sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Reis Magos da China

Cromos de Advento, do Hermano Cortés, bem a condizer com a situação portuguesa, agora que vêem aí os chineses comprar as empresas portuguesas.

Deus como pára-quedas


Eu não penso em Deus como um piloto pensa no pára-quedas; está lá para emergências mas o piloto espera nunca ter que usá-lo.

C. S. Lewis

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Montesinos e Romero, profetismo e política



Por estes dias, nos 500 anos do sermão de Montesinos contra a exploração dos índios, tem-se falado muito de teologia da libertação, até porque foi há 40 anos que Gustavo Gutiérrez publicou “Teología de la Liberación”.

Jesús Espeja, dominicano como Montesinos e (agora) Gutiérrez, escreveu sobre o profetismo e a política no jesuíta Romero, recordando Montesinos. Não sou propriamente adepto da teologia da libertação; todas têm de ser da libertação; se não forem, se forem da opressão, não são cristãs. Mas é preciso admirar os bons exemplos de presença cristã na sociedade. Por outro lado, o texto tem bons princípios para a acção política do cristão.  
O sermão de Montesinos foi a expressão de alguns missionários que, vendo as vexações desumanas dos colonos contra os índios, se deixaram impactar e levantaram sua voz: "Acaso estes não são homens? Como os tendes tão oprimidos e fatigados? Não estais obrigados a amá-los como a vós mesmos?". Logicamente, sua denúncia tinha um impacto político; exigia uma mudança de mentalidade e de estruturas na organização da sociedade. A mudança punha em perigo os interesses econômicos dos encomenderos espanhóis que reagiram tentando silenciar, por todos os meios, a voz profética. 
Por muito tempo, manteve-se nos manuais de história uma lenda negra sobre aquele gesto dos dominicanos na La Española, que depois o Frei Bartolomé de Las Casas moldou em sua prática evangelizadora. 
Anos atrás, foi notícia o assassinato de Óscar Arnulfo Romero, arcebispo de San Salvador, que, em um dia de 1980, foi premeditadamente eliminado enquanto celebrava a Eucaristia. Quando eu li suas homilias e escritos detidamente, eu já conhecia um pouco a situação em El Salvador e em outros povos da América Latina. Esse conhecimento logo me ajudou a entrar em sintonia com a preocupação e o pensamento do bispo mártir. 
Impressionou-me especialmente a sua lucidez sobre a dimensão política da fé em uma conferência que ele deu na Universidade de Louvain, pouco antes de lhe arrancarem a vida. No entanto, pouco depois desse crime lamentável, eu assisti a uma conferência em que um alto cargo eclesiástico fazia este comentário: "É uma pena a morte sacrílega de Dom Romero que era um bispo. Mas o problema foi que ele se meteu na política". Eu não sei se fiz bem ficando em silêncio, mas não pude digerir aquele diagnóstico tão simplista e falso. 
Passados já vários anos, vendo como tanto na América Latina quanto no próprio coração da nossa sociedade espanhola os pobres são cada vez mais irreverentemente coisificados e excluídos, vejo que a denúncia de Montesinos e a de Dom Romero, embora em uma situação histórica e cultural diferente, responde ao mesmo espírito evangélico: "Acaso estes não são homens?", gritava Montesinos. "A dignidade humana acima de tudo", "pare a repressão!", era o grito profético de Dom Romero. 
A Igreja continua proclamando que "o profundo estupor com relação ao valor e à dignidade do ser humano se chama Evangelho". Mas a prática de acordo com essa convicção necessariamente deve ter uma incidência política. É verdade que a missão da Igreja não é diretamente política, mas sim religiosa. Mas como ser testemunhas do Deus revelado em Jesus Cristo, cuja imagem é todo ser humano, senão ouvindo a voz das vítimas, defendendo sua dignidade como pessoas e entrando assim em conflito com estruturas e e com aqueles que provocam a situação injusta ou não fazem o possível para mudá-la? 
A Igreja, que nunca deve se identificar com nenhum partido político, não pode ficar de braços cruzados quando se nega a dignidade e os direitos fundamentais das pessoas. E a questão não é só que os bispos falem, nem que alguns cristãos, a partir de sua cadeira no Congresso, tentem gerenciar a política, buscando que todos possam gozar dessa dignidade. O desafio é para todos os batizados. 
Uma conduta, desvinculada da cobiça insaciável, cujos valores máximos são a diversão e o consumo. Uma conduta que respire os sentimentos de Deus, manifestados no Natal: profundo estupor perante a dignidade do ser humano, compaixão eficaz perante o sofrimento das vítimas, atitude do bom samaritano que põe em jogo todas as seguranças para levantar os humilhados e ofendidos. Nessa conduta, é inevitável a incidência política da fé cristã.
Copiado daqui.

O que diz o assessor do ministro da Cultura da Igreja

Já hoje aqui reproduzi um poema de Tolentino Mendonça. Agora dei com a entrevista dele ao DN, no dia 12 de Dezembro, sobre a nomeação para consultor do Conselho Pontifício para a Cultura. Vale a pena ouvir o que diz o novo assessor do ministro da Cultura da Igreja Católica pelo programa que encerra quanto ao pode ser o diálogo fé-ciência-cultura.



Somos a autobiografia de Deus, Um poema de Natal de Tolentino Mendonça


Quando despontarem as primeiras luzes do Seu cortejo
ainda nos faltará tudo:
o azeite na almotolia,
um alfabeto que descreva com outra firmeza o azul,
formas indivisíveis para este amor,
que só em fragmentos
e numa gramática imprecisa
conseguimos viver.

Quando despontarem as primeiras luzes
estaremos talvez longe:
à altura dos olhos continuaremos a trazer a mesma indisfarçável solidão
as mesmas mediações ilegíveis  através do tempo
as mesmas demoras tatuadas.

O Seu advento encontra-nos sempre impreparados
e, contudo, este é o momento em que
por puro dom se nasce.

A Sua vinda testemunha o que não sabíamos ainda:
a nossa frágil humanidade é narração
da autobiografia de Deus.

José Tolentino Mendonça
(Lido aqui)

Amizade com a criação

A amizade com a criação é o segredo da vida feliz e como tal é também o fundo adequado sobre o qual projectar os mapas dos nossos caminhos e o plano da vida. (...) A acção de graças abre-nos as portas do jardim da criação.


Carlos G. Vallés, s.j.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Barnes, Brel e o desejo de acreditar


Julian Barnes conta na pág. 67 de "Nada a temer" que Jacques Brel, na juventude, era conhecido por "Abbé Brel". O escritor inglês conheceu a música do cantor belga quando era professor de inglês num colégio católico na Bretanha.

Isto vem a propósito do desejo de acreditar em Deus. Barnes refere o poema/canção de Brel, "Dites, si c'était vrai" ("Dizei, se fosse verdade"). "Agora acho que é uma das piores faixas que Brel alguma vez gravou". É de facto muito má. É mais uma declamação do que uma canção. Está em muitos lados no youtube. Fiquemos só com o poema. Alude à quadra que estamos a viver. Mas para lá do desejo de acreditar, do crer porque é belo, de fechar os olhos e querer com muita força, tem de estar a verdade e o seu significado.

Dites, dites, si c'était vrai
S'il était né vraiment à Bethléem, dans une étable
Dites, si c'était vrai
Si les rois Mages étaient vraiment venus de loin, de fort loin
Pour lui porter l'or, la myrrhe, l'encens
Dites, si c'était vrai
Si c'était vrai tout ce qu'ils ont écrit Luc, Matthieu
Et les deux autres,
Dites, si c'était vrai
Si c'était vrai le coup des Noces de Cana
Et le coup de Lazare
Dites, si c'était vrai
Si c'était vrai ce qu'ils racontent les petits enfants
Le soir avant d'aller dormir
Vous savez bien, quand ils disent Notre Père, quand ils disent Notre Mère
Si c'était vrai tout cela
Je dirais oui
Oh, sûrement je dirais oui
Parce que c'est tellement beau tout cela
Quand on croit que c'est vrai.

Ravasi: Falar com o autêntico ateísmo é uma tarefa difícil



Da entrevista de António Marujo ao cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura

(…) Como fala hoje a Igreja com o ateísmo?
Esse é um problema grave. Falar com o autêntico ateísmo é uma tarefa difícil. Verdadeiros ateus como Nietzsche são pouquíssimos. Refiro-me aos que propõem uma visão do mundo e da vida realmente alternativa.
Muitos dos actualmente mais conhecidos procuram sempre uma frase ou a Bíblia lida de modo fundamentalista, para dizer que ainda acreditamos nestas coisas, sem se esforçarem em fazer hermenêutica. Diria que os últimos ateus foram os grandes pensadores marxistas e liberais…

Ernst Bloch…?
Bloch, sim. Penso também em alguns como Jean-Paul Sartre, Albert Camus ou grandes espíritos laicos em Itália como Norberto Bobbio. Eram grandes laicos que se batiam contra o poder clerical, mas que tinham grandes visões.
Os de agora são ateus que reflectem o clima do ateísmo actual, da indiferença. Tivemos a sociedade com Deus, depois a sociedade contra Deus, agora a sociedade sem Deus. É um problema, mesmo para alguns crentes, que acreditam em Deus mas para os quais acreditar ou não, não faz variar muito.
Dialogar com esses grandes pensadores constrangia-nos a reflectir e a reconstruir a nossa própria visão. Com os actuais, é um jogo de pergunta-resposta, em que se responde de maneira apologética.

António Marujo, “Deus Vem a Público. Entrevistas sobre a transcendência. I volume” (ed. Pedra Angular), pág. 71.

Os presos questionam o Papa



O Papa visitou a prisão de Roma. A notícia foi amplamente dada. Mas a parte mais importante, nestes dias de vertigem, não foi divulgada. Não há espaço. Não se dá importância. Leva tempo ler, ouvir, ler. E o tempo é caro, como se sabe. E uma imprensa cristã digna do nome, em Portugal, é miragem. Ficou assim a ideia de que o Papa foi à prisão e mais nada.

Mas respondeu a seis perguntas de seis dos presos. Aqui ficam as perguntas e as respostas. Copiei daqui.
Rocco – (…) Pergunto à Sua Santidade se este seu gesto deve ser compreendido na sua simplicidade, também pelos nossos políticos e governantes, para que sejam restituídas a todos os últimos, incluindo nós, detentos, a dignidade e a esperança que devem ser reconhecidas a todos os seres. (…) 
Bento XVI – (…) Eu vim especialmente para lhes mostrar esta minha proximidade pessoal e íntima, na comunhão com Cristo que lhes ama. Mas, certamente, esta visita, que quer ser pessoal para vocês, também é um gesto público que lembra aos nossos concidadãos, ao nosso governo, o fato de que há grandes problemas e dificuldades nas prisões italianas. E, certamente, o sentido destas prisões é justamente o de ajudar a justiça, e a justiça envolve, por primeiro, a dignidade humana. (…) No que eu puder, gostaria sempre de dar sinais de como é importante que essas prisões respondam ao seu sentido de renovar a dignidade humana e não de atacar essa dignidade, e de melhorar a sua condição. Esperamos que o governo tenha a capacidade e todas as possibilidades para responder a essa vocação. 
Omar – (…) Mais do que uma pergunta, eu prefiro lhe pedir que nos permita nos agarrar ao senhor com todo o nosso sofrimento e os dos nossos familiares, como um cabo elétrico que se conecta com nosso Senhor. Te quero bem. 
Bento XVI – Eu também te quero bem. (…) A identificação do Senhor com os encarcerados nos obriga profundamente, e eu mesmo devo me perguntar: agi segundo esse imperativo do Senhor? (…) Eu vim aqui porque eu sei que, em vocês, o Senhor espera, que vocês precisam desse reconhecimento humano e que precisam dessa presença do Senhor, que, no Juízo Final, nos interrogará justamente sobre esse ponto e, por isso, espero que, cada vez mais, possa ser realizado o verdadeiro objetivo de destas casas penitenciárias: o de ajudar a reencontrar a si mesmos, de ajudar a seguir em frente consigo mesmos, na reconciliação consigo mesmos, com os outros, com Deus, para reintegrar novamente à sociedade e ajudar no progresso da humanidade. (…) 
Alberto – Parece-lhe justo que (…), agora que eu sou um homem novo (...) e pai de uma esplêndida menina chamada Gaia não me concedam a possibilidade de voltar para casa, apesar de ter pago amplamente a minha dívida para com a sociedade? 
Bento XVI – Acima de tudo, parabéns! Fico feliz que você seja pai, que você se considere um homem novo (…). Você sabe que, para a doutrina da Igreja, a família é algo fundamental, e é importante que o pai possa ter sua filha em seus braços. E, assim, eu rezo e espero que, o quanto antes, você possa realmente ter em seus braços a sua filha, estar com a sua esposa e sua filha para construir uma bela família e, assim, também, colaborar com o futuro da Itália. 
Federico – (…) O que os presos doentes e seropositivos podem pedir ao papa? (…) Fala-se muito pouco de nós, muitas vezes de uma forma tão feroz como se quisessem nos eliminar da sociedade. Isso nos faz nos sentir sub-humanos. (…) 
Bento XVI – (…) Devemos suportar que alguns falem de modo "feroz". Falam de modo "feroz" até contra o papa e, mesmo assim, seguimos em frente. Parece-me importante encorajar todos que pensem bem, que tenham sentido dos seus sofrimentos, que tenham o sentido de se ajudar no processo de reerguimento e, digamos, eu farei a minha parte para convidar todos a pensar desse modo justo, não de modo depreciativo, mas de modo humano, pensando que todos podem cair, mas Deus quer que todos cheguem a Ele, e nós devemos cooperar em espírito de fraternidade e de reconhecendo também com a nossa fragilidade, para que possam realmente se levantar e seguir em frente com dignidade e ter sempre respeitada a sua própria dignidade. (…) 
Gianni – Santidade, foi-me ensinado que o Senhor vê e lê dentro de nós. Pergunto-me por que a absolvição foi delegada aos padres? Se eu a pedisse de joelhos, sozinho, dentro de uma sala, dirigindo-se ao Senhor, ele me absolveria? (…) 
Bento XVI – (…) Direi duas coisas A primeira: naturalmente, se você se coloca de joelhos e com verdadeiro amor de Deus pede para que Deus perdoe, Ele perdoa. (…) Mas há um segundo elemento: o pecado não é somente uma coisa "pessoal", individual, entre mim e Deus. O pecado sempre tem também uma dimensão horizontal. (…) Portanto, essa segunda dimensão do pecado, que não é só contra Deus, mas concerne também à comunidade, exige o Sacramento, e o Sacramento é o grande dom no qual eu posso, na confissão, me libertar dessa coisa e posso realmente receber o perdão também no sentido de uma plena readmissão na comunidade da Igreja viva, do Corpo de Cristo. (…) A absolvição do padre, a absolvição sacramental é necessária para me absolver realmente desse laço do mal e me reintegrar na vontade de Deus,  na ótica de Deus, completamente, na sua Igreja, e me dar a certeza, até quase corporal, sacramental: Deus me perdoa, me recebe na comunidade dos seus filhos. (…) 
Nwaihim Ndubuisi – Santo Padre, no mês passado, o senhor esteve em visita pastoral à África, no pequeno país do Benin, uma das nações mais pobres do mundo. (…) Eles põem a esperança e a fé em Deus e morrem entre pobreza e violências. Por que Deus não os escuta? Talvez Deus só ouve os ricos e os poderosos que, ao contrário, não têm fé?
Bento XVI – As medidas de Deus, os critérios de Deus, são diferentes dos nossos. Deus também dá a esses pobres a alegria, o reconhecimento da sua presença, faz sentir que está perto deles também no sofrimento, nas dificuldades e, naturalmente, nos chama a todos para que façamos de tudo para poder sair dessa escuridão das doenças, da pobreza. (…) Devemos rezar a Deus para que nos mostre, nos ajude, para que haja justiça, para que todos possam viver na alegria de ser seus filhos.

História de Natal

A história bem contada é aquela de que já conhecemos bem o enredo, mas mesmo assim queremos ouvi-la novamente. Como esta.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Luís Miguel Cintra profere sermão de Montesinos em favor dos índios


Estátua de Montesinos em Santo Domingo

Faz amanhã, 21 de Dezembro, 500 anos que António de Montesinos, em nome da comunidade dos frades dominicanos de La Hispaniola, pronunciou um sermão em defesa dos índios explorados pelos colonizadores da ilha que hoje é República Dominicana e Haiti.


Amanhã, às 21h30, no Convento de S. Domingos (Rua João de Freitas Branco, 12), em Lisboa, o actor Luís Miguel Cintra vai ler o sermão de há meio século. O sermão será complementado com peças gregorianas de Advento.
Todos vós estais em pecado mortal. Nele viveis e nele morrereis, devido à crueldade e tiranias que usais com estas gentes inocentes. Dizei-me, com que direito e baseados em que justiça, mantendes em tão cruel e horrível servidão os índios? Com que autoridade fizestes estas detestáveis guerras a estes povos que estavam em suas terras mansas e pacíficas e tão numerosas e os consumistes com mortes e destruições inauditas? Como os tendes tão oprimidos e fatigados, sem dar-lhes de comer e cura-los em suas enfermidades? Os excessivos trabalhos que lhes impondes, os faz morrer, ou melhor dizendo, vós os matais para poder arrancar e adquirir ouro cada dia... Não são eles acaso homens? Não tem almas racionais? Vós não sois obrigados a amá-los como a vós mesmos? Será que não entendeis isso? Não o podeis sentir?

Tesouro: Bíblia de Cervera em Nova Iorque


No DN de 9 de Dezembro. Mais um tesouro intemporal, a par da Bíblia dos Jerónimos. Note-se que Giotto de Bondone, que nasce sensivelmente no ano em que é produzida esta Bíblia, na passagem do séc. XIII para o séc. XIV, é tido como o primeiro artista plástico que assina as suas obras. Se o iluminador desta obra, Joseph Asarfati, assina o trabalho, os manuais de história da arte devem ser corrigidos.

Tradições de Natal sem Pai Natal


Bê-á-bá do Natal no "Correio da Manhã" de ontem.

Dois em um. O quadro que melhor explica o Natal


"Adoração dos Magos e Crucificação de Jesus", de Benedetto Bonfigli (séc. XV)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A Igreja ainda é machista?



Da entrevista de António Marujo à teóloga italiana Nicoletta Crosti (autora de “À procura das Raízes Hebraicas da Fé Cristã”, ed. Paulinas)

…A Igreja ainda é machista?
Sim, muito. A mulher tem que esperar… A mentalidade do mundo fora da Igreja começa a dar mais espaço à mulher que a Igreja. A Igreja foi a última a seguir o movimento da história. Não foi assim nos seus primeiros tempos, quando a mulher tinha um papel muito importante. Quando lapsos freudianos fazem os padres! É dificílimo para eles aceitar uma mulher na paróquia que tenha um papel importante.

António Marujo, “Deus Vem a Público. Entrevistas sobre a transcendência. I volume” (ed. Pedra Angular), pág. 59.

Jesus nas nuvens




Uma vez uma senhora mostrou-me uma série de fotografias de nuvens nas quais dizia ver em todo o lado anjos e imagens de Nossa Senhora. Por muito que me esforçasse, eu não via nada. Via apenas o seu esforço de encontrar mensagens do além nas coisas mais naturais.


Mas nestas fotografias, já vi Jesus, ora de braços abertos, ora a carregar a cruz.  Porém, não servem para mais nada senão para mostrar que de vez em quando a natureza cria imagens que correspondem às nossas figurações mentais. Mas não me admiro nada se um dia destes as receber num e-mail daqueles que no fim pedem para não ter vergonha da fé cristã e reencaminhar para mais dez pessoas.


As fotos foram tiradas na francesa Ilha da Reunião, no Oceano Índico. Vi aqui.

Para uma história da interpretação das frases crentes dos ateus e agnósticos


Bento Espinosa

Einstein dizia que “Deus não joga aos dados” e que a “ciência sem religião é manca” e a “religião sem ciência é cega”. Espinosa falava de um amor que os filósofos como ele deviam ter, o “amor intelectual a Deus”. Ambos judeus. Um, cientista, era agnóstico ou talvez mesmo ateu. O outro, filósofo, era intelectualmente panteísta e religiosamente ateu.

Ainda está por escrever a história da interpretação das frases supostamente crentes proferidas por agnósticos e ateus.

À procura da partícula de Deus

Humor aracnonatalício


domingo, 18 de dezembro de 2011

D. Manuel Clemente tem esperança em Portugal e nos portugueses

Entrevista do "Público" de hoje a D. Manuel Clemente. Portugal e a Europa, principalmente. Só a última meia página aborda assuntos mais intra-eclesia. (Para ler, o melhor é guardar a imagem no próprio computador.)




Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...