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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Prudência, Francisco, prudência


Contaram-me uma vez que quando o anterior superior geral dos jesuítas foi eleito, Peter Hans Kolvenbach, este disse “estou aqui” e apresentou-se apenas com uma mala de mão. Dentro da mala havia uma folha em branco e uma esferográfica.

Lembrei-me disto a propósito do Papa Francisco, que, como já várias vezes ouvi, “parece que é Papa desde sempre”, embora só o seja desde 13 de março. Talvez tenha pensado muito nisso durante os últimos oito anos, se teve votos em 2005.


Por estes dias circula por aí esta comparação dos dois Papas. Não creio que a ostentação seja própria de Bento XVI. Julgo antes que Bento, pela sua humildade, vestia tudo o que lhe apresentavam, sentava-se onde diziam para se sentar e, se alguém lhe dava um chapéu antigo e ele o punha, de imediato iam sacudir o pó de outro ainda mais antigo a pensar que o Papa gostava. Nunca dizia não, mas nas coisas do vestir e aparecer, ele era apenas o quarto ou quinto da hierarquia da moda papal.

Já Francisco, para desgosto dos tradicionalistas sentimentaloides, parece que diz não a muita coisa, principalmente a vestimentas e dourados cujo sentido se perdeu. E diz sim a outras como dar beijos a mulheres como forma de cumprimento. Não tarda nada, estão a pedir prudência ao Papa imprudente.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Hans Kung e o incorrigível (que não é o teólogo suíço) na "Der Speigel"



A entrevista que a revista "Der Spiegel" fez a Hans Kung, que aqui havia referido, foi traduzida pelo portal UOL e reproduzida no IHU da Unisinos. Pena não terem sido traduzidos os restantes artigos sobre a visita de Bento XVI à Alemanha. A capa diz: "O incorrigível. Um papa que deixa que os alemães abandonem a fé".

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Bento XV e os erros do «L’Osservatore Romano»

Bento XV controlava cada aspecto da vida da Santa Sé. Um dos seus hábitos consistia em assinalar os erros do “L’Osservatore Romano”. Relata o director de então do diário da Santa Sé, o conde Giuseppe Dalla Torre:
As correcções, por vezes, chegavam de imediato. Uma vez, o jornal havia escrito que, numa cerimónia, em Bolonha, estava presente a sr.ª Augusta Nanni Costa – o que na realidade não havia acontecido –, a quem o Papa queria entre os participantes da Junta Directora; atribuíra aos Estados Unidos uma determinada ilha asiática; tinha visto noutra cerimónia uma personalidade de renome. Bento XV escreveu: “A sra. Nanni Costa não se encontrava nesse dia em Bolonha; a ilha pertence à Ásia; a personalidade está morta. Portanto, o «L’Osservatore Romano» outorga o dom da ubiquidade, transporta as terras de um continente para o outro e ressuscita os mortos".
Lido aqui.

Bento XV ou como a pontualidade fez antecipar a morte



O Papa Bento XV, aquele que qualificou a I Guerra Mundial de “massacre inútil”,  gostava de pontualidade, esse dom tão pouco apreciado em Portugal. Gostava tanto que um dia ofereceu relógios aos seus colaboradores:
Toma, pega nisso. Assim não terás mais desculpas para chegar atrasado.
Num escrito papal de 1915, pode-se ler:
Um bom relógio pode ajudar-nos a sermos exactos e a estarmos preparados para qualquer compromisso, sem perder tempo com antecipações inúteis, nem tampouco parecer descorteses com atrasos injustificados.
Mas foi precisamente a pontualidade que esteve na origem da sua morte. No dia 17 de Novembro de 1921, teve que esperar durante alguns minutos o guarda que lhe abriria a porta para entrar na Basílica de São Pedro através da Sala do Sacramento. A breve espera ao frio constipou-o. Mais tarde, adoeceu com bronquite, doença que o levou ao túmulo, no dia 22 de Janeiro de 1922.


Lido aqui.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Irritações de João Adelino Faria e Fernanda Câncio

Mais dois artigos da imprensa escrita de hoje: as opinião de João Adelino Faria no "Diário Económico" e a de Fernanda Câncio no "Diário de Notícias".

A ligeira irritação do primeiro (os repórteres, mesmo os câmaras, têm de entrar de fato para filmar o Papa no Vaticano) parece-me ter razão de ser. Também me irrita, por exemplo, que para visitar a Basílica de São Pedro, no calor abrasador de Agosto - e igualmente no frio - as senhoras tenham de ir de ombros cobertos e de pernas pouco à mostra. O que se resolve com uns ridículos trapinhos que os seguranças dão à entrada.

As irritações da segunda baseiam-se num erro. Laicidade do Estado significa respeito pela liberdade religiosa e neutralidade do Estado face à crença de cada cidadão. De acordo. Mas não significa que o Estado não se mete em assuntos religiosos. Ou que o Estado não tem nada a ver com a religião dos seus cidadãos. Fernanda Câncio traduz nisso o princípio, mas traduz mal. O Estado pode e deve, dentro do Direito, apoiar os cidadãos nas suas crenças quando isso for legítimo. O contrário seria um vácuo completo, impossível, aliás, e no mínimo causador de inquisições de sinal laico - coisa que Fernanda Câncio faria com tanto gosto, como tem vindo a fazer nas páginas do DN.

No caso em concreto, será excessiva a tolerância de ponto? Até posso pensar que sim. Eu gosto de Bento XVI e trabalharei nesses dias. Mas a tolerância é uma possibilidade, não uma obrigação. Espero que muitos serviços públicos estejam abertos por haver cidadãos que não vão a Lisboa, Fátima ou Porto ver o Papa. Espero, provavelmente com ingenuidade, que quem não for ver o Papa vá trabalhar. Quer no público, quer no privado. E independentemente dos efeitos económicos da tolerância.

Por outro lado, não deixa de ter piada que a tolerância concedida pelo governo português tenha conseguido pôr sindicatos e patrões de acordo. Ambos contra a tolerância. Mérito de Bento XVI.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Bento XV e a Grande Guerra


Bento XV estava acertadamente convencido de que o império austro-húngaro podia acabar e quis evitar a queda deste baluarte do catolicismo, que fazia fronteira com os ortodoxos e os muçulmanos. A imprensa e os políticos anglo-saxónicos acusaram-no de simpatias ideológicas pela causa dos impérios centrais, enquanto os diplomatas austríacos se queixavam de que os ortodoxos, os anglicanos e os ateus franco-maçons dos países latinos eram mais bem tratados do que eles.

A Santa Sé fez chegar aos países beligerantes uma mensagem com sete pontos e bases de negociação: evacuação do norte da França e da Bélgica; restituição das colónias à Alemanha; negociações com disposições conciliadoras e tendo conta as aspirações do povo; exame da questões de território pendentes entre França e Alemanha, Áustria e Itália, e os problemas relativos à Arménia, aos estados balcânicos e à Polónia; renúncia recíproca das indemnizações de guerra; aceitação de um princípio de liberdade e de utilização conjunta dos mares; desarme simultâneo; instituição da arbitragem internacional obrigatória; restabelecimento da força do direito.

Isto foi em Agosto de 1917. A Alemanha não aceitou porque ainda pensava que poderia ganhar a Guerra. Os Aliados não aceitaram porque, com a entrada dos EUA em Abril de 1917, pensavam que poderiam ganhar a guerra. E ganharam. A seguir, Wilson (presidente dos EUA) e Sonino (presidente do governo italiano), negociaram a exclusão da Santa Sé da futura conferência de paz. (Apontamentos baseados em Juan María Laboa, “Los Papas de Siglo XX”, BAC).

O resto da história já se sabe. Os Aliados humilharam a Alemanha em Versalhes e em 1933 Hitler subiu ao poder.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...