domingo, 11 de outubro de 2009

O que quis o Concílio

Reler hoje o que João XXIII disse há 47 anos na abertura de um encontro que viria a mudar a face da Igreja (de certeza que mais do que ele próprio esperaria) é um exercício algo estranho. O fim do Concílio, disse o Papa, era a "defesa e difusão da doutrina". Mas o que aconteceu foi essencialmente uma mudança no interior da Igreja (os convictos podem sempre afirmar: entre mudar o interior da Igreja e difundir a doutrina, não há diferença; a dogmática genuína é sempre pastoral consequente, como disse Karl Rahner).

Tive dificuldade em escolher uma afirmação-síntese desse dia. O discurso, na íntegra, está aqui. Nós já sabemos o que aconteceu. Eles nem imaginavam, suponho. Excertos do longo discurso de João XXIII:

"No exercício quotidiano do nosso ministério pastoral ferem nossos ouvidos sugestões de almas, ardorosas sem dúvida no zelo, mas não dotadas de grande sentido de discrição e moderação. Nos tempos actuais, elas não vêem senão prevaricações e ruínas; vão repetindo que a nossa época, em comparação com as passadas, foi piorando; e portam-se como quem nada aprendeu da história, que é também mestra da vida, e como se no tempo dos Concílios Ecuménicos precedentes tudo fosse triunfo completo da ideia e da vida cristã, e da justa liberdade religiosa.

Mas parece-nos que devemos discordar desses profetas da desventura, que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo.

No presente momento histórico, a Providência está-nos levando para uma nova ordem de relações humanas, que, por obra dos homens e o mais das vezes para além do que eles esperam, se dirigem para o cumprimento de desígnios superiores e inesperados; e tudo, mesmo as adversidades humanas, dispõe para o bem maior da Igreja.

(...) Para que esta doutrina atinja os múltiplos níveis da actividade humana, que se referem aos indivíduos, às famílias e à vida social, é necessário primeiramente que a Igreja não se aparte do património sagrado da verdade, recebido dos seus maiores; e, ao mesmo tempo, deve também olhar para o presente, para as novas condições e formas de vida introduzidas no mundo hodierno, que abriram novos caminhos ao apostolado católico".

11 de Outubro de 1962. Tem início o II Concílio do Vaticano

Anunciado no dia 25 de Janeiro de 1959 e convocado no dia 25 de Dezembro de 1961, o II Concílio do Vaticano teve início no dia 11 de Outubro de 1962.

As primeiras palavras foram estas, de João XXIII:

“Alegra-se a Santa Mãe Igreja, porque, por singular dom da Providência divina, amanheceu o dia tão ansiosamente esperado em que solenemente se inaugura o Concílio Ecuménico Vaticano II, aqui, junto do túmulo de São Pedro, com a protecção da Santíssima Virgem, de quem celebramos hoje a dignidade de Mãe de Deus”.

Poema de W. H. Auden. Domingo, dia dele

Ele é o Caminho.
Sigam-no através da Terra da Improbabilidade;
verão animais raros e conhecerão aventuras extraordinárias.

Ele é a Verdade.
Procurem-no no Reino da Ansiedade;
chegarão a uma grande cidade que espera há anos o vosso regresso.

Ele é a Vida.
Amem-no no Mundo da Carne;
E no vosso casamento todas as ocasiões serão para dançar de alegria.


W. H. Auden

sábado, 10 de outubro de 2009

Elogio do livro - 2

A nossa vida é mais feita pelos livros que lemos do que pelas pessoas que conhecemos.

Graham Greene

Anselmo e as neurociências

Anselmo Borges, no DN de hoje, escreve sobre “Neurociências e liberdade”. Transcrevo três parágrafos, o 1.º, o 7.º e o 8.º (ler tudo aqui):

Com a biotecnologia o novo continente científico é o cérebro, e a pergunta é se, com os avanços neste domínio, o enigma do homem será finalmente superado ou se, pelo contrário, ele permanecerá. Grandes debates se travam entre as neurociências e a filosofia, precisamente por causa de temas candentes e incendiários, como a subjectividade, a autodeterminação, a vontade livre.

A tese de neurocientistas que afirmam não haver, por detrás do alegado livre arbítrio, senão processos neuronais, que determinam a vontade, contradiz não só a compreensão jurídica de responsabilidade mas também a nossa própria autocompreensão: queremos ser autores racionais de mudanças no mundo - tentamos "tomar decisões racionais".

Para lá dos sistemas jurídico-penais, que pressupõem a liberdade, um exemplo. Suponhamos que alguém tropeça, sem querer, e, ao cair sobre outra pessoa, esta é apanhada por um carro e morre. Distinguimos muito bem esta situação daquela em que alguém empurra intencionalmente outra pessoa. E há esta virtude admirável: resistir moralmente à maioria. Os opositores ao Terceiro Reich "merecem o nosso sumo respeito", precisamente porque foram poucos e capazes de enfrentar a morte. Aí, "os neurocientistas têm muito para justificar no sentido de dar conta do correcto normativamente dessas decisões a partir de processos neuronais".

A reforma de Zuínglio

Operando na Suíça, Zuínglio foi reformador ao mesmo tempo que Lutero e, em certos aspectos, até o antecedeu. Teve disputas com o reformador alemão, nomeadamente sobre a presença real de Cristo no pão e no vinho. Lutero aceitava-a enquanto Zuínglio dizia que era simbólica. Este aspecto foi um ponto de conflito entre luteranos e reformados até 1973, quando “a concórdia de Leuenberg, ratificada pela maioria das Igrejas das duas traduções, reconheceu a plena comunhão entre luteranos e reformados” (Jean Delumeau, “As grandes religiões do mundo”).

No ano em que Lutero publicou as 95 teses, 1517, Zuínglio, que era padre, lê a tradução latina do Novo Testamento de Erasmo (o “Novum Instrumentum”), e escreve: “Vi a necessidade de deixar de lado todos esses ensinamentos humanos e aprender a doutrina de Deus directamente da sua própria palavra”. Entretanto já tinha tido um caso com a filha do barbeiro de Einsiedeln.

Em 1518 é nomeado “sacerdote do povo” para a catedral de Zurique. Nesse templo pode-se ler: “A reforma de Ulrich Zuínglio começou aqui no dia 1 de Janeiro de 1519”.

No entanto, é após o debate de 1523 que Zurique se torna a primeira cidade reformada ao adoptar as 67 teses de Zuínglio: são abolidas as taxas de baptismo e de sepultura, é proibido o uso de imagens e relíquias, padres, monges e feiras podem casar, proclama-se a autoridade das escrituras, o domínio de Cristo sobre a Igreja, o sacerdócio dos fiéis, a salvação pela graça.

Entretanto, Zuínglio e os seus seguidores perseguem os anabaptistas. Um deles, Felix Manz, é afogado, na sequência do decreto do Conselho da cidade de Zurique que autoriza a execução de anabaptistas (1526).

Zuínglio morreu aos 47 anos, num combate entre cantões adeptos da reforma e cantões católicos. A sua herança é assumida pelos calvinistas. Foi com Zuínglio que entrou o termo "reforma" e "igreja reformada" ("protestantes" ficou para Lutero e os príncipes alemães).

10 de Outubro de 1531. Morre Zuínglio, na Suíça

Ulrich Zuínglio nasceu em St. Gallen no dia 1 de Janeiro de 1484 e morreu em Kappel am Albis no dia 10 de Outubro de 1531, em confrontos com o exército de Zurique. Foi reformador como Lutero (1483-1546), mas não deixou uma igreja organizada. Influenciou o calvinismo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

La Repubblica


Apenas Deus os teria contados

mas a publicidade aos produtos Bioscalin
garante inquietantes milagres capilares
e revela
são 130 mil os cabelos da nossa cabeça

Tolentino Mendonça in "A Estrada Branca", Assírio & Alvim, pág. 12.

Funeral de Pio XII

Pio XII na hora da morte

A morte de Pio XII, que foi a uma quinta-feira, na capa da edição dominical do "Corriere della Sera" ("descontinuada" em 1989) do dia 19 de Outubro de 1958. Clicando, dá para ler o nome dos que estavam com o Papa.

Dentro da cabeça de uma jovem muçulmana europeia

A maior amiga de Jasmim é Amira, que também tem 23 anos e está prestes a casar-se com Shedi. Jasmim está preocupada porque a mãe do noivo de Amira, uma senhora de valores muçulmanos tradicionais, quer que a quase nora faça um teste de virgindade. Jasmim recebeu de Amira uma mensagem no telemóvel que diz: “Socoooorro! Futura sogra propõe, ou antes, impõe, visita ao ginecologista (o dela). Objectivo: verificar a necessária e imprescindível imaculada condição para desposar o seu santíssimo filho. Achas que é grave?”

“Hoje talvez não mate ninguém” é um quase-diário de uma jovem muçulmana de condição social média-alta, a viver em Milão. O título é obviamente irónico. Remete para o que os ocidentais podem pensar sobre os muçulmanos após o 11 de Setembro. Por isso mesmo, se há alguém a protagonista detesta é Oriana Fallaci (que morreu em 2006, já depois da edição original deste livro). Após a queda das torres da NY, a jornalista italiana escreveu de forma indecente sobre os muçulmanos, como se estivesse iminente a proibição das bebidas alcoólicas na Europa e a pena de morte para quem as beba, a proibição da mini-saia, a obrigação do chador e o leite de camela…

E por isso mesmo, outra vez, entre os muitos desejos de Jasmim (“que o Shedi deixe de parecer com um orangotango… para bem de Amira”, “que a minha celutite desapareça”, “que Roberto Benigni venha a ser primeiro-ministro”, “que eu deixe de pisar cacas quando ando na rua”, “que Israel deixe de Matar”, “que o Hamas deixe de matar”), está este: “Que os jornalistas furiosos não cuspam veneno sobre nós, e que os racistas, os intolerantes e os medrosos não dêem ouvidos a jornalistas furiosas”.

Randa Ghazy nasceu em Milão, filha de pais egípcios. Em 2002, com quinze anos, publicou o seu primeiro romance, o aclamado “Sonhando com a Palestina”, que já foi traduzido em quinze línguas. Estuda relações internacionais e quer ser jornalista, aprender uma vintena de línguas estrangeiras, viajar e continuar a escrever romances.

Hoje talvez não mate ninguém, de Randa Ghazy, na Paulinas, (210x140mm; 206 páginas)

9 de Outubro de 1958. Morre Pio XII

Pio XII (nascido Giovanni Pacelli, em Roma, no dia 2 de Março de 1876) foi Papa de 2 de Março de 1939 até à data em que morreu, o dia 9 de Outubro de 1958.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A República e a liberdade religiosa - III

O Episcopado e o clero é que fizeram a verdadeira separação do Estado e da Igreja em 1911 e não o governo republicano - diz o padre João Seabra na sua tese de doutoramento, agora transformada em livro.

Em “O Estado e a Igreja em Portugal no início do séc. XX”, este teólogo revela a perseguição a que a Igreja foi sujeita durante a I República e a forma como resistiu e ultrapassou as pressões políticas da época.

A implantação da República, em Outubro de 1910, significou para a Igreja portuguesa o intensificar de uma perseguição que já se fazia sentir nos últimos tempos das Monarquia.

Nos primeiros 6 meses várias medidas foram tomadas, mas o culminar da acção do então Ministro da Justiça Afonso Costa foi a publicação da lei da Separação do Estado das Igrejas, a 20 de Abril de 1911.

Através desta legislação, o Estado impunha uma série de condições às Igrejas, sobretudo à católica. A Lei intitulava-se da “Separação”, mas para o Padre João Seabra, era antes de sujeição da Igreja ao Estado. A sua teoria, defendida na tese de doutoramento agora transformada em livro, é que quem realmente fez a separação foram o clero e o episcopado.

Além da perseguição directa aos membros da Igreja Católica, as novas regras, nomeadamente, o Código do Registo Civil , também serviram para afastar os fiéis. Baptismos, casamentos e funerais passaram a ser possíveis apenas depois do acto ser registado civilmente, refere o padre João Seabra. Fonte: Ecclesia. Ler mais...

A República e a liberdade religiosa - II

O Centro de História da Universidade de Lisboa, em colaboração com a Academia Portuguesa da História, promove nos próximos dias 15 e 16 de Outubro, o Colóquio «Poder Temporal/Poder Espiritual: As relações Igreja-Estado no Tempo da República (1910-2009)», que terá lugar no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Temas em debate: «As relações Igreja/Estado na I República Portuguesa»; «As relações Igreja/Estado no “Estado Novo” português»; «Religião e Laicidade na Democracia Portuguesa»; «Os Jesuítas e a I República Portuguesa»; «Religião civil na I República Portuguesa». Mais informação aqui.

Derrida, a religião, Roma e a Europa


Gadamer e Derrida
Nos dias 28 de Fevereiro e 1 de Março de 1994, Jacques Derrida, Gianni Vattimo, Eugenio Trías, Alfo Gargani, Vicenzo Vitielo, Maurizio Ferraris e Hans-Georg Gadamer juntaram-se na ilha de Capri para falar de religião. O seminário gerou uma série de ensaios que foi publicada em português pela mão da Relógio D’Água em 1997: “A Religião”. Este excerto de Derrida, no original em itálico, foi retirado da página 13.
“Não estamos longe de Roma, mas já não estamos em Roma. Eis-nos por dois dias literalmente isolados, insularizados nas altura de Capri, na diferença entre o romano e o itálico, que poderia simbolizar tudo o que pode inclinar – ao afastamento, a respeito do romano em geral. Pensar “religião” é pensar “o romano”. O que não será feito nem em Roma nem demasiado longe fora de Roma. Fortuna ou necessidade para lembrar (rappeler) na história qualquer coisa como a “religião”: tudo o que se faz e se diz em seu nome deveria guardar a memória crítica de tal apelação (appellation). Europeia, começou por ser latina. Eis pois um dado cuja figura pelo menos, como o limite, permanece contingente e significante ao mesmo tempo. Exige ser levado em conta, reflectido, tematizado, datado. È difícil dizer “Europa” sem conotar: Atenas-Jerusalém-Roma-Bizâncio, guerras de Religião, guerra aberta a propósito da apropriação de Jesuralém e do monte de Moriah, do “Aqui estou” de Abraão ou Ibraim perante o extremo “sacrifício” exigido, a oferenda absoluta do filho bem-amado, o dar a morte exigido ou a morte dada da descendência única, a repetição suspensa na véspera de toda a Paixão”.

A República e a liberdade religiosa - I

Esther Mucznik escreve hoje no Público sobre "a República e a liberdade religiosa". Diz que a liberdade religiosa não chegou pela Lei da Separação da Igreja do Estado de 20 de Abril de 1911. O carácter “separação/hostilidade” era evidente e confirmado pelas palavras de Afonso Costa: “Está admiravelmente preparado o povo para tal lei; e a acção da medida será tão salutar que em duas gerações Portugal terá eliminado completamente o catolicismo que foi a maior causa da desgraçada situações em que caiu”.

A investigadora em assuntos judaicos salienta, no entanto que “do ponto de vista das confissões não católicas, foi dado um passo significativo” no sentido da liberdade religiosa. E aponta o reconhecimento dos estatutos da Comunidade Israelita de Lisboa, a 23 de Julho de 1912, bem como a possibilidade de construção de templos religiosos já sem a prerrogativa da lei de 1826, que dizia que os edifícios de outras religiões não podiam ter a "forma exterior de templo" (o que explica que a sinagoga de Lisboa, de 1904, não seja facilmente identificada pelos transeuntes da Rua Alexandre Herculano).

Sobre a Lei da Liberdade Religiosa de 2001, diz que o modelo separação/cooperação substituiu o de separação/hostilidade.

8 de Outubro de 2004. Morre Jacques Derrida

Jacques Derrida (El Biar, Argélia, 15 de Julho de 1930 — Paris, 8 de Outubro de 2004), filósofo desconstrutivista, pós-estruturalista, pós-moderno, dedicou o melhor das suas reflexões mais tardias à religião, ou, como dizem os filósofos, ao fenómeno religioso, centrando-se nos “irreconciliáveis monoteísmos”, no significado da religião para a cultura e a sociedade contemporânea, no papel da sexualidade na violência das religiões e em conceitos como “sacrifício”, “mal radical”, “hospitalidade”, “próximo”, etc.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

"El manco de Lepanto"

Miguel Cervantes combateu em Lepanto e foi ferido na mão esquerda. O autor do Quixote ficaria conhecido por "el manco de Lepanto". Dois tiros de arcabuz no peito não lhe causam grande mossa (devia ter armadura). Mas um terceiro deixa-lhe a mão esquerda inutilizada.

No prefácio da edição de 1615 de “D. Quixote”, escreve: “Lo que no he podido dejar de sentir es que me note de viejo y de manco, como si hubiera sido en mi mano haber detenido el tiempo, que no pasase por mí, o si mi manquedad hubiera nacido en alguna taberna, sino en la más alta ocasión que vieron los siglos pasados, los presentes, ni esperan ver los venideros. Si mis heridas no resplandecen en los ojos de quien las mira, son estimadas, a lo menos, en la estimación de los que saben dónde se cobraron; que el soldado más bien parece muerto en la batalla que libre en la fuga; y es esto en mí de manera, que si ahora me propusieran y facilitaran un imposible, quisiera antes haberme hallado en aquella facción prodigiosa que sano ahora de mis heridas sin haberme hallado en ella”.

E chega de batalhas.

Pintura e poema sobre Lepanto

"Batalha de Lepanto", pintura de Paolo Veronese (1528 – 1588), c. 1572.

Chesterton escreveu um poema sobre esta batalha (aqui).

A última cruzada

Estandarte da Liga Santa

A Batalha de Lepanto foi entendida na época como mais uma cruzada. Vejamos:

* Pio V (Papa de 1566 a 1572), depois da formação da Liga Santa, decreta um jubileu, preside a procissões e manda cunhar uma medalha.

* Faz-se um estandarte e D. João, incumbido de comandar a Liga, recebe-o das mãos de um cardeal Granvela: "Toma, ditoso Príncipe, a insígnia do verdadeiro Verbo Humanado; toma o sinal vivo da santa Fé, da qual és defensor nesta empresa. Dar-te-á uma vitória gloriosa sobre o ímpio inimigo, e por tua mão será abatida sua soberba. Amén!";

* O núncio Odescalchi distribui partículas do Santo Lenho (isto é, da cruz em que Cristo foi crucificado) por todas as embarcações cristãs;

* D. João da Áustria toma medidas para manter o carácter sagrado da missão. Proíbe mulheres a bordo, decreta pena de morte para quem blasfemar e manda que os soldados jejuem, confessem os pecados e comunguem;

* Na partida de Messina, os soldados ajoelham-se e o núncio papal abençoa todas as embarcações;

* Depois da batalha diz-se que Nossa Senhora apareceu aos “infiéis”;

* Quando a notícia chega a Roma, na noite de 21 para 22 de Outubro, o Papa considera confirmada a visão da vitória que tinha tido no dia 7 de Outubro e proclama o “Nunc dimitis” (poema do evangelho de Lucas dito por Simeão quando vê o menino Jesus, “Agora, Senhor, deixareis ir em paz o vosso servo…”);

* Consolida-se a Festa de N.ª Sr.ª do Rosário (ou Senhora da Vitória) no dia 7 de Outubro.

Elogio do livro

“Os nossos livros são o nosso deleite e a nossa riqueza em tempos de paz, as nossas armas, defensivas e ofensivas, em tempo de guerra, o nosso alimento quando temos fome, o nosso remédio quando estamos doentes”.

Hugo de Avalon (1140-1200), prior da cartuxa de Witham e bispo de Lincoln (Inglaterra)

7 de Outubro de 1571. Batalha de Lepanto

No dia 7 de Outubro de 1571, após três horas de combate, a Liga Santa derrota o Império Otomano na Batalha de Lepanto. A Liga Santa era constituída por barcos e homens de Veneza, Espanha, Malta e Estados Pontifícios.

A Batalha de Lepanto (ao largo de Corinto, Atenas) deteve o avanço turco. Em 1570, os turcos otomanos tomaram a Ilha do Chipre, que antes estava sob o domínio da República de Veneza. Esta República pediu ajuda ao Papa e o Papa, Pio V, mobiliza forças para repelir os otomanos. Foi mais uma guerra religiosa, uma cruzada. O Papa insiste com Espanha que se trata da defesa da fé católica. Espanha não queria participar porque Veneza aliara-se várias vezes aos turcos, noutros contextos.

Duzentas e oito galés e seis galeaças cristãs, comandadas por João da Áustria (filho ilegítimo de Carlos V) capturaram 193 das 230 galés turcas. Do lado europeu perderam-se 12 navios.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Leituras de terça à noite, quase às 11 horas

Jacques le Goff escreve na conclusão do livro “A Europa nasceu na Idade Média?” (li em “Deus e a Europa”, de Jean Boissonnat, na Gráfica de Coimbra 2, pág. 46): “Pode dizer-se que a Europa, no que diz respeito à religião, seguirá em traços largos a mesma evolução cujas raízes se revelam na Idade Média: uma separação mais ou mesmo grande entre a Igreja e o Estado, de modo a que o cristão entregue a César o que lhe pertence; a rejeição, ao contrário do Islão e do cristianismo bizantino, de uma teocracia; a promoção das crianças, das mulheres e dos leigos; o equilíbrio entre a fé e a razão”.

Tyndale mais influente do que Shakespeare

William Tyndale, que actualmente é venerado pelos anglicanos, mostra, como Miguel Servet, que a intolerância quinhentista e seiscentista não era um exclusivo da Igreja católica (que também condenou o trabalho de Tyndale).

Sobre o trabalho deste mártir anglicano (ex-frade franciscano), o católico Tomás Moro disse que encontrar erros na sua Bíblia (isto é, na parte traduzida e disponível) era tão fácil encontrar água no meio do mar. Porém, a tradução de Tyndale foi muito influente, quer em termos religiosos, no afastamento da Igreja inglesa em relação a Roma, quer em termos linguísticos. A Bíblia do Rei Jaime (King James) segue em grande parte a tradução de Tyndale, ao ponto de se dizer que este tradutor influenciou mais o inglês moderno do que Shakespeare.

As divergências entre Moro e Tyndale geraram vários escritos de parte a parte. Moro acusava Tyndale de erros de tradução como “congregação” em vez de “igreja”, “ancião” em vez de “presbítero”, “amor” em vez de “caridade”… O texto de Tyndale já veiculava uma reforma.

Impõe-se um esclarecimento: quem matou Tyndale? Leio várias referências que dizem que a fogueira aconteceu por influência de Henrique VIII (que desde 1534 se separara de Roma), e nesse sentido vai o apelo para que o Senhor "abra os olhos ao rei", mas também se diz, ainda que não taxativamente, que morreu às mãos dos “católicos romanos”. Vou procurar a resposta em fontes impressas.

6 de Outubro de 1536. William Tyndale morre na fogueira

No dia 6 de Outubro de 1536, William Tyndale morre em Vilvoorden (perto de Bruxelas), na fogueira, por instigação de Henrique VIII e outros anglicanos.

William Tyndale (nasceu em Gloucestershire, Inglaterra, por volta de 1494), formado em Oxford, foi ordenado padre em 1521. Numa disputa com um clérigo, prometeu: “Se Deus me der vida, uma simples rapaz do arado saberá mais das escrituras do que tu”. A partir daí dedicou a sua vida à tradução da Bíblia para inglês moderno. Como Henrique VIII proibia a tradução da Bíblia, Tyndale emigrou para a Europa (terá visitado Lutero em 1525) e na cidade alemã de Worms mandou imprimir três mil exemplares do Novo Testamento que contrabandeou para Inglaterra. Hoje restam três exemplares dessa edição de 1526, a primeira da totalidade do NT em inglês. Posteriormente, já em Antuérpia, traduziu e imprimiu mais algumas partes do Antigo Testamento, até de ser capturado e julgado por heresia. Estrangularam-no antes de atear a fogueira. Antes de morrer, disse: “Senhor! Abre os olhos do rei de Inglaterra”.

Enzo Bianchi, a comida e a ética

"Este monge gosta de cozinhar ravioli e diz que a comida tem muito a ver com a ética". Para ler no Público de hoje, aqui.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Tendências

Segundo Jean Boissonnat (em "Deus e a Europa"), houve três grandes idades no cristianismo na Europa: uma idade da contrição (em que basta fazer ritos para que os pecados sejam perdoados - durou até à época da reforma protestante; foi aquilo que mais tarde seria apelidado de cristandade), uma idade da acção, no segundo milénio (muito mais clara a partir da reforma, pois a compra de indulgências - ou qualquer outro rito - já não serve para obter a salvação), e uma nova idade, que começa com o terceiro milénio, a idade da compaixão.

Como o juliano deu lugar ao gregoriano

A Estação Cronográfica explica como foi a mudança de calendário juliano para gregoriano:

“O calendário gregoriano foi elaborado por uma comissão designada pelo papa, tendo à sua frente o jesuíta Clavius, que estudara matemática com Pedro Nunes, em Coimbra. Ele toma como base o juliano, e transforma-o muito pouco. A grande diferença passa a ser na ocorrência dos anos bissextos. Enquanto no calendário antigo eles se sucediam de quatro em quatro anos, sempre que os anos eram múltiplos de 4, no calendário gregoriano isso não ocorre quando, além de multiplos de 4, são anos múltiplos de 100, deixando a excepção para quando são múltiplos de 400”.

Ler mais aqui.

5 de Outubro de 1582. Último dia do calendário juliano

Ao dia 5 de Outubro de 1582 sucedeu o dia 15 de Outubro de 1582. Para regularizar o calendário, após alguns anos de estudos de especialistas, o Papa Gregório XIII suprimiu 10 dias do calendário e introduziu algumas regras novas. Os dias 6 a 14 de Outubro de 1582 não existiram.

O primeiro dia do calendário gregoriano é o dia 15 de Outubro de 1582.

domingo, 4 de outubro de 2009

Adília e Deus

Acerca do livro de Adília Lopes “César a César”, de 2003, Pedro Mexia escreveu (no DN de 9 de Setembro de 2003): “O mais curioso em "César a César" será, provavelmente, a recorrente temática religiosa. Deus é uma presença inescapável e violenta na poesia de Adília, que se considera uma «cristã triste». A abordagem ao cristianismo é sempre heterodoxa, e gémea de um desbragado erotismo mental. Adília vive uma religiosidade recalcada e reclusiva, capaz de associações insólitas. Mas a sua fé parece inquestionável e até estranhamente solar, como no poema em que explica que não lhe interessa a cruz sem a luz, nem a luz sem a cruz, provando assim que um jogo de palavras pode ter um significado mais profundo”.

"Deus é a nossa mulher-a-dias", agora o poema

Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a vida
porque achamos
que não presta

Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a fé
porque achamos
que é pirosa


Adília Lopes

Deus é a nossa mulher-a-dias

«O cheiro de Deus – trânsito da crença na poesia de Adília Lopes» é uma iniciativa do projecto Bíblia, Comunicação&Arte da Universidade Católica Portuguesa (UCP) – ancorado na Faculdade de Teologia e no Centro de Estudos de Religiões e Culturas - a realizar dia 7 de Outubro, naquela universidade.

«A poesia como lugar teológico» e «As armas desarmantes de Adília Lopes» serão dois temas a abordar nesta actividade que tem o Alto Patrocínio da «International Federation of Catholic Universities».

Programa:
15 Horas – «A Poesia como Lugar Teológico»
Peter Stilwell (FT). Moderador: João Lourenço (FT-CERC)
16 Horas - «As Armas desarmantes de Adília Lopes»
Rosa Maria Martelo (Fac. Letras do Porto). Moderadora: Maria Antónia Vasconcelos (Didaskália)
17 Horas – Pausa
17.30 Horas - «Deus é a nossa Mulher-a-dias» Uma audição teológica da poética de Adília Lopes
José Tolentino Mendonça (FT-CERC). Moderador: Alfredo Teixeira (IUCR-CERC)
18.30 Horas – Recital por Adília Lopes
Lançamento de «Dobra». Poesia Completa.

Fonte: Ecclesia

Sant’Egídio continua em Moçambique

Sobre a paz em Moçambique e a Comunidade que conduziu as negociações (aqui):

No dia 4 de Outubro de 1992, após 27 meses de intensos colóquios junto da Comunidade de Sant’Egídio em Roma, era assinado o acordo de paz que punha cobro a uma longa e sangrenta guerra civil em Moçambique. O acordo, o único assinado em Itália na época contemporânea, funcionou. O caso de Moçambique é um dos poucos exemplos felizes de uma negociação que tenha gerado uma paz duradoira em África. Há 16 anos que Moçambique vive em paz, sólida e estavelmente.

Sant’Egídio está hoje presente em 120 localidades do País, com comunidades empenhadas na proclamação do Evangelho a todos e em actividades de apoio aos mais fracos. As Comunidades de Sant’Egidio em Moçambique sentem a responsabilidade de continuar a construção da paz através da educação das crianças nas Escolas da Paz, na amizade com os prisioneiros, com os idosos, na ajuda ao programa DREAM para a luta contra a SIDA.

4 de Outubro de 1992. Acordo de Paz para Moçambique assinado em Roma

No dia 4 de Outubro de 1992 foi assinado em Roma o Acordo Geral de Paz, entre o governo de Moçambique e a RENAMO. O acordo foi assinado sob os auspícios da Comunidade Sant’Egídio.

Ser Papa é complicado

"Ser Papa – porque se é bispo de Roma em comunhão com os bispos do mundo inteiro – e chefe de Estado, ainda que minúsculo, pode ter vantagens diplomáticas, mas presta-se a confusões que os porta-vozes do Vaticano e das conferências episcopais terão sempre dificuldade em gerir", escreve Bento Domingues, no Público de hoje, a propósito das contradições entre o Presidente da República e a Conferência Episcopal Portuguesa na altura de anunciar a vinda do Bento XVI em Maio de 2010.

sábado, 3 de outubro de 2009

Árvore do conhecimento - 3

Árvore do conhecimento - 2

Árvore do conhecimento -1

Por que razão o conhecimento tem de vir de uma árvore?

“Na minha ideia, esta progressão da ruína para a correcção está intimamente relacionada com a natureza do próprio conhecimento, que é, quanto muito, um processo: da ignorância para a consciência, da «ruína» intelectual para a sua «correcção», do caos indistinto para um estudo ordenado. O conhecimento, portanto, engloba ao mesmo tempo o ponto inicial, que é vazio, prejudicial, doloroso, e o ponto final, que é prazer. Na minha ideia, é esta qualidade do processo, do desenvolvimento, que só pode ocorrer ao longo do tempo, que responde, finalmente à pergunta por que razão o conhecimento tem de vir de uma árvore. Porque uma árvore é uma coisa que cresce; e o crescimento, como a aprendizagem, só pode acontecer ao longo e através do próprio tempo. De facto, fora do meio que é o tempo, palavras como «crescer» e «aprender» não podem ter qualquer significado”.

Daniel Mendelsohn, in "Os Desaparecidos", pág. 77.

Anselmo, os cristãos e a crise

Anselmo Borges, no DN de hoje, escreve:

“Frente a este título, temos, logo à partida, de reconhecer que é nos países de maioria cristã que estão os responsáveis maiores pela crise. Não foi no hemisfério Norte que começou? Por outro lado, é na Europa que se encontra hoje o melhor nível de vida da história, e o modelo social europeu é invejado. Mas há uma pergunta, aparentemente cínica, para a qual não é fácil encontrar resposta definitiva: somos ricos à custa do Terceiro Mundo? Eles são pobres porque nós somos ricos?”

O texto pode ser lido aqui.

Um ou dois comentários. Por vezes espanta-me que o padre da Sociedade Boa-Nova pareça ignorar que o dito sistema capitalista tenha mais de social do que os anti-neoliberais fazem crer, basta pensarmos nas férias, no subsídio na doença, no apoio no desemprego, na maternidade… Talvez aluda a isso quando refere a inveja pelo modelo social europeu. Mas depois faz afirmações anti-liberais que, de alguma forma, me assustam.

As perguntas “Somos ricos à custa do Terceiro Mundo? Eles são pobres porque nós somos ricos?” não são cínicas. São ignorantes. No sistema capitalista (melhor: de mercado aberto ou de livre mercado), todos podem ser ricos. Ou pelo menos remediados. E o sistema, se permite criar ricos, não obriga a que sejam ricos, nem impede que sejam solidários, quer se trate de pessoas, instituições, povos ou países.

Para todos serem ricos, é preciso haver condições básicas de estabilidade (que nenhum país pode impor ao outro), liberdade, esforço e criatividade. O sistema capitalista foi capaz de reunir essas condições – ou de surgir nessas condições. O país que as reúne, no espaço de uma ou duas gerações, fica rico ou pelo menos sai do subdesenvolvimento. A conjugação de liberdade económica com liberdade religiosa com liberdade política mais liberdade de expressão e de associação é uma fórmula de sucesso. Infelizmente, mesmo entre teólogos há quem não queira entender isto.

Por outro lado, a economia de mercado não é um jogo de soma nula, em que se um tem, o outro não tem. É um jogo em que um tem e o outro pode ter mais, mas todos podem ter. Até o Banco dos Pobres e o microcrédito funcionam nesta lógica. É preciso é crédito e trabalho, e não solidariedade inconsequente ou subsídios.

Sem dúvida que a solidariedade é necessária, entre pessoas, entre instituições, entre países, mas é preciso ser bem feita. E não me parece que o liberalismo regrado (e com valores) esteja errado. Parece-me, aliás, que é o único sistema económico que funciona. Só ele cria riqueza sustentável. E é, por muito que não se goste, um fruto do cristianismo. Esta “religião” vê a criatividade como dom de Deus e a liberdade como característica dos filhos de Deus. Julgo que só nela poderia surgir a economia de mercado, que é a economia da liberdade e da criatividade. E por isso só ela, sociedade cristã, enriqueceu. Foi nos países cristãos que apareceu o capitalismo, tal como a ciência moderna, tal como a solidariedade trans-nacional. É claro que as crises económicas só podem surgir onde há economia florescente. Quem está na pobreza nunca tem crises. Está sempre em crise. E também é claro que boa parte da crise acontece por falta de valores morais. Mas esses, como reconhece Anselmo Borges, só podem ser assumidos por pessoas. Ou seja, não é o sistema económico que produz riqueza que está errado, embora possa ter regras erradas e pessoas que subvertem as regras. No essencial, são as pessoas que estão erradas. Não vejo como será possível um sistema que não possa ser subvertido pelas pessoas. A não ser que estas passem a ser autómatos.

O dia a seguir ao de Acção de Graças

Um dia a seguir ao dia de Acção de Graças, segundo um blogue do Rocky Mountain News (aqui).
Aspecto do Wal-Mart de Lakewood, às 5 da manhã da Black Friday. Os clientes ficaram doidos, mas, felizmente, ninguém morreu, ao contrário do que aconteceu na loja de Nova Iorque, em que a avalanche dos consumidores matou um empregado.

Primeiro dia de Acção de Graças

O "Primeiro dia de Acção de Graças", segundo o pintor francês Jean-Léon Gérôme (1824 - 1904)

3 de Outubro de 1863. O dia de acção de graças passa a ser a última quinta de Novembro

No dia 3 de Outubro de 1863, Abraham Lincoln proclama como dia de acção de graças a última quinta-feira de Novembro. Decorria a guerra civil, mas o presidente dos EUA apontava “grandes coisas”,“graciosas dádivas do Deus Altíssimo”, como a “bênção dos campos frutíferos e dos céus saudáveis” e o “avanço dos exércitos da União”, para que todos comemorassem, em uníssono, um dia de agradecimento.

Para a fixação presidencial do dia contribuiu a influência da jornalista Sarah Josepha Hale (proclamação de Lincoln aqui).

Segundo a lenda, o dia começou a ser celebrado logo em 1621 pelos puritanos, após as boas colheitas de Outono, mas não havia dia fixo. A festa tem, sem dúvida, algumas semelhanças bíblicas com a Festa das Colheitas.

Actualmente o dia de Acção de Graças (Thanksgiving day) celebra-se na quarta quinta-feira de Novembro (há novembros que têm cinco quintas-feiras). A sexta-feira seguinte é a Black Friday – o dia de início da época natalícia de compras, o dia de maiores compras nos EUA.

No Canadá, o dia de Acção de Graças é na segunda segunda-feira de Outubro.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Tranquilidade

"O que reza o Pai-Nosso ao deitar-se pode dormir com tranquilidade".

Charles Péguy

2 de Outubro de 1979. João Paulo II discursa na ONU

João Paulo II visitou os EUA de 1 a 7 de Outubro de 1979. E afirmou na ONU, num discurso que obteve muito eco:

"O primeiro género de ameaça sistemática contra os direitos do homem anda ligado, num sentido global, com a distribuição dos bens materiais, muitas vezes injusta, quer em cada uma das sociedades singularmente, quer em todo o globo. É conhecido que estes bens são dados ao homem não somente como riquezas da natureza, mas na maior parte são por eles usufruídos como fruto da sua multiforme actividade, desde o mais simples trabalho manual e físico, até às mais complicadas formas da produção industrial, e às pesquisas e estudos de especializações altamente qualificadas. Várias formas de desigualdade na posse dos bens materiais, assim como no gozo dos mesmos, explicam-se frequentemente por diversas causas e circunstâncias de natureza histórica e cultural. No entanto, tais circunstâncias, se bem que possam diminuir a responsabilidade moral dos contemporâneos, não impedem que as situações de desigualdade se achem marcadas pela injustiça e pelo dano social" (o discurso pode ser lido aqui).

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Rousseau, o cristianismo e a Europa

“Todas as potências da Europa formam entre si um sistema que as una através de uma mesma religião. Não se pode negar que é sobretudo ao cristianismo que a Europa deve a espécie de sociedade que se perpetuou entre os seus membros”.

Rousseau, in “Deus e a Europa”, de Jean Boissonnat (Gráfica de Coimbra – 2), 62

Diderot e D’Alembert, o cristianismo e a Europa

“Pouco importa que a Europa seja a mais pequena das quatro partidas do mundo quanto à extensão do seu território, visto que é a mais considerável de todas pelo seu comércio, pela sua navegação, pela fertilidade, pela cultura e indústria dos seus povos, pelo conhecimento das suas artes, das ciências, dos ofícios e, o que é o mais importante, pelo cristianismo, cuja moral benfeitora não visa senão a felicidade da sociedade”.

Diderot e D'Alembert, in “Deus e a Europa”, de Jean Boissonnat (Gráfica de Coimbra – 2), 61,62.

(No mapa, Lisboa está no canto superior direito)

Voltaire, o cristianismo e a Europa

“A Europa é uma espécie de grande república partilhada por vários Estados, uns monárquicos, outros mistos; estes aristocráticos, aqueles populares, mas todos em correspondência uns com os outros, todos tendo um mesmo fundo religioso, embora dividido em várias facções”.

Voltaire, in “Deus e a Europa”, de Jean Boissonnat (Gráfica de Coimbra – 2), 61.

1 de Outubro de 1553. Maria de Tudor é coroada rainha de Inglaterra

No dia 1 de Outubro de 1553, Maria I, da casa de Tudor, foi coroada rainha de Inglaterra. Maria (1516-1558) era filha de Henrique VIII e de Catarina de Aragão. Foi a primeira mulher coroada em Inglaterra. Tentou restabelecer o catolicismo a todo o custo. Mandou matar três centenas de opositores, considerados heréticos. Ficou conhecida por “Bloody Mary”, “Maria, a Sanguinária”.

Há quem diga que com a sua política fez mais pela aceitação do anglicanismo do que o seu pai. A seguir reinou Isabel I (Elizabeth I).

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...