segunda-feira, 19 de maio de 2014
Só com grandeza
Mas se notar que ela é grande, alegre-se, pois o que seria uma solidão (faça esta pergunta a si mesmo) sem grandeza?
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Já não cuido do meu gado
Já não cuido do meu gado,
Nem já tenho outro ofício,
...
João da Cruz, antepenúltimo e penúltimo verso do "Cântico Espiritual"
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Jonas e a descida
segunda-feira, 4 de março de 2013
Gonçalo M. Tavares: "O incompetente não entrará no reino da Terra"
O poema 37 de "O homem ou é tonto ou é mulher", de Gonçalo M. Tavares, começa assim:
Uma vez abri a Bíblia ao acaso e li:Ficamos a saber que de vez em quando lê a Bíblia.
"É inútil ensinar o imbecil."
Noutro momento, o mesmo escritor disse que:
Abrir um livro é muito semelhante a entrar numa igreja.Mas não esclareceu se entrar numa igreja é muito semelhante a ler um livro. Supomos que se trata mesmo de entrar numa igreja e não entrar para uma Igreja. A quantos livros corresponde entrar para uma Igreja?
Gonçalo M. Tavares diz que a sua religião é o novo. Mas com maiúsculas:
A minha Religião é o Novo.Os pecados da religião dele são o velho, o desoriginal? Qual será o pecado desoriginal? O plágio?
De facto, ele reflete sobres os pecados. Todos os escritores são moralistas. Se não fossem, não escreviam. E ele escreveu no "Público" de 3 de janeiro de 2013:
A moral europeia é, em parte, a moral da máquina. É bom aquilo que funciona. É bom, não apenas em termos de eficácia, mas em termos morais.
A noção de pecado socializou-se e entrou na esfera da tecnologia. Alguém que não saiba calcular ou que não domine a última versão do Windows comete um pecado. O pecado maior é a ineficácia. Alguém que não funcione bem torna-se um pecador. Os pecados capitais são agora oito: gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça, vaidade e incompetência. O incompetente não entrará no reino da Terra.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Céu portátil
Eduardo Lourenço diz que a poesia é o "único céu portátil de que estamos certos". "Em si mesma, para cada um de nós, no momento em que nos toca, como se fosse o dedo de Deus, a Poesia esconde-nos da morte".
E diz que lhe abriu a "porta do sonho" uma mera frase, do livro da primária, destinada a ilustrar o uso do "Z". Uma frase que à primeira leitura parecia ter sabor bíblico, acrescento. "O filho de Zeferino foi para casa dos filhos da mãe do Zebedeu".
Onde li isto? No prefácio da seleção "Os poemas da minha vida" de Eduardo Lourenço (uma edição do "Público" em 2006).
domingo, 10 de junho de 2012
Hoje é domingo
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Chesterton: Meter a cabeça no Céu ou o Céu na cabeça?
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Uma presença que me perturba com a alegria
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Poema de Tolentino Mendonça para o Papa
carregado de intimidade e de imprevisto
já olhado de cima pelos séculos
humilde medida de um oral silêncio
que pensámos destinado a perder
mil vezes por nós repetida
e se detém à espera sem nenhuma impaciência
com a brandura de um cordeiro doente
Mesmo se piedade alguma conservar os mapas
desceremos quase a seguir
desmedidos e vazios
como o tronco de uma árvore
é preciso que o homem siga
o que há de mais luminoso
à maneira da criança futura
sábado, 12 de março de 2011
Mar que se abre dentro de mim
deste mar que se abre dentro de mim,
logo que fecho os olhos.
Thomas Merton
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
15 de Setembro de 1765. Nasce Bocage

O poeta Manuel Maria de Barbosa du Bocage nasceu no dia 15 de Setembro de 1765, em Setúbal, e morreu no dia 21 de Dezembro de 1805, em Lisboa. Andou pelo Rio de Janeiro e pela Índia, foi preso pela Inquisição, foi convidado para a Nova Arcádia, tendo adoptado o pseudónimo Elmano Sadino. Deixou-nos sonetos, odes, elegias e outras composições poéticas. As suas sátiras irritaram muita gente. Viveu os últimos anos em Lisboa sob a protecção de um frade brasileiro, Frei José Mariano da Conceição Veloso. Recordo o poeta sadino (hoje é feriado em Setúbal) com um soneto, o mais autobiográfico, e um dos seus epigramas satíricos.
Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno:
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:
Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento
E somente no altar amando os frades:
Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.
Rechonchudo franciscano
Desenrolava um sermão;
E defronte por acaso
Lhe ficara um beberrão.
Tratava dos bens celestes,
Proferindo: "Ouvintes meus,
Que ditas, que imensa glória
Para os justos guarda um Deus!
Falsos, momentâneos gostos
Há neste mundo mesquinho:
Mas no Céu há bens sem conto...
Pergunta o bêbado: - "E vinho?"
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Espírito ardente de desejo

O muçulmanos estão a viver desde há dias o mês do Ramadão, pretexto para citar esta oração de Ibn Arabi.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
17 de Agosto de 1987. Morre Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade (31-10-1902-17-08-1987), poeta de Minas Gerais que veio a morreu no Rio de Janeiro, é um dos grandes escritores da língua portuguesa no século XX.
Conheço pouco da sua obra, ainda que um amigo tenha sugerido com entusiasmo a leitura deste escritor.
Na Wikipedia diz-se que este aluno de jesuítas tem como tema dos seus escritos, entre outros, "a existência: a questão de estar-no-mundo".
Procurei poemas sobre Deus e encontrei três. Copio um. Gosto de pensar e sentir com os poetas.
Deus é triste.
Domingo descobri que Deus é triste
pela semana afora e além do tempo.
A solidão de Deus é incomparável.
Deus não está diante de Deus.
Está sempre em si mesmo e cobre tudo
tristinfinitamente.
A tristeza de Deus é como Deus: eterna.
Deus criou triste.
Outra fonte não tem a tristeza do homem.
terça-feira, 20 de abril de 2010
O verbo no infinito
Ser criado, gerar-se, transformarO amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar
Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.
E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito
E esquecer de tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
A fé é nocturna, como o combate de Jacob, diz Tolentino Mendonça
Fé, luz, noite, poesia e, de caminho, uma explicação para a origem deste blogue, tudo neste excerto da entrevista que Carlos Vaz Marques fez a Tolentino Mendonça para a “Ler” n.º 86 (Dezembro de 2009).
Tolentino Mendonça - O silêncio é um caminho. Não basta, por exemplo, estarmos calados para estar em silêncio. Podemos estar calados e o rumor ser ensurdecedor. Há uma qualidade de silêncio que é uma conquista, que é um processo em que nós entramos.
Carlos Vaz Marques – Talvez esta insistência na noite e no silêncio sirva para explicar uma frase sua na qual dizia que “a fé é um salto no escuro”.
TM - A fé tem a ver com a noite.
CVM – A fé não é diurna, não é luminosa?
TM – Não. A fé é claramente nocturna.
CVM – Mas uma das construções imagéticas mais presentes ao falar da fé é a ideia de “ver a luz”.
TM – Mas a luz só se vê à noite, como as estrelas. As estrelas brilham no céu nocturno. A luz da fé brilha na noite. A fé é um lugar sem certezas. A fé é um lugar de abertura. A fé é uma forma de hospitalidade radical. Para mim, as grandes imagens bíblicas da fé são as da luta de Jacob com o anjo (quando ele, no amanhecer ainda escuro, ao atravessar um riacho, luta com o próprio Deus sem saber que está a lutar com Deus; mas essa imagem do combate nocturno, agónico, um bocado imperceptível mas que nos fere e deixa depois no nosso corpo a ferida, é a imagem mais prodigiosa do que é a fé no Antigo Testamento) e a do percurso que as mulheres fazem de manhãzinha, com o dia ainda muito escuro, a caminho de um sepulcro que encontram vazio. A fé tem necessariamente esse lado nocturno de indagação e de expectativa. A fé é uma expectativa. E é nesse sentido a imagem do salto no escuro.
CVM – A sua poesia é um acto de fé?
TM - A minha poesia é o mapa da minha procura. É o testemunho de que eu busquei. Nem sempre diz o que busco mas diz sempre que eu busquei.
domingo, 4 de outubro de 2009
Adília e Deus

Acerca do livro de Adília Lopes “César a César”, de 2003, Pedro Mexia escreveu (no DN de 9 de Setembro de 2003): “O mais curioso em "César a César" será, provavelmente, a recorrente temática religiosa. Deus é uma presença inescapável e violenta na poesia de Adília, que se considera uma «cristã triste». A abordagem ao cristianismo é sempre heterodoxa, e gémea de um desbragado erotismo mental. Adília vive uma religiosidade recalcada e reclusiva, capaz de associações insólitas. Mas a sua fé parece inquestionável e até estranhamente solar, como no poema em que explica que não lhe interessa a cruz sem a luz, nem a luz sem a cruz, provando assim que um jogo de palavras pode ter um significado mais profundo”.
"Deus é a nossa mulher-a-dias", agora o poema
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a vida
porque achamos
que não presta
Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a fé
porque achamos
que é pirosa
Adília Lopes
Deus é a nossa mulher-a-dias

«O cheiro de Deus – trânsito da crença na poesia de Adília Lopes» é uma iniciativa do projecto Bíblia, Comunicação&Arte da Universidade Católica Portuguesa (UCP) – ancorado na Faculdade de Teologia e no Centro de Estudos de Religiões e Culturas - a realizar dia 7 de Outubro, naquela universidade.
«A poesia como lugar teológico» e «As armas desarmantes de Adília Lopes» serão dois temas a abordar nesta actividade que tem o Alto Patrocínio da «International Federation of Catholic Universities».
Programa:
15 Horas – «A Poesia como Lugar Teológico»
Peter Stilwell (FT). Moderador: João Lourenço (FT-CERC)
16 Horas - «As Armas desarmantes de Adília Lopes»
Rosa Maria Martelo (Fac. Letras do Porto). Moderadora: Maria Antónia Vasconcelos (Didaskália)
17 Horas – Pausa
17.30 Horas - «Deus é a nossa Mulher-a-dias» Uma audição teológica da poética de Adília Lopes
José Tolentino Mendonça (FT-CERC). Moderador: Alfredo Teixeira (IUCR-CERC)
18.30 Horas – Recital por Adília Lopes
Lançamento de «Dobra». Poesia Completa.
Fonte: Ecclesia
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
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A fé começa precisamente onde o pensamento acaba. Kierkegaard





