelaire (1821-1867)

domingo, 28 de novembro de 2010

28 de Novembro de 1757. Nasce o pintor e poeta William Blake

William Blake nasceu em Londres no dia 28 de Novembro de 1757. Na mesma cidade morreu, no dia 12 de Agosto de 1827.


Pintor, poeta, tipógrafo foi uma figura seminal do romantismo. As suas pinturas são hoje imensamente reproduzidas, incluindo uma “Escada de Jacob” (aqui). Talvez a mais conhecida seja este “Ancião dos Dias”, inspirado no capítulo 7 do Livro de Daniel.


O poema seguinte é retirado das "Canções da Inocência".


Compaixão, pena, paz e amor,
Todos lhes rezam no seu sofrimento;
E a estas virtudes de tanto fulgor
Entregam o seu agradecimento.

Compaixão, pena, paz e amor,
É Deus, nosso pai adorado,
Compaixão, pena, paz e amor,
É o Homem, seu filho amado.

Tem compaixão humano coração,
E tem a pena uma face humana,
Amor, a forma divina de eleição
E a paz, o traje que irmana.

Todo o homem, em todo o clima,
Que, com dor, reza como é capaz,
Reza à forma humana divina,
Compaixão, pena, paz e amor.

A humana forma amar é um dever,
Para os ateus, os turcos, os judeus;
Compaixão, pena, paz e amor, haja onde houver,
Também é lá que encontrareis Deus.

terça-feira, 20 de julho de 2010

O poeta e o contemplativo


O poeta reentra em si próprio para criar. O contemplativo reentra em Deus para ser criado.

Thomas Merton (1915-1968)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

7 de Maio de 1861. Nasce Rabindranath Tagore

Rabindranath Tagore nasceu em Calcutá, no dia 7 de Maio de 1861, e morreu em Santiniketan, no dia 7 de Agosto de 1941. Poeta e escritor bengalí, integrou o movimento Brahmo Samaj, que aliava cristianismo e hinduísmo. Foi Prémio Nobel da Literatura em 1913, o primeiro asiático a receber o prémio.

Um poema de Tagore:

Dia após dia, ó senhor da minha vida,
estarei diante de ti face a face?

De mãos postas, ó senhor de todos os mundos,
estarei diante de ti face a face?

Sob o teu grande firmamento,
em solidão e silêncio, humilde de coração,
estarei diante de ti face a face?

Neste teu mundo laborioso,
tumultuado por lutas e lidas,
entre multidões que se atropelam,
estarei diante de ti face a face?

E quando a minha missão terminar
neste mundo, ó Rei dos reis,
mudo e solitário,
estarei diante de ti face a face?

Outro, aqui.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Desejo de borboleta

Se não vieres,
Senhor,
Quem poderá curar
A ferida de te amar?
Sozinho com o cacho de um coração pesado,
Por toda a parte
Me queimará a ausência
Sem que jamais se consuma
Este desejo de borboleta nocturna
Pela estrela
Até quando, enfim, até à aurora
Consentir.

Gilles Baudry (Nantes, 1948 - ...)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

23 de Fevereiro de 1955. Morre Paul Claudel

"Paul Claudel", por Jean Bernard

Paul Claudel, poeta, dramaturgo e diplomata, grande escritor católico francês, a par de Bernanos e Mauriac, nasceu no dia 6 de Agosto de 1868 e morreu no dia 23 de Fevereiro de 1955. Há 55 anos.

Era amigo dos teólogos Jean Daniélou e Henri de Lubac. “Tal como Deus diz às coisas para que elas sejam, o poeta rediz o que elas são”, escreveu.

Autor de “O anúncio a Maria”, escreveu também a peça “Le soulier de satin” (“O sapato de cetim”), que deu origem a um filme de Manoel de Oliveira, em 1985. A peça dura oito horas, pelo que poucas vezes foi representada. O filme dura sete.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

7 de Fevereiro de 1952. Morre Sebastião da Gama

Sebastião Artur Cardoso da Gama nasceu em Azeitão, Setúbal, no dia 10 de Abril de 1924, e morreu em Lisboa, no dia 7 de Fevereiro de 1952. Tinha 27 anos. Vítima da tuberculose de que sofria desde adolescente. Licenciado em Filologia Românica, foi poeta e professor de Português.

Escreveu no poema “Florbela”: “Eu tenho três mil anos: sou Poeta. / Surgi dos lábios secos dum asceta, / de uma oração que Deus deixou de parte”.

Era crente. A sua poesia, sem ser claramente de inspiração religiosa – por vezes é –, tem quase sempre uma sensibilidade para o transcendente (só ao beleza já o seria, por si mesma).

No poema “Poesia depois da chuva” escreve: “Tão alegre este Sol! Há Deus. (Tivera-O eu negado / antes do Sol, não duvidava agora.)

Principais obras: “Serra-Mãe” (1945), “Loas a Nossa Senhora da Arrábida” (1946), “Cabo da Boa Esperança” (1947), “Campo Aberto” (1951), “Pelo Sonho é que Vamos” (1953), “Diário” (1958), “Itinerário Paralelo” (1967 – compilação de David Mourão-Ferreira), “O Segredo é Amar” (1969).

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pablo Neruda: "Oferece-me, Deus, para a vida a festa mágica"

Oferece-me, Deus, para a vida a festa mágica,
Concede-me os teus olhos para iluminar a Terra,
Deposita no meu coração da Tua lâmpada, e eu serei
O óleo que alimentará a sua suprema claridade.

Pablo Neruda (1904-1973)

domingo, 17 de janeiro de 2010

17 de Janeiro de 1995. Morre Miguel Torga

Miguel Torga, que dizem ser um dos mais importantes escritores do séc. XX e é dos mais esquecidos no séc. XXI, morreu no dia 17 de Janeiro de 1995, aos 87 anos. Miguel Torga é pseudónimo do médico Adolfo Correia Rocha.

Embora se considerasse agnóstico, ou pelo menos cheio de dúvidas, a temática religiosa perpassa pela sua obra. O desejo de sentido, a sede de liberdade, o ser humano e o absoluto, a terra e os seus limites estão presentes em muitos dos seus poemas.

Tem sítio oficial aqui, de onde foi retirado o poema.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Deus - poema de Nuno Júdice

Deus

À noite, há um ponto do corredor
em que um brilho ocasional faz lembrar
um pirilampo. Inclino-me para o apanhar
- e a sombra apaga-o. Então,
levanto-me: já sem a preocupação
de saber o que é esse brilho, ou
do que é reflexo.
Ali, no entanto, ficou
uma inquietação; e muito tempo depois,
sem me dar conta do motivo autêntico,
ainda me volto no corredor, procurando a luz
que já não existe.

Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Lázaro - poema de José Régio

Juan de Flandres (1500)

Por damascos e púrpuras de rei
Despi, lá fora, os meus vestidos velhos;
E entre o tumulto, as luzes, os espelhos,
Insólito conviva, me assentei.

Erguendo a taça de cistal, brindei;
Quebrei a taça de cristal nos joelhos...
E apertando nas mãos lírios vermelhos,
Ensaiei risos fúteis e cantei.

Assim vós me julgastes um dos vossos,
E a mesa do festim me recebeu,
E me coroaram de hera em flor os moços.

E, quando toda a orgia adormeceu,
Só eu !, só eu me vi roendo os ossos
Desse banquete que não era meu!

José Régio (17-09-1901 — 22-12-1969)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Inverno - Poema de Eugénio de Andrade

Velho, velho, velho
Chegou o Inverno.

Vem de sobretudo,
Vem de cachecol,

O chão onde passa
Parece um lençol.

Esqueceu as luvas
Perto do fogão:

Quando as procurou,
Roubara-as um cão.

Com medo do frio
Encosta-se a nós:

Dai-lhe café quente
Senão perde a voz.

Velho, velho, velho.
Chegou o Inverno.


Eugénio de Andrade (1923 –2005)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

14 de Dezembro de 1541. Morre o carmelita João da Cruz

João da Cruz, frade carmelita espanhol, místico, morreu no dia 14 de Dezembro de 1591, em Udeba (Jaén, Espanha), aos 49 anos.

Perseguido pela Igreja em vida (passou oito meses na prisão de Toledo), foi beatificado em 1675 e canonizado em 1726.

Em 1926 foi declarado Doutor Místico da Igreja por Pio XI e em 1952 foi proclamado patrono dos poetas espanhóis.

O blogue Religionline recorda-o hoje aqui.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

23 de Novembro de 1644. Publicação de "Areopagitica", de John Milton

No dia 23 de Novembro de 1644, John Milton publica “Areopagitica. A speech of Mr. John Milton for the liberty of unlicensed printing to the Parliament of England”. Trata-se de um dos escritos mais inlfuentes sobre a liberdade de expressão.

John Milton (1608 - 1674) é o autor de “Paraíso Perdido”. O seu pai, também chamado John Milton, foi expulso de casa quando Richard Milton (avô do primeiro), católico, o apanhou a ler a Bíblia em inglês.

Milton, republicano e protestante, escreveu em 1672 a obra “Of True Religion”, em que defendia a tolerância para todas as religiões, excepto para os católicos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

16 de Novembro de 1949. Morre António Aleixo

O poeta popular António Aleixo morreu no dia 16 de Novembro de 1949, em Loulé. Nascera no dia 18 de Fevereiro de 1899, em Vila Real de Santo António.

Tem uma quadra, com piada (quer dizer, tem muitas), que é assim (e que faz lembrar aqueles comentários de pessoas que se admiram por alguém morrer num acidente rodoviário a caminho de Fátima):

O pára-raios na Igreja
Serve para lembrar aos ateus
Que um cristão, por mais que o seja,
Não tem confiança em Deus!

E também escreveu que…

Morre o rico, dobram sinos;
Morre o pobre, não há dobres...
Que Deus é esse dos padres,
Que não faz caso dos pobres?

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...