segunda-feira, 18 de agosto de 2014
sábado, 22 de junho de 2013
Anselmo Borges: "Atenienses e mélios, Portugal e a Europa, poder e política"
Qual é o problema? Nos tempos modernos, nos Estados-nação, houve durante cerca de duzentos anos um casamento entre poder e política, e julgou-se que "poder e política deveriam continuar de qualquer maneira a viver juntos: a arte política como o poder de fazer coisas, diga-se um poder regulado, compensado e orientado pela política". Ora, o que está a acontecer é que numa globalização meramente negativa não conseguimos ainda instituições políticas de carácter global e o poder tende a evaporar-se no ciberespaço, num mundo planetário. Em síntese, "o poder globaliza-se enquanto a política permanece local". O poder já não está subordinado à política nem é por ela limitado. "A política encontra-se cada vez mais desprovida (e torna-se cada vez mais destituída) de poder, e os Estados-nação, como tal, podem fazer cada vez menos do que faziam antes."
sábado, 6 de abril de 2013
Anselmo Borges: "Desafios para o século XXI"
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Diz o velhinho aos adolescentes
A geração atual é a primeira geração planetária da história. Vai ser condenada a três realidades.
Tudo saber e, portanto, nunca mais poder dizer «eu não sabia».
Partilhar a terra, o trabalho e os saberes: para enfrentar a explosão demográfica e as novas pobrezas.
Ocupar o tempo livre; para afrontar a pré-reforma e o desemprego maciço nos países industrializados.
Abbé Pierre (1912-2007) numa mensagem às crianças de dez a catorze anos da Génération Planète (meados dos anos 90)
sábado, 11 de agosto de 2012
Anselmo Borges: Golpe de Estado financeiro
terça-feira, 15 de maio de 2012
15 de maio de 1961. João XXII publica a encíclica social “Mater et magistra”
João XXIII publicou no dia 15 de maio de 1961, precisamente nos 70 anos da “Rerum novarum”, a carta social “Mater et magistra”.
Como é sabido de todos, o conceito do mundo económico, então mais difundido e posto em prática, era um conceito naturalista, negador de toda a relação entre moral e economia. O motivo único da ação econômica, dizia-se, é o interesse individual. Lei suprema reguladora das relações entre os operadores econômicos é a livre concorrência sem limites. Juros dos capitais, preços das mercadorias e dos serviços, benefícios e salários, são determinados, de modo exclusivo e automático, pelas leis do mercado.
Os progressos científicos e técnicos multiplicam e reforçam, em todos os setores da convivência, as relações entre os países, tornando a sua interdependência cada vez mais profunda e vital.
Por conseguinte, pode dizer-se que os problemas humanos de alguma importância - qualquer que seja o seu conteúdo, científico, técnico, econômico, social, político ou cultural, apresentam hoje dimensões supranacionais e muitas vezes mundiais.Encíclica toda aqui.
domingo, 8 de janeiro de 2012
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
"Vivemos na primeira civilização ateia", diz Vaclav Havel
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Vaticano responsável pela crise
"A verdade em todo esse caso é que «o Vaticano» (se com a expressão se entende o papa, a Santa Sé, o ensinamento de autoridade do Magistério e as estruturas centrais de governo da Igreja) não tem nada a ver com isso. O documento é uma nota emitida por um escritório muito pequeno da Cúria. O documento não fala em nome do Papa, não fala em nome do Vaticano e não fala em nome da Igreja Católica" (aqui).Hoje, no "Público", diz-se que, apelando à cimeira do G20, "Papa e líderes religiosos pedem soluções urgentes e eficazes para enfrentar problema das desigualdades".
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Hans Kung dá música
sábado, 30 de julho de 2011
Adriano Moreira: As seitas e o globalismo
Nota às 17h40 de sábado, 30 de Julho: Este texto que esteve on-line no sítio do DN como sendo de Anselmo Borges é de Adriano Moreira. Na edição em papel saiu como sendo de Anselmo Borges. É um erro que amanhã será corrigido na edição impressa. De qualquer forma, tratando-se de um texto em que entra a temática religiosa, vou mantê-lo neste blogue.
É comum reservar o conceito de seita, com dificuldades de fixação geralmente aceites, para fenómenos relacionados com as religiões, e não faltam exemplos recentes que suscitam não apenas discussão doutrinal, também intervenções legislativas, algumas tendo maior relação com o direito criminal do que com os valores das crenças. Foi por exemplo o caso do suicídio colectivo dos novecentos e catorze membros do Templo do Povo na Guiana, ou o atentado com gás sarin no metro de Tóquio, tudo pelos fins do século passado, acontecimentos tão violentos que chegou a ser teoricamente defendido o direito de perseguição.
Acontece que o corte do poder político com a transcendência, apoiado na civilização técnica em que se traduz crescentemente a vida quotidiana, não dispensa sistemas delineados pela razão, ou pela imaginação de regra fazendo com que os valores instrumentais secundarizem no final os valores humanos.
A questão em relação ao reivindicado cientismo que serve de base ao corte com a transcendência é que o sistema, por vezes intitulado de transcendental, para organizar as sociedades, é criação em vista de objectivos, não é descoberta ou compreensão da realidade. Mas se a tradição já longa relacionou as seitas com as religiões, o facto é que o cientismo, o positivismo, as sociedades laicas, a lidar com os seus próprios valores racionalmente organizados em função dos objectivos, com supremacia dos valores instrumentais, também se envolvem frequentemente de dogmatismo, de uma proclamada respeitabilidade laica que é a sua forma de sacralização, numa atitude que é uma espécie de preparação para a ofensiva demolidora das divergências, todas consideradas perigos mortais.
Os totalitarismos que desencadearam a guerra mundial foram exemplos de uma violência sem precedentes finalmente considerados equivalentes a seitas em relação à civilização ocidental que pretenderam submeter a rupturas definitivas com as raízes e os futuros perseguidos.
De novo, os efeitos consequenciais da deriva para um globalismo sem governança, envoltos por isso num relativismo com equivalência em várias crises maiores da própria história, e que esqueceram os normativos da organização internacional depois do fim da guerra, incluindo esta a guerra fria, estão a despertar ferozes sectarismos de sinal contrário ao que de regra caracterizava as seitas. Enquanto estas, especialmente as referidas a religiões organizadas, se identificaram pelo corte com o sistema histórico e tradicional, agora trata-se de um regresso cego a um passado imaginado de suspensão transitória. A rutura é com a evolução, não é sequer com organizações finalmente estruturadas, é com versões do consequencialismo lido com reprovação nos sinais de mudança, repudiadas em nome de um passado nem sequer vivido, apenas lido em versões discutíveis de manifestos, em proclamações que se apoiam em dificuldades de vida para sonharem repor um imaginado modelo ideologicamente fundamentado. Não se trata de segurança humana que é uma referência cimeira da organização ocidental em mudança, e que sirva de referência à correcção de enganos de percurso, trata-se de confiar na violência pura, isto é, que atinge indiscriminadamente inocentes, que é a síntese do terrorismo, na convicção irracional de que dessa violência caótica nasceria a vontade ou submissão de voltar às impostas raízes.
O tremendo caso da Noruega, que enlutou sobretudo a Europa inteira e o Ocidente, é mais uma sangrenta demonstração de que não são apenas as chamadas grandes potências, como os EUA, ou a Espanha, ou o Japão, é antes todo o Ocidente que é chamado a enfrentar a explosão de seitas da época relativista em que entrou, com a gravidade acrescida de se multiplicarem os sinais de propagação desses terrorismos, organizados em células autónomas, um modelo recebido do multiculturalismo especificamente invocado no caso presente, e que exige uma resposta estratégica de defesa que seja solidária e ética.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
"Dinheiro e Paraíso" - nova edição
Agora sim, a capa da nova edição do livro "Denaro e Paradiso", da co-autoria do presidente do Banco do Vaticano. Aqui pode ler-se em italiano uma recensão mais alargada da obra. Gostava de o ler em português. Talvez a Principia o traduza.
Banqueiro dá ao Papa "Dinheiro e Paraíso"
sábado, 30 de janeiro de 2010
Anselmo Borges: "A humanidade sob ameaça"
Anselmo Borges escreve sobre quatro ameaças (revoluções: a económica, a cibernética, a genética e a ecológica) e deixa um dado, pontual mas significativo, lá mais para o fim do texto, sobre a evolução da percepção do valor da vida humana pelos estudantes universitários. Mais uma vez, fica a ideia de que sem Deus o humanismo não vai longe. Fonte: DN.
Não há dúvida de que estamos a viver uma transformação prodigiosa do mundo, uma revolução talvez só parecida com a do "tempo-eixo", como lhe chamou Karl Jaspers.
Há quatro revoluções em marcha. Uma revolução económica, com a mundialização, que significa a concretização da ideia de McLuhan de que formamos uma "pequena aldeia" e a chegada ao palco da História de grandes países emergentes. Outra é a revolução cibernética, que, como disse Jean-Claude Guillebaud, faz nascer um quase-planeta, um "sexto continente". A revolução genética transforma a nossa relação com a vida, a procriação e pode fazer bifurcar a Humanidade: a actual continuaria ao lado de outra a criar. Também está aí a urgência da revolução ecológica, que, se a Humanidade quiser ter futuro, obriga a uma nova relação com a natureza. Sem esquecer o perigo atómico e do terrorismo global.
Perante todas estas revoluções e face aos problemas que agora são globais, como a droga ou o trabalho, impõe-se, em primeiro lugar, pensar numa governança mundial. Depois, não sei de que modo o futuro será, como diz J.-Cl. Guillebaud, uma "modernidade mestiça", mas, para evitar o "choque das civilizações", impõe-se o diálogo intercultural e inter-religioso. Há anos que o famoso teólogo Hans Küng se não cansa de repetir que, sem paz entre as religiões, não haverá paz entre as nações, e essa paz supõe o conhecimento e o diálogo entre as religiões.
Coube também a Hans Küng o desafio para preparar o projecto do que em 1993 se tornou a "Declaração para uma ética mundial", aprovada pelo Parlamento das Religiões Mundiais, em Chicago. A Declaração é um documento humanista, que proclama programaticamente: "Frente a toda a inumanidade, as nossas convicções religiosas e éticas exigem que cada ser humano deve ser tratado humanamente. Isto significa que cada ser humano - sem distinção de idade, sexo, raça, cor da pele, capacidades físicas ou espirituais, língua ou religião, consideração política, origem nacional ou social - possui uma dignidade inalienável e inviolável. Todos - tanto o indivíduo como o Estado - têm de respeitar esta dignidade e garantir a sua defesa efectiva". Os direitos e os deveres humanos é aqui que assentam.
Este princípio fundamental de humanidade determina-se mais proximamente pela regra de ouro - o princípio da reciprocidade --, que constitui o segundo princípio de uma ética comum à Humanidade: "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti" ou, formulado positivamente: "Faz aos outros o que queres que te façam a ti."
Mas onde se fundamentam a dignidade e os direitos humanos? Questão gigantesca, que tem a ver com a problemática do pré-jurídico e do pré-político, debatida há anos, num diálogo célebre entre o então cardeal J. Ratzinger e o filósofo J. Habermas, e a que se referiu também, pouco antes de morrer, L. Kolakovski: "Sem tradições religiosas, que razão haveria para respeitar os direitos humanos? Vendo as coisas cientificamente, o que é a dignidade humana? Superstição? Do ponto de vista empírico, os homens são desiguais. Como justificar a igualdade? Os direitos humanos são uma ideia a-científica."
Numa universidade portuguesa, o professor de Ética confronta há anos os estudantes com um experimento mental: "Suponhamos que um país vai invadir outro - nessa hipótese, vai haver, evidentemente, muitos mortos. Mas o país invasor suspende a invasão, se o Governo do país a ser invadido estiver na disposição de matar um inocente." Há quatro anos, todos os estudantes se revoltaram contra a perspectiva da morte do inocente. Há dois anos, já dois estudantes se pronunciaram a favor. No ano lectivo em curso, em 16 estudantes, só uma jovem se opôs ao assassinato do inocente. Os outros foram argumentando que, aceitando a invasão, muitos morreriam, eventualmente também o inocente. Portanto...
A conclusão é que o próprio Homem se tornou objecto de cálculo, coisa negociável. Assim, já não pode haver dúvidas: no meio das gigantescas crises mundiais, o núcleo mesmo da crise no nosso tempo é a crise de valores, a crise moral.
sábado, 18 de julho de 2009
DSI 18 - "Pacem in Terris", a primeira encíclica global

As encíclicas sociais de João XXIII (a “Mater et Magistra” e a “Pacem in Terris”) fazem parte de uma segunda geração do pensamento eclesial sobre as questões sociais. A doutrina social da Igreja (DSI) alarga-se em dois sentidos. Sai do campo estrito das questões relativas ao trabalho (direitos e deveres de patrões e trabalhadores, sindicatos, salário justo, etc.) e da oposição entre sistemas e doutrinas (socialismos/capitalismo e cristianismo) para abraçar as questões dos direitos humanos, do desenvolvimento, das desigualdades. No sentido geográfico, é o mundo todo que passa a destinatário da DSI. Não é que antes o não fosse, mas os efeitos da revolução industrial apenas se sentiam na Europa e na América do Norte.
Na década do início das comunicações globais, das viagens intercontinentais de avião a jacto, da maior parte das independências nacionais no Terceiro Mundo, da proliferação nuclear que todos ameaça, a “Pacem in Terris” é a primeira encíclica da globalização.
Vejamos três dos temas principais.
1. O primeiro é o dos direitos humanos (DH), vistos na dupla perspectiva dos direitos e deveres (algo que a Declaração Universal de 1948 não faz claramente). O Papa entende os DH não como consequência da ideia de tolerância (que parece ser hoje o grande modo de entender a vida social), mas alicerçados na dignidade que tem raiz “na lei natural que os confere ou os impõe”. “Ao direito de todos à existência, por exemplo, corresponde o dever de conservar a vida; ao direito a um nível de vida digno, o dever de viver dignamente; e ao direito à liberdade na busca da verdade, o dever de a procurar todos os dias mais ampla e profundamente” (PT 29). Hoje, mais do que nunca, é preciso falar dos deveres humanos – ainda que não seja simpático.
2. O segundo é a crescente interdependência das nações, em muitos aspectos, ao ponto de se falar de um “bem comum universal”, o “bem comum de toda a família humana”. “Cresce a interdependência entre as economias nacionais. Estas entrosam-se gradualmente umas nas outras, quase como partes integrantes de uma única economia mundial” (PT 130), escreve o Papa em 1963. “É claro de ver que cada Estado não pode atender como convém ao seu próprio proveito (…) isolado dos doutros, porque a crescente prosperidade de um Estado é, em parte, efeito e, em parte, causa da crescente prosperidade de todos os outros” (PT 131). Talvez na década de 1960 (a ONU tinha 15 anos) se pensasse que um governo mundial estivesse próximo.
3. Terceira ideia entre as muitas abordadas (desarmamento, refugiados, minorias, colaboração entre católicos e não-católicos): a gradualidade na acção social. “Não faltam pessoas dotadas de particular generosidade que, ao enfrentar situações pouco ou nada conformes com as exigências da justiça, se sentem arder no desejo de tudo renovar, deixando-se arrebatar por ímpeto tal, que até parecem propender para uma espécie de revolução” (PT 161). Hoje, perante a persistência dos problemas sociais (pensemos que em Portugal, ao longo de duas décadas o número de pobres manteve-se nos dois milhões), este princípio tem de ser lembrado precisamente pela razão oposta. É possível mudar.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Heresia e profecia
Na “análise iconoclasta” do cristianismo (a expressão é do “Nouvel Observateur” – na contracapa) que Slavoj Zizek faz em “A Marioneta e o Anão”, a religião tem dois papéis possíveis, no “quadro da nova ordem mundial” que é a globalização: “ou ajuda os indivíduos a funcionar cada vez melhor na ordem existente, ou procura afirmar-se como uma instância crítica e dizer o que está errado nessa ordem como tal, ou seja, enquanto espaço aberto às vozes contestatárias – neste último caso, a religião tende a assumir, como tal, o papel de uma heresia”.
Na verdade, neste parágrafo da instrodução de uma obra que pretende denunciar as “tendências perversas do cristianismo”, o filósofo esloveno não diz nada que ainda não tenha sido dito. Aliás, em linguagem mais pró-eclesial, no campo do cristianismo, dir-se-ia que esta fé terá sempre dois papéis: ser conferidor de sentido às existências individuais e colectivas e assumir-se como instância profética. Por outras palavras, orientação num mundo confuso e desejo de transformação desse mundo. Aquilo que Zizek refere ser um papel de heresia sempre na igreja foi reconhecido como profecia.
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
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P.e Gabriele Amorth Ando a ler “Mais fortes que o mal. O demónio, reconhecê-lo, vencê-lo, evitá-lo”, do mui célebre exorcista italia...







