domingo, 22 de janeiro de 2012
Oração de Kepler
Kepler, que fazia astrologia para poder dedicar-se à astronomia, escreveu:
"Depois de ter falado das obras do Criador, nada mais me resta senão desviar os meus olhos e as minhas mãos do quadro das demonstrações, para os elevar em direcção ao céu, para dirigir a minha humilde oração ao Autor de toda a luz".
sábado, 9 de outubro de 2010
Os astrólogos do Papa Paulo III
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Hitchens, Pitágoras e a astrologia

"Pitágoras refutou a astrologia limitando-se a afirmar que gémeos idênticos não têm o mesmo futuro, sei também que o Zodíaco foi esboçado muito antes de vários planetas do nosso sistema solar terem sido detectados, e claro que compreendo que não posso «ver» o meu futuro imediato ou a longo prazo sem que esta revelação altere o resultado. Milhares de pessoas consultam as suas «estrelas» nos jornais todos os dias e depois têm ataques cardíacos ou acidentes de viação imprevistos. (Um astrólogo de um jornal sensacionalista londrino foi em tempos despedido através de uma carta do editor que começava, «Como terá sem dúvida previsto»)".
Tenho andado a ler “deus não é Grande. Como a religião envenena tudo” (Dom Quixote), de Christopher Hitchens. Embora o seu estilo panfletário canse, apesar de bastante informativo, de vez em quando dou com parágrafos que subscrevo totalmente (coincidência ou influência, o argumento de Pitágoras é retomado por Santo Agostinho, ver aqui). Como o acima citado, retirado da página 94 do seu livro.
No combate às superstições, sem dúvida que os crentes devem estar ao lado dos ateus. Por outro lado, mesmo quando o alvo é a religião revelada, o ateísmo crítico (porque também o há ingénuo) terá sempre uma componente purgativa que dá muito jeito às religiões que levam a sério a razão – como é o caso do cristianismo católico.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Kepler e a estrela dos magos

Giotto (séc. XIV), os magos e o cometa Halley
Hoje é Dia de Reis, embora a Igreja católica, por arranjos de calendário, já tenha celebrado a Epifania no domingo passado. A estrela dos magos (em nenhum momento do relato do evangelista que fala do assunto, Mateus, se diz que eram Reis e que eram três) é pretexto para pagar uma dívida a Kepler.
Johannes Kepler (Estugarda, 27-12-1571 - Regensburg, 15-11-1630) é para aqui chamado porque foi o primeiro que tentou uma explicação científica para a estrela que os magos viram (Mt 2,2: “Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”, dizem a Herodes).
A dívida tem a ver com o facto de ao ter invocado um livro que diz quer Kepler assassinou Tycho Brahe (aqui) ter prometido um ponto a favor do alemão e nunca o ter apontado.
A estrela
Em 1614, Johannes Kepler calculou que uma conjugação de Júpiter e Saturno teria ocorrido no ano 7 a.C. (o que corresponderia às modernas datações, que dizem que o nascimento de Cristo deverá ter ocorrido entre –4 e –6). Imaginava o astrónomo/astrólogo que tal conjugação produzia uma “nova”, que seria a estrela vista pelos magos. Os cálculos modernos dizem, no entanto, que tal conjugação, nas proximidades do nascimento de Jesus Cristo, não seria visualmente impressiva. Kepler não foi nem podia ser muito exacto com os meios de que dispunha.
Outras explicações foram lançadas para a estrela de Belém. Houve quem dissesse que se tratou do cometa Halley. Foi visível na região no ano 12 a.C. Muito antes da suposta dada. É este cometa que Giotto pinta no fresco. Foi novamente visto no início do séc. XIV.
A defesa de Kepler
Por falar em meios... O ponto a favor de Kepler no caso do suposto assassínio de Tycho Brahe vem do facto de o astrónomo alemão, sabendo que Galileu tinha um instrumento que permitir basculhar os céus, ter escrito ao cientista italiano. Com alguma simpatia, pedia ao italiano que lhe emprestasse a luneta. Galileu nem sequer lhe respondeu e Kepler teve que procurar outros meios. A questão é: os assassinos costumam ser simpáticos?
E mais uma dúvida
Entretanto, li que Kepler se dedicava mais à magia e à astrologia do que à ciência. E que teria conhecimento do Códice de Justianiano, que considerava as artes mágicas um crime tão grave como o de envenenamento. Será que Kepler, praticante de magia e de astrologia, julgando-se perdido (perdido por um, perdido por mil), foi mesmo o assassino, por envenenamento, de Tycho Brahe?
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
É por isso que ele é um génio
“Conta Cícero que Hipócrates, médico notabilíssimo, deixou escrito que suspeitava de que certos irmãos eram gémeos porque começavam a adoecer ao mesmo tempo e porque ao mesmo tempo melhoravam. Mas o estóico Posidónio, muito dado à astrologia, costumava afirmar que eles tinham nascido sob a mesma constelação e que sob a mesma constelação tinham sido concebidos. Assim o que o médico julgava que se ligava à grande semelhança de temperamentos, atribuía-o o filósofo-astrólogo à força e à disposição dos astros que se verificava no momento em que foram concebidos e no momento em que nasceram.
Neste caso é, à primeira vista, muito mais aceitável e crível a hipótese do médico, porque o estado de saúde do corpo dos pais quando se unem pode afectar os primeiros tempos dos concebidos, de maneira que, tendo os seus primeiros desenvolvimentos no corpo da mesma mãe, nascem com igual compleição. Depois, sustentados com os memos alimentos e na mesma casa onde, segundo o testemunho da medicina, o ar, a disposição dos lugares e as propriedades das águas exerceram uma grande influência, boa ou má, nos seus corpos tão semelhantes que as mesmas causas provocaram neles, no mesmo momento, a mesma doença.
Mas querer ligar a posição do céu e dos astros, que se verificou quando foram concebidos ou nasceram, a essa doença idêntica e simultânea, quando tantos seres diferentes na origem, no comportamento e no destino, puderam ser concebidos e nascer no mesmo instante, no mesmo país e sob o mesmo céu, constitui isso qualquer coisa de insólito que eu não sei qualificar”.
Excerto do Cap II do Livro V da Cidade de Deus, de Santo Agostinho (páginas 467-8 do volume 1 da edição da Fundação Calouste Gulbenkian)
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
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P.e Gabriele Amorth Ando a ler “Mais fortes que o mal. O demónio, reconhecê-lo, vencê-lo, evitá-lo”, do mui célebre exorcista italia...
