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domingo, 10 de fevereiro de 2013

A mensagem do Papa para a Quaresma diz 28 vezes caridade

Quando tinha frutos também tinha ninhos

A mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2013 (li-a aqui) insiste na relação entre fé e caridade. “Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente”. O Papa diz que tanto é “redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo” como é igualmente redutivo “defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o ativismo moralista”.

Claro que o Papa não é pelagiano porque diz que as obras de caridade “não são fruto principalmente do esforço humano, de que [alguém poderia] vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância”.

A mensagem não é muito provocadora, como penso que seria desejável num texto que afirma que estamos a entrar num tempo precioso de reavivar a fé. Mas tem elementos suficientes para quem quiser um pouco de metanóia. A principal provocação é ao mesmo tempo uma das frases mais ignoradas de Bento XVI, pelo menos nas suas consequências. Afirma ele, citando-se a si próprio (“Deus caritas est”, 1):

«No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro».

Pode haver fé (e logo caridade) sem este encontro pessoal? Porque continua a Igreja a dar sacramentos (todos eles) a quem manifestamente não dá sinais do encontro pessoal? Basta começar pelo Batismo e necessariamente chegar o Matrimónio, como, aliás, há dias o Papa já disse. Encontros pessoais não se delegam por muita fé que tenham os delegados.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Uma árvore é um vestido de noiva na Primavera



Para todas as árvores que não aguentaram o temporal

Uma árvore é um vestido de noiva na Primavera
Uma árvore é um leque chinês gigante
Uma árvore é um grande mensageiro de Deus
Uma árvore é filha da Mãe Natureza

Árvores de morangos!
Árvores de xarope de bordo!

Uma árvore é um infantário para os passarinhos
A árvore é um dador de ar
Uma árvore é um leitor de nuvens.

            Macieiras!
Cerejeiras!

Uma árvore é a peruca de Deus.
Uma árvore esconde uma bela história.

            Coqueiros!
Palmeiras!

Uma árvore é a casa de banho de um cão.
Arranha o céu!
No meio de nenhures.
Rodeada de animais maus
Uma árvore é o coro de um anjo.

Árvores vermelhas!
Árvores verdes!

Uma árvore conta a Deus os suspiros da terra.
Uma árvore é sofrimento no deserto.
Uma árvore é um antigo e sensato contador de sensatez.
Uma árvore é uma árvore.



Poema retirado de “Eu sou um lápis”, de Sam Swope (ed. Sinais de Fogo). O texto foi escrito pela menina Maya, do ensino básico, nas aulas de escrita criativa que o escritor Sam Swope deu num bairro multicultural de Nova Iorque.

sexta-feira, 9 de março de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Plantar árvores



A melhor época para se plantar uma árvore foi há vinte e cinco anos. A segunda melhor época é agora.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Árvore, ó árvore - textinho do Talmude

Árvore, ó árvore, com que posso louvar-te? Pela doçura do teu fruto? O teu fruto é doce. Pela tua sombra agradável? A tua sombra é agradável. Pela corrente de água por baixo de ti? A água corre por baixo de ti. A única coisa que sobrou para te louver é: que todas as árvores que saírem das tuas sementes sejam como tu!

Do Talmude

domingo, 17 de abril de 2011

Árvore

"Árvore da vida", de Gustav Klimt

Se não plantares uma árvore no teu coração,
não aparecer nenhum  pássaro para cantar.


Provérbio chinês

domingo, 23 de janeiro de 2011

Não se distinguem

Mostrou-me muitas árvores que não tinham folhas, mas pareciam-me como que secas. Eram realmente todas semelhantes, e pergunta-me:
- Vês estas árvores?
- Vejo, Senhor, digo eu, são semelhantes e secas.
Respondeu-me dizendo:
- Estas árvores que vês são os que habitam neste mundo.
- Então, Senhor, digo eu, porque são como que secas e semelhantes?
- Porque, disse ele, neste mundo, nem os justos nem os pecadores se distinguem, mas são semelhantes. Este mundo é, para os justos, um inverno e não se diferenciam, enquanto habitam com os pecadores. Pois, assim como, no inverno, as árvores que deixaram cair as folhas são semelhantes e não se distingue quais sejam as secas das verdes, do mesmo modo, neste mundo, não se distinguem os justos dos pecadores, mas são todos semelhantes.

Parábola retirada de “O Pastor”, obra cristã de meados do século II, atribuída a Hermas. O escravo Hermas, depois de libertado, constitui família e acumula fortuna, mas acaba por desbaratá-la e é denunciado pelos seus próprios filhos a quando de uma perseguição aos cristãos. Durante a crise, Hermas encontra-se com enviados de Deus (“Visões”), o que dá origem à obra “O Pastor”.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sufjan Stevens: "Put the Lights on the Tree"

Uma grande canção de Natal, de há um par de anos, em que Ele se escreve com maiúscula.


Put the lights on the tree
(Put them on the tree)

Put the ribbon on the wreath
(Put it on the wreath)

Call your grandma on the phone
(Call her on the phone)

If she's living all alone
(If she's all alone)

Tell her Jesus Christ is here
(Tell her He is here)

Tell her she has none to fear
(There is none to fear)

If she's crying on the phone
(Crying on the phone)

Tell her you are coming home
(You are coming home)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Regressar a casa


Todas as flores aspiram a ser fruto
Todas as manhãs a ser noite,
Nada há de eterno na Terra
A não ser a mudança, a fuga.

Mesmo o mais belo dos Verões anseia
Por conhecer o Outono, o definhar
Aguenta-te, mantém-te clama,
Quando o vento te quiser arrebatar.

Deixa estar, não tentes defender-te
Que aconteça o que tiver de ser.
Deixa o vento, que te arranca e parte,
Conduzir-te de regresso a casa.


Hermann Hesse

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Seguir

Se queres seguir a Deus, deixa-o ir adiante. Não queiras que ele te siga.

Agostinho de Hipona (354-430)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Gaiolas


Deus amou os pássaros e inventou árvores. O homem amou os pássaros e inventou gaiolas.

Jacques Deval (1895-1972)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mostrai-me, meu Senhor, em que deserto

Mostrai-me, meu Senhor, em que deserto,
Em que ribeira, vale, monte ou serra,
Em quanto me deixais andar na terra,
Do ceo me deixareis andar mais perto.

Que pois, ou coberto ou desencoberto,
Me faz cruel imigo cruel guerra,
De quanto dentro de mim mesmo se encerra
Lugar de defensão tenha mais certo.

Mas como, onde posso defender-me,
Enquanto for de mim acompanhado,
com tanta experiência de perder-me,

Senão sendo metido em vosso lado
Para todo de mim mesmo esquecer-me,
E só de vós, meu Deus, ser alembrado?

Agostinho da Cruz (1540-1619)

sábado, 4 de setembro de 2010

Árvores e gaiolas

"Árvore da Vida", de Gustave Klimt

Deus ama os pássaros e inventa as árvores. O homem ama os pássaros e inventa as gaiolas.

Jaques Deval (1890-1972)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Árvore da História da Europa

Ontem foi o Dia da Árvore, um dos dias mais bonitos do ano. Há tempos apontei diversas “árvores do conhecimento” (1, 2, 3, 4). Mas há dias dei com esta magnífica “Geschictesbaum Europa” – árvore da História Europa, de autor desconhecido. Infelizmente não dá para ler muito, mas dá para perceber algumas coisas. O ano 0 (zero) está no princípio do tronco. A cada ramo corresponde uma nação, embora também haja ramos para a política e a cultura. Portugal, a par da Espanha, sai do segundo grande ramo da esquerda.

sábado, 3 de outubro de 2009

Árvore do conhecimento - 3

Árvore do conhecimento - 2

Árvore do conhecimento -1

Por que razão o conhecimento tem de vir de uma árvore?

“Na minha ideia, esta progressão da ruína para a correcção está intimamente relacionada com a natureza do próprio conhecimento, que é, quanto muito, um processo: da ignorância para a consciência, da «ruína» intelectual para a sua «correcção», do caos indistinto para um estudo ordenado. O conhecimento, portanto, engloba ao mesmo tempo o ponto inicial, que é vazio, prejudicial, doloroso, e o ponto final, que é prazer. Na minha ideia, é esta qualidade do processo, do desenvolvimento, que só pode ocorrer ao longo do tempo, que responde, finalmente à pergunta por que razão o conhecimento tem de vir de uma árvore. Porque uma árvore é uma coisa que cresce; e o crescimento, como a aprendizagem, só pode acontecer ao longo e através do próprio tempo. De facto, fora do meio que é o tempo, palavras como «crescer» e «aprender» não podem ter qualquer significado”.

Daniel Mendelsohn, in "Os Desaparecidos", pág. 77.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...